Segunda-feira, 12 de Maio de 2008

O Fim do Silêncio

Patricia Poeta não resiste à própria emoção diante do choro de Ana Carolina Oliveira e dá um discreto e encantador toque em sua perna.

Ontem foi ao ar a entrevista com a mãe da Isabella no "Fantástico". De cortar o coração.

O curioso é que no dia anterior, eu tinha saído pra caminhar na praia com a minha amiga Mariana. Acabamos encontrando com outro amigo (Tiago Maviero) e terminamos a noite no portão da casa dela falando sobre a morte da menina e a super exposição da mídia ao crime.

Os dois estavam juntos num argumento plenamente justificado a respeito dessa exposição. Já tinham decidido não ter acesso a mais informações e construíram uma correlação com uma série de outras discrepâncias sociais que a grande mídia ignora.

Eu, do meu lado, dizia que se a mídia ajudasse a fazer o caso ser resolvido, não me importava em ver o assunto nos jornais todos os dias. Que embora houvesse uma exploração direta a respeito, o efeito disso poderia ser positivo. E que não adiantavam conceitualizações de como a sociedade seria afetada por essa insistência com o caso, já que o brasileiro tende a se refugiar em tragédias públicas e pessoais.

Eu me sinto muito tocado por tudo isso, e já falei a respeito aqui o blog. Ontem, chorei muito no final da entrevista e passei horas pensando em como a violência se tornaria obtusa se seus condutores tentassem o exercício de se colocar no lugar do outro. Imaginar o sofrimento daquela moça fazia a vida parecer absurda.

A classe média, vivendo um momento de reconfiguração de valores (vide Suzane Von Richttofen), dá mais um sorriso sinistro pra nossos rostos chocados. Alguns pontos da entrevista de Ana são no mínimo curiosos sob esse aspecto. Quando ela diz que não tratava nada sobre a filha com Alexandre e sim com o pai dele, fica claro o papel desse homem na formação do filho. Mesma profissão. Apartamento dado à ele pelo pai. O pai ser o primeiro pra quem ele liga na hora da tragédia.

Hoje, a Globo.com nos presenteia com uma entrevista com o homem. O pai de Alexandre acusa Ana Carolina de mentirosa e afirma que vai tentar impedí-la de depôr no julgamento. Precisa proteger o filho. E que engraçado... um dos momentos mais terríveis da entrevista foi quando Ana Carolina fala da impotência de não poder ter defendido a filha.

É difícil aceitar que com um pai advogado, ciente dos parâmetros, Alexandre provavelmente não vai pagar por esse crime como deveria. Trazendo à tona um dos argumentos de minha amiga Mariana, que dizia que o crime tinha um aspecto sobretudo pessoal e não de ordem social (o que injustificava a exposição), eu acho que nada me soa tão amplamente notório quanto os monstros sociais escondidos debaixo desse engodo.

O quanto de responsabilidade tem um pai sobre as noções de responsabilidade que um homem pode ter? E o quanto a sociedade enquanto expectativa está contribuindo com isso? O que leva alguém a cometer um crime de modo impensado e pra escondê-lo, torna-se disposta a cometer outros? Com as noções de responsabilidade inexistentes será que se vão também as noções de consciência e ombridade? E é isso que gera a completa incapacidade de admitir erros? E pode um pai curvar-se a tudo isso em detrimento da vida da própria filha?

Ana Carolina descrevia com grande pesar os últimos momentos com a filha e demonstrava uma força e uma sabedoria sem dúvida, comoventes.

Não tenho grandes expectativas quanto ao final de tudo isso. Tenho um desejo imenso de que algo aconteça pra impossibilitar a defesa do casal. Se não, que pelo menos Ana Carolina conserve aquele gigantismo emocional e que a vida retorne com juros a inconsequência do casal Nardoni.

 

Dobrado Por Henrique Haddefinir às 23:32
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2 comentários:
De Antônio, o Grande a 14 de Maio de 2008 às 02:33
"dá um discreto e encantador toque em sua perna."

PORQUE ELA NÃO DEU UM LENÇO?

me aguniava aquele choro escorrendo pelo pescoço!

gRobo é phoda!
De Henrique Haddefinir a 15 de Maio de 2008 às 19:50
O lenço poderia ser uma boa mesmo, mas o toquinho na perna foi tudo. Tem até comunidade no orkut sabia?

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