Quinta-feira, 25 de Agosto de 2011

The Glee Project 1X10 / “GleeAlity” [Season Finale]

 

Um reality show pode te surpreender nos exatos 10 episódios em que permanece no ar? Sim, pode. E o nome desse reality é The Glee Project.

 

O episódio final foi ao ar no domingo a noite nos EUA. De 12 competidores, 4 sobraram. Quatro. Mas se você fizer a conta das eliminações semanais, vai perceber que no episódio final, deviam restar apenas 3. No entanto, a inteligente manipulação das regras de acordo com a condução do jogo salvou todos os 4 da última manipulação. Ao chegarmos na décima semana, tínhamos nos quatro finalistas a reunião irregular de “personagens” próximos e ao mesmo tempo distantes da atmosfera de Glee:

 

Alex seria uma reunião de três minorias que já existem na série: gay, negro e gordo. Para seu azar, três minorias que já foram abordadas com precisão. Seu diferencial estava na coragem de travestir-se para suas apresentações solo.

Esse acabou sendo o argumento fundamental para sua permanência no reality. Se ficasse, provavelmente Alex teria seu personagem construído em torno disso. Perdeu pontos por conta da arrogância e pretensão, que acabaram denunciando suas dificuldades em estabelecer relacionamentos fortes com os outros concorrentes. Errou ao travar uma batalha de egos com Matheus e ao insinuar que a ausência paterna pode ter provocado sua homossexualidade. Tinha uma voz absurdamente potente.

 

Lindsay era uma espécie de Rachel 2.0. As semelhanças com a personagem de Lea Michele eram muitas, mas paravam no quesito simpatia. Linda, talentosa, dona de uma voz perfeita, passeou pelo programa com emoções falsas e nos garantiu bons momentos. Era o tipo de concorrente que acrescentava à dramaturgia indireta dos realitys. Se comprometia, alterava o ritmo dos colegas e foi por causa do beijinho que deu em Cameron, que acabou antecipando os conflitos do rapaz esua precedente desistência.

Sua necessidade de instaurar o brilho em sua própria existência era compreensível e comovente, em alguns momentos.

 

Samuel era a personificação da confiança. Não representava nada do espírito vulnerável do programa e até a saída de Cameron, não tinha nenhuma sombra de correlação com a inspiração loser que permeia a série.

Ryan Murphy, decepcionado com a teimosia de Cameron em desistir, acabou transferindo para Sam (e sua aparência alternativa, com dreds e tatuagens) suas expectativas de escrever sobre um religioso fundamentalista que ao mesmo tempo sonha com os palcos. Seu talento como cantor e ator, esbarrava constantemente na cristalização de suas expressões e em sua constante posição confiante perante os colegas e os jurados.

 

Damian tinha vários motivos para não ter ficado entre os quatro. Não era o melhor cantor, não era o melhor ator e muito menos o melhor dançarino. Tinha um sotaque irlandês carregado e uma aparência extremamente infantil.

A seu favor, uma simpatia irresistível, um carisma avassalador, um atitude generosa e humilde com os participantes com quem concorria, uma sensatez e respeito invejável perante os jurados e um charme delicioso. No entanto, era esmagado pelas qualidades natas de seus amigos.

 

Esses quatro personagens, administrados por um grupo de jurados encabeçado por Robert Ulrich (sempre distanciado), viram seus nomes sendo elevados ao máximo do que poderiam ter planejado para sí mesmos até aqui. Digo os quatro, porque a decisão de arriscar a vitória entregando-a a Samuel, foi amenizada pela homenagem à generosidade ao presentear Damian com essa chance. Os dois eram os vencedores oficiais do programa, mas Lindsay e Alex não podiam ter seus talentos ignorados e ganharam uma pequena participação na temporada.

 

Esse final, mais uma catarse gleeniana, manteve o espírito surpreendente do reality e também serviu para nos apresentar aos bastidores de uma série que parece realmente se preocupar com seu conteúdo, seus atores e suas motivações. O coreógrafo Zach, com suas expressões de admiração e preocupação genuína são uma boa amostra disso. E mesmo Ryan Murphy, com seus arroubos de petulância, tinha no fim de tudo, uma necessidade real de falar para cada um dos oprimidos que perambulam pelos corredores dos colegiais espalhados pelo mundo.

 

The Glee Project já foi renovada para uma segunda temporada. Já não vai ser tão bacana e tão surpreendente como foi agora. Glee já terá perdido parte de seu elenco principal e não sabemos o quanto a série vai crescer ou decrescer até aí. Mas eu, como um fã absurdamente apaixonado, espero muita longevidade para essa que é uma obra cheia de contradições, enganos, momentos sábios, fúteis, catarses inexplicáveis, polêmicas e paixões. Como todos nós somos, aliás. Não há espaço para indiferença em Glee. Espero que nunca haja. A terceira temporada vai ser especial.

 

Em tempo: Dos que já tinham saído, Emily, Matheus e principalmente Hannah, mereciam ter chegado ao menos na final. Titio Ryan muitas vezes esqueceu os argumentos de inclusão da série, para privilegiar possibilidades instáveis de inspiração que não garantem o sucesso do programa.

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Dobrado Por Henrique Haddefinir às 19:03
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Sala de Projeção

Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 2

David Yates encerra com louvores a saga do personagem literário mais relevante do cenário mundial nos últimos anos.

 

 

Quando Chris Colombus recebeu nas mãos a importante missão de levar às telas o primeiro livro da série de JK Rowling, ele provavelmente não acreditava na capacidade que a saga teria de conquistar também o cinema. A critica não recebeu bem o infantilismo com que a adaptação apresentou o bruxinho aos que não pretendiam ler o livro. Harry Potter e a Pedra Filosofal foi escrito para crianças, mas era cheio de mistérios e coisas assustadoras.  Foi apenas com Guilhermo Del Toro em Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban que as portas para a verdadeira essência da obra de Rowling foram abertas. A escuridão e o medo foram incorporadas à adaptação.

 

A esperada última parte acabou sendo dividida em duas, para alegria dos fãs, e o que pudemos ver em julho, foi a despedida cinematográfica mais respeitosa do cinema atual. A grandiosidade desse respeito se compara apenas ao que vimos em O Senhor dos Anéis. O tamanho da importância desses filmes fica ainda maior quando pensamos que foram oito filmes, dez anos e muito trabalho mantendo o mesmo impressionante elenco fixo, que cresceu ao mesmo tempo que os espectadores.

 

As poucas licenças dramáticas feitas pelo diretor desde Harry Potter e o Cálice de Fogo (quando assumiu) não prejudicaram em nada o universo do personagem e algumas vezes, ajudaram a criar as expectativas necessárias para os que não conheciam os livros.

 

Essa parte 2 é tão tensa, mas tão tensa, que não dá pra respirar. Os momentos mais importantes estão lá em toda sua força e Daniel Radcliff além de muito bonito, conseguiu finalmentemalmentear todas as dores e angústias do de Harry.

 

O último livro, um desbunde de competência de Rowling, tem só um problema: o final que não condiz com a trajetória trágica do personagem. Até a cena da estação, tudo é de uma coerência fora do comum, mas as cenas posteriores também refletem o compromisso da escritora com os fãs.  O filme, exatamente porque respeita o livro, também tem nessas sequências a sua maior fraqueza. Yates preferiu não dar muita vazão à carga emocional provocada pelas mortes de Fred e Lupin (para não prejudicar a ação, diga-se bem), mas com isso, Dobby, que quase não apareceu nos outros filmes, acabou tendo mais apelo emocional quando se despediu no final do filme anterior.

 

Mesmo assim, tivemos um espetáculo para apreciar digno do Oscar que até hoje a academia não deu. Harry Potter mudou a minha vida, me alegrou por uma década e saiu imaculado do cenário artístico mundial.

 

Rango

Lagarto esquizofrênico é engraçadinho, mas não salva o filme do roteiro fraco.

 

 

O trailer de Rango nos enche de expectativas, mas depois de meia hora de filme, você percebe que nada vai acontecer de tão cool assim. A história é previsível, o carisma de Rango é discutível, os coadjuvantes são assustadores e o filme é incrivelmente longo para uma animação. A principal qualidade da produção é justamente o fato dela ser meio asquerosa. Meio nojenta. Com aqueles moradores sujos, cuspindo, babando, durante o filme todo. Um exemplo do completo descompromisso da audiência com os pequenininhos é o pesadelo de Rango, com cactos virando chocalhos de cascavel e outras metáforas medonhas de assustar qualquer criancinha. Vale pelo critério, mas você não perde nada se não vir.

 

O Ritual

Anthony Hopkins expulsa o capiroto em filme que você não daria nada pela capa, mas que dá um medão do caramba.

 

 

Era pra eu ter visto esse filme no cinema. Fui duas vezes e não consegui. Acabei locando, mas não perdi o impacto dessa história “real” que nos apresenta um exorcista nada convencional. Hopkins vive um padre experiente em colocar o cramunhão pra correr, e fica incumbido de ensinar as técnicas para um cético colega. Os diferenciais desse filme são muitos, mas o momento chave pra entender isso é na cena em que Hopkins faz o primeiro ritual, que ele interrompe no meio para atender o celular. O clima do filme é ótimo, tenso, tudo fica em suspenso. A atriz que faz a possuída grávida é ótima e as duas facetas de Hopkins são irresistíveis. O roteiro não é muito original, mas conduz o espectador com coerência, em meio a uma direção acertada que privilegia o psicológico e não o susto. E ainda temos Alice Braga dando o ar da graça muito competentemente.

 

Demônio

Se você é um demônio ocupado, não vá de escadas. Vá de OTIS.

 

 

M.Night Shyamallan é um diretor que eu adoro, mas que admito que não vai bem das pernas. Desde de A Vila que ele começou uma espiral de fracassos que chegou ao seu apogeu com O Último Mestre do Ar. Agora, ele começou uma nova fase, voltando ao terror e suspense que o consagrou, com a primeira parte de uma trilogia chamada As crônicas da noite. Demônio conta a história de um grupo de pessoas presas num elevador que está habitado pelo diabo em pessoa. Dentre os cinco, um é o dito cujo disfarçado.

 

O clima do filme é ótimo! O roteiro se apoia numa lenda latina que ajuda a história a ganhar seriedade e o elenco é muito digno. A expectativa sobre a identidade do capiroto torna a revelação ainda mais intensa, e o bom texto contribui para a catarse do momento.  Ainda não sei se as próximas duas crônicas terão conexão com essa, mas a estreia foi bem divertida. Shyamallan não dirige o filme, mas “Demônio” é sem dúvida, um dos melhores filmes de terror dos últimos anos.

 

O Discurso do Rei

Fuck... Fuck... Fuck... Oscar!Oscar!Oscar!

 

 

Hollywood adora os filmes de superação. É o maior dos clássicos. Está por toda parte. Já tivemos o criminoso que finge ser policial e acaba ajudando a polícia, já tivemos o policial que finge ser professor e muda a vida dos alunos, já tivemos a cantora de boate que finge de freira e agita as estruturas de um convento, já tivemos a menina que não sabe dançar e desabrocha num concurso, já tivemos o garoto que se torna um homem de 30 anos magicamente e com isso melhora a vida dos adultos em volta. Já tivemos a mãe que vira a filha e percebe coisas inesperadas e já tivemos o contrário. já tivemos a superação em todas as vertentes possíveis. Em todos os casos, sem exceção, a estrutura do roteiro é a mesma: a dificuldade do início, quando a dinâmica personagem-problema e personagem-solução precisa ser estabelecida. Depois, temos sempre os cortes rápidos que mostram como essa dinâmica começa a funcionar. Tudo para então, termos o obrigatório momento em que essa dinâmica é interrompida por alguma revelação. Geralmente a revelação diz respeito ou ao segredo do personagem-problema (sou um garoto de 13 num corpo de 30, por exemplo) ou ao personagem-solução (não sou um professor de primário de verdade, por exemplo), mas o momento segue-se sempre da mesma forma. A mentira ou a omissão causa uma turbulência, só para depois ficar claro que essa mentira/omissão não afetou o resultado dessa dinâmica. Aí partimos para as sequências de reconciliação e assentamento das tensões. Vem o final feliz, por fim.

 

Reconheceu a estrutura de O Discurso do Rei nisso tudo? Pois bem, você não está enganado. O roteiro do filme, sem aquele painel histórico, seria como qualquer filmão pipoca de superação da Sessão da Tarde. Seria igualmente bom, mas não teria sido superestimado como foi. É aí que reside a inteligência do diretor, que revestiu de competência e beleza a sua direção cheia de planos inesperados, enquadramentos não-convencionais, e que coroou isso com um elenco impecável, que soube retratar com paixão cada um daqueles ícones históricos.

 

Tom Hooper usa os mesmos clichês dos filmes de superação para ganhar o Oscar, sobretudo porque faz isso com uma sensibilidade única.

 

Ainda acho que Cisne Negro foi mais ousado e desbravador, e que exatamente por isso merecia o prêmio maior. O Discurso do Rei é bom, mas é seguro demais. E deve-se premiar o seguro e confortável, apenas quando não podemos incentivar o que nos tira do lugar comum.

 

Dobrado Por Henrique Haddefinir às 18:48
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Insensata Diversão

Terminou semana passada a novela Insensato Coração, de Gilberto Braga e Ricardo Linhares, entre protestos de censura, mistérios superficiais e muita diversão. A novela, que em termos de sucesso e barulho, foi uma das mais bem sucedidas do horário atualmente, pode ser encarada como uma obra em três atos muito bem definidos.

 

O primeiro ato, claro, começou no primeiro capítulo, com a maneira apoteótica com a qual Pedro e Marina se conheceram. A novela teve um aspecto curioso, que geralmente não vemos dentro do padrão estabelecido de criação: ela teve linhas de tensão que foram trabalhadas muito lentamente. Ou seja, a trama foi pensada muito antecipadamente e os nós dramáticos foram sendo atados sem pressa. Se pensarmos na Insensato Coração das primeiras semanas, vamos notar que nada do grande sucesso que ela obteve se anunciava naquela organização aparentemente aleatória de núcleos. Um bom exemplo disso é a história do homofóbico assassino Vinícius. Ele apareceu muito pouco nos primeiros capítulos, namorando a irmã de Camila Pitanga, mas essa aparição já servia pra dar indicativos básicos de sua personalidade violenta. O mesmo para o homossexual Eduardo, que no começo incorporava uma sensibilidade em sua interpretação que não anunciava nada, mas que sugeria o caminho específico para alguma mudança, já que o namoro com Paula parecia tudo, menos passional.  Nesse início, tínhamos os principais pilares da história apenas se desenhando. Norma era uma ingênua enfermeira namorando Leo e o banqueiro Cortez parecia apenas um mau caráter clássico.

 

 

O segundo ato pode ter seu início entendido a partir da reconciliação entre Pedro e Marina (depois de uma série de acontecimentos que encheriam uma outra novela) e da ruptura de valores de Norma, sendo perseguida na cadeia por uma irreconhecível Cristiana Oliveira. As tramas principais estavam ainda caminhando ao ponto exigido para que as tensões provocassem o clímax, tanto que Leo há essa altura, ainda aplicava pequenos golpes e Cortez era só um homem sem caráter que manipulava a mulher. Foi dentro desse meio de trama, que se formaram os laços entre os coadjuvantes que viriam a conquistar a audiência, mas que foram sabiamente adiados até a hora certa, quando sua exploração não correria o risco de ser saturada.  Bibi e Douglas, que pareciam perdidos dentro da novela, foram reservados para esse momento da novela, para que as curtas possibilidades de conflito fossem condizentes com a vida útil do folhetim. 

 

O terceiro ato começou quando Norma enriqueceu e levou Leo para ser escravizado em sua casa. A partir dali, todas as linhas de tensão estavam estabelecidas e viraram o sonho de consumo de qualquer autor: tudo estava tão armado que era só aproveitar  as possibilidades à vontade.  A ansiedade pelo destino de Leo, pelo desmascaramento de Norma, pela saída do armário de Eduardo, pelos conflitos  criados pela descoberta da paternidade de Vinícius, pelo destino de Natalie  sendo casada com Cortez... Enfim, estava tudo pronto, e como o fim não estava distante, tudo pôde ser abordado sem enrolação.

 

Como em todo último capítulo, muitos erros de coerência são cometidos, mas perdoados pela finitude dessas decisões. Wanda não era o tipo de pessoa que matava, mas a traição com as perspectivas da personagem em nome do suspense, não a ameaçava por mais capítulos. O recurso do quem matou? é uma marca de Gilberto, mas lançar mão dele é muito mais útil quando a trama carece de intensidade, o que não era o caso de Insensato Coração. A história, cheia de vilões interessantes, reviravoltas inesperadas, ganchos diários, resultado de um planejamento absoluto que deve virar via de regra para qualquer novelista. Além disso, nada foi mais divertido do que acompanhar as frases hilárias de Bibi (que deviam ser publicadas), os devaneio de Natalie e Douglas, o surpreendente carisma de Roni, e tantos outros personagens marcantes da trama.

 

Por fim, nenhuma outra história deu tanto espaço para os gays como essa. Eram vários personagens, várias expectativas formadas e uma campanha contra homofobia que teria sido melhor sucedida sem a interferência direta da direção da emissora, que se sentiu acuada com a massividade dessas questões. A relação do homofóbico Cléber com a descoberta do filho gay talvez não tivesse sido tão apressada se não fosse essa interferência, que também baniu o casal Eduardo e Hugo da linha de frente dos capítulos. Por sorte, Gilberto adiou a elevação dessas questões gays para esse terceiro ato, o que impediu a reação conversadora de agir mais drasticamente.

 

Com a chegada da pretensiosa Fina Estampa, escrita por um cada vez mais megalomaníaco Aguinaldo Silva, damos adeus a uma novela que se organizou pelo bem da diversão do espectador, e que aproveitou pra fazer um importante merchandising social.

 

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Dobrado Por Henrique Haddefinir às 18:39
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Segunda-feira, 15 de Agosto de 2011

Tem como não querer isso??

Dobrado Por Henrique Haddefinir às 19:15
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Quarta-feira, 3 de Agosto de 2011

Como sempre e até quando?

 

É, tava demorando.

 

Começaram a pipocar essa semana pela net as notícias sobre a postura de censura da Rede Globo em torno dos gays da novela Insensato Coração. A pá de cal definitiva veio pela revista Veja, que informou que Gilberto Braga foi sim, convocado pela direção da emissora e intimado a limar várias das cenas previstas para o casal Hugo e Eduardo. A nota da revista foi mais além, e julgou adequada a postura da emissora, afirmando que o "didatismo catetequésico" das cenas em torno da homofobia teria feito desandar a receita de ativismo promovida por Gilberto. Enquando a Globo afirma que não fará "merchandising de orientação sexual" eu fico me perguntando porque esse didatismo não é questionado quando se trata de outro tipo de "campanha".

 

Será que ninguém pára mesmo pra pensar no quanto é positivo que essas discussões estejam acontecendo dentro da novela? Que falar, didaticamente ou não, da violência aos gays, do processo de aceitação, de tudo que diz respeito ao convívio social dos gays, é muito importante? É necessário e cabe a todo veículo de comunicação que se julgue respeitado?

 

Mais uma vez, as tentativas de incorporar os dramas homossexuais à teledramaturgia brasileira vão ser diminuídos a condição de "merchandising". Ninguém percebe que essa má vontade diante dos assuntos que nos dizem respeito é só mais um incômodo provocado pela incapacidade de enxergar esses assuntos como naturais e inerentes à vida de qualquer homossexual desse mundo. Ganham a batalha, mais uma vez, os pitboys que renegam o que haviam visto na TV até agora, os xiitas religiosos que viam nessa investida de Gilberto Braga o final dos tempos, os homofóbicos que torciam pela eliminação de todo o núcleo gay da história... Ganham eles, de novo.

 

Já se começa a falar sobre a possível morte do casal no final da novela, como uma forma de protesto. Nas próximas semanas, o insuportável Vinícius vai matar o jovem Gilvan, protegido de Sueli, e representar a voz agora audível de todos que pensam como ele. Já que cenas de violência contra os gays, cenas de morte, essas são permitidas. As de amor, não.

Dobrado Por Henrique Haddefinir às 19:26
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The Glee Project S01E07 - Sexuality

Acaba o episódio e eu lá, estupefato diante da TV. Gente, o que foi esse TGP dessa semana? O que foi Hannah entregando seu amor a Damian? O que foi Cameron chutando uma oportunidade daquelas por conta de convicções religiosas?

 

Às vezes a gente vê esse tipo de carola num filme e pensa que esse tipo de coisa só existe na ficção. Lembro que tive resistência a acreditar naquele personagem beato que namorou a Jen em Dawson's Creek e que não fazia sexo antes do casamento. Ver esse tipo de coisas saindo da boca do Cameron foi como um choque de realidade: o conservadorismo americano ainda assola a juventude como um câncer. E esse tipo de repressão moralista-pessoal acaba gerando indivíduos opacos e intolerantes.

 

Claro que rola aí uma questão de avaliação pessoal minha, mas era difícil entender Cameron não aceitando fazer coisas que estavam dentro do campo da ficção. De certa forma, a iniciativa dele em entrar no programa foi premeditada nesse sentido. Ele sabia que seu lugar na série era uma improbabilidade, mas mesmo assim entrou. Conseguiu mostrar seu trabalho e saiu com ares de mártir.

 

E Ryan Murphy querendo que ele ficasse só porque ele queria sair, foi ótimo. Ele tem que controlar tudo, sempre. Mesmo assim foi bacana a maneira como ele avaliou e dialogou com Cameron.

 

Episódio antológico!!

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Dobrado Por Henrique Haddefinir às 19:24
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