Terça-feira, 5 de Abril de 2011

The Glee Dream

Estou aqui em casa, nesse sábado a tarde, me recusando a levantar do sofá pra fazer coisas mais importantes e assistindo a série Glee em DVD. O box da série, adquirido numa promoção boa do Submarino, foi promovido pela Fox, o que infelizmente significa falta de qualidade e confusão. Glee até que sofre menos com isso, o box não é o digipack dos nossos sonhos, mas pelo menos não é aquela coisa ridícula que fizeram com os boxes de Family Guy. Aliás, como bem disse um blogueiro aí dessas minhas andanças pelo google, vai chegar o dia em que a Fox vai começar a vender seus dvds dentro de um saquinho plástico.

 

Enfim, o box é simples, em formato amaray e apesar de ter um show de extras incríveis, nenhum deles  é legendado. Aí eu fico pensando... Porque uma emissora que dubla suas séries e comete a redundância de legenda-las ao mesmo tempo, acha que não precisa legendar os extras do DVD? É absurdo! Cheios de documentários, entrevistas e spots, os discos seriam um prato cheio se você não precisasse ficar treinando seu entendimento de inglês o  tempo todo. Mas deixe estar... a Fox anda perdendo um filão e eu nem queria perder essas linhas falando dela.

 

A razão desse post matinesco é um dos extras chamado Video Diaries, em que os atores registraram sua primeira viagem à Nova York para os eventos de estréia de Glee. Todos parecem muito deslumbrados, mas no vídeo de Chris Colfer, que interpreta o Kurt, há um momento singular que representa o verdadeiro sonho que ele e seus colegas estão vivendo. No seu quarto de hotel, olhando para a vista, ele repete como pra sí mesmo:

Eu não acredito que eu estou aqui

Eu não acredito que eu estou num programa de TV

Eu não acredito que isso está acontecendo

Parece que eu vou acordar a qualquer segundo... Tomara que não.

 

Logo depois, Chris sai com outros colegas de elenco pela cidade, em busca de pôsteres da série para fotografar e confirmar inconscientemente aquela realidade tão improvável para eles.

 

 

Após a exibição do último vídeo, eu, e acredito que tantos iguais a mim, atores, autores, cantores, pessoas movidas pela paixão artística, movidas pelo desejo de viver um sonho onde essa paixão fosse exercida como profissão, pessoas tomadas por uma certeza tão absoluta de que é no palco, na tela, entre as cortinas, que estão as certezas de realização plena, tive a compreensão total dos sentimentos de Chris naquele momento. Seu deslumbre teve toda a minha simpatia. Era como se eu estivesse lá, sentindo a emoção de ver meu rosto pela cidade de Nova York, sabendo que atuando e cantando, eu estava vivendo o momento mais importante da minha vida.

 

Gostei mais de todos eles depois daqueles vídeos... É aquela fórmula imbatível do plebeu que se identifica mais com outros plebeus que alcançam o castelo. Pois bem... Nesse meu sábado à tarde eu fiquei fugindo da realidade junto com o elenco de Glee. Sonhando com Nova York novamente... Com meu rosto em pôsteres colados em muros sujos... Ou simplesmente com Nova  York... O castelo longínquo da minha existência plebeia.

 

Dobrado Por Henrique Haddefinir às 18:03
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Ideologia

 Sabe aquela frase do Cazuza? Aquela que todo cidadão que gosta de se revolucionalizar repete? Ideias que não correspondem aos fatos , e que parecem ter permeado toda a entrevista de Tiago Santiago ontem, no SBT.

 

Pra quem não sabe, Tiago Santiago é um autor de novelas que ganhou fama depois ter conseguido implantar um modelo quase global de produção dentro da Record. É dele a relativamente bem sucedida Prova de Amor, que reunia um bom elenco e uma história dentro da coerência necessária para a realização de uma boa história. O problema é que também é dele um dos maiores absurdos que a televisão brasileira já teve a infelicidade de realizar: Os Mutantes. E é desse ponto de partida nonsense  que começamos a perceber os ideais desse autor com um nobre objetivo, mas com uma profunda ignorância a respeito da indústria que o cerca.

 

Santiago estava promovendo a estreia de sua nova produção no programa de Gabi. Ela, profundamente receptiva ao lançamento de Amor e Revolução (que já não revoluciona no título), ouvia os argumentos do autor para justificar sua obra com o mesmo interesse de sempre. Ele, claramente animado com essa nova oportunidade, discorria um rosário de iniciativas teóricas para justificar a decisão de levar para as novelas o mundo sangrento da ditadura. Gabi se lembrava de dizer que as novelas nunca tinham se dedicado ao tema e infelizmente a declaração não foi além e chegou até a razão desse ocorrido: a simples e óbvia limitação da linguagem.  A menos que você queira parodiar Shakespeare, não pegaria uma atriz de 105 quilos para viver Julieta. É uma questão de entender a hierarquia das grandes histórias. Não filmar Titanic com orçamento de filme pra DVD, por exemplo. Mas Santiago, em seu complexo megalomaníaco, continua a tentar reafirmar seu nome através de linguagens e referências fortes demais para serem revisitadas sem ficar com cara de oportunismo vulgar. Fez isso tentando recontar A Escrava Isaura, tentando  reproduzir Manoel Carlos em  Prova de Amor e tentando ir na onda da série Heroes ao produzir Os Mutantes. E olha que nem Heroes deu certo.  Todas produções visando o estremecimento do império global, mas que sem bom senso, acabaram cheirando a caricatura.

 

A tal da Amor e Revolução, foi descrita por ele na entrevista como um corajoso produto de pesquisas e paixão. E seus argumentos foram muito coerentes. A tentativa de humanizar os generais da repressão é notável. O tratamento cinematográfico alardeado por ele é o necessário para sofisticar a trama. Segundo ele, a novela busca um equilíbrio de fatores interpretativos e tem produção e reconstrução de época impecáveis. Tomado de orgulho, ele responde a Gabi que sua trama pretende respeitar a cartilha das novelas, mas buscando mostrar algo de novo para a disputa no horário nobre. Tá, ok... Mas depois de ouvir isso tudo, vem o comercial e na chamada, a gente vê isso aqui:

 

 

 

Exagero! Exagero! Exagero! Como sempre, as tramas têm ansiedade em acontecer e sem preparação, não tem clímax que chegue. Então vamos produzir o clímax. E dá-lhe tapa pra lá, e soco pra lá, e arma na cara, e em trinta segundos de chamada já deu pra ver que ninguém ali foi criado para ter profundidade nenhuma. É tudo rasteiro. Chapado. Estereotipado. E não que a Globo não esteja fazendo isso ultimamente. Acho que A Favorita, de João Emanoel Carneiro, foi a única coisa nos últimos anos que nos poupou da mesmice. Mas a Globo tem apuro técnico e isso às vezes disfarça as deficiências de sinopse. No SBT, essa falta de apuro maximiza os defeitos já gritantes de visual e coerência. O resultado é aquele já conhecido aroma de equívoco. Não dá pra acreditar naqueles personagens, naqueles cenários, naquelas caracterizações... E enquanto a Manchete, nos anos 80 e 90, se segurava numa boa história pra derrubar a Globo, o SBT e a Record (em menor escala), ainda insistem em primeiro tentar revolucionar com uma ideologia linda de ouvir, mas que não se imprime na tela. Aí vira tudo um borrão de incompetência.

 

Uma pena. Eu torço para que outros canais encontrem seu caminho. O mercado de trabalho e o telespectador só têm a ganhar com isso. Mas enquanto não houver bom senso e investimento, nada vai mesmo mudar.

 

PS: Se puderem, entrem no youtube através do link desse vídeo e dêem uma olhada nos comentários. Gente doida que acha a Patricia de Sabrit maravilhosa e que espera a estréia da novela ansiosamente.

Dobrado Por Henrique Haddefinir às 17:57
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