Terça-feira, 4 de Novembro de 2008

Until Now

Hoje é dia de eleição americana... Aquela eleição meio doida que ninguém entende em nenhum lugar do planeta. Aliás, paranóias à parte, parece mesmo é que eles fazem as coisas serem malucas assim pra poder ficar mais fácil encontrar saídas ridículas pra manter aquele jogo de cartas marcadas.

De um lado, John "o americano perfeito" McCain. Branco, descendente de uma linhagem de heróis militares, ótimo atirador, caçador, conseguiu ser um herói de guerra também, foi um belo jovem, mulherengo, mas casou-se, teve filhos, tornou-se um político respeitável e um homem maduro, charmoso e dedicado. Enfim, o candidato perfeito para os americanos sempre insistentes em seu conservadorismo insuportávelmente patriótico.

Fotos como essa, de um soldado valente, incrivelmente belo, que ainda por cima ficou cinco anos como prisioneiro de guerra, seriam suficientes para acarretar uma vitória esmagadora desse republicano esquentado, e torná-lo presidente. Afinal de contas, ele não apóia totalmente a política guerrilheira de Bush, mas também não acha que os EUA devam retirar suas tropas do Iraque. Quer estratégia melhor do que essa? Assim ele agrada aos que não querem a guerra e aos que defendem-na.

Soa tão perfeito que parece impossível que ele perca.

No entanto, há uma pedra em seu caminho ironicamente chamada Obama.

Negro, com descendências múltiplas, o símbolo de tudo aquilo que seria, antes de Bush, impossível de passar pelo crivo dos americanos. Imagine!! Um dos países mais racistas do mundo. Nada era tão improvável quanto isso. Os americanos são sutis em sua hipocrisia. Pregam uma constante liberdade, uma ávida democracia e um discutível senso de liberdade, mas são terrivelmente provincianos e paternalistas quanto a seus valores éticos, sociais e até mesmo humanos. Afinal, quem coloca no peito com tanto orgulho a simbologia mítica do "ser americano", não inclui nesse definição, estrangeiros, descendentes enegrecidos de continentes distantes ou mesmo de seu próprio continente. Os americanos conseguiram um feito incrível: tomaram pra sí a variação do termo "américa" como se já tivessem desmembrado toda américa central e sulista e formado um continente particular. Não importa se os mexicanos, os porto-riquenhos, os chilenos, venezuelanos, argentinos e brasileiros também sejam americanos. Americano mesmo é quem nasce no solo dos Estados Unidos. E que vive nele. E absorve com algum tipo de insensatez social, esse patriotismo absurdo.

 

Obama chegou na hora certa. Os americanos, desiludidos com os devaneios de Bush, começaram a encarar com certa agonia a possibilidade de que os bons tempos retornem com essa tão drástica mudança de padrões heróicos. Eles até que resistiram bastante. O consciente Al Gore tentou, mas eles não podiam perder a virtude clássica que sempre norteou suas decisões políticas. Bush pai e Bush filho. O resultado veio feroz.

Agora, com a cabeça baixa e meio envergonhados, os americanos cedem e parecem flertar verdadeiramente com a "mudança". Os discursos patriotas, floreados com citações biblicas, analogias de guerra e prospostas conservadoras não parecem ter mais o mesmo efeito.

A eleição ainda não acabou. Tudo pode acontecer naquele sistema endoidecido. E com toda essa crise, é como se o mundo estivesse encontrando um jeito de dizer: "Está na hora de tentar uma reconfiguração... a grande nação dos Estados Unidos descobriu pelas mãos de Osama, que não é imune a nada. Porque não experimentar pelas mãos de Obama, um novo e honesto caminho?"

 

Dobrado Por Henrique Haddefinir às 17:27
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