Sexta-feira, 22 de Setembro de 2006

Almas meio-assim...

 

"For a lonely soul you're having such a nice time"

 


 

Mudei a frase de apresentação do meu blog! Não costumo ser assim... Abrir mão de simbolismos já estabelecidos por mim em datas e circunstâncias específicas.

No entanto, achei que "Pra uma alma solitária, até que você tem tido bons momentos", era perfeita pra expressar a maneira como me sinto ultimamente.
Aí vão dizer "Já vem o Henrique com essa melancolia sem propósito. Tem tantos motivos pra estar feliz..." Mas eu estou feliz. Não é melancolia. É minha personalidade.
Vá lá... é uma diferença bem sutil, mas é uma diferença.
E se é! Eu posso pegar as canções de Tom Chaplin e simplesmente encará-las como um porto pro escorrer das minhas emoções. Até porque, essa idealização da felicidade que os outros tomam como verdade costuma fazê-los pensar que os seres felizes tornam-se dormentes! Donos de uma alegria sem escalas. Incapazes de transfigurar as emoções.
O otimista diria: "A Felicidade é um estado de espírito permissivo e flexível!.
O pessimista diria: "Nunca haverá felicidade, pois sempre haverá o medo de perdê-la".
Antes, a frase aí logo abaixo do título parecia querer entender os mecanismos de expansão desse estado de espírito, entre as dobras que vão acontecendo ao longo da vida. Agora, sei lá... Parece que encontrei um sentido novo ao reconhecer que talvez as "personalidades" precurssoras dessa melancolia talvez não sejam comportamentais e sim... cármicas.
Alma solitária?
Eu poderia tentar traçar um perfil disso. A verdade é que depois de tantas cabeçadas, regadas de muitas análises singulares sobre o mundo e as coisas dele, eu e acho que pessoas como eu, gostam de observar a sí mesmos com certa e dissimulada poesia. Pessoas normais encaram a tristeza como tristeza. Artistas encaram a tristeza de modo diferente e plurilateral. Ela pode se tornar inspiração, drama, cena, letra, canto e idéia. Tanta coisa...
Isso me faz pensar.
Quanto a estar tendo bons momentos... Enfim, acho que foi a parte da música que mais me tocou. Sim, estou tendo bons momentos.
Acho até que vou aproveitar pra postar alguma foto do meu amor. A nova realidade de ter um relacionamento é assustadora e ao mesmo tempo, arrogantemente concreta. Estava até mesmo me perguntanto "será que esse pessoal que escreve livros de auto-ajuda sobre casamentos passa pelas mesmas coisas que eu?". Quer dizer, enquanto a gente tá de fora é tudo tão simples. Temos sempre tanto bom senso e praticidade. Somos tão cínicos no que diz respeito ao modo trôpego e irracional com que os casais em volta se relacionam, e... quando chega a nossa vez...
Como é que podemos amar uma pessoa tanto e tanto, e ao mesmo tempo nos irritarmos com ela por tão pouco?
Eu precisaria de mil blogs pra falar sobre os despertares dessa relação com o Gustavo.
Tenho deixado de falar exatamente sobre esse assunto. Sobre todas as coisas que me tomam quando a palavra provém dessas descobertas, porque não tenho encontrado metáforas e artimanhas literárias necessárias pra expôr isso sem mediocridade.
Quanta ambiguidade! Preciso de originalidade pra falar do corriqueiro.
Até porque, acredito que muitos sintam-se como eu. Espero por isso, aliás.
Vários são os tópicos que me levam a querer me expressar sobre o Gustavo: o ciúme da ex-mulher dele, a raiva de ele ter tido uma mulher, o ciúme do passado dele, a raiva do passado dele, o incômodo bestial e por vezes insuportável da heterossexualidade que ele ostentou tanto tempo e da qual, mesmo sem admitir, ele se orgulha (como no papel de homem que está com outro mas que não vai sair do mundo sem ter feito outros homens invejarem as mulheres com quem teve a capacidade de dormir). Sei lá... Tanta coisa. Minha cabeça se revela cada vez mais digna de um documentário do "Discovery Channel" e me surpreende com maneiras múltiplas de me perturbar.
- Relax!
- No way!
Outro dia mesmo enchi o ouvido dele com uma teoria (que eu considero ainda muito plausível) de que eu estou inconscientemente ocupando o lugar fatídico de "mulherzinha da relação". Ele achou um absurdo!
Pô! O cara viveu anos sendo marido. Acho óbvio que quando se entrega a outra relação, mesmo sendo com outro homem, ele sustente ainda alguns vícios desse estado civil tão malfadado.
Só eu discuto a relação, só eu fico inseguro com relação ao prazer dele no nosso sexo, só eu faço cobranças quanto a atenção e romantismo, só eu crio e manutencio datas especiais, só eu confundo tudo e só eu reclamo horas, choro e faço drama quando ele dorme enquanto eu falo.
Vamos combinar, é muito clássico!
E me assusta. Tenho pavor de ter com ele um "casamento" parecido com o que ele tinha com a ex. Mesmo que só em míseras polegadas.
Já perdi a conta de quantas conversas duras tivemos a respeito ou apoiadas nas minhas teorias e análises sobre o meu comportamento e o dele.
Sou louco por ele. E acredito que ele me ama. Mas fiquei tempo demais vendo e digerindo as relações dos outros. Cheguei a um ponto em que tudo se torna uma pista pro que o meu próprio relacionamento pode vir a virar.
Às vezes me sinto muito feliz. E outras vezes, preso a um padrão nada inteligente de consumação conjugal. Há muitos pesos a carregar quando se vive com alguém tão cheio de passado consistente quanto o Gustavo. E muitas concessões a se fazer. Pra provar minha inteligência e bom senso, preciso alcançar altos níveis de compreensão altruísta e deixar de lado toda a parcela de egoísmo natural que outros talvez não tivessem a mesma boa vontade de esquecer. Preciso compreender os filhos, os anos de vida conjugal, as responsabilidades financeiras, as travas provocadas pelos anos de clandestinidade... Enfim, tanta coisa. E preciso fazer isso sem contestar. Ou eu não estaria sendo o pilar de maturidade que esperam que eu seja.
Então perdi o direito de ser egoísta.
Ou de querer ser mais importante.
Consegui cadeira cativa no hall dos que estão em segundo lugar. E sobre isso, não existe argumento. Não é horrível saber que antes de mim vem a família. Mas às vezes é triste... Sobretudo porque do meu lado, não existem esses degraus ocupados eternamente por coisas que ele vai precisar superar. Enfim... Superar coisas é bom, mas às vezes cansa.
É uma fala doida? É.
Estou sendo de novo a "mulherzinha"? Estou!
Mas acho que não dá pra se livrar mais disso... O Gustavo está em algum patamar involuntário de condição masculina adquirida e eu estou em outro, de condição sensibilista aflorada. Pólos separados. E conflitantes...
Eu sei que o amor supera essas coisas! O poeta é brega, mas é sábio. E acho até que já estamos superando boa parte delas.
A questão é essa?
Acho que a questão é: sempre haverá material pra minha melancolia discurssiva.
Dobrado Por Henrique Haddefinir às 19:11
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