Domingo, 4 de Setembro de 2005

Eu Contra o Sonho

Acho que talvez seja o meu estado sonolento que esteja me fazendo sentir tão vulnerável hoje...
Não... Na verdade eu acho que não. Eu sempre me sinto assim quando tenho meus encontros com o novo personagem da minha novela barata sobre a busca de um grande amor. E põe barata nisso... Acho que me perdi.
O Guri não pode ser classificado como possível novo grande amor. O Guri é mais um que vem e que possivelmente vai. Tá, ok, eu não devia ser pessimista... mas eu estou me sentindo muito estranho.
Eu achei que com o tempo ia passar. Essa sensação do novo tinha que passar. Eu já estou com 25 anos e à essa altura eu já devia ter começado a desenvolver uma imunidade azeda contra as possíveis armadilhas do emocional. Mas sei lá... acho que sofro do "Mal de Juliana". É uma amiga minha que reprojeta suas constantes decepções em constantes recomeços. Pode até ser uma boa definição pra uma coisa que não é tão boa assim, porque no fim das contas, o sofrimento vira um bem reciclável cheio de refis gratuitos.
Não sei mais do que eu estou falando... A noite com o Guri ontem foi cheia daqueles altos e baixos. Tinha horas que eu tinha certeza que ele era meu. Tinha horas que eu tinha certeza que eu estava enchendo o saco dele. E tinha horas que eu me perguntava porque eu ainda perco tanto tempo tentando encontrar essa redenção amorosa que nunca vem. E que talvez nunca vá vir!
Na sexta eu tive uma discussão com o Mário de Oliveira sobre essa coisa de amor. Me parece que a homossexualidade centenária de um velho de 80 anos o impediu de acreditar que o homem ama outro homem e que essas relações perduram. Foi breve. Os anos de ouro que ele viveu nas ruas da cinelândia eram mesmo só pra divertir os gays da época com os paraqueditas, que no fim das contas sempre casam. E eles acham isso bom. Estranhamente, parece que como tudo no mundo, as regras se perdem e depois retrocedem e hoje em dia todo gay quer um "namorado" de aliança. Todo gay lembra de engrossar a voz e se ouve um timbre mais fino do colega, já o rotula com instruções sobre como é ser a "passiva até o fim". E quanto mais "machos", mais passivos. E toda a chance de compreensão disso tudo se perde no meio dessas contradições.
Porquê mesmo comecei a falar disso? Ah sim... O Mário de Oliveira disse que não acreditava em amor entre dois homens e eu passei uns vinte minutos tentando convencê-lo que não. Ele me olhou com aquela cara de velho que sabe mais que jovem e encerrou o assunto. Eu continuei firme no meu ideal, mas cada vez mais vacilante quanto à conquista dele. Aliás, isso é engraçado em mim. Enquanto todos cedem às evidências, eu quanto mais quebro a cara, mais acredito na fantasia! E quanto mais as pessoas se descartam, mas eu passo a acreditar nelas.
Eu não devia estar aqui falando de amor. Não é amor (não sei mais se digo isso pra me convencer ou se pra não me sentir como aquele povo que ama todo mundo a cada quinze dias). Não é. Embora as pessoas sempre digam que essa montanha russa emocional faça parte dos sintomas. Mas não é. É no máximo paixão! E eu detesto o visgo virulento que essa palavra tem.
Isso é ruim demais! Ir de euforia à tristeza em quartos de segundos! Ficar o tempo todo pensando em coisas pra te fazer interessante. Tentando sublinhar qualidades e ocultar tudo aquilo que possa vir a parecer um defeito. Tentando desesperadamente parecer especial. Inteligente. Indo contra todos os conselhos certinhos de que você tem que ser o que é e se adequando trôpegamente ao encaixe do outro. Chega uma hora em que falta o ar... Em que a visão daquela pessoa ali na sua frente é angustiante. Você tem tanta certeza de que ela é o primeiro passo pra te levar por estradas que você ainda não trilhou. Estradas que talvez confortem a ansiedade do teu coração e te mostrem a clareza das coisas. Você tem tanta certeza... e está tão perto. E tão distante. Há um desencontro tão grande entre as coisas que vocês pensam e dizem. Você nunca sabe qual será o ínfimo detalhe que pode vir a ser responsável por um próximo fim. E tudo é detalhe! E a pessoa não te conhece o suficiente pra saber que ela é tudo pra vc naquele momento. Que nada mais interessa a não ser estar ali com você. Que você tem tanta coisa boa no coração pra dar, que está apto a brindá-lo com todas as concessões que ele quiser! Você por mais que se doe, ainda é um estranho. E os estranhos são passíveis de julgamentos, e esse é o martelo que encerra as tentativas de coesão.
Eu estou muito triste hoje... Ontem a noite foi boa, mas poderia ter sido melhor se eu conseguisse vivê-la sem medo de não tê-las mais. E eu tenho medo. Sempre acontece. Meu corpo todo esvazia e eu estou sempre tentando me repreencher. Isso cansa... Talvez eu tenha me transformado num gafanhoto emocional que nunca se sacia de esperanças, corre sempre em busca de novos formatos e nunca percebe que fartou-se com tudo que ficou pra trás. É... talvez eu tenha... Talvez o supra sumo seja beijar o Guri em noites de sábado que podem vir a se perder mais tarde. Talvez eu tenha que aceitar que se existem os seres que se apegam, também existem aqueles untados. Eu posso vir a viver bem com o simples atrito, mas acho que mereço um bom abraço. De braços que não asfixiem, mas que também não afrouxem e transpassem.
Hoje eu vou dormir e talvez acorde melhor. Mais otimista. Eu sei que vou acabar investindo nisso até esgotar todas as possibilidades. Eu sei que ainda não aprendi a lição (e nem sei se esse tópico da leitura me interessa).
Eu só queria que alguém me quisesse sem condições. Que o Guri me quisesse...
É orgulho, idealismo, esperança, cegueira, carência... sei lá. Tudo podia ser traduzido em uma coisa muito simples: eu preciso ser gostado. E rápido. Antes que as palavras de Mário de Oliveira atropelem minha corrente sanguínea e eu vire um mar morto. Ou melhor, um rio de desesperanças...

"... levo assim calado, de lado do que sonhei um dia. Como se alegria recolhesse a mão... pra não me alcançar..."
Dobrado Por Henrique Haddefinir às 15:04
Link | Dobre (comente) | favorito
1 comentário:
De marianabarcelos a 6 de Setembro de 2005 às 12:46
pq ñ ser um otimista hen?
a tua vida ñ pode se transformar em um rio de desperanças...
ñ é pq o Mário deixou q o rio dele levasse suas esperanças, deixou o rio populir, q suas experiêmcias
de um velho estravagante, tornaram-se regras...

"pra nós todo amor do mundo
pra eles
o outro lado eu digo mal-me-quer
ninguém escapa ao peso de viver assim
ser assim
eu não
prefiro assim com vc juntinho
sem caber de imaginar
até o fim raiar"

b-jus!!!!

Comentar post

Tudo Sobre Ele

Pesquisar Dobras

 

Setembro 2012

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30

Ontem

Voltamos já...

Fundo Sem Garantia

Um "Eu Amo GLEE" enorme n...

Glee, sua linda.

A Cabecinha do Hond#$%@##...

Sala de Projeção: Marilyn...

Titanic 3D

Agora sim...

Tô quase me rendendo...

Thammy Ae!

Vida Real Pra Quê?

Lua de Sinteco

Sala de Projeção

BBB12 - Selva Dentro e Fo...

M-A-D-O-N-N-A Pra Quem En...

Páginas Viradas

Setembro 2012

Agosto 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

Outubro 2006

Setembro 2006

Agosto 2006

Julho 2006

Junho 2006

Maio 2006

Abril 2006

Março 2006

Fevereiro 2006

Janeiro 2006

Dezembro 2005

Novembro 2005

Outubro 2005

Setembro 2005

Agosto 2005

Julho 2005

Junho 2005

Tags

todas as tags

Links

Autógrafos

Assine meu Livro
blogs SAPO

subscrever feeds