Segunda-feira, 15 de Agosto de 2005

A Flor da Expectativa

"E até quem me vê, lendo o jornal na fila do pão, sabe que eu te encontrei..."
O Rodrigo Amarante do Los Hermanos continua bom nesse negócio de letras. A voz dele eu ainda acho arrastada demais (tô devendo o comentário do disco novo), mas as letras são muito boas! Eu gosto dessa coisa que a banda tem de valorizar o insucesso. Reconhecer glória nas lágrimas. Lidar humanamente com a incapacidade de sempre ser forte... Sinto-me refletido nisso. É bom saber que tem gente que perde e que não se envergonha de nunca ganhar.
"Olha lá, quem sempre quer vitória e perde a glória de chorar..."
Pensei que os caras deviam escrever alguma coisa sobre a dificuldade de se ter um bom relaciomento hoje em dia. Eles quase sempre escrevem sobre rompimentos ou amores platônicos. Aliás, quase todo mundo. A crítica tem perdido tanto tempo imprecando coisas sobre a banda que provavelmente o próximo disco será sobre a inflexibilidade dos formadores de opinião. Mas enfim... Não é sobre isso que eu queria falar.
Esse fim de semana eu tive horas lindas ao lado de alguém! Tá tá... Eu sei. Se eu começar a falar que agora é diferente eu vou ser chato e se reclamar que sempre começo dizendo que sempre digo que é diferente, vou ser enfadonho. Então, vou começar dizendo que conheci alguém e que mais uma vez, a batalha das expectativas começou a ser travada. Mais uma vez. Novas barricadas. Com a diferença de que agora eu cansei antes da luta e estou pensando seriamente em desertar.
Não vou nem entrar naquele mesmo tópico da segregação social. A coisa mais chata do mundo é aquele papo militante do Luiz Mott que não entende que o primeiro passo pra aceitação das pessoas é ele parar de fingir que o universo gay não obtém as propriedades que ele faz tanto esforço pra ignorar. Ele critica a bichinha do Tourinho mas parece o Armand do Robin Willians em "A Gaiola das Loucas", quando dá entrevista. Hipócrita e xiita! Cheio daquelas manias gays de achar que todo mundo é gay, que os gays são superiores, que heterossexualidade não existe... parece o Hittler de salto alto!
Não que eu seja contra militância. Claro que eu acho que precisamos lutar por nossos direitos, mas no fim das contas, tudo vira uma briga pelo domínio da verdade e isso eu não gosto. Todo radicalismo é burro. E essa seria uma boa adaptação pra frase do Nelson Rodrigues. Já mudei de assunto de novo... Caramba! Será que digressão é um método inconsciente de escrita? Será que foi o Nelson Rodrigues que disse isso mesmo?
Enfim... Embora o solo seja fértil e as sementes quase sempre brotem, as flores estão sempre murchas. A vida nunca vinga por aqui.
Eu conheci uma nova pessoa. Mas falar dessa nova pessoa significa falar de toda a percepção que esse novo encontro trás. E eu estou tão cansado dessa cruzada para aceitação pessoal! Hoje em dia todo mundo tem um ideal e ninguém nunca está próximo desse ideal também. Eu mesmo o tenho. Você nunca sabe se faz parte de um ideal e nunca sabe se é a excessão de uma possível abrangência do mesmo. O meio GLS ainda é sinônimo de vaidade e egocentrismo e eu poderia fazer dois mil posts sobre os clichês desse povo na balada boática. Os carões, as barbies sem camisa, os desfiles de moda, as drogas, o sexo anônimo... E no meio disso tudo, você salva um pouco da ternura quando percebe que entre todas essas características, um pontinho escapa imperceptível aos nossos olhos sempre tão entorpecidos: será que toda a militância, luta política e civil, conquistas jurídicas e internacionais, vão conseguir proporcionar a liberdade sonhada para nossos filhos e netos gays?
Ontem eu fui a boate pra namorar! Pra andar de mãos dadas. Pra beijar na frente dos outros. Pra deitar no peito e conversar ao pé do ouvido. Pra me sentir como todo mundo... De repente, eu percebi que se as ruas fossem seguras, talvez nem ali dentro eu estivesse. Eu percebi que nenhuma transa no banco de trás de um carro me dava tanto prazer quanto aquelas horas acariciando os cabelos do meu novo encontro. Da minha nova possiblidade. Desse novo encantador. Dessa flor.
Todos. Por mais que sejam muitos, têm sua história. Sua própria história. E por mais que eu perceba as recorrências dessa nova tentativa, ainda há a vontade genuína e ainda ingênua de que ela seja frutífera. Ela, como todas as outras, é especial. E talvez o termômetro dessa vez esteja subindo porque esse novo rapaz traz consigo o poder de me encantar e está muito próximo dos meus superficias e patéticos níveis de ideal a conquistar.
Estou fascinado por ele. Mas não estou amedrontado. Acho que aprendi que meus arroubos de paixão desenfreada depois se perdem quando as flores murcham. No meu jardim. No jardim de quem eu quero passear. Devo fazer parte de uma raça mutante que expele substâncias tóxicas que corroem pétalas, dissolvem brotos e partem caules. As flores sempre murcham.
Ainda junto as mãos pra pedir que não.
Ainda quero mesmo que meus defeitos e faltas não sejam tão importantes, na prática. Visto que todo mundo tem uma teoria simpática de que o amor desconhece barreiras.
Ainda desejo o sobrenatural poder do reflorestamento natural.
Um ecólogo cego que proteje sem ver a lama e o visgo.
Eu posso desertar das lutas, mas ainda sou capaz de me apaixonar. É o solo fértil de que falei e que só produz mortalidade. As forças divinas sabem que meu coração pede pra ser acalentado. Meu cérebro já aciona os mesmos mecanismos de defesa. Ainda preciso ter pra ser. Mais mentiras que desejam me fazer melhor do que eu sou. E eu não sou um phd da conquista. Não sou o Romeu dos sacrifícios impensados.
Perdi a mão na hora de avaliar as armas da minha luta pelo amor de alguém. Tracei caminhos que me levam a ideais inalcançáveis. Ceguei-me. Mesmo assim abri excessões. Mas todos os desdobramentos que me levam a ainda querer que as flores do meu jardim não murchem, são inúteis quando a minha insegurança é que produz a repulsa.
Wellington, que você seja a redenção!
A folhagem que me faria tão bem ver nascer.
Mas eu não quero mais esperar por isso.
Ver o destino agir por sí só. E confiar de vez que tudo murcha, mas tudo volta a nascer. E esperar que não nasça mais. Se é o melhor. Com drama. Lágrimas e vísceras.



Dobrado Por Henrique Haddefinir às 17:52
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1 comentário:
De mariana a 21 de Agosto de 2005 às 17:19
vc é definitivamente o ser mais romãntico q conheço...
eu gosto muito do q vc escreve

gosto de antíteses emocionais

(mas eu ñ queria ser assim ñ)

te adoro...
B-jus!!!

PS: entra no meu blog neh!

www.marianabarcelos.blogspot.com

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