Quarta-feira, 20 de Julho de 2005

O Sonar das Nuvens

"20 de Julho"

  • Dia do amigo... Dia do revendedor de gasolina. Dia pan-americano do engenheiro. Dia da primeira viagem à Lua... 201º dia do ano no calendário gregoriano (202º em anos bissextos). Ínterim entre as datas pra prestação de vestibular. Festa comemorativa lá pros lados da cidade portuguesa de Leiria...
  • Dia 20 de julho... Dia do Aniversário do Marcos. A Etérea presença inesquecível.

Eu havia prometido uma série de posts relacionados a tudo aquilo que eu considerasse importante pra mim. Prometi. Não sei bem a quem. Mas prometi. Talvez em nome da posteridade que eu teimei se interessar pelo que eu tivesse a dizer... loucos egocêntricos e narcisistas que escrevem diários pessoais sempre acham que sua genialidade será reconhecida quando a morte transformá-los em mitos. Em sua arte. Em sua vida atribulada. Numa turbeculose reacionária que engoliu barriga nos anos 20 e caiu sem sentido algumas décadas depois, disfarçada de depressão contemporânea, no início do século XXI.

O Marcos detém sua importância nessa trajetória. Uma lúdica e sensual importância. Eu já estou meio de saco cheio de falar disso. Até pra mim e minha platéia ectoplasmática. Mas hoje é o aniversário dele e eu precisava encontrar um jeito de lhe desejar parabéns. Já que ele sumiu em fumaça... Já que ele me direcionou pra uma inclinação a esquizofrênia... Já que ele nunca existiu.

Tá vendo essa imagem aí em cima? É o lugar onde vive a essência do Marcos agora. Silenciosamente, eu guardei pra mim mesmo o segredo da minha deficiência mental. Calei as minhas vozes inaudíveis à maioria, e cessei com o desejo de me fazer acreditar. O primeiro passo pro reconhecimento de um louco é quando ele insiste na própria lucidez. E eu sou um louco. Um louco que sempre soube da própria loucura. Que admite que aquilo que vê, só ele vê. Que aquilo que ouve, só os ouvidos dele alcançam. Que aquilo que toca, é translúcido. Eu não tenho medo dos meus fantasmas... Eu faço sexo com eles.

Quem viu o Marcos quando ele se materializou nos domínios terrestres, vindo não sei de onde? Alguém viu? Mesmo enquanto pessoas passavam por nós e eu tinha certeza que o viam. Era somente eu. Passando de neurótico. Falando sozinho nas primeiras horas da manhã. E ele caminhou comigo em caminhos por onde ninguém mais vinha. Fomos ver o mar onde ninguém mais estava. Nos despedimos no primeiro e em todos os outros poucos dias, no meio de uma multidão que não via ninguém comigo, a não ser eu mesmo. E os telefonemas nunca eram presenciados. O primeiro e o segundo encontro íntimo, foram isolados em um quarto escuro, num apartamento pequeno de um amigo sempre ausente que não tinha porta retratos com fotos nem dele e nem de ninguém. As manhãs passavam ligeiras e as tardes depois dos orgamos eram sempre borradas de uma abstração quase artística. Ele próprio era uma licença poética. Jamais um ser humano esteve tão perto dos deuses e tão longe da santidade. Jamais uma figura tão divina exalou um perfume tão blásfemo. Nunca um sorriso tão angelical escondeu intenções tão impuras. Nunca um homem tão macho, esteve tão fêmea e homem ao mesmo tempo... E nunca outros braços vão me abraçar daquela maneira. Braços e pernas pra todos os lados. Respirações e suores. Olhos e boca que ninguém mais viu. Marcos: presença etérea que não aparece nos sonhos de mais ninguém. Só nos meus. Nos meus e de mais ninguém.

Algumas coisas ainda estão meio desencontradas na minha cabeça. Eu me lembro de palavras, sotaques, um carregador de pilhas na parede e um agradável cheiro de balas de hortelã. Mas não há textos, documentos, fotos ou áudios que possam provar nada. As mensagens dele vão se apagando com o tempo na memória do celular. Os emails lacônicos vão se perdendo entre o que eu queria ler e o que eu acredito estar lendo. E ninguém pode garantir que eu não os criei. Eu vou me perdendo constantemente entre o sonho e a realidade. Ele não era real. A realidade não é capaz de produzir tanta beleza e charme. Mas sonhos não são palpáveis. E eu o toquei. Sonho, visão, loucura ou esquizofrênia, eu o toquei. E o beijei. E a voz dele está há alguns muitos quilômetros de distância de mim. Perdida na guerra por uma denominação que o explique como mito ou fantasma.

Ninguém mais o viu.

Ele não deixou registros. Frases. Ele não deixou rastros de poeira. Ele só deixou uma data: 20 de julho. O dia em que ele chega ao mundo pra viver disfarçado entre os mortais. Um dia pra que eu lhe escrevesse homenagens sem pudor. Um dia pra que eu oferecesse a ele em sacrifício, o meu bom senso e minha inteligência. Um dia pra datar sua força colonizadora. Ele só deixou esse dia. E um emaranhado de lembranças corrosivas dentro de mim. Lembranças que eu esfrego pelo meu corpo só pra depois sentir coçar. Como uma alergia produzida pela minha cabeça torpe. Como quase tudo que eu criei com a minha cabeça torpe: As datas, os cheiros, as visões... Ele próprio. Porque o Marcos não pode ser real. Ele tem que ter sido o vislumbre de um futuro de loucura. Ele não pode existir em sua terra natal. Convivendo com as pessoas como todos os normais. Ele tem que ser um sonho. Porque eu não sou capaz de existir com a existência dele longe de mim.

Os altares já foram erguidos aos deuses.

Mas os deuses não são capazes de ouvir as orações.

I wanna dance with you

I see a world where people live and die with grace

The karmic ocean dried up and leave no trace

I wanna dance with you

I see a sky full of the stars that change our minds

And lead us back to a world

We would not face

"Dance With you" LIVE

Dobrado Por Henrique Haddefinir às 16:47
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