Quinta-feira, 5 de Abril de 2007

Tarja Preta

Agora mesmo eu pensava... Pra quê??

- Pra te dispensar com educação, oras! Ao menos esse hipócrita é gentil - Respondeu a voz dentro da minha cabeça.

Esse tipo de pergunta "pra quê" e "porquê" é bem característico do drama televisivo que a gente pega por osmose sem querer. Alguns por querer... mas não vem ao caso.

O Gustavo acabou de me ligar pra dizer que chegou na casa dos filhos. E eu estava pensando em outra coisa: a hipocrisia.

Nada a ver com ele. Claro.

Ontem brigamos porque eu ainda não consigo aniquilar esses sentimentos exclusivistas que teimam em me dominar quando o assunto é o passado dele. Choramos, berramos, nos abraçamos, transamos e por fim, o nosso amor ainda supera determinadas coisas.

Ainda não sei até que ponto suportará as minhas neuroses patológicas... mas nem eu mesmo sei quanto tempo eu vou suportar.

Estamos bem. A sensação de realizar um sonho é boa... E de vez em quando a casa cai, mas tenho cada vez mais suspeitas de que é no ato de se reerguer a estrutura que as partes ainda se esforçam pra ter romance e conquista.

Estava pensando em hipocrisia, mas isso não tem a ver com o Gustavo.

Curiosamente, tem a ver com o meu passado. Outrora tudo que eu era e agora, tudo que eu torno obscuro em mim. Meu passado enquanto acúmulo de experiências vãs e agora perdido entre memórias sexuais e pequenas rejeições não superadas.

Rejeições não superadas...

Há um tempo atrás, conversei rapidamente com um cara casado com quem me relacionei por um bom tempo antes de conhecer o Gustavo. Óbvio, que esse cara não sabe até hoje que quando ele me deu um pé na bunda, semeou dentro de mim o complexo de rejeição que é certeiro em tornar essas pessoas inesquecíveis.

Um dia ele não me ligou mais.... e até hoje eu me pergunto "porquê"??

Pergunta desnecessariamente feita à ele nesse breve encontro. E respondida com um discurso em prol da família que era de lacrimejar os olhos! O dito cujo estava sendo pai pela segunda vez e havia me garantido uma escolha por sufocar sua "bissexualidade" em nome da própria consciência e reputação.

Acreditei.

Sim... claro... óbvio que acreditei a curto prazo.

E enfim, não acreditei ao mesmo tempo.

Todo mundo, por mais inteligente e seguro que seja (o que não é o meu caso), prefere ouvir motivações que se concentrem além de sua responsabilidade quando o assunto é ser rejeitado.

Talvez por isso, esqueci o assunto.

 

Hoje, há minutos atrás, surpreendi esse senhor casado trocando telefone na surdina com um dos pegadores mais promíscuos da cidade!

Primeira informação: ele mentia.

Segunda informação: não te quis mais por se tratar de você.

Terceira informação: depois de você, caiu de padrão.

 

Me agarrei a esse última e tentei esquecer a relevância da segunda.

Apaixonado, namorando e feliz há tanto tempo, não tenho dúvidas quanto a natureza psicológica desse incômodo. Não quero ficar com o dito cujo, mas meu orgulho e vaidade precisam ser sanados do mal que ele me fez.

E isso acaba gerando desconforto, irritação e uma excitação inverídica que se baseia em valores sexistas que eu definitivamente devo esquecer.

Imaturamente, o que eu quero é ser cortejado por ele e ter a chance de dizer não. Mesmo tendo aquele diabinho da luxúria tentando forçar a barra pra que eu me lembre das nossas tardes de sexo no motel.

 

Mas o caso desse cara é crônico! E acho que nem convém fazer uma conferência sobre a natureza falsa e desastrosa desse casamento que ele insiste em nutrir. Igual à ele existem muitos. E de "bissexuais" que só pensam em homens, o mundo está cada vez mais cheio.

No entanto, um perturbador link entre meus incômodos latentes em relação ao passado do Gustavo e os complexos de rejeição dominadores sobre as minhas histórias anteriores, se fez dentro da minha cabeça e chegou a me fazer pensar em consultas e tarjas pretas!

Sei que sou amado, mas o passado do meu amor me incomoda.

Sei que amo, mas aqueles que me rejeitaram ainda me atingem.

Sei lá até que ponto existe coerência nisso tudo. Boa parte disso tudo é a minha luta por ser monogâmico e esquecer as boas horas de sexo casual. Sou muito sexo e pouca razão. E estou feliz que o amor tenha me feito melhorar isso.

 

Acabei ligando pro cara e dizendo que trocar telefone com um promíscuo de carteirinha não parecia muito condizente com "valorizar o seio familiar e sufocar certos impulsos". O cara ouviu tudo sem entender nada. Ou tudo. E desligou sem dar maiores explicações.

Depois me senti idiota. O cara deve estar achando que morri de ciúmes dele. E o que senti no entanto foi posse. Misturada com orgulho ferido. Borrada de um saudosismo inútil e inferiorizador.

Acho que no fundo é isso... Ter dificuldade de virar páginas que ofereceram algum carinho recíproco e querer guardar todas num acúmulo que garanta sensações em horas de aperto.

Quando liguei pra ele queria dizer: "sei que você enjoou de mim... sei que é um hipócrita que ainda continua pegando homens pelas esquinas escuras... eu te vejo e te desvendo".

Mas sinceramente, pra quê??

Pra jogar as falhas dele nele mesmo?? Ou pra cutucar meus fantasmas por sí só??

Comecei a pensar que consultas e tarjas pretas podem não ser uma solução considerada linda. Mas é um caminho a ser considerado válido.

Os loucos tem seu charme.

Sobretudo em mentes incapazes de se impôr e ao mesmo tempo, impondo-se.

Dobrado Por Henrique Haddefinir às 21:39
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