Segunda-feira, 18 de Julho de 2005

Post Para o Constrangimento

Ontem quando ele voltava pra casa, a luz faltou e tudo ficou escuro.
Ele pensa em várias maneiras de considerar aquilo um sinal e gosta da sensação de que a vida de vez em quando enfeita de uma certa beleza, suas tristezas públicas.
Vem caminhando pela orla, entre as pessoas, enquanto ouve uma canção arrastada pela voz de Thom Yorke, certo de que essa é a melhor maneira de distrinchar o incômodo que a última conversa com o Edu lhe causou.
Esse não devia ser um novo post em homenagem a ele. O Edu agora não merece mais homenagens. Pelo menos não mais das que vierem de modo individual. Talvez a vida dele o homenageie circunstancialmente e ele isso continua merecendo, é claro. Mas ele não vai mais desperdiçar fonemas em nome de sua relação com o Edu. Ela agora permeia as ereções e a tal lembrança bonita citada no post anterior, tomou forma e cor.
Ontem o Edu contou pra ele sobre sua nova paixão. Ontem o Edu contou pra ele sobre uma porção de coisas. Ele esqueceu de contar pro Edu sobre sí mesmo...
"- Cuidado pra não se apaixonar hein..."
Essa frase escrita numa letra azulada fica ecoando na mente dele como se não a tivesse lido e sim, ouvido. Ela soa tão equivocada quanto constrangedora. E foi a isca do Edu pra tentar pescar os reais sentimentos dele, que manda mensagens melosas, escreve posts em blogs e faz promessas de visitas tão esperadas. "-Não esquenta não... você não está com essa bola toda". Resposta negativa. No Love. No problem. Agora podemos passar para a fase seguinte: as confissões.
O Edu se engana ferozmente a respeito dos sentimentos dele. Eles nada tem a ver com amor ou paixão. Blogs, mensagens, promessas, carinhos... todos esses eufemismos encontrados por ele pra tornar especial a sua relação com o Edu, foram confundidos com expectativas românticas... e isso o incomodou. O fez sentir bobo, imbecil, estúpido... adolescente.
Ele caminha pra casa enquanto pensa em como ainda precisa aprender a suportar seus enganos e idealismos.
Ficou muito feliz no fato do Edu ter confiado nele pra falar de seus anseios. O Edu agora está apaixonado por um cara hetero que não parece estar disposto nem a considerar isso. E não é a primeira vez, segundo ele conta. A escuridão em que vive o Edu está sendo responsável por tapar-lhe a visão quando ele projeta em alguém as suas romanticidades. E ele só acerta nos alvos errados. Descamba pros pegadores de suas relações e se afasta das reais possibilidades que podem levá-lo a alguma redenção.
Ele tentou ajudar. Tentou mesmo. Mesmo se sentindo um idiota por ter se comportado como se entre os dois houvesse um laço permanente de ternura. Sabe que talvez o tesão ainda os aproxime e na verdade, ele já está até acostumado com isso.
Sabia que o Edu devia ter outras referências. Ele próprio as têm. Talvez o incômodo tenha surgido da sensação que ele tinha de que com o Edu, independente dos outros, havia uma certa... coisa diferente. Ele achava que era uma coisa imaculada. Mas no fim das contas, tudo ainda é pênis... E ele também já está até acostumado com isso.
Não pode sentir-se mal. Esconde com veemência a fantasia que tinha de que talvez o Edu reverberasse nele suas paixões. Ele respeita a honestidade do Edu. Ele também tem outros em quem reverberar. Mas não sabe... fica sempre com a sensação de que nunca é legal o suficiente pra ser ele a virar paixão.
Sente-se muito ridículo. Não vai mais ouvir aquelas músicas. Ou vai escolher outras que o façam sentir-se menos imbecil. Sente mais raiva ainda de sí mesmo porque continua escrevendo posts. Mas duvida que esse o Edu vai ler. Ele não sabe lidar bem com a realização de suas previsões. E ele previa que isso ia acontecer.
Ele gostaria de encontrar um equilíbrio. Ele gostaria de não esperar mais desfechos previsíveis. Ele gostaria de não se incomodar. Sabe que não é apaixonado pelo Edu. Sabe que não haveria nenhuma chance pros dois. Mas recusa-se a aceitar a racionalidade da vida. Ainda espera um desrespeito ao bom senso e um gás à boa e velha inocência juvenil, que acredita em relações impossíveis e grita com o mundo quando ele tenta rejeitar, como numa seleção natural, o que vale ou não a pena viver.
Como numa ladainha, ele ainda repete a sí mesmo que não é aquele por quem os outros largariam tudo. Como numa ladainha, ele ainda repete a sí mesmo que agora ele e o Edu ilustram uma boa relação de amizade. Como numa ladainha, ele repete a sí mesmo que seu incômodo não tem a ver com o novo amor do Edu, mas sim com sua incapacidade de conquistar quem quer que seja. Como numa ladainha, ele resmunga enquando caminha...
Resmunga uma cantilena, ao mesmo tempo em que as luzes dos postes voltam a acender.

You know,
you know where you are with,
you know where you are with,
floor collapsing, falling,
bouncing back and one day,
I'm gonna grow wing
Let Down Radiohead
Dobrado Por Henrique Haddefinir às 09:55
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