Segunda-feira, 27 de Dezembro de 2010

Gramofone de Ouvido

Train

“Save me, San Francisco”

 

Conheço o Train desde o início dos anos 2000. Meu primeiro contato com a banda foi através da trilha sonora do seriado Dawson’s Creek. Eles já tinham lançado o apagadinho Self-Titled e estavam colhendo os frutos do bem sucedido Drops Of Júpiter. A canção que dá título ao álbum tinha sido indicada ao Grammy. Depois veio o irregular My Private Nation, com canções intrigantes como Get to Me, mas também cheio de bobagens. Eles se corrigiram no bom For me it’s you e parecem ter encontrado o equilíbrio com o recém-lançado no Brasil Save me, San Francisco.

 

Hey, Soul Sister ganhou as rádios de todo o país com seus riffs de bandolim e até conseguiu a façanha de fazer parte da trilha da novela Ti ti ti. O que acho ótimo. Garante o lançamento dos álbuns da banda em território nacional.

 

No entanto, o álbum, apesar de ter umas perdas de tempo como Parachutes e If it’s love, tem ótimos arranjos. Os destaques são para I got you (com uma bateria poderosa), This Ain’t Goodbye (que mostra como nunca antes o poder dos vocais), You Already Know (com uma potência impressionante e um refrão surpreendente), Words (a única boa balada do disco depois de This Ain’t Goodbye). Já Brick By Brick é meio picolé de chuchu. Não é ruim, mas não é boa. Breakfast in Bed tem a pretensão de desconstruir a fórmula do álbum e até consegue. Mas não é tão boa. E Marry Me é uma bobagem sem tamanho e surgiu provavelmente de mais uma daquelas tentativas toscas do vocalista de homenagear a mulher. O que é uma pena, já que as últimas canções dos álbuns do Train tendem a ser muito boas. E não podemos deixar de falar da competência das duas primeiras faixas. Hey, Soul Sister e a que dá título ao disco.

 

A versão americana do álbum tem uma canção extra que não está disponível no Brasil. Chama-se Half Moon e seria uma boa despedida do disco se incorporada à ele no lugar de Marry Me.

 

Enfim, o Train segue em sua trajetória de maneira interessante e ainda me garante muitos momentos de diversão. Vale a pena comprar o disco e aproveitar também a bela arte do encarte.

 

 

 

 

 

 

 

Maroon 5

“Hands All Over”

 

O primeiro single do novo álbum do Maroon 5 já está tão batido nas rádios que já virou vítima dos mais impacientes. Misery é uma abertura injusta para um álbum muito mais coerente que o antecessor, o misturado It Won’t Soon Before Long. Mesmo confuso, o álbum anterior tinha a poderosa If I never see your face again como abertura e te arrebatava logo de cara. Misery é animadinha, mas depois das primeiras audições, começa a mostrar sua fraqueza estrutural.

 

Mas começa assim a nova empreitada do Maroon. E já na segunda canção, eles pedem mais um pouquinho. Give a little more é que começa a revelar a genialidade desses caras. Ninguém consegue fazer pop como eles. É uma capacidade curiosa de misturar elementos eletrônicos, percussão, detalhes acústicos e rock. Sim, rock. E tudo isso com umas letras ingênuas, metidas a maliciosas que tornam tudo ainda mais bonitinho.

 

Da primeira a última faixa, sem exceções, os caras conseguem encontrar uma maneira de arranjar a música e torná-la encantadora e candidata a bomba comercial.

 

Eu destacaria Don’t Know Nothing (com um pianinho gostoso e um uhhh uhhh uhhhh irresistível), Never gonna leave this bed (feita pra virar hit e com um refrão que você fica repetindo sem parar), I can’t lie (daquelas que você imagina uma praia e uma galera bonita fazendo um luau), Runaway (bateria perfeita e outro refrão irresistível) e a comovente How, cheia de intensidade, uma letra inspirada e interferências vocais encaixadinhas. Não dá pra não ouvi-la sem se tocar pelas súplicas do personagem. É um despertar da banda que sem dúvida tira você do eixo.

 

Ainda temos as baladas, que nunca foram o forte da banda, mas que mesmo assim tem seu valor. A versão brasileira do álbum tem um cover de Crazy Little thing called Love que não tem na versão americana. Em compensação, a versão americana tem as poderosas Last Chance e No Curtain Call, que não constam na versão brasileira. Além de versões acústicas de Misery e Never gonna leave this bed.

 

Enfim, o Maroon 5 continua no topo. Agora não é mais novidade e não há mais tanta comoção, mas mesmo assim, não há nenhuma banda que consiga fazer essa mistura doida de rock e pop de maneira tão objetiva quanto eles e conseguir mesmo assim fazer dar certo.  

 

 

 

 

 

Deas Vail

"Birds And Cages"

 

Mais uma vez, meu maravilhoso e generoso amigo Ney, me presenteia com essa pérola do rock que merece todas as nossas mais incríveis reverências. Essa banda complicada de catalogar ou explicar tem um nome tão complexo quanto. Uma procura ávida no Google te dá poucas informações. E à primeira vista, esses vocais emocionados, essa sonoridade hora crua e hora diáfana, esses flertes amorosos e filosóficos, podem acabar assustando você. Mas por favor, não se deixe levar. Aliás, deixe-se levar sim, mas pela beleza dessa banda.

 

Birds and Cages poderia ser encarado como uma tradução livre da ambiguidade. E talvez explicar demais essa metáfora empobreça o disco. Mas citar a genialidade com que passeamos por esses dois conceitos durante a audição é indispensável.

 

Começamos com The things you were, onde com um refrão arrebatador e um arranjo forte, cheio de cordas e violinos, fala de alguém que recebeu uma dádiva: algo pelo que viver. Mas de súbito, esse otimismo é devastado pela deliciosa Growing Pains. Com uma bateria incrivel, os vocais se perguntam o que é um nome? se todos parecemos iguais na escuridão? E numa epifania simples, nos deparamos com um conceito de inevitabilidade: a vida é um livro sobre a prateleira, com uma história não contada. Partimos para um dos singles do disco. Excuses talvez tenha sido escolhida por ser possível de interpretar-se como uma crônica sobre a guerra. Também tem um refrão forte e é uma transição importante para a primeira faixa que dá título ao disco. Cages é uma outra crônica, só que sobre o isolamento. Não é nem genial, visto que essa é a primeira coisa que nos passa pela cabeça ao ouvir a palavra gaiola. Mas aqui, com a arte do Deas Vail, isso é feito de maneira eficiente e bela. A letra é segura e foge do clichê. Fala de nós mesmos enquanto partes desse contexto perigoso: Nós nos tornamos a equação moderna. Os números da esperança. E por mais que no refrão, o personagem da canção fale do quanto gostaria de fazer alguma coisa, o máximo que conseguimos é um final belíssimo em que a possibilidade de redenção nos faz seguir adiante. E tudo isso com um coro masculino de arrebatar qualquer coração de pedra.

 

A entrada em cena de Birds, pede um parágrado só para ele. Eu nem vou falar da letra ou isso vai virar uma resenha-monstro, mas se não bastasse uma das melhores construções literárias em forma de música que eu já vi, a canção tem tanta beleza. Tanta beleza que nem sei! Além dos vocais brilhantes, os falsetes perfeitos, a virada de piano perto do final, a emoção... A música é uma ofensa de tão linda. E a letra, que fala basicamente sobre a nossa deficiência de ajuste humano, pode ser lida na íntegra aqui: http://letras.terra.com.br/deas-vail/1581507/traducao.html. MAs se você tem alguma dúvida da genialidade dela, presta atenção nesse trecho:

  
We are just figurines
with a theology
that we don’t understand.
  
Aí passamos para uma transição de 48 segundos que já nos desafia. E então Dance in perfect time chega sem aviso. Tem tanta ternura nessa canção que mal posso descrever. Posso falar do arranjo de violinos assustador de tão perfeito e do vocalize que divide a canção e que te transporta pra uma dimensão nova. O interlúdio de 48 segundos se incorpora genialmente à canção e encerra essa pedrinha preciosa com mais uma questão filosófica de brinde.
 
As reservas humanas ganham o procênio novamente. Sunlight talvez seja a mais fraquinha do disco, mas se salva pela sua letra incisiva. Enquanto estivermos engaiolados em conceitos de proteção e cinismo, jamais será possível amar ou ser amado. E essa idéia clichê se forma na nada clichê Puzzle and Pieces. Os vocais principais masculinos, unidos à voz melódica da tecladista deixam qualquer um sob estado de graça. É quase uma canção de ninar. Então The Great Physician, sóbria e menos enfeitada, anuncia The Leaper. Mais violinos te desarmam logo depois da primeira virada da música. Outra letra cheia de enigmas e significados escondidos, daquelas que eu adoro, cheias de potencial catártico.
 
E finalmente, Atlantis, encerra o álbum deixando você em choque! O título já é uma brincadeira fascinante com a letra. Estamos novamente perdidos entre os conceitos de isolamento, de resguardo pessoal, ao mesmo tempo em que podemos encarar essa letra simplesmente como uma oração em prol dos que aguardam a ressurreição das profundezas escuras onde estejam inseridos. Metaforicamente ou não. A Atlantis em sí. Ou de cada um. Uma cegueira por sí mesmo ou mesmo a claridade de se ver o outro. A música é um desbunde de arranjo. Tem muitas viradas profundas e um climáx de arrepiar até os cabelos do saco. Tudo pra terminar com um solinho de violino que te corta o coração.
 
Deas Vail pode e deve ser encarada como uma banda de rock (a despeito do que diriam os mais puristas), mas é uma banda de arte musical. Lapidada e abundante. Merece toda a atenção.

 

 

Embrace

“The Good Will Out”

 

Sabe quando sem querer você encontra um tesouro escondido nas areias de uma praia paradisíaca? Então, o site Submarino.com é a minha praia paradisíaca e o álbum The Good Will Out, do Embrace, é o tesouro. Eu nunca tinha ouvido falar da banda, até o meu queridíssimo amigo Ney me passar algumas canções deles e eis que durante uma das minhas peregrinações no site, encontro esse álbum todinho, importado, baratinho, esperando por mim. E ele é a uma das coisas mais lindas que já tive o privilégio de conhecer.

 

Partindo desse título otimista (que aparece várias vezes nas letras de algumas das canções do disco), ao mesmo tempo, somos transportados para uma atmosfera de beleza, um tanto triste e um tanto terna, não só provocada pela voz emocionada do vocalista, mas também pelos arranjos tomados de cordas, violinos, pianos e detalhes, ornados de refrões arrebatadores, cantados em coros e sem nunca esquecer que tudo isso é rock, fazendo com que lá no final, uma guitarra retorcida feche tudo com chave de ouro.

 

Depois de uma pequena introdução instrumental, somos apresentados a All You good People. A canção é uma convocação. Pessoas de bem, me ouçam! Apoiada em uma base de bateria e guitarra, somos presenteados com solos de trumpete que lembram muito as surpresas do Blur, mas cheios da identidade vocal do Embrace.

 

Aí depois vem a primeira obra-prima do disco: My Weakness is none fo your Business. Sem refrão, a música é de uma superioridade artística impressionante. O vocal é uma súplica e um recado daqueles que não são sempre fortes, mas que representam também a força. A canção cresce para um final épico, uma orquestra arrebatadora e um la la la de cortar o coração.

Come back to what you know é uma bela maneira de dizer a quem você ama que você é um idiota e que merece mais uma chance. Até porque o refrão – de uma potência comercial imensa – tem uma frase maravilhosa: “volta pra mim pra eu ver que você está certa”.  A música tem arranjos de guitarra mágicos e é mais uma das que termina com o vocal calminho pra arrebatar seu coração.

 

One Big Family vem pra quebrar a calmaria. É a carência artística do disco, e talvez do Embrace. As canções mais agitadas não são muito boas. Tem muito ruído e se confundem. A força da banda está lá... em algum lugar... mas as guitarras estridentes não nos deixam ouvir.

 

E a segunda bomba de competência vem em seguida: Higher Sights já começa genial. Depois de uma introdução só de bateria, o vocalista diz: “O Silêncio é só o que eu tenho pra te dizer”. O bloco de renúncias e reflexões emocionais continua em mais um refrão de arrepiar a nuca.

A seqüência de maravilhas se mantém com Retread. Uma bateria perfeita. Um riff de guitarra irresistível e um refrão de matar! A letra é um achado. Com um discreto senso de soberania, o personagem diz a sua amada que ela está no escuro e que se ele é o único a trazer-lhe a luz, então ela continuará nele. O trecho “You know if you had a wing you'd be the last to know you could fly. He strokes your hair to keep you down. Will you fight?”, deixa isso muito claro. Mas se não bastasse ele dizer isso de maneira deliciosa, a canção nos engana com um silêncio repentino para logo em seguida começar a gritar “Will you fight?”. E é como se ele sacudisse essa pessoa enquanto um belo arranjo lhe serve de trilha sonora. É lindo. Não tem como não se arrepiar inteiro.

 

I Want the World vem quebrar a calmaria de novo. Com umas palminhas charmosas, a canção é mais promissora. Mas a irritação provocada pelo exagero nas guitarras retorcidas, ainda continua. You’ve Gotta Say Yes mantém o ritmo acelerado. Não chega a ser bacana, mas não deixa o disco cair. Prepara o terreno para Fireworks, que te gela a espinha só com a introdução de violoncelos. Falando de amor novamente Fireworks mantém a linha do engano. O personagem ainda não seu deu bem, mas de alguma maneira, isso parece não ter interferido na sua capacidade de ver a luz no fim do túnel. Ou seja, the good will out. Passemos batidos por The Last Gas, outra canção barulhenta que não diz muito a que veio, e cheguemos a That’s all changed forever, outro tratado da banda com o que existe de mais belo e comovente na arte da música.

 

Digamos que você tenha feito muito esforço para fazer alguma coisa dar certo e no final das contas, percebeu que nada adiantou. O personagem da canção diz que perdeu metade do que poderia ter sido quando ela se foi para o outro lado. Mas ao mesmo tempo, o sofrimento, a angústia, o medo e a tristeza não tem só uma vertente. E então um sentimento lhe desce pela garganta quando ele percebe que alguma coisa mudou, pra melhor. Quando ele percebe isso, não há mais preocupações e dúvidas. O melhor está por vir. E com um refrão arrebatador, emocionante, tocante, capaz de provocar emoções indescritíveis, dosando brilhantemente as guitarras e violinos, ele diz: Eu mudei. Pra melhor. Pra sempre. Espere até ver como eu mudei. Pra melhor. Pra sempre. E ele vai gritando isso com uma força emocional incrível. Ele se liberta. É um rasgo. Uma agressão lírica e se as suas lágrimas não escorrerem, é porque você já perdeu seu coração no meio do caminho.

 

O hiato chamado Now You’re Nobody tem uma letrinha pequeninha e uma imensidão de talento. E é isso mesmo. Um hiato. Um intervalo para que nos recuperemos de That’s All Changed Forever. Mas apesar de ser transitória é bela. Cheia de detalhes e delicadeza. E precisamos tentar nos expurgar das emoções anteriores, porque a canção que dá título ao disco, merece toda a nossa atenção.

 

Com um pianinho discreto, The Good Will Out começa. Quando o primeiro vocal vem, você já começa a se mexer na cadeira (ou na cama, ou no ônibus, ou onde estiver). Você sente que tem alguma coisa ali. Alguma coisa forte. E nosso personagem nos diz: engula o seu orgulho. É errado e eu vou te ajudar a esconder. Eu sinto sinceramente que você é muita coisa. Muita coisa ao mesmo tempo”. E subimos mais um degrau. A canção se reconfigura. Ganha nova forma. E começamos a entender que jamais saberemos o quanto ela é boa, até que venha a nova camada. E surpreendentemente, essa epifania se confirma com o que a letra quer dizer: Você não sabe o quando bem pode fazer, até ficar mal. Você só tem que ir, e o bom virá. E a canção repete esse ultimato três vezes, antes que um absurdamente comovente coro de la la la exploda no arranjo e termine de te conquistar.

 

O Embrace termina seu trabalho aos poucos. Abaixando calmamente. Indo embora enquanto vê você ficando pra trás. Enquanto se pergunta se você entendeu que quem cai, levanta. Que quem chora, depois ri. Que para a doença, há a cura. Que estar bem é fazer o bem. Que a mudança não vem para os que não tentam. Sai de casa. Tenta. Se revele mesmo que tenha medo. O alívio é melhor que a fuga. Saia do armário para os que te amarão mesmo assim. Vista-se como tem vontade, para os que admirarão sua individualidade. Exponha-se. A exposição te aproximará dos que te prezam. Ignore os medíocres que querem que o mundo seja igual. O prazer de ver alguém que te defende é tão bom que quase justifica o desprazer dos que te rechaçam. Lembre-se acima de tudo: para cada comentário negativo, haverá um elogio. Para cada infortúnio, virão a galope os cavaleiros da esperança. Caminhe pelas ruas iluminadas pelo Sol. E o que é bom virá ao seu encontro. O que é bom vai te seguir.

 

 

 

 

 

Dobrado Por Henrique Haddefinir às 22:28
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