Sábado, 9 de Agosto de 2008

Da Série: eu ainda me bronho

Falando em Metallica...

Aqui, uma foto de quando ele estava em forma:

Mas o fato é que mesmo estando assim agora:

Eu ainda me bronho muito pelo James Hetfield.

 

PS: Aí no post abaixo tem a foto da capa do álbum novo do Metallica... me digam, não parece uma Xoxotona gigante??

Dobrado Por Henrique Haddefinir às 22:25
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The Real Puppets - My Best Of Metallica

Aí está!! A capa do novo álbum do Metallica:

Eu adorei!! Muito mais interessante do que a capa do anterior, "St. Anger". O problema é que há vários indícios de que ele não será mais interessante em outros itens. A começar pelas declarações de membros da banda que insistem em interpretar um retorno ao som antigo da banda como um ponto positivo. E no caso do Metallica, não é.

Não é pra mim, vamos deixar claro. Até curto uma canção ou outra daquela época, mas rock barulhento de garagem nunca foi o meu estilo. Sobretudo quando se une à cabelos compridos e suados e à uma atitude agressiva e transviada. E o Metallica chegou pra ser o pilar de sustentação dessa atitude. Vejam o nome do primeiro álbum:

E quando a gente ouve, dá vontade mesmo de sair matando todo mundo por aí.

Não que eu não reconheça o valor cultural ou mesmo musical desse tipo de som, mas no fim das contas, me parece que é um tipo de música que se apóia muito mais na atitude que a precede, do que na melodia exatamente. E música é melodia, não é minha gente. Com isso acho que todos concordam.

Ouvi muito pouco desse álbum. Na verdade, nem me lembro exatemente de tê-lo ouvido. O fato é que o Metallica chegou até mim nos anos 90. Através da paixonite que eu tinha por um amigo que estava vivendo em êxtase essa inclinação juvenil por buscar identidade em tribos. E o mais engraçado é que a tribo dos rockeiros acha que está fazendo exatamente o contrário: sendo original, transgressor e mostrando ter personalidade. Mas basta dar uma boa olhada neles pra perceber os cabelos iguais, as roupas iguais, as falas iguais, os gostos iguais, a repetição de atitudes e gestos copiados de ídolos... enfim, vá entender a cabeça deles.

Eu também tinha minhas idiotices de adolescente. E gostar de uma banda só por causa de um cara, foi uma delas. Por sorte não fui muito longe. Além de não ter entrado em tribo nenhuma, nunca consegui gostar das outras coisas que ele ouvia. Fiquei pelo Metallica mesmo.

E ele tinha quase todos.

Esse aqui eu pegava emprestado e ouvia só "Fade to Black", que era a faixa "lenta" do disco. O Metallica sempre tinha uma e era sempre a faixa 4.

Aqui no "Master", a faixa 4 era a "Welcome Home", mas nem por isso a melhor. Esse álbum foi o meu primeiro álbum da banda. A minha irmã estava sendo paquerado por uma loja de discos de rock e ele disse à ela que ela poderia escolher qualquer um. Ela não curtia rock e então pegou esse pra mim. Odiei quando ouvi de primeira. Mais tarde, percebi que era o primeiro disco que flertava com melhores construções musicais e que mostrava um pouco da inquietude da banda. "Battery" tem um dos mais belos inícios e é uma canção construída de modo arrebatador. "Master of Puppets" é longa demais, mas tem momentos muito interessantes. Assim como "Leper Messiah" e "Damage Inc.". Todas salvas por lindos solos.

Mesmo assim, pesado demais.

O "Justice for All" veio logo depois. E foi a primeira grande virada da banda. Ainda pesado, o álbum era surpreendentemente cru. Parecia algo feito sem nenhum tratamento técnico. Era estranho. Esquisito. E de um modo subversivo, era sofisticado.  E tinha a balada "One", conhecida por todos por seu inacreditável alcance popular. Muita gente ouve e gosta. E nem sabe de quem é.

No entanto, embora esse disco tenha sido uma grande surpresa, o ápice veio a seguir:

Sem título e com uma capa sinistra, o "Black Álbum" do Metallica foi a segunda grande virada. E até hoje não entendo porque essa virada foi aceita pelos fãs e a seguinte, com "Load", não foi. Sobretudo porque, sob certos aspectos, o Black Álbum era até doce e delicado.

Foi o primeiro disco da banda que me arrebatou pra valer. Era perfeito. Do início ao fim. E tinha duas das baladas mais lindas da história: "The Unforgiven" e "Nothing Else Matters". Que foram tão executadas na época e até hoje, que não dá nem pra ouvir mais. E tinha coisas incríveis, como "Enter Sandman", "Wherever I May Roam" (uma canção com viradas melódicas desafiadoras), "Through the Never" (que se você ouvir com fones, nota a bela distribuição de riffs para cada lado), "My Friend of Misery" (uma balada não assumida) e por aí vai.

O álbum é pesado, mas também é intenso, comovente e muito bem arranjado. E é aí que toca o ponto principal. A partir daqui fica evidente o quanto a banda passou a se preocupar com as melodias, com as experimentações e com os vocais do delicioso James Hetfield (quantas vezes já me bronhei por causa dele). James passa a cantar. E a banda não faz só barulho.

Até que chegou...

..."Load". A banda teve muitos problemas, passou anos sem gravar e apresentou ao mundo esse controverso álbum. Mudaram absolutamente tudo. O logotipo adorado pelos fãs. Os cabelos compridos copiados pelos fãs e a sonoridade excessivamente agressiva.

"Load" era odiado por mais da metade do mundo do rock. E eu, me deliciava. A experiência de ouvir as canções era quase religiosa pra mim.

Na minha cabeça, não conseguia entender porque as canções eram consideradas tão inferiores as do Black Álbum. "Load" tinha baladas, mas também tinha porradas.

Era a experimentação de coisas como "The House Of Jack Built" (com riffs eletrônicos incríveis) ou de "Cure" (com brincadeirinhas de bateria e vocal)?

Considero impossível fechar os olhos e tapar os ouvidos para coisas brilhantes como "Until it Sleeps", uma das canções mais bem construídas da história da música mundial. Com Lars arrasando na bateria e com solos de guitarra de arrepiar.

O álbum tem letras toscas como a de "Poor Twisted Me", mas também coisas geniais como "King Nothing". Temos baladas comovidas como "Mama Said" (com James mostrando todo  o poder de sua voz) e porradas diretas como "Wasting My Hate" e "Ronnie". Temos a canção épica "Bleeding Me" e a canção "que se prestarmos atenção veremos que é perfeita", "The Outlaw Torn (que é uma aula de bateria).

Enfim, é um grande álbum. E pra mim, absolutamente injustiçado. Porque era tão ruim se reinventar? Tentar fazer música? Desafiar-se? Afinal de contas, a coisa mais fácil do mundo pro Metallica seria fazer as mesmas canções agressivas, de refrões repetidos e temática violenta. Eles faziam isso dormindo. E apesar disso, os fãs mais xiitas e alguns críticos, insistem num preciosismo metaleiro que apenas por algum tempo o Metallica ignorou. Tempo suficiente para lançar...

... "Reload". Que é exatamente o que o título sugere. Uma continuação. Até porque a métrica é bem parecida e a musicalidade também. Trata-se na verdade de um álbum que seria lançado junto com "Load" (que seria duplo), mas que a banda acabou decidindo separar.

Aqui se repetem todos os prós e contras. E com esse lançamento, o Metallica torna milionários os seus integrantes, mas lança uma pá de cal no prestígio com os fãs.

O álbum tem coisas magníficas, como a irresistível "The Memory Remains" e a segunda parte de "The Unforgiven" (considerada melhor por alguns e um sacrilégio por outros).

Nesse álbum a quantidade de canções irrelevantes é maior. Mas ele se salva com as ótimas "Prince Charming", "Carpe Diem Baby" e "Fuel". Se em "Load" a balada era Mama Said, aqui é a quase lúdica "Low Man's Lyric", que tem uma inacreditável base construída com um instrumento que lembra a gaita de foles. E a última canção, chamada "Fixxer", também segue a mesma métrica de última canção de "Load" e é tão boa quanto.

O fato é que depois desse álbum, o grupo resolveu fazer um intervalo. Um tempo depois, lançaram um disco de covers:

O álbum era duplo. O disco I era dos covers propriamente dito. O disco II de gravações de garagem de quando a banda nem era famosa.

Os fãs passaram horas ouvindo o disco II e relembrando a época da barulheira. Eu passei horas ouvindo o disco II e saboreando pérolas como "Turn the Page", "Astronomy" e "Loverman", essa última inclusive, é um dos melhores arranjos da banda e tem um melhores registros vocais de James. Ele abusa de charme, sensualidade e poder nessa canção. Um achado.

Esse disco I ainda tem uma ótima versão de "Dye, Dye, My darling", "Sabra Cadabra" e a inesquecível "Whiskey  in the Jar". Os covers terminam com direito a uma reunião de amigos babacas da banda cantando "Tuesday 's Gone" (ao final da canção ouvimos as vozes de todos falando babaquices e emitindo grunidos).

 

Depois do "Garage", a banda entra em ibernação. E passam vários anos tentando afastar os monstros dos desentendimentos, do alcolismo de James e da saída conturbada de Jason.

Tudo isso pode ser visto no estranho documentário "Some Kind of Monster", que através de um exebicionismo bizarro, registra todos esses momentos. Hábito que o Metallica já tinha demonstrado, ao lançar logo após a chegada do Black Álbum ao mercado, uma fita com os bastidores desse disco. E que incluiam todos os altos e baixos.

Em "Some Kind of Monster" podemos ver as brigas de Lars e James, os psicólogos contratados servindo de chacota pra eles, a arrogância de Lars quando vai ao show de lançamento da banda de Jason (que sai do Metallica porque é proibido de ter projetos paralelos), a patética tentativa de recuperação de James e por aí vai...

O resultado disso é o conturbado:

"St. Anger" é lançado com ares de recomeço. E é só aí que fica claro como os senhores do Metallica desaprenderam a desafiar os padrões pré-estabelecidos.

Com a desculpa de que precisavam fazer algo agressivo por conta de tudo que estavam passando, eles foram atrás de antigas referências e criaram algo que em muito lembra a crueza e amadorismo de "Justice for All".

Esse álbum tem canções promissoras como "The Unnamed Feeling" e "All Within My Hands", mas que não chegam a lugar nenhum por conta do compromisso em ser "pesado", "violento", "irado".

A melhor canção do disco é a intensa "Dirty Window" e que tem a melhor frase também: "Eu sou o juiz, o júri e sou o executor também".

"Frantic" também flerta com a genialidade e a canção de trabalho, "St. Anger", é a única com um pouco do espírito dos álbuns mais leves.

 

Com isso tudo, o Metallica parece ter decidido ir atrás do prestígio perdido com os antigos fãs e com parte da crítica. Eles estavam confortáveis na posição que consolidaram, decidiram desafiar tudo, mas acabaram sendo fracos e voltando atrás.

Não tenho boas expectativas quanto ao "Death Magnetic". Já pelo título. Acho que o clichê do trash metal que se apoia em chavões baseados em "morte", "sangue", "fúria" e coisa dos tipo ficou pra trás. Soa reciclado e forçado vindo da boca de homens que já estão com quase cinquenta anos. A coisa é tão intencional que até ao antigo logotipo eles retornaram.

No fim das contas, eles se tornaram os verdadeiros bonecos de sí mesmos. E isso é uma grande perda em se tratando de uma banda que podia ser tudo, menos previsível.

 

My Best Of Metallica

1. Battery

2. One

3. Through the Never

4. Nothing Else Matters

5. My Friend of Misery

6. Until it Sleeps

7. The House Jack Built

8. Mama Said

9. The Outlaw Torn

10. The Unforgiven II

11. Carpe Diem Baby

12. Low Man's Lyric

13. Fuel

14. Loverman

15. Astronomy

16. Whiskey in the Jar

17. Turn The Page

18. Dirty Window

19. St. Anger

 

Dobrado Por Henrique Haddefinir às 18:49
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