Quarta-feira, 8 de Junho de 2011

Argumento em Série - Body Of Proof

 

Existem, no mundo em ebolição das séries de TV, dois tipos de fãs distintos: os que apreciam a trajetória e os que apreciam a forma. Eventualmente, surgem fãs que abordam essas duas maneiras de entender uma série, mas geralmente há uma separação bem específica de ambos.

 

Eu faço o tipo que aprecia a trajetória. Ou seja, tenho uma admiração maior por séries que costuram uma narrativa fragmentada, que exige um nível máximo de atenção e fidelidade, que despejam lentamente ao longo dos episódios, pistas que ajudam a chegar ao núcleo motivador daqueles personagens. E não pensem que são assim apenas as séries de mistério, como Lost, The X-Files ou Fringe. Se o roteirista for esperto, pode unir sua série da mesma atmosfera "caso da semana" sobre a qual falamos, com uma boa costura narrativa que exige mais de um episódio pra ser resolvida. Algumas séries que geralmente se situariam nessa categoria sistemática do "caso da semana", exatamente por estarem entendidas como "policias", "médicas" ou "familiares", conseguiram ir além desse clichê e nos presentear com bons plots de natureza longuilínea. Alguns exemplos são: The Shield, uma série policial com casos semanais e ao mesmo uma costura interna que fazia crescer uma tensão em torno dos crimes cometidos pelo protagonista. Outro bom exemplo é Grey's Anatomy, que faz da vida pessoal dos médicos uma grande parte de sua estrutura narrativa (embora esses dramas funcionem mais como uma extensão anual). Dramas adolescentes como Dawson's Creek , Gilmore Girls e The OC, também extendiam suas tramas para além da "temática da semana" e preparavam os personagens para ordens de comportamento continuativas. Com dramas como Sopranos, True Blood e The West Wing, a continuidade era imprescindível, porque suas evoluções dependiam de arcos longos de desenvolvimento.

 

Enfim, estou falando tudo isso porque dessa maneira fica mais fácil entender o outro lado da moeda: as séries que são apenas "o caso da semana". E por mais que os protagonistas vez ou outra incorporem um fator pessoal à sua rotina, no fim das contas essas séries trabalham todas com a premissa de que seus "heróis" e suas habilidades são sempre o foco principal. E na atualidade televisiva, esses protagonistas todos têm a mesma coisa em comum: são profissionais quase mágicos em sua área e sofrem todos de uma disfunção social gravissima. Temos a capacidade de diagnóstico absurda de House, a capacidade de desvendar mentes de The Mentalist, a capacidade de desvendar mentiras de Lie to Me, a capacidade de disfarçar-se sob qualquer perspectiva de The Closer, a capacidade de entender um cenário de desaparecimento de Without a Trace...  e por aí vai. Todos com uma coisa em comum: vidas pessoais despedaçadas e personalidades perturbadas. Nessas séries, predomina a trama policial-médico-científica, e as vidas dos protagonistas são só um pano de fundo para moldar suas atitudes inesperadas (ou pelo menos eram antes do House) de choque social. Elas têm todas a mesma estrutura narrativa: caso complicado, desenvolvimento de reviravoltas, especulações erradas sobre o assassino, coadjuvantes como alívio cômico e o protagonista desvendado o crime com uma sacada que ninguém previa. E nessa estrutura, várias dessas séries encontram prestígio e longevidade.

 

Não sabemos ainda se esse será o caso de Body Of Proof. Estrelada por Dana Delaney, a série tem essa mesma fórmula e em seu caso, temos uma médica legista que fora uma brilhante cirurgiã e que depois de um acidente tem que abrir mão da carreira e passar a estudar cadáveres para solucionar crimes. A premissa de que um corpo esconde os segredos de sua morte é muito boa e a série tem uma maneira competente de nos entregar essa estrutura do previsível dentro do imprevisível. Ou seja, pelo tipo de série em questão, sabemos que o final será uma surpresa e que o assassino ou o motivo da morte, não serão aqueles sugeridos durante o episódio. Então nos deixamos "surpreender" pelo que já sabemos que será uma surpresa.

 

O elenco é bom e Dana convence como uma mulher que negligenciou a família pelo trabalho e acabou perdendo a chance de exercer esse ofício. Ela então tem que se adaptar à nova realidade e tentar recuperar o amor da filha e (pelo jeito) do marido.

 

Houve algumas comparações com House, que até se justificam enquanto estrutura narrativa, mas Megan está longe de ser o monstro social que House é, e essa divulgação velada a respeito de sua incapacidade de convívio social logo se revela um embuste. A grosseria e insensibilidade de Megan vão ficando pelo caminho e no final de uma temporada de apenas nove episódios, já temos uma mulher respeitada pelos colegas, com uma relação de amizade consolidada com o parceiro (vide a relação entre House e Wilson), uma clara evolução maternal e uma profusão de emoções diante de casos que representem algum de seus dramas pessoais. Enfim, menos de dez episódios já parecem ter resolvido as mazelas sociais da protagonista, então, qual será o futuro de Body Of Proof?

 

Pelo visto, esse futuro estará situado nas tentativas de Megan de recuperar o marido. Depois de um fraco Season Finale, que não desenhou nenhuma perspectiva que não fosse a tensão entre Megan e a chefe Kate (que agora transa com seu marido), parece que os roteiristas não pretendem entregar aos fãs nada além dessa fórmula "cadáver semanal" que a série, reconheço, tem uma imensa competência em realizar.

 

A temporada 2011/2012 já aprovada para Body of Proof é sua chance de demarcar a qual categoria narrativa pretende fazer parte. Se será só mais um "mais do mesmo" de categoria avançada... ou se nos desafiará com turbulências menos previsíveis.

Dobrado Por Henrique Haddefinir às 18:50
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Quinta-feira, 26 de Maio de 2011

Argumento em Série

The Shield - Series Finale

 

 

Eu tenho muita sorte.

Mesmo que por alguma razão eu fique distante de ótimas produções seriadas e elas até cheguem a acabar sem que eu perceba, o destino dá um jeito de me colocar diante delas novamente. Foi assim com a incrível The Shield. Embora não tenha feito o mesmo barulho que a superestimada 24 horas, é quatro vezes mais competente em matéria de roteiro.

Ano passado, passando pela Band no horário nobre, dei de cara com um episódio da série. Parei, confesso, porque achei o Michael Chiklis um tesão! Mas o episódio em questão, o último da primeira temporada, era tenso, cru, e ainda acabava daquele jeito que eu adoro: musiquinha bombástica entrecortada por momentos dramáticos. Reservei a informação. Meses depois assistindo os extras da última temporada de Lost, encontrei muitas referências ao famoso final de Vic Mackey, protagonista de The Shield. O meu amado bichinho carpinteiro que adora correr atrás de referências entrou em ação. Loquei as três primeiras temporadas e amei!! The Shield era tudo aquilo que diziam e muito mais.

Comecei a baixar as temporadas restantes e depois dessa longa maratona, ontem a noite, com muito pesar, conheci finalmente o tão comentado final que encerrou a vida de crimes do policial mais corrupto da televisão mundial.

 

O series finale teve duas horas de duração, e sem entrar em pormenores, nos presenteou com uma séries de acontecimentos bárbaros que são o orgulho de qualquer fã. O desmantelamento do Strike Team, da maneira mais horrível e coerente, foi sem dúvida o ponto alto. Os valores emocionais de Vic sendo postos a prova em confronto com a ausência plena de moralidade. A carta de despedida de Shane foi tão contundente que chegou a ser inverossímil diante da sempre estúpida mente do personagem.

 

 
Embora o destino de Vic tenha sido realmente devastador - chega a dar um nó no estômago - reside na sua relativa impunidade jurídica uma ironia brutal: dois membros de seu time foram punidos com a morte, outro com a cadeia, e sobrou a Vic a prisão intelectual que é, de fato, absolutamente condizente com a manipulação psicológica constante que ele exerceu sobre todos a sua volta.
O criador Shaw Ryan só deixou a desejar com os coadjuvantes. Esqueceu Julien e Danny quase completamente, não foi a fundo com Aceveda e podia ter dado a Dutch um fim menos contemplativo. Tive esperanças de que ele tivesse mesmo matado a mãe de Lloyd e se tornado aquilo que ele mais perseguia - afinal de contas, o primeiro passo, matar animais, ele já tinha dado - e compreendia. No entanto, parece intrigante que essa relutância na maximição dos coadjuvantes mesmo em se tratando de um final, ao mesmo tempo soe tão correta.
 
Estou muito feliz de ter tido a oportunidade conhecer essa produção - que encerrou-se em 2008 - e mais ainda de ter visto 7 temporadas de qualidade reconhecida. Uma tensão crescente que ao contrário de 24 horas desafiava e surpreendia sem reviravoltas absurdas, sem soluções mágicas e sem covardia. Uma grande série que merecia ser vista por todos!
 
Da carta de despedida de Shane:
 
"Os culpados são eu e o Vic. Vic conduziu, mas eu continuei seguindo. Eu não acho que um é pior do que o outro, mas nos transformamos em algo pior do que éramos individualmente. Quem me dera que eu nunca tivesse conhecido ele."
 
 
Parenthood - Season 1
 

 

Tá vendo esse cartaz aí? Pois bem, ele resume tudo que essa série é e tudo em que ela se apoia.

Pobrezinho do Peter Krause, que achava que depois de tanto prestígio com Six Feet Under, ele é que seria o carro-chefe de uma campanha publicitária. A NBC se segurou mesmo na Lauren Grahan e a partir dela e de seu apelo junto ao público por conta de sete anos de Lorelai, que essa produção baseada no filme de Ron Howard (o mesmo de Uma mente brilhante), estreiou.

 

As expectativas são traídas logo no início. Vindo claramente na onda de Brothers & Sisters (que por sí só não segurou nem duas temporadas de prestígio) e esperando o mesmo reconhecimento, Parenthood é tão superficial que dá dó. Ao contrário de B&S, que tem em sua primeira temporada um senso de espetáculo e um texto primoroso, sua prima da NBC não seria nada se não fosse o carisma de Lauren. Ela mesma aliás, também muito equivocada em insistir no mesmo corte de cabelo e nas mesmas expressões cristalizadas de Lorelai. A questão é que há tanta paixão por parte dos fãs de Gilmore Girls, que essa boa vontade, mesmo sem querer, acaba expandindo-se para tudo que ela faz.

 

A trama é boba. Não há um só respiro de originalidade - não pensem que a doença de Max salva aquele núcleo da chatice total - e as reações dos personagens passaram pela mesma apostila de todos os dramas familiares. Sabe aquele ciclo idiota de "eu descubro um segredo e não te conto, aí quando você descobre briga comigo porque eu não te contei e então uma música triste toca e eu choro"? É assim. E talvez B&S tenha começado a ficar péssima porque isso passou a acontecer demais. E sem a parte boa pra compensar. Porque pra assistir um drama familiar tem que ser assim. Tem que ter a parte boa pra compensar os clichês do gênero. E Parenthood insiste em só ficar com os clichês e copia a pior parte de B&S. É serio, assistam Brothers & Sisters e vão saber do que eu estou falando. É quase plágio, minha gente.

 

A primeira temporada chegou ao fim pra mim e não me sinto nem um pouco compelido a seguir adiante. Salvo alguns momentos felizes de humor e ironia, nada de valor ficou dessa experiência a não ser a referência futura. O season finale foi protagonizado por duas adolescentes e por isso mesmo acabou sendo imaturo, superficial e confuso. Me arrancou algumas lágrimas, afinal de contas eu sou meio bobo, mas dois segundos depois eu tinha esquecido porque.

 

 

Glee - Season Finale

 
Não foi nem de perto tão bombástico quanto o final da primeira temporada, mas foi imensamente mais correto e seguro.
O season finale de Glee essa semana mostrou que se quiser, Ryan Murphy pode dar a seus personagens o tom correto de humor, drama e coerencia. Sem passar pelas desnecessárias gags temáticas que permeiam todos os episódios.
 
Tal qual Rachel e Kurt (em cena memorável), eu estava em estado de graça diante de Nova York. Não é novidade pra ninguém que aquele é meu bálsamo. Meu ponto de fraqueza e meu sonho de consumo. Estar naquela cidade deve mexer com os culhões de qualquer cidadão, de um que já tenha uma pré-disposição à fantasia então... Eu sou uma homenagem viva àquela cidade. Mesmo que eu não signifique nada pra ela. E assim como Rachel diz a Kurt: acho que só você entende o que eu estou sentindo aqui, eu também diria aos dois.
 
Encerrado o capítulo amamos Nova York, a competição de corais passa a ser o centro. E não é um centro muito empolgante, devo confessar. Não há números arrebatadores como os que vimos antes e mesmo a apresentação do New Directions é morna, entrecortada pelo dueto maldito entre Finn e Rachel. O Vocal Adrenaline cometeu os erros mais crassos. A apresentação deles foi tão ridícula que chegou a dar pena. Não teve nenhum trabalho de grupo e se resumiu a um show da baixinha de voz absurda com coreografia boba por trás. Adorei o New Directions não ter ganho, mas com aquele trabalho tosco do Adrenaline, qualquer um ganhava deles.
 
A derrota do grupo faz com que a terceira temporada se situe novamente na busca pelas Nationals. Pelo que entendi a vitória em Nova York não representaria a vitória final, mas sim a classificação entre os 10 mais. Mesmo assim, Ryan Murphy optou pelo retrocesso total e ano que vem começa tudo de novo.
 
Não teve Karofsky como eu queria, mas ainda assim Kurt esteve muito bem ao lado de Rachel. Ela, aliás, protagonizando pela primeira vez uma série de cenas que mostraram que finalmente os roteiristas começaram a respeitá-la. Acho que o momento em que ela diz que seu verdadeiro amor é o palco é um dos mais honestos e corretos da personagem.
 
Então que venha a terceira temporada. Temos mais um ano pra festejarmos a diversão que é Glee. Eu estou muito satisfeito com o que vi até agora. E vocês?
 
 
The Vampire Diaries
 

 

Há algum tempo atrás, num post sobre Gossip Girl, eu dizia que tentaria dar uma chance à essa nova tentativa de Kevin Willianson de emplacar algum sucesso depois de Dawson's Creek. Pois bem, passados alguns meses eu pus o plano em prática e comprei a primeira temporada da série.

 

O resultado, no início, foi controverso. Um episódio piloto péssimo que não fazia jus a uma temporada tão bem orquestrada. Diferente de Parenthood, que penou por vir na onda de B&S e provou ser pior que seu original, The Vampire Diaries veio pra mostrar que os fãs da saga Crepúsculo não sabem o que é uma verdadeira história de vampiros.

 

A trama é bem parecidade (sempre lembrando que os livros de L.J. Smith vieram antes dos de Stephenie Myers) mas situa nossa heroína num triângulo amoroso entre dois irmãos vampiros. As suposições que Helena faz ao perceber a natureza de Stefan são bem parecidas, aliás, com as que Bella faz sobre Edward. Mas as semelhanças param por aí. The Vampire Diaries tem a marca registrada de Willianson: um texto rápido, primoroso, cheio de referências pop e ironia. Os episódios são rápidos, as tramas não se arrastam, o clima é sombrio e os roteiros não têm pena de ninguém. O elenco é afiado e tem no Damon vivido por Ian Somerhalder (o Bonne de Lost) o seu alicerce carismático. Enfim... a série é totalmente injustiçada e merece uma atenção de quem curte esse tipo de narrativa.

 

Só os comentários de Damon sobre os livros de Stephenie já valem a temporada toda.

Dobrado Por Henrique Haddefinir às 18:53
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Quarta-feira, 25 de Maio de 2011

Divã - Season Finale

Terminou ontem, com um episódio de cortar o coração, o que espero que seja a primeira temporada da série Divã. O derivado da adaptação de Martha Medeiros para o cinema não fez feio não e se despediu da grade com uma história comovente que nos falou sobre a morte de modo sereno e sábio.

 

O ponto alto da série foi a interpretação radiante de Lilia Cabral, óbvio. Mas Totia Meirelles, que assumiu o posto de melhor amiga (já que no filme Mercedes perde esse símbolo) e Paulo Gustavo Pereira são coadjuvantes que não ficam devendo nada pra ninguém. Representam o alívio cômico e a transgressão necessária para interlocução da protagonista.

 

Marcelo Saback, que assinou a trama da série, fez um trabalho incrível e superou todas as expectativas, mantendo viva a personalidade filosófica de Mercedes, que em sua despedida emocionou pra valer. Mesmo com um final meio piegas, perdoável por seu caráter honesto.

 

Aqui vai o vídeo da última parte desse finale, com direito a Nise Palhares mostrando que vencedor do Ídolos não é garantia de sucesso pra ninguém, e que às vezes quem não chega lá, chega mais adiante. Toda bonitona, nem parece aquele sapatão mal vestido do reality.

 

Dobrado Por Henrique Haddefinir às 23:37
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Arquivo X - Quase vinte anos de Conspiração - Season 1

Seguindo o compromisso de revisitar as temporadas da série de ficção científica mais importante da história da TV mundial, passemos para uma breve avaliação dos melhores e piores episódios de cada temporada. Mas lembrando que essa lista não terá qualquer serventia se não for pra instigar a curiosidade do leitor. Então se esses comentários lhe parecerem mesmo que ligeiramente interessantes, baixe o episódio em questão e assista. A saga de Mulder e Scully pode ser tudo, menos irrelevante.

 

Os dez melhores episódios - Season 1

 

Piloto - 1X00

Considerado como um dos melhores pilotos da história, o episódio já começa com uma mensagem que nos diz que tudo que veremos foi baseado em documentos reais. Daí então conhecemos a agente Scully, uma cientista designada para invalidar o trabalho do agente Mulder, um apaixonado defensor de teorias fantásticas que teve a irmã pequena abduzida por alienígenas. O choque entre os dois é imediato e em seu primeiro caso juntos investigam uma série de abduções ocorridas numa cidadezinha. Aqui vemos o Canceroso pela primeira vez, parado, quietinho, fumando, na sala do diretor do FBI. E vemos também o famoso corredor de evidências do pentágono.

 

A verdade está lá fora - 1X01

O segundo episódio manteve o plot do piloto e mostrou Mulder buscando informações sobre testes feitos com soldados usando tecnologia alienígena. A famosa frase de abertura "The truth is out There" aparece pela primeira vez, assim como a famosa cena das luzes sendo vistas por uma Scully estupefata. A personalidade de Mulder é muito bem delineada nesse episódio. Daqui por diante ele acaba ganhando a fama de caçador de encrencas que o imortalizou. Seu primeiro informante, apelidado de Garganta Profunda, surge aqui pela primeira vez.

 

Sombras - 1X05

A dupla Glen Morgam & James Wong foi responsável por bons episódios da série. As idéias dos dois rendiam sempre ótimos momentos e esse Sombras é um bom exemplo disso. Os fantasmas ganham sua estréia nessa assustadora teoria de que uma vez presentes na sua vida, as pessoas podem não te abandonar nem na morte. O título em português do episódio casa bem com o estilo dos roteiristas, que adoram engendrar seus enredos no oculto e invisível. A dupla acabou criando uma inteligente e bem sucedida franquia no cinema chamada Premonição, onde o vilão é o mais invisível de todos: a morte.

 

Terror no Gelo - 1X07

Morgan & Wong novamente. Mulder e Scully viajam para o Alaska para investigar as estranhas mortes de uma equipe de expedição. Lá, descobrem um nojento parasita que se disfarça no sistema nervoso central e muda o humor dos hospedeiros. Uma vez que duas pessoas estejam infectadas, elas lutarão até que uma delas morra. O clima do episódio é incrível. Tenso. Nunca se sabe quem está infectado e como o infectado vai agir. Aqui temos uma participação da futura desperate housewive, Felicity Huffman e a famosa cena de Mulder tirando a roupa para uma vistoria e dizendo: não façam julgamentos, estamos abaixo de zero.

 

Caçada Sangrenta - 1X09

 

Somos apresentados, nesse que é um dos poucos bons episódios escritos por Howard Gordon & Alex Gansa, a um personagem inesquecível dentro da mitologia da série: Max. O nerd afirma ser um repetente (constantemente abduzido) e é encontrado por Mulder nas redondezas de uma operação de resgate de uma possível nave. O personagem só apareceu duas vezes na série e inaugurou a galeria de coadjuvantes inesquecíveis do programa.

 

O Vidente - 1X12

Mesmo sendo uma cética cientista, durante os primeiros anos da série, os roteiristas adoravam colocar Scully diante de situações sobrenaturais. Aqui, nesse espetacular episódio da dupla Morgan & Wong, o impressionante teaser (cena antes da abertura) mostra Scully se despedindo da mãe e depois cochilando no sofá. Ao abrir os olhos momentaneamente, ela vê o pai sentado na poltrona logo à frente. Ele parece falar, mas ela não ouve nada (as aparições de espíritos na série mantém todas esse padrão), ele some e ela segundos depois recebe uma ligação avisando que o pai morrera. Esse evento se une ao caso que Mulder e ela investigam sobre um condenado à morte que depois de escapar da sua primeira execução, afirma ter passado a ver os espiritos dos que matou e a fazer previsões. É o primeiro episódio que inverte os papéis e mostra Scully crente e Mulder cético.

 

Assassino ou Assassina? - 1X13

Um misterioso assassino que parece ter a capacidade de mudar de sexo une Scully e Mulder num caso que os leva até uma estranha comunidade isolada no interior dos EUA. O episódio tem um ritmo lento e pode parecer irrelevante. Mas se o espectador souber esperar até os minutos finais, terá uma bombástica revelação que inclui uma teória interessante para os famosos círculos ingleses.

 

O ser do Espaço - 1X16

A dupla Morgan & Wong entrega mais uma pequena obra prima. Mulder fica sabendo que os militares abateram uma nave e que pode haver um possível sobrevivente sendo transportado. A busca insana dele para ver a criatura começa e como em todos os episódios que envolvem sua crença, David Duchovny vive um Mulder perturbado e tenso. O episódio é cheio de reviravoltas que são coroadas com uma cena final que é um desbunde de inteligência e lógica. Garganta Profunda conta a um esfarrapado Mulder, que o destino dessas criaturas já está traçado há muito tempo e some nas sombras num momento que mostra porque essa série foi tudo que foi.

 

A Besta Humana - 1X18

The X-Files mexeu muitas vezes com mitologias clássicas. Mexeu menos com as mais conhecidas como vampiros, bruxas e lobisomens, mas essa última ganhou um representante á altura nesse assustador episódio de Marilyn Osborn. Sabiamente, a roteirista abordou os lobisomens pelo ponto de vista da cultura indígena, que dá á criatura o nome de Manitou. Esse espírito retorna em ciclos de oito anos para amaldiçoar os membros de uma linhagem outrora contaminada pela maldição. Mulder e Scully começam a investigar os assassinatos provocados pelo retorno da criatura e se deparam com o monstro. Mesmo com pouco orçamento, as soluções criativas do episódio foram sábias e renderam uma das cenas de transformação mais bacanas da série. Aqui, mais uma vez, quem testemunha a transformação é Scully e sua fama de explicações científicas impróprias começou a ganhar referências.

 

Jogo de Gato e Rato - 1X23

Carter encerra a primeira temporada de sua série em grande estilo. O Season Finale reúne Mulder e Scully dentro da trama de manipulação genética que irá permear a série por toda sua vida. O interessante aqui é que é Scully quem conduz a narrativa final e que tem contato com o material genético alienígena que servirá de moeda de troca pela vida de Mulder. A cena na ponte, com a morte do Garganta Profunda é um clássico, assim como sua frase final "Trust no One", que vira frase de abertura nesse episódio, inaugurando as mudanças de frases que se tornaram marca registrada do programa.

 

 

Como nem tudo são flores, vamos ser justos e listar também os equívocos. E olha que não foram poucos...

 

 

Os piores episódios - Season 1 

 

O Demõnio de Jersey - 1X04

 

Carter, o criador da série, apesar de genial acabou também sendo o responsável por alguns dos primeiros piores episódios da série. Com o orçamento baixo e um ritmo frenético de episódios, algumas bobagens acabaram sendo feitas, sobretudo nesse início. Nessa versão moderna do tal do Pé Grande (que talvez por trauma nunca mais tenha sido abordado na série), Mulder e Scully enfrentam uma lenda de Nova Jersey que dizia respeito a um monstro escondido na floresta. O episódio tem ótimos momentos de diálogos sobre a evolução humana (o que é uma qualidade da série: o desenvolvimento dos roteiros, mesmo quando o episódio é ruim, salva-o do lugar comum), mas as aparições equivocadas das criaturas deu à ele um tom jocoso que não cabia na história.

Nesse episódio um pouco da vida pessoal de Scully ganha a cena, mas Carter depois demonstrou arrependimento em ter abordado essa questão tão cedo, o que agrupou certa superficialidade à personagem. Mesmo assim, o episódio é conhecido como aquele que marcou o momento em que Scully decide abrir mão de sua vida pessoal para seguir Mulder em sua busca, ainda que inconscientemente.

 

O Fantasma da Máquina - 1X06

Escrito por Howard Gordon e Alex Gansa, falava sobre um programa de computador que voltou-se contra seus criadores. Carter uma vez disse que alguns episódios ruins surgiam da necessidade de resguardar valores financeiros a roteiros muito bons que precisariam de muita produção. Esse talvez seja um caso desses. O tal programa poderia ser criado com zero custo de maquiagem e efeitos e suas ações se limitariam a manipular a rede eletrônica do prédio onde estava hospedado. Resultado: um episódio fraco, que apesar de falar um pouco sobre o passado profissional de Mulder, em nada apetece a qualquer fã.

 

Missão em Perigo - 1X08

Outro roteiro promissor vítima do baixo orçamento e falta de soluções. O episódio falava de algo que teria acontecido a um astronauta que acabar de voltar de uma missão e que está diretamente ligado ao rosto que teria aparecido naquelas famosas fotos de Marte.

Ao tratar o rosto como uma força possessiva, Carter perde a linha e cria uma bobagem sem tamanho que ele mesmo reconhece como um fracasso. A história, sem clímax e sem sentido proporcional, passeia mais uma vez pelo jocoso ao estampar nas crises de possessão do astronauta, a foto animada do rosto marciano.

 

Roland - 1X22

Não sei o que deu na cabeça do Chris Ruppenthal de achar que seria interessante escrever um episódio sobre um doidinho que controlava os experimentos de um grupo de cientistas. O episódio é chato, pedante, não tem ação e o chato do personagem título ainda por cima é interpretado pelo Stanford de Sex and The City.

 

 

 

Dobrado Por Henrique Haddefinir às 18:24
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Terça-feira, 3 de Maio de 2011

Final das Séries: Um chute no saco ou uma Massagem relaxante?

Bom, eu já tinha comentado aqui a tal foto de Olivia Wilde dando um chute no saco do Damon Lindelof (criador de LOST), em cena da série House.

 

 

Embora eu discorde totalmente que o pobre Damon levasse esse castigo (ainda mais com a disponibilidade dele em aparecer na série só pra zombarem dele ter sido fofa), reconheço que o final de LOST pode ter sido uma grande decepção para alguns. Nele, responsável por uma das coisas mais incríveis, inteligentes, emocionantes e soberanas que eu já vi na TV, eu não daria um chute no saco. Mas aproveitei o ensejo para citar alguns criadores e roteiristas de séries que eu nocautearia se pudesse.

 

Evan Katz

 

Ele aqui só representa alguns dos muitos roteiristas que fizeram milhões de cagadas em 24 horas. Tudo isso coroado por uma temporada final chata, cheia daquelas mesmas insuportáveis recorrências, com uma promessa de filme que impossibilitou qualquer ousadia dos roteiristas e com um último episódio que passou batido e ninguém comentou. Claudia Croitor, do Legendado.com, ainda acha que o final de 24 horas deu uma "aula" de como terminar uma série. Hein? É isso mesmo?

 

Chris Carter

 

Todos que me conhecem sabem o quanto me dói dizer isso, mas o final de Arquivo X, a série responsável por uma revolução no início da década de 90, foi um fiasco maior que saída de Amy Shermann Paladino de GG. A série, um ícone respeitadíssimo da cultura mundial, e pioneira em contar histórias a longo prazo, foi primordial para que a televisão mais tarde aceitasse o desafio de exibir tramas como a de LOST. Mas depois de as duas últimas temporadas apresentarem uma triste irregularidade, o episódio final não teve emoção nenhuma, revelação nenhuma, sambou em conceitos frágeis e salvou-se do ridículo total por muito pouco. Canceroso de volta era dispensável e Mulder vendo espíritos era de tacar a cabeça na parede.

 

David Rosenthal

 

Falando em Gilmore Girls, a Warner esqueceu que burrice também dá prejuízo e por causa de uma besteira, não quis renovar o contrato da criadora original Amy Shermann. Um de seus roteiristas principais, David Rosenthal, assumiu o comando. Resultado: uma última temporada sem charme, sem coerência, sem coadjuvantes, sem diálogos incríveis e sem a esperada última frase de Lorelai que a criadora afirmava já ter em mente desde o primeiro ano.

 

Max Muchtnik

 

Essa lista não tira, de modo algum, o mérito de séries que correram muito bem durante seus anos de vida. Mas sim castiga com um belo chute no saco seus criadores que arrumam de errar a mão logo no Series Finale. É o caso da ótima Will & Grace. O melhor sitcom da história da TV, cheio de ironia, transgresão, nonsense e inteligência terminou na sua oitava temporada com um episódio final que se não fosse o Unforgetable cantado por Jack e Karen, teria sido absolutamente descartável.

 

David Chase

 

Alguns podem achar essa menção uma heresia, mas acho que enquanto LOST foi acusada de apresentar um final cheio de pontas soltas que não satisfaziam a audiência e denegrida por isso, The Sopranos, a série do Sr. Chase, fez a mesmíssima coisa - dadas as devidas proporções - e todo mundo elogia o tempo todo, afinal, faz parte da "cartilha inteligente de assistir TV" elogiar a vida dos Sopranos sem reservas. E a série é sim, maravilhosa! Mas se construiu toda sua história baseada num imenso senso de realismo que tinha como base a crueza da explicitez visual, porque ser sutil logo no fim? Embora cheio de simbolismo e metáfora, a tão falada cena final fica devendo a seu público o que ele esperou quase dez anos pra ver: o destino de seu protagonista traduzido em imagem, como tudo na série, e não em "imaginação".

 

 

Porém, nem tudo nas séries é decepção. Alguns criadores não derraparam na curva e nos presentearam com finais dignos de suas obras. Para eles, ao invés de um chute no saco, uma bela e agradável massagem com direito a "final feliz".

 

Josh Schwartz

 

O criador do fenômeno pop The OC, teve muitos problemas entre a segunda e a terceira temporada da série. Mas todo aquele belo senso de cultura pop e inteligência sarcástica não era à toa. O moço, o mais belo criador de séries da TV atual, revolucionou em tudo. Se Marissa já não era a mocinha mais convencional, sua morte ao final da terceira temporada era ainda mais transgressora. Acabou resultando no cancelamento da série, mas nos maravilhou com uma quarta temporada redondinha, hilária, com uma Taylor irresistível e um Series Finale de cortar o coração e elevar o espírito.

 

Kevin Willianson

 

Dawson's Creek foi outro grande fenômeno pop, mas ao contrário de The OC, era mais denso, psicológico, soturno. Suas três primeiras temporadas foram um marco na TV, mas seu criador esteve presente apenas nas duas primeiras. A quarta, quinta e sexta temporada mantiveram tudo no nível da dignidade, mas perderam a ousadia habitual de Kevin. Fazendo o caminho contrário dos criadores já citados, Kevin retornou ao comando da série apenas para escrever o episódio duplo final. E o que vimos foi um show de inteligência, sagacidade, sensibilidade e humor, que acabaram encerrando o programa com todo o respeito que ele merecia.

 

Shawn Ryan

 

Muito se falava de 24 horas e Prison Break, mas uma outra série policial cortava pela lateral com um nível de qualidade pouco reconhecido pelo grande público. The Shield, sobre um esquadrão corrupto de uma periferia nos EUA, tinha um dos protagonistas mais bem escritos da TV, histórias isoladas impressionantes e uma trama central que se estendeu sabiamente por 7 temporadas. Totalmente seguro de sua criação, o grandão Shawn Ryan entregou um episódio final que é visto até hoje como o melhor final de todos os tempos no mundo das séries.

 

Michael Patrick King

 

Ele não é o criador de Sex and the City, não é nem mesmo o responsável pela adaptação do livro para a TV, mas enquanto Darren Star leva até hoje os créditos pela criação, o magrinho Michael Patrick King é, sem dúvida, a alma das personagens televisivas baseadas na obra de Candance Bushnel. O roteirista entendeu tão bem as personagens que da metade da série pra lá, era ele que escrevia todos os inícios e finais de temporada. Conseguiu o feito de entregar uma série sem nenhum episódio ruim e um encerramento que encantou até o fã mais xiita.

 

Allan Ball

 

Se ele não começar a reavaliar True Blood, é bem capaz que ganhe um lugar na lista do castigo acima, mas por hora vamos reconhecer que Six Feet Under foi impecável e sua temporada final, impressionante. O Series Finale deixa aquele friozinho na espinha e vale a pena ser visto muitas e muitas vezes.

 

 

E vocês? Em qual responsável pelo final de suas séries favoritas vocês dariam um chute no saco?

 

Serviço: Montagem tosca by As Dobras

Dobrado Por Henrique Haddefinir às 18:10
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Quinta-feira, 3 de Fevereiro de 2011

O Embuste 24 horas - Recado ao blog "Legendado"

 

 

Há oito anos atrás, sob muita expectativa, chegou ao ar uma idéia intrigante sobre um agente que teria um dia de sua vida contado em tempo real numa série de TV. Seriam 24 horas, uma hora para cada episódio e um compromisso de 24 viradas de roteiro até o final.

 

Três anos depois, na quarta temporada, 24 horas já não era um fenômeno de boas idéias. Como em toda boa série, construiu uma série de apoios mitológicos ligados principalmente a personagens. Essa acabou sendo também uma das maiores ciladas da série, que em seu compromisso de grandes surpresas acabou matando quase todos os personagens importantes e caindo cada vez mais num abismo de insatisfação. A partir da quinta temporada, as obviedades começaram a passar de aceitáveis para irritantes. A métrica dos roteiristas era sempre a mesma: terrorista bandidão que mata sem dó e que não é na verdade o manda-chuva, o manda-chuva que é um cara engravatado ligado ou à Casa Branca ou a um país de fama duvidosa, um traidor na UCT, um traidor na Casa Branca, Jack torturando porque quer, Jack matando alguém importante por não ter escolha, agentes da UCT com vidas complicadas para enrolar os espectadores, a UCT sendo invadida e burlada o tempo todo... e por aí vai. E essa métrica começou a ser repetida todas as vezes, e eventualmente uma ou outra virada dentro desse plot acabava conquistando a nossa atenção.

 

Aos poucos, a série foi passando de revolução a embuste. Éramos manipulados por uma mesma rede de raciocínio e cada vez menos isso soava prazeroso. O final da sexta temporada foi um vexame sem tamanho. Os próprios roteiristas, em um extra da sétima temporada, assumem o buraco negro em que vinham se enfiando desde então. E depois de uma sétima temporada razoável, iniciaram uma oitava que se não fosse por sua hora final, teria sido um fiasco irrecuperável.

 

Fico me perguntando: foi esse series finale tão alardeado como melhor que o de Lost? Eu devo estar louco então, porque a sensação que tive era de que estava vendo uma temporada muito ruim com um final um pouquinho melhor. Da primeira a vigésima terceira hora, nada nessa última temporada de 24 horas fugiu do esquema traçado para todas as outras. Nada! Porque quando eu achei que os roteiristas teriam coragem de levar a inconsequência da Presidente Taylor até o fim, eles caíram no patriotismo óbvio e a fizeram voltar atrás. Se 24 horas tivesse terminado com Jack sendo morto pela presidente numa ação bem sucedida de uma conspiração pela “paz”, aí sim, teria sido um grande final. Realmente revolucionário. Mas que idiotice a minha... Uma vez anunciado o cancelamento da série, os executivos da Fox correram para a imprensa para garantir: Jack vai continuar sua saga no cinema. Portanto, morrer no final era impossível. E contando com o fato dele já ter sido preso por chineses, ter tido a família quase toda morta, ter sido dado como morto, ter fugido umas três vezes, não haveria outro final para ele que fosse realmente surpreendente que não fosse sua própria morte. Dessa maneira, quem ficou nervoso com os últimos momentos do personagem esqueceu o cérebro em casa. Pra mim, chega a ser um desrespeito tentar nos enganar com uma quase morte que jamais virá a acontecer, visto que os próprios criadores da série já nos garantiram isso. Eles próprios! É como contar o final do filme e querer que a gente se choque com ele mesmo assim.

 

Até o momento em que a presidente ficou passiva com a sugestão do assassinato de Jack eu ainda achava que as coisas tinham salvação. Pensei: se Claudia Croitor escreve uma dúzia de desaforos sobre o final de Lost usando o final de 24 horas como base para comparação, é porque ela deve ter material para isso. Mas não, ela não tem. Porque a presidente muda de idéia depois de ver um videozinho emocional de Jack que parecia saído der um roteiro de ação do Michael Bay. E deixando mais uma vez a responsabilidade de serem maléficos sem arrependimento para os russos, sai de cena como uma mártir da verdade, mesmo em última instância.

 

Não é a toa que a não ser pelo blog Legendado, não vi uma só referência jornalística que tivesse dado meio minuto de atenção a essa última temporada da série. Nem mesmo para falar mal dela.

 

O curioso é que de tudo que aconteceu nesse episódio, a única parte boa tem total relação com todas as críticas feitas ao final de Lost. Jack e Chloe protagonizam o emocionante momento final de seus personagens (com destaque merecido para Mary Linn) numa liberdade emocional do roteiro que em tudo tem a ver com os encontros entre os personagens de Lost: a priorização da empatia do público para com aqueles personagens, mesmo que as saídas dramatúrgicas não compensem nossas expectativas. Intrigantemente, a ansiedade em demonstrar superioridade intelectual na rejeição ao final de Lost era tão grande, que valia a pena até mesmo enaltecer a superficialidade e obviedade absurda dessa última temporada de Bauer na TV.

 

E aí você começa a ponderar... Dá pra dar atenção a quem compara o final cheio de referência científicas, mitológicas, históricas, cheio de apelo emocional e complexidade psicológica de Lost ao final cheio de pólvora e maniqueísmo de 24 horas? É como comparar um roteiro de David Chase a um de Roland Emmerich. Não tem propósito. É um julgamento cretino, sem a menor coerência e substância, usado apenas pelos que não tem coragem de assumir sua insatisfação sem que tenha que fazer os outros de burros com isso.

 

Não devia ser tão importante pra mim dizer essas coisas, mas depois de anos sendo cativado pela sensação de que podia visitar esse blog certo de que alguém estaria aqui compartilhando opiniões sobre uma paixão em comum, com propriedade e inteligência, me senti muito ofendido quando percebi que tinha sido enganado, que mais importante que respeitar os leitores e argumentar com sensatez é manter cativo o público que aplaude a arrogância. Eu sou capaz de aceitar quem argumenta contra cavernas luminosas e submarinos inúteis, mas não posso ficar calado quando a minha defesa para essas coisas é tratada como uma deficiência intelectual, com frases pretensiosas cheias de comicidade tendenciosa e ironia. É insuportável quando você vê alguém usar argumentos contra criatividade e dois posts depois elogia a “competência” de quem guia os passos de Bauer. E mesmo quando esse blog assume a recorrência dramatúrgica de 24 horas, usa argumentos do tipo “a gente percebe a falha, mas deixa passar... porque Jack é o cara!”. Sim, ele é. Mas uma série não sobrevive enquanto discussão, diversão e relevÂncia, só porque o personagem é o cara. Não sobrevive. E não sobreviveu. Despediu-se capenga, com horas a mais de ambição que poderiam ter-lhe poupado um honroso lugar no hall das séries que souberam a hora de parar.

 

Que me perdoem aqueles que me acham apenas um louco que precisa defender sua obsessão. Esse não é um comentário sobre Lost ou sobre 24 horas. É sobre um leitor assíduo de uma jornalista que não escreve um blog pessoal, escreve um blog sobre séries, e esqueceu-se que o sustento dele depende dos leitores, mas mesmo assim resolveu ofender alguns deles só pra ser engraçadinha. Esse é um comentário que esperou toda a última temporada de 24 horas acabar na Globo, para ser escrito. Mesmo muito tempo depois. Para que fosse completo, embasado. Porque mesmo com rancor de toda comparação feita aos dois finais, eu esperei para ver tudo, para que eu não cometesse uma injustiça horrível com uma última temporada que talvez tivesse sido realmente muito boa e terminasse sendo um cretino com os fãs que talvez tivessem toda razão.

 

E me poupem do GET A LIFE. A cultura nerd prevê a importância demasiada a elementos sempre tão complicados de serem compartilhadas com outros, sobretudo para os que não moram no eixo principal das capitais, como eu. Não forcem a barra. Faz décadas que é um preconceito cafona achar que quem “perde”muito tempo com heróis, miniaturas e ficção científica é um loser. Ao menos eu tenho condições verbais de reclamar. O que Claudia Croitor tem é uma dádiva: a chance de ser lida. Para os que escrevem não há prazer maior do que o de poder ser lido. Discutido. Mas isso perde totalmente o sentido, quando vira um clube de afinidades, onde a divergência é tratada com o rótulo da estupidez, transformando todos os que discordam em pobres coitados inferiores que desconhecem toda a “verdade” da compreensão televisiva.

Dobrado Por Henrique Haddefinir às 16:27
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Domingo, 29 de Agosto de 2010

Coadjuvantes que Amamos

 

 

“Monstro de Fumaça”

No impressionante episódio piloto de Lost, um grupo de pessoas se via isolado numa ilha depois de um acidente de avião. O lugar, paradisíaco, revela logo na sua primeira noite, barulhos estranhos vindos da mata fechada. Durante a primeira temporada o barulho vinha o tempo todo seguido de árvores sendo arrancadas e pessoas sendo arrastadas. O Monstro de Fumaça apareceu como ficou conhecido na temporada seguinte, e fixou sua importância na série depois que tornou-se o improvável protagonista da última temporada. É sem dúvida uma das presenças indiretas mais ambíguas dos últimos tempos numa série. Foi alvo vencedor de todas as especulações possíveis sobre sua existência e a revelação de sua origem foi um dos pontos mais controversos do fim da série. Adoro o monstro de fumaça!

 

 

“Paris Geller”

A invocada Paris, vivida de modo perfeito por Liza Weil, apareceu logo no início da já cancelada Gilmore Girls. Surgida pra ser a antagonista de Rory, era ao mesmo tempo, uma versão perturbadora dela. Era um daqueles personagens deliciosos que garantem momentos hilários e tem um código de conduta próprio que torna-se irresistível pra qualquer roteirista. A Karen de Will & Grace é um outro bom exemplo disso. Paris aos poucos foi se tornando amiga de Rory, mas sua posição de poder, opressão e insensibilidade continuaram por toda a série. Detalhes a respeito da personagem foram lançados durante os anos (como as aparições da babá que lhe criou), mas mesmo com a falta de profundidade nessa abordagem, Paris é uma das criações mais completas do mundo das séries. Suas manias, exageros e surtos sempre foram dignos de prêmio.

“Taylor Towsend”

Na terceira temporada de The OC os roteiristas precisavam de uma presença que ajudasse na expulsão de Marissa do colégio para que ela pudesse ir parar numa escola pública, onde conheceria Johnny. Para contracenar e armar com o personagem de Eric Mabius (famoso por ter vivido o chefe de Ugly Betty), foi criada então a Taylor. Uma loirinha nada popular na escola e que daria tudo para tirar o lugar de Marissa. A criação da personagem era tão desimportante, já que seria uma escada apenas, que um dos roteiristas assistentes é que ficou responsável por seu nascimento. Taylor estaria em apenas alguns episódio, mas o período em que sua função primordial terminou coincidiu exatamente com o cansaço da audiência e a perda de prestígio da série. Ao mesmo tempo, Summer e Seth precisavam de um conflito e então foi mais barato e prático transferir as intenções de Taylor pra destruir o casal. Com o intuito de aliviar o excesso de drama, Taylor foi ganhando frescores em seu texto e a ótima Autumn Reeser entendeu isso, fazendo com que a personagem fosse tornando-se cada dia mais interessante. Veio então a saída de Mischa Barton e mais uma vez, após reconhecer o apelo de Taylor com o público, os roteiristas resolveram apostar nela para a difícil quarta temporada. O resultado? A personagem salvou a última temporada do martírio. Sua força cômica era tão especial que empurrou a série para fora do poço de lama dramática onde havia sido jogada e influenciou toda a sua trajetória restante. Taylor ganhou a chance de conquistar o durão Ryan e não fez feio. Tornou-se grande amiga de Summer e protagonizou momentos imperdíveis, cheios de um humor sofisticado que poucas vezes se vê numa série. É um personagem dos mais especiais já criados sem querer e sem esperar.

“Abby Morgan”

Na primeira e aclamada primeira temporada de Dawson’s Creek, o criador Kevin Willianson, ainda na proposta de inspirar-se em filmes para escrever os episódios, quis fazer um que se baseava no longa O Clube dos Cinco, sobre cinco jovens presos na biblioteca da escola numa detenção. Nenhum deles sabe porque o outro está ali. É um clássico dos anos 80. Na versão Dawson’s Creek ele decidiu que precisava de uma provocadora e o elenco principal era formado por apenas quatro atores. Surgiu então Abby Morgan, um demônio de língua afiada que ainda tinha como souvenir os olhos enormes e firmes de sua intérprete, Monica Keena. Abby só voltou a aparecer na segunda e não menos aclamada temporada. Veio para servir de alimento para o momento de auto-destruição de Jen. E não poupou esforços. Durante essa temporada, Abby feriu, magoou e infernizou todos a sua volta, com comentários tão ácidos e inadequados que beiravam o cômico. O criador Kevin Williansom tinha o compromisso de quebrar expectativas pré-determinadas com a série e resolveu então matar Abby, numa cena intensa e chocante. O episódio seguinte ao de sua morte é um dos marcos na história da TV. Nunca nenhuma série adolescente falou de morte de modo tão eficiente. O discurso de Jen no funeral é uma aula de roteiro e a presença de Abby na série, apesar de curta, foi tão marcante que até hoje podemos encontrar sites e comunidades dedicadas a ela.

"Burt Hummel"
Ele é o pai mais amado da comunidade gay! Mike O'Malley vive na série Glee o pai do personagem homossexual mais afetado da TV americana. Era de se esperar que a série, íntima dos clichês das produções adolescentes, e também criada por um homossexual assumido, fosse abordar essas questões trabalhando com a idéia de um pai totalmente distante do mundo do filho. Mas eis que no quarto episódio da primeira temporada, somos surpreendidos com uma postura inesperada do papai Hummel. As cenas de entendimento entre o pai machão e o filho gay são de emocionar qualquer coração de pedra e nem chego a mencionar o quanto Mike é bonitão. Recentemente ele ganhou um prêmio importante da crítica americana pelo papel e seu carisma foi tanto que Ryan Murphy prometeu muito mais dele na temporada que se aproxima.

Na próxima edição: Ugly Naked Guy, Jack and Karen, Mr. Big, Gina, Six e outros que eu me lembre até lá.

Dobrado Por Henrique Haddefinir às 23:59
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Sexta-feira, 9 de Julho de 2010

Creek Again

Eu tenho uma coleção modesta de DVD's de séries. E não é de enfeite não... eu assisto tudo mesmo. Ultimamente tenho assistido Dawson's Creek, uma das campeãs de revisitações. Incrível como essa série é poderosa!! Acabei de chegar ao final da segunda temporada e procurei momentos bacanas no You Tube pra mostrar a força desse texto para os incautos que ainda não a assistiram.

Encontrei esse trecho do último episódio da temporada que mostra a magnifíca cena entre Pacey e o pai. Dá pra ouvir a Alanis ao fundo (vinda da ótima cena entre Jen e a Avó. Mas que eu não consegui encontrar) e dá pra perceber como o Joshua Jackson está verdadeiramente comovido.

 

 

 

E encontrei esse trecho longo do episódio com a canção de Jewel que emocionada até os corações mais duros. A sensibilidade da série assusta e mesmo hoje, 12 anos depois, parece que as emoções chegam até mim da mesma maneira.

 

Quem ainda não conhece, faça o favor, assista. É uma obra-prima como nunca mais vimos no mundo das séries teens.

Dobrado Por Henrique Haddefinir às 22:02
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Sexta-feira, 18 de Junho de 2010

Gossip Girl

Comecei a ver Gossip Girl. Peguei o BOX na locadora. A série, sempre citada de maneira ambígua pela crítica, nunca fez parte do que eu gostaria de comprar. No entanto, talvez depois dessa primeira temporada eu mude de idéia. A série, que tem como base os livros homônimos e foi adaptada pra TV pelo criador de The OC, uma série que eu curto bastante, têm alguns pontos em comum com sua prima de Orange County e consegue despertar o interesse depois de uma boa atenção.

 

Revia a última temporada de OC quando comecei a ver Gossip. Ao passo em que me encantava com uma última temporada irresistível, estrelada pela impagável Taylor, começava a descobrir o mundo de Blair e Serena. Mundo esse que já não me era estranho, já que pelo menos o primeiro livro da série eu li. E salvas as discrepâncias de costume, sobretudo com personagens como Dan e Vanessa, na metade da temporada dá pra começar a gostar da Serena e principalmente da Blair muito bem desenhada pela Leighton Meester. Ao passo em que o visual ostensivo de Manhatan e seus exageros me aborrecem um pouco (eu amor NY, apesar disso), as reviravoltas de poder e sexo para o qual a série foi dedicada tendem a fisgar o meu interesse. Essa já é uma recorrência bem-vinda de Josh Schwartz, e em se tratando da podridão dos ricos ele é a opção perfeita.

 

 

Vê-se a atenção especial que ele dá a personagens mais transgressores como Jenny e Chuck. Mesmo numa participação, a loucura de Georgina, soa como o grito de liberdade que ele tenta dar para as amarras conservadoras da Warner.

 

Não sei se a trama segue o padrão dos outros livros. A primeira temporada termina fraca. As angústias de Serena não correspondiam a seus pecados e o destino de Blair poderia ter sido menos novelesco, mesmo assim, a série vale a pena a conferida. O estilo de Josh está ali, nas citações bacanas, nas críticas (a fala sobre Katie Holmes é um achado), na trilha sonora irresistível, com direito a muito One Republic e uma bomba do Death Cab For Cutie que está aí no vídeo abaixo.

 

Agora vou tentar da uma chance ao Vampire Diaries.

 

 

Dobrado Por Henrique Haddefinir às 00:31
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Quarta-feira, 30 de Setembro de 2009

Glee

Quem quer ver a nova série do criador de Nip/Tuck?

Eu quero!!

Single Ladies no meio do campo de futebol é tudo!!!!!

 

Dobrado Por Henrique Haddefinir às 19:58
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