Segunda-feira, 10 de Janeiro de 2011

Argumento em Série

 

Grey’s Anatomy

 

Todo mundo que lê esse blog (todo mundo é modo dizer, ok? Todo mundo é a Monique Bomfim, algumas amigas dela, um ou outro desavisado que me achou no Google, enfim...) sabe que eu sempre vejo a maioria das séries com muito atraso. Não tenho internet e nem TV a cabo, e falando sinceramente, curto comprar os DVD’s. Se eu vejo a série antes, me desanimo a comprar e por isso, acabo sempre esperando. Apenas grandes paixões furam esse bloqueio como Lost e Glee. No entanto, mesmo vendo em atraso, algumas vezes os comentários soam pertinentes de qualquer modo. É o caso de Grey’s Anatomy.

 

O drama médico de Shonda Rhimes está em seu sétimo ano e pelo que vejo em alguns comentários, segue sem grandes percalços. De vez em quando eles têm problemas com aqueles membros do elenco que acham que só porque fazem uma série de sucesso, terão sucesso em qualquer coisa. Khaterine Heigl, a Izzie, saiu da série por causa disso e hoje podemos vê-la estrelando uma pancada de comédias românticas irrelevantes. Patrick Dempsey, o McDreamy, vive ameaçando fazer a mesma coisa. A série, nesses sete anos já perdeu também Izziah Washington e TR Night, um na terceira e o outro na quinta temporada. Ambos por razões que parecem ter nascido da desavença homofóbica de Izziah por Night. Embora Izziah tenha sido demitido e Night tenha permanecido por mais dois anos, um resquício sinistro ainda rondava o intérprete do Dr. O’Malley e ele se desligou da série sem olhar pra trás.

 

A maior razão por eu ter decidido ver Grey’s Anatomy não são os prêmios que ela ganhou no início. Eu sempre tive resistência a séries médicas e policiais simplesmente porque elas não tem uma trama entrecortada que exige acompanhamento. Alguns dramas pessoais se costuram débilmente por elas, mas nada suficientemente desafiador pra me prender. Por essa razão não sou membro do fã-clube quase xiita do House, ou nunca chorei vendo ER. Assisto essas séries, mas sem muito compromisso. E embora elas sejam sempre tão parecidas, de vez em quando aparece alguma que por alguma razão, me conquista. Foi o que aconteceu com The Shield, que comecei a ver porque soube que tinha um policial gay e depois acabei achando a história muito boa, além é claro, de achar que o Vicky é um colírio para os olhos. O interesse acabou sendo mantido pelo clima de tensão constante e pela idéia de continuidade dada pelos roteiristas no que dizia respeito ao crime cometido por Vicky ainda no primeiro episódio. Mais tarde, acabei sabendo através de um dos extras da última temporada de Lost, que o episódio final de The Shield é um marco na história da TV americana. Mas, não cheguei lá ainda.

 

 

Com Grey’s Anatomy a coisa foi mais por influência indireta. De tanto ler os elogios cegos de Claudia Croitor no Legendado.com, acabei desenvolvendo uma curiosidade. Parecia ter alguma coisa diferente ali. Comprei a primeira e baratíssima primeira temporada e entendi logo a fórmula: diálogos mais cômicos, residentes absolutamente desesperados por uma cirurgia, uma heroína transgressora, roteiros espertos e musiquinhas arrebatadoras. Valia ver a segunda temporada e lá fui eu. Logo depois do 27º episódio dessa segunda jornada, eu já estava fisgado. E mesmo sem nenhum senso de continuidade, a série tem um dom inegável para a catarse. Sabe te envolver. E muito disso deve-se ao compromisso da criadora de tentar, pelo menos tentar, manter a essência dos personagens em prioridade total.

 

Devorei as seis temporadas já lançadas em DVD em uns dois meses (graças a uma promoção bacana do Submarino.com) e já estou ansioso para ver a sétima. Relutei em admitir a qualidade da série, porque minha raivinha da Claudia Croitor por conta da ignorância dela a respeito dos que apreciam o final de Lost continua em alta. Desde que Lost acabou que parece que ela faz questão de terminar qualquer resenha positiva sobre outra série, alfinetando o pessoal que gosta de Lost. É infantil e irritante e tira dela qualquer credibilidade. Não há nada mais ridículo do que ver alguém que tem nas mãos o poder da comunicação maciça, desperdiçando leitores só pra dar uma de “inteligente e sagaz”. E olha que adorava o blog. Vou lá até hoje, mas cheio de mágoa, devo dizer. E de certa forma, essa postura dela serviu pra abrir meus olhos sobre o blog: é um diário nada imparcial (o que é até direito dela, embora seja um veículo de informação também) que serve pra ela engrandecer seu ego com aqueles elogios baratos de seus leitores igualmente imparciais.

 

Mas felizmente, minhas passagens por lá serviram pra eu ter ânimo de dar essa chance a Grey’s Anatomy (a outras séries também). A criação de Shonda já vale pela presença de Sandra Oh e Sara Ramirez, duas atrizes que têm a sorte de ter em mãos duas personagens brilhantes e corretíssimas. De vez em quando os roteiros são superestimados. Há uma histeria coletiva em torno de alguns momentos da série que não merecem tanta discussão. São emocionais, só isso. E estão longe da complexidade que se vê em coisas como Lost ou The Sopranos. Mas confundir emoção com inteligência é um “caguete” dos comentaristas de televisão. Todos sofremos dele. Mas ironicamente, exatamente por causa de Claudia Croitor, minha visão sobre Grey’s Anatomy é muito sóbria. Ela me emociona e me arrebata às vezes, mas se eu tivesse que falar aqui sobre as complexidades de sua trama, esse post não teria mais do que duas linhas.

 

The Walking Dead

 

Zumbis são nojentos, todo mundo sabe. Mortos vivos que comem carne humana e andam cambaleando por aí. E na nossa história de vez em quando aparece um filme que fala deles. Na maioria das vezes é tudo muito trash e perecível. Quem não se lembra da franquia A noite dos Mortos-Vivos? Eu tinha pavor quando era criança. E quando eu soube que o Frank Darabont, um diretor que é fera em adaptar coisas do Stephen King e tem esse sucesso exatamente por saber dar elegância e seriedade ao que poderia ser considerado trash e perecível, ia adaptar os quadrinhos de Kirkman sobre os zumbis, eu fiquei muito interessado.

 

A estréia foi um sucesso. A pequena temporada de apenas seis episódios foi festejada pelos fãs de ficção e fantasia. Eu acabei não resistindo e dei um jeito de baixar e assistir.

 

Quem já viu a franquia Extermínio, vai sentir as semelhanças. Assim como no filme estrelado por Cillian Murphy, um homem acorda num hospital e descobre que o mundo foi tomado pelo que os personagens chamam de Walkers (ambulantes). Essa maneira de chamar os comedores de gente é esperta e ajuda a trama a fugir da jocosidade da palavra “zumbi” que é inapropriada para essa história. Não se enganem, essa não é uma história satírica. É um drama dos mais pesados que já vi.

 

Assim como em Extermínio, a existência dos zumbis se deve a algum fator científico. No caso de Walking Dead, esse fato ainda não foi esclarecido. Mas do mesmo jeito que o jovem do filme descobre aos poucos o que aconteceu com Londres, o policial da série também vai perceber lentamente o que aconteceu com o mundo.

 

A história, é claro, tem suas obviedades necessárias. O policial precisa encontrar sua família e logo um triângulo amoroso vai nascer. O núcleo que envolve a família do policial segue em fuga pelo país e já sabemos que muitos daqueles vão ficar pra trás. Mas de fato, o ponto alto da história está na constante tensão que já foi impressa na narrativa.

 

Imagine que uma estranha doença acometeu o mundo e depois de mortas, as pessoas retomam a vida com um estranho senso de sobrevivência que não tem limites. Qualquer contato com esses seres pode gerar uma contaminação e eles atacam qualquer um. Como um dos próprios personagens diz, sozinhos eles são fracos, mas em bando não há como escapar. Junte isso ao fato de que um ente querido contaminado acaba morrendo e voltando como um ambulante, mas embora ele queira matar, ainda é a mesma pessoa, o mesmo rosto e essa incapacidade de matar o que já foi alguém que te amava, acaba gerando uma epidemia incontrolável da doença. E não adianta atirar na perna ou mesmo partir o ambulante em dois. Eles continuam “vivos” mesmo aos pedaços. O que é um ponto em comum com o antigo A noite dos mortos-vivos, em que cabeças degoladas continuavam desejando comer os humanos mesmo sem ter como mover-se.  A única solução é um tiro no cérebro.

Nesse ponto encontramos outra qualidade da série. Assim como Chris Carter ensinou com Arquivo X: é mais fácil acreditar no sobrenatural, quando ele tem um pé na ciência. E é na ciência que se apóia o roteiro de Kirkman. Com isso, é impossível não se fascinar com a explicação, no season finale da série, de como ocorre a transformação de uma pessoa. De como morre aos poucos a atividade cerebral total, para então retornar através apenas de uma base responsável pela locomoção e sobrevivência irracional.

 

O mundo então está tomado por eles. Um grupo de menos de dez pessoas tenta sobreviver e não pode nunca se aproximar dos grandes centros porque não teriam como sobreviver a tantos deles, mas ao mesmo tempo precisam arriscar ou passarão o resto da vida sem uma resposta sobre se existe ou não um lugar seguro. A partir dessa premissa, a sensação ao assistir um episódio é de que a qualquer momento um ambulante pode aparecer de algum lugar e morder alguém. A angústia é quase insuportável e quando isso acontece e você se coloca no lugar dos personagens, dá muito, muito medo. Porque ninguém quer morrer dessa maneira horrível: sendo comido vivo. O som da carne sendo mastigada é de gelar a espinha. Ninguém quer levar um arranhão ou uma mordida porque sabe que vai virar um deles. E ninguém que vê um amigo ou parente virando um deles sabe se vai ter coragem de atirar-lhe na cabeça. Enfim... é tudo muito, muito assustador.

 

A segunda temporada vem só a partir de Outubro (eles gostam de nos castigar) e até lá vamos indo sem saber se o irmão do zangadinho do grupo sobreviveu ou não aos ambulantes no telhado da loja, se Jim vai reaparecer como ambulante depois de ter sido deixado morrendo na floresta, se o negão e seu filhinho vão reencontrar o policial, se eles encontrarão alguma pista de um campo de refugiados, se mais alguém será mordido ou se assim como nas histórias de King que Frank Darabont gosta de adaptar, o pior ainda está por vir e não há muita esperança.

 

Brothers and Sisters

 

Quando assisti a primeira temporada dessa empreitada de Greg Berlanti, fiquei muito empolgado. Primeiro porque ele tinha passado anos a frente de Dawson’s Creek e enquanto esteve lá a série tinha ótimos momentos. Eu sou um defensor ferrenho do Creek e acho que muitos fecharam os olhos pro trabalho textual incrível que faziam por lá. E essa tal de Brothers & Sisters parecia ter a mesma qualidade. Do primeiro ao último episódio da primeira temporada a série tinha sido um deleite. Engraçada, comovente, divertida e filosófica. Tinha lá seus momentos mexicanos, mas mesmo assim não deixava a peteca cair. Entretanto, na metade da segunda temporada, a peteca já não estava mais firme há muito tempo.

 

A excessiva necessidade dos roteiristas de criar reações exageradas dos personagens a coisas absolutamente compreensíveis foi a primeira coisa que me tirou do sério. Alguém conta uma coisa, o outro ouve, faz um escândalo e repete os mesmo chavões sobre dizer sempre a verdade.

 

A segunda coisa que me tirou do sério foi a dança das cadeiras entre os personagens. Era pra parecer uma experiência natural e inerente aos seres humanos: experimentar. Mas aqui, como em muitas outras séries, parecia mesmo era indecisão criativa. Com exceção da Kitty, foi um samba do crioulo doido amoroso. E tudo tão insuportavelmente óbvio que doía as vistas. A esposa de Tommy sente-se culpada pela escolha que fez sobre o recém-nascido que devia sobreviver e pede um tempo: trama bunda! Tommy começa a ter um caso com a secretária: trama bunda again!! A secretária leva um pé nas costas e se aproxima do irmão dele: trama bunda is back!! Kitty quer engravidar mas o marido só pensa na carreira: trama bunda ao quadrado!! Kitty engravida mas perde o neném e não pode mais engravidar: trama bunda ao cubo!! Kitty e o marido decidem adotar: trama bunda ao estilo melancia!! E o desfile de obviedades segue seu curso sem a menor vergonha. Tanta gente contratada pra escrever e ninguém consegue pensar em nada melhor? Ou faz o óbvio, mas faz bem feito então. Eu tinha a sensação de estar vendo Sétimo Céu. E isso é gravíssimo.

 

E se não bastasse essa chorumela se arrastando indefinidamente pelos episódios, eles ainda cometem o sacrilégio de simplesmente mudar de idéia e retirar de Rebecca a paternidade do papai Walker. Aí pra mim virou circo. Era filha, agora não é mais. E pelo que soube, vai começar a namorar o Jason, que era, até cinco minutos, irmão dela. Só tendo muita paciência... Ainda bem que tem o Scotty pra salvar as coisas. Sei que ele vai dançar em breve, afinal de contas, romances de séries estão fadados a durarem no máximo meia temporada, mas se não fosse ele eu jamais conseguiria suportar o Kevin.

 

Porém, eu sou brasileiro e não desisto nunca. Vou começar a ver a terceira temporada, mas sem muitas esperanças de que alguma coisa vai mudar.

 

 

 

 

Will & Grace

 

Acabei de rever a última temporada de Will & Grace e constatei o óbvio: eles serão sempre os melhores! Esse será sempre o melhor sitcom da história! O final ainda é meio bunda, mas só Jack e Karen cantando unforgettable e batendo os umbigos já vale esse fim. Saudades eternas...

 

Dobrado Por Henrique Haddefinir às 17:18
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