Sexta-feira, 8 de Julho de 2005

Guerra dos Mundos?


Eu adoro o Spielberg!!
Tá... isso não vem ao caso. Não vamos entrar no mérito de tudo que essa criatura já fez pelo cinema mundial. Qualquer criatura que tivesse uns cinco anos nos meados dos anos 80 e que tivesse um pouco da inclinação pra sensibilidade, teria tido o "E.T" como uma das imagens mais ternas e inesquecíveis de sua infância. Isso sem falar nos dinossauros dos anos 90 e em todas as outras criaturas fantásticas que ele construiu tão perfeitamente.
Ele é um mágico. Dadivoso! Bem diria um artigo na Sci-Fi news de algum mês distante, que a figura desse homem beira um ludismo comprado e insensato. Mas que existe. Sem sombra de dúvida. Também não vamos entrar no mérito do que é cinema importante ou não. Eu não discuto sobre isso. Tenho asco desse povinho pseudo-intelectual que diz que caga nos rolos de filme do Spielberg e baba em cima daqueles chatérrimos do Stanley Kubrick (já me disseram que eu não devo falar mal do Kubrick porque eu não o conheço bem, mas me dei o direito de ser leviano a respeito disso). Detesto essa gente que fica lendo Virgínia Woolf (outra sobre a qual não devia falar, mas que se dane...) e odeia Harry Potter porque ele não satisfaz a sanha vocábula necessária pra eles mostrarem como são vocabuláricos.
O Stephen King fala bem sobre isso (essa vai acabar virando uma crônica em defesa dos pop-uncult). Ele sempre diz que o melhor é encontrar um equilíbrio entre escrever bem e contar bem uma história. E ele faz isso. Embora pouca gente se dê ao trabalho de conferir. E também não posso ficar discutindo isso agora. Eu adoro Almodovar, mas tem hora pra tudo. E pra mim cinema é sentar naquela cadeira e ver a mágica de uma "realidade" que jamais veremos no nosso covívio. Parece-me que isso traduz muito melhor a arte. Parece mesmo uma traição só chamar coisas como "O Piano" de "cinema de arte". O quê que esse povo chama de arte? Pra mim arte é tudo que enfeita a vida. Que traduz ou enfeita a vida. Às vezes a gente gosta de ver "Closer" e identificar alguma coisa da gente ali. Esse é um lindo filme. Mas de vez em quando eu acho que a mente precisa de fantasia. E como transmitir a fantasia sem os recursos práticos que a modernidade nos trouxe. É lindo fazer um filme com uma câmera e nada mais. MAs porque é menos lindo fazê-lo com efeitos especiais?
Não vou entender nunca a cabeça dessas pessoas que se estreitam tanto. Nunca entendo os estreitos. Gente que exclusiva a vida. Que transforma inteligência em negligência. Sei lá... Não foi pra isso que comecei esse post.
Ontem eu vi "Gerra dos Mundos"! Lindo filme. O Spielberg continua fera... mas seu espírito família de fazer cinema devia ser revisto. O filme resiste bem a pieguice, mas resvala nela nas últimas cenas e deixa a desejar. Eu não li o livro do Wells e bem devia fazê-lo antes de dizer qualquer coisa. Mas independente disso, o final será sempre ruim. Absolutamente não condizente com o resto do filme.
Tom Cruise está bem. Há séculos que ele deixou de querer provar qualquer coisa e a partir daí, começou a acertar. Percebe-se também que o Spielberg preocupou-se em dar mais humanidade à menina Dakota, que sempre parece adulta demais. Ela grita, chora, mas tem até claustrofobia que é uma doença adulta e psicológica. Fica o filme todo correndo atrás da barra da calça do irmão, mas tem inexplicáveis momentos de coragem, justificados com catatonia.
As sequências de destruição são perfeitas! Com destaque para aquela ponte que é destruída como se estivesse torcendo (adorei!) e pra cena que a primeira máquina sai do chão.
As semelhanças com "Independence Day" são óbvias! A tempestade no céu lembra demais a chegada das naves no filme dos anos 90. A maneira como as naves são destruídas, de dentro pra fora, também soam como a cena de Will Smith e Jeff Goldblum. O campo de força também é outra. Até mesmo a coloração azul que emana delas é parecida. E sem falar, é claro, no fato de haver uma vulnerabilidade tão simples em criaturas tão superiores. Sempre me pergunto porque os aliens são sempre descritos daquela maneira torta. Desarticulada.
Claro que as semelhanças se justificam pelas influências. "Independence Day" teve claras influências da mesma história de Wells, assim como o fez Shyamallan em "Sinais", outro filme a que remete-se quando vemos "Guerra dos Mundos". Por sinal, os momentos de isolamento são os mais emocionantes. A sequência em que a família é expulsa de seu único veículo de fuga, é simplesmente de tirar o fôlego! Hoje em dia há sempre um link com a maldade humana. E em se tratando de américa do norte, também há sempre um link com a realidade que eles vivem por lá. Os terroristas são citados pela infantilidade da filhinha de Ray e ao mesmo tempo, há o inacreditável e desnecessário patriotismo do filho mais velho do homem, que cisma o filme inteiro que vai entrar nas tropas em nome da honra e justiça. É até legal quando ele tenta salvar as pessoas na balsa (um contraste com o egoísmo evidente do personagem de Cruise), mas é um exagero tentar, a essa altura do campeonato, mostrar como os americanos ainda fazem tudo por sua nação. Inclusive abandonar tudo e perpetuar violência.
Fiquei muito tempo esperando uma justificativa pro título. O personagem do Tim Robins condensa muito bem o que eu já achava de errado no nome do filme: "Não é uma guerra, é um extermínio". Claro que isso não se discute. O Wells devia ter razões pra nomear sua história dessa maneira, mas enfim... Isso não é importante (nada é, diga-se de passagem, numa crítica que ninguém vai ler).
O grande problema do filme é o final! Nessa correnteza louca em que vão os roteiros atuais, de sempre prometerem um final bombástico e inesperado, talvez Spielberg tenha preferido o banal. O simplório. A felicidade das donas de casa que esperam sempre um final feliz pra tudo. Mas se ele tivesse ao menos deixado as coisas tomarem um rumo menos lacrimoso e mantivesse o âmbito ambíguo daqueles personagens, talvez a atitude do filho de Ray lhe custasse a vida. Ou não seria salva, em meio à destruição, a casa onde justamente estavam escondidas as pessoas responsáveis pela redenção dos fugitivos da história.
Mas tudo bem... É um bom filme! Um lindo filme! Vale a pena pela capacidade de Spielberg de transformar a vida em mágica. Eu sempre saio do cinema com a sensação de que tive a dádiva de ver um pedaço de sonho. É um despertar. E um sonar ao mesmo tempo...
Dobrado Por Henrique Haddefinir às 17:17
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