Segunda-feira, 24 de Janeiro de 2011

Aliens Adoram a Terra

Vão destruir o mundo de novo esse ano. Pois é. Eu adoro!! Vou no cinema amarradão pra assistir e esperando muito que a projeção também role em 3D. Assim como em Independence Day nos anos 90, os alienígenas é que vão torrar o planeta em explosões. O que achei curioso é que no trailer, o narrador vai falando o nome das cidades mais importantes do mundo enquanto vamos vendo flashes de todas elas indo pelos ares. Ao final, o narrador diz: não podemos perder... Los Angeles.

 

Los Angeles? Really??

 

 

 

 

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Dobrado Por Henrique Haddefinir às 22:32
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Sábado, 22 de Janeiro de 2011

Se o solo é ruim... não apare a grama.

 

Todo mundo falando que o Thierry embarangou depois dos 30. Essa foto aí no Ego ajudou a confirmar a tese. Agora, fico me perguntando, se vc está começando a ficar meio barrigudinho, por que continua se depilando como se fosse um saradão? Deixa crescer Thierry! Era melhor quando você era assim:

 

 

 

Mas vá... ainda sou seu fã mesmo uns quilinhos a mais.

Dobrado Por Henrique Haddefinir às 23:44
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Terça-feira, 18 de Janeiro de 2011

Depois do Casulo

Ariadna e seu passado que acaba de vazar pra net:

 

 

 

Pela capacidade do ser humano de desafiar a natureza ao ponto de provar que ela nem sempre é interpretada como deveria.

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Dobrado Por Henrique Haddefinir às 21:08
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Eleven!

 

Começou o Big Brother Brasil 11! Tanta coisa na cabeça, essa tragédia toda na Região Serrana e até esqueci de comentar essa nova edição, que começou com a mesma competência de sempre: edição bacana, esperta, bem humorada e participantes totalmente nonsense.

 

A boa sacada dessa edição é colocar a transsexual Ariadna, cheia de medos e travas, em paralelo aos assumidos Daniel e Lucival. A moça, que entrou sem contar sua origem não consegue sustentar sua mentira e depois de uma semana os efeitos dessa personalidade destruída pela convergência de tantas readaptações começaram a surgir e ela já está no primeiro paredão, com uma possibilidade imensa de ser eliminada.

 

Acho uma pena que tão cedo o público elimine a personagem sem compreender que a condição dela perdoa alguma dificuldade em se incluir no meio de tanta gente que julga sem dó. O programa perde conteúdo viral ao tirá-la da casa pra manter pessoas irrelevantes como Janaína. Mas no entanto, a saída de Ariadna é quase certa. O público, se aproveitando das mentiras oriundas do medo que ela contou, vai poder se livrar do participante incômodo sem culpa de ter sido ligeiramente preconceituoso.

 

Aliás, termos a transsexual e o homossexual no mesmo paredão parece uma coincidência que quase implora pra virar conspiração.

 

O programa em sí, estranhamente, não apresentou nenhuma novidade relevante nessa edição. O tal Sabotador até agora é uma bobagem sem tamanho e importância, e a casa mudou enquanto estrutura. Mas nada de casas externas, de vidro, ex-bbb's ou participantes surpresa. O que pode até ser bom, já que o fantasma da Fazenda 3 rondou a atração global e é melhor não inventar muito pra evitar comparações.

 

Aliás, falando nisso, o que é o pessoal do Te dou um dado? fazendo posts dizendo que o BBB quer copiar A Fazenda? Quer trabalhar no R7 tudo bem, mas cair no samba do grupo Record e cantar a idiotice perpetuada pela figura de Bispo Macedo, é demais. Vamos ter elegância.

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Dobrado Por Henrique Haddefinir às 20:32
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A Menina Única

Tinha uma moça brigando com a responsável pela troca de sapatos no boliche. As duas discutiam. A atendente atrás do balcão tinha uma mecha fina de cabelos presos no canto da boca. Eu ficava olhando pra eles...

 

Domingo à tarde quente e arrastado, como são todos os domingos à tarde depois que finda a nossa infância, quando ficamos felizes da vida porque chegou o final de semana longe da escola e da obrigação de acordar cedo, estudar e passar. Com céu claro ou com nuvens, com chuva ou com sol... Não importa. Os domingos à tarde para os adultos que não comem churrasco e nem tem carros pra lavar são sempre os mesmos. Arrastados. Viscosos. Feitos para desfrutar dormindo ou vendo bobagens na TV. Ou para sair em programas matinescos com suas amigas, se for adolescente como eu.

Resolvemos subir o teleférico para chegar ao boliche da cidade. Passeio lindo, fresco, cheio de sorrisos e das nossas idiotices juvenis. Naquele domingo... um dia normal em que tinha uma moça brigando com a responsável pela troca dos sapatos. Um dia que não sabia como me avisar que eu precisava aproveitar muito bem a companhia das amigas ao meu lado, já que dois dias depois eu ainda estaria viva, mas elas não.

 

 

 

 Eu olhei pro alto bem forte quando estávamos descendo da montanha pelo teleférico. Sentia a minha pele quente pelo entardecer lento. Estavam comigo três meninas agitadas que seguiam no mesmo passo que eu desde que começou a ser possível fazê-los. A Menina 1 tinha cabelo castanho longo, era filha de um político importante na cidade, morava numa casa  boa num bairro perto do meu e naquela hora que nos despedimos na Praça, entre suspiros e risinhos, eu ainda não sabia que era a última vez que eu a veria com vida.

A Menina 2 era mais calada, menos bonita e mais atraente. Falava pouco sobre si mesma com os outros, e ninguém sabia que eu era a única que conhecia seus segredos. Era filha de um jornalista viúvo que morava na capital e vivia aqui com os avós. A Menina 3 era a única que morava bem perto de mim, do lado da minha casa. Eu, a Menina 4, que em menos de 48 horas me tornaria então, a Menina única.

 

Segunda-feira foi um dia comum. Nas férias a gente sempre acaba mesmo achando que não precisa fazer nada. E foi isso que eu fiz, nada. Acordei tarde, pensei em ligar pras minhas amigas mas achei que seria bom passar um tempo com meus cachorrinhos. Dei banho, levei pra tosar e depois brinquei com eles no quarto. Ainda conversei com alguns amigos na internet, mais tarde, e embarquei desacordada pelo sono na última terça-feira inocente de toda a minha vida.

 

O dia já estava nublado pra mim quando acordei. A Menina 2 tinha combinado uma cachoeira com os primos, mas a previsão era de chuva e ela então não foi. A metereologia, no entanto, não era a vilã do meu dia e eu fui com minha mãe fazer compras na cidade. Por volta das 18 horas, o céu já estava começando a ficar bem escuro e resolvemos voltar pra casa. A Menina 3, que morava ao meu lado, ainda ficou lá em casa até perto das 22 horas. Eu até queria que ela ficasse por lá pra dormirmos tarde depois de ficar vendo bobagens na internet, mas a mãe dela estava zangada com as tarefas que ela negligenciou e não permitiu. Decidida a só deitar quando estivesse dominada pelo sono, permaneci desperta.

 

É engraçado... Mas a primeira lembrança que eu tenho de uma tempestade é de quando era muito criança e nós morávamos numa espécie de fazenda no interior do estado. Era uma área rural muito extensa, plana, com poucas residências e sem nenhuma montanha ou rio próximos. Ou seja, a chuva, por mais forte que fosse não assustava ninguém. Mas eu morria de medo! Os raios e os trovões ajudavam muito nessa sensação de impotência, mas era aquele maldito coqueiro ao lado da minha janela que me apavorava. Tínhamos um quintal grande, cheio de pés-de-coisas, e na janela ao lado do meu quarto tinha um coqueiro. Como vocês sabem os coqueiros crescem meio tortos, têm todos aquela forma curvilínea parecida com a das bananas e quando eu paro pra pensar nas tempestades a primeira imagem que me vem é aquele vento forte, os espelhos da casa sendo cobertos, os aparelhos eletrônicos sendo desligados, todos sentando-se juntos na grande sala e os relâmpagos permitindo que eu enxergasse a forma torta daquele coqueiro balançando assustadoramente na direção da minha janela. Tinha dias que aquilo me assustava tanto que eu me agarrava na cintura de minha mãe e ficava assim até os ventos cessarem. E na minha irracionalidade infantil, nem percebia que eu era a única grande assustada. Aquele coqueiro, mesmo que caísse, no máximo quebraria os vidros da moldura e possivelmente não conseguiria ferir ninguém... A chuva em minha memória era assim: bucólica, aromática, lúdica e levemente temerária. Falar assim faz parecer que foi há tanto tempo...

 

Já para a Menina 3, minha vizinha, que morava aqui desde que nasceu, a chuva tinha um grau a mais de ameaça. Nem de longe essa ameaça incluía fios de vida sendo cortados sem controle pelos Laquesis da mitologia, mas todos temiam ter que andar por ruas alagadas ou, na pior das hipóteses, perder bens de consumo numa enchente. Mesmo assim, Menina 3 adorava morar ali. Eu também, na verdade. Era tão fresco... E tinha uma paisagem verde pra todo lado. Não importava pra onde você olhasse, havia uma montanha verdejante sorrindo pra você. Era uma cidade, mas não tinha a banca de uma. Não ameaçava minha origem rural com arranha-céus e colunas de fumaça. Era uma cidade inquilina da natureza. Cheia de vizinhas igualmente encantadoras das quais uma delas, tinha como símbolo a forma de um dedo apontando para o céu. Como se disséssemos assim: Hei, você aí! Obrigado pela divindade natural que nos cerca... Minhas amigas e eu morávamos num lugar assim, assentado em concreto sobre a beleza de uma terra verde. E até as primeiras horas da madrugada de quarta, a vida ainda seria assim durante muito tempo.

 

Não sei como foi para as minhas três amigas e suas famílias. Mas na minha casa a essência da morte chegou como um gigante que anuncia suas dimensões com passos firmes num solo úmido. Ouvi um grande estrondo que parecia o de um tiro abafado. Depois o som virou uma espécie de sinfonia retorcida como a de um balde escorrendo água na pia. Dez segundos depois, outro estrondo. Uma pausa e mais sensação de escorrimento. Só que mais viscoso. Pensei: é o rio. O rio que ficava a alguns quarteirões da nossa rua. Mas e os estrondos? Tumm!! Mais um. E mais perto. Levantei correndo e minha mãe e meus irmãos já estavam de pé no corredor. A voz do meu pai veio do quarto, corremos até lá e ele observa alguma coisa pela janela. Pela brechinha que sobrava eu olhei pro lado de fora e vi, estupefata, uma corredeira de lama imensa descendo pela montanha numa velocidade impressionante. A cada obstáculo que a massa encontrava no caminho: Tumm!!. E à exceção de alguns pedaços de madeira voando, não dava pra ver mais nada. Só o brilho asqueroso da lama aliviando sua tensão mortal ao vencer mais uma barreira.

 

Corremos pro lado de fora. A água já nos cercava. Da casa da Menina 3, minha vizinha e amiga, eu não ouvia e nem via nenhuma movimentação. Dizia a minha mãe que tínhamos que ir até lá, porque talvez as pessoas não estivessem acordadas pra perceber o que estava acontecendo. Em pânico, eu começava a perceber que quase todo mundo ainda estava dormindo. Precisávamos acordar aquelas pessoas! Então comecei a gritar e foi aí que o pior pesadelo de qualquer um se tornou realidade: eu seria mais uma. Mais uma naquelas estatísticas assustadoras de pessoas que passam por grandes tragédias. Ano passado, eu e Menina 1 tínhamos conversado sobre o que aconteceu em Angra dos Reis e nos apavorava a idéia de a morte chegar tão sorrateiramente e levar sua vida ignorando que no dia seguinte você precisa fazer aquela viagem que esperou tanto e que custou tão caro. Naquela madrugada, era a própria vida de Menina 1 que estava sendo expurgada enquanto ela dormia. E esse pensamento assustador de pessoas morrendo sufocadas por água e lama me tomou como um calafrio febril e eu comecei a realmente me desesperar. Meu pai enfiou bóias em meu irmão mais novo e aos berros pedia que nos segurássemos uns aos outros e tentássemos atravessar o alagamento até a esquina, onde poderíamos pedir abrigo no prédio de apartamentos que ainda não tinha sido atingido. Nos seguramos forte e começamos a atravessar. Eu ainda insistia que fôssemos à casa da minha amiga, mas meus pais, de maneira sinistra, negavam e se entreolhavam. Tentavam distrair nossa atenção para outras direções para que não víssemos as pessoas sendo arrastadas pela água e pela lama.

 

Tivemos sorte. Com água pela cintura, atravessamos o alagamento. Mas a correnteza realmente mortal estava do outro lado. Nos fundos de nossa casa, por onde, alguns metros atrás, passava o rio. Entramos no prédio de apartamentos e ficamos todos no teto. Alguns outros vizinhos conseguiram chegar até lá. Alternávamos entre o pânico e o silêncio. Ouvíamos gritos do lado de fora. Estrondos vindos de todo lado. Eu via os olhos apavorados dos que percebiam corpos boiando nas correntezas. E o dia amanheceu assim. Meninas 1, 2 e 3 estavam mortas antes do sol raiar. Duas delas só seriam encontradas dois dias depois. E eu lá, naquele telhado, olhando a água continuar a subir e o pânico de que o prédio caísse tomando conta de todos. Até que um helicóptero chegou no início da tarde e começou a nos resgatar. Do alto, a imagem era ainda pior. Barragens deslizam e continuavam a invadir as ruas sem o menor aviso. Algumas atravessam as casas de maneira impressionante. Havia carros por cima de varandas e paredes boiando como se fossem jangadas. Eu não queria olhar... Tinha medo de que algum daqueles pontos nas águas fossem corpos ou pior, pessoas vivas pedindo socorro. Mas olhava mesmo assim... É que... Meu Deus... Parecia tão absurdo. Há algumas horas atrás estava todo mundo vendo a novela. Jantando, conversando, fazendo planos pro dia seguinte. E a morte entrou pelas paredes arrastando tudo, tornando aquilo absolutamente sem sentido. As pessoas não deviam ter que estar mortas dessa maneira. E então eu chorei nessa hora. E foi um choro brutal. Eu mal podia respirar. Eu não era mais um ser humano comum. Eu teria a amargura de uma tragédia tatuada no meu consciente. Será que podem voltar a ser felizes os que testemunham o genocídio?

 

- Olha o que você fez conosco! – Dizia agora o dedo apontando para o céu em minha cidade vizinha.

 

Escrevo agora de um ginásio onde permanecem todos os que sobreviveram. O sentimento é de culpa pela vida preservada em detrimento das que se foram. Não sabemos o que será de nós quando a chuva passar e pudermos sair. No meio dos repórteres que tentam noticiar o evento, me pergunto por que nenhum deles faz reportagens sobre como deter o medo de voltar a fincar raízes no mesmo lugar? Ao olhar em volta, eu vejo tristeza, lágrimas, fome e vergonha. Pode parecer absurdo ter vergonha diante da tragédia, mas não é fácil pedir quando você esteve acostumado a dar. Meu pai está na fila para pegar alimentos. Seu semblante é devastador. Nada me corta mais o coração do que a imagem de um homem esperando comida para dar aos filhos. Nós, que já doamos alimentos e roupas para desabrigados, agora dependemos desse mesmo gesto. Tenho vontade de chorar novamente. É só o que tenho feito. Chorado e tentado afastar minha cabeça das imagens de horror que me assombram mesmo acordada. Alguém me disse aqui que falar sobre a tragédia pode ser bom, mas eu não quero falar com ninguém. Eu queria falar com vocês, minhas Meninas, mas vocês não estão mais aqui. Eu as amo. Tomara que tenha sido enquanto vocês dormiam. Tomara que essas palavras meio tortas escritas nesse caderninho amassado possam ser sentidas nessa esfera etérea onde vocês agora residem. Lembrem-se de olhar em volta Meninas, agora sabemos que onde morar é parte importante de viver. Certifiquem-se que nada pode deslizar das paredes do além para lhes sufocar, exceto o eterno amor de Deus. Enquanto escrevo essa declaração final, sou tomada pela percepção de algo que conforta a minha culpa por ainda estar viva:

 

O sofrimento existe, para que possa haver solidariedade.

 

                       

Num Outro Domingo, Ainda Entre as Montanhas, 16 de Janeiro de 2011

Dobrado Por Henrique Haddefinir às 20:20
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Ainda Vale Tudo

 

 

 20 anos se passaram desde que Gilberto Braga resolveu falar sobre união civil entre pessoas do mesmo sexo na novela Vale Tudo e se a história se repetisse hoje, Laís e Cecília não teriam um destino muito diferente, não.

 

Encantado com a reexibição da novela que graças a Deus eu estou conseguindo acompanhar pelo canal VIVA, vou seguindo imerso nesse maravilhoso mundo da realidade carioca do final dos anos 80. E que deleite! A novela, mesmo com a falta de apuro técnico da época, ainda dá um tapa nas traminhas de meia tigela que a gente vê hoje em dia. Já lá, em 1988, Gilberto Braga já abria mão da hiper importância a respeito de conflitos como presidente-das-empresas-da-família e amo-meu-irmão-sem-saber, que alguns autores insistem em manter até hoje. Passione é um bom exemplo disso.

 

A um dia do final, a novela demonstra o monstro da recorrência que pegou em Sílvio de Abreu e não soltou nunca mais. Suas três últimas tramas, pelo menos, deram a suas vilãs o mesmíssimo destino final: presas, humilhadas, algumas cenas sem maquiagem na prisão, um plano de fuga ridículo, um pequeno terrorismo no penúltimo capítulo e uma morte metida a besta enfim. Sem falar no samba-do-crioulo-doido que a história dançou desde o início. Era pra falar de paixão, voltou a falar de crimes policiais (Silvio de Abreu nunca mais se recuperou do complexo megalomaníaco que veio junto com o sucesso de A próxima vítima). Alguns personagens sofreram brutalmente de sua covardia criativa (Marcelo Antony e Mariana Ximenes, principalmente) e vimos um show de tramas recicladas pioradas por vilões caricatos em emoções bombeadas de apatia. E sotaque italiano pela enésima vez, não dá! Um vexame total. E Sílvio só aumenta o cordão de decepções onde já fazem volume o equivocado Antonio Calmon, o pretensioso Aguinaldo Silva e o sem-noção Manoel Carlos. Se não fosse por João Emanoel Carneiro e sua surpreendente A Favorita, o horário das oito já poderia ser considerado o fundo poço absoluto. Até porque, lá já está o Benedito Rui Barbosa só esperando companhia.

  

Gilberto Braga escreveu Paraíso Tropical alguns anos atrás e ela não pode ser considerada um fiasco total. Graças ao bom trabalho dele no desenvolvimento de Bebel, vivida por Camila Pitanga, a novela escapou do fracasso. Bebel conseguiu tirar o vilão de Wagner Moura do caricaturismo e trouxe consigo alguns ótimos momentos da nossa televisão. Mas, a estréia de Insensato Coração pode, se ele não tomar muito cuidado, fazer com que seu destino seja a rodinha do naufrágio pra onde estão indo todos os seus colegas.

 

Enquanto isso não acontece, eu sigo me deliciando com Vale Tudo discutindo o direito de uma mulher a ficar com os bens que adquiriu enquanto esteve casada com sua parceira falecida. Isso visto agora, já é legal. Sabendo que essa era uma discussão dos primórdios dos anos 80 é melhor ainda. Evoluímos muito no sentido de poder discutir relações gays abertamente, temos telefones melhores e as pessoas não fumam loucamente em qualquer lugar, mas no cerne da discussão e reação social, Vale Tudo é de uma adequação ao presente que beira a genialidade. As pessoas hoje ainda são tão preconceituosas quanto eram antes. Beatriz Seggal e sua Odete amedrontada com a idéia de que a “amiga” de luto pela parceira dormisse em sua casa, é incrível. As pessoas sendo condescendentes em admitir a relação marital das duas, idem. A pobre Laís, sem o reforço da parceira de classe alta, voltando a ser um “objeto” inconveniente no meio da sala, com o qual as pessoas não sabem como lidar... enfim, impressionante.

 

Eu não gosto de ser saudosista, mas no que diz respeito às novelas reprisadas no Viva, não tem como não ser. É maravilhoso poder assistir Carlos Lombardi quando a valorização de uma boa idéia ainda era importante pra ele, poder assistir Manoel Carlos quando ele ainda queria retratar a realidade sarcasticamente manipulada da sociedade de classe média, e não fazer poesia visual com uma bossa nova tocando no fundo, e poder assistir Gilberto Braga trazendo à tona o que de pior reside nos que passeiam embaçados pela Av. Atlântica e o que de “melhor” reside em quem os observa.

 

 

Em tempo:

Amo Babalú!

Venero Abgail

Saúdo Branca Letícia de Barros Mota

Maria de Fátima é poderosa!

E Odete Hoitman é de matar de rir.

 

  

Update: Antes de publicar esse post Passione terminou e o que vimos foi um desfile decadente de obviedades que em nada redimem Silvio de Abreu de tanto equívoco. Tirando as bobagens de sempre como casamentos, partos e reuniões de família, o saldo final foi negativado e piorado pela vergonha de fazer com que o personagem de Bruno Gagliasso fosse “dividido” pelas duas mulheres que ele enganou durante a trama inteira. Embora ele estivesse mesmo lindo, nada justifica tamanho descaso com a objetividade feminina e tamanha homenagem ao machismo que nos rodeia. Duas mulheres lindas, inteligentes e jovens não precisam dividir homem nenhum. É uma tristeza ver uma idéia tão capenga ganhando ares de normalidade em rede nacional. E já tinha autor de novela fazendo isso lá nos anos 70. E se não bastasse essa pá de lama no que eu entendo como individualidade, ainda tenho que aturar uma última tentativa de fazer a Mariana Ximenes funcionar como uma vilã revolucionária. Já virou um tique do Silvio de Abreu fazer a vilã se dar bem no final pra que assim ele possa pensar que está sendo original e transgressor. E idiotamente, perpetua um senso de impunidade que faz qualquer idiota (e esse país está cheio deles) achar que com um bom planinho te salva das mãos da justiça. E põe “inho” nesse planinho! A tal da Clara deve ser boa mesmo em proporcionalidade, porque adivinhar que o carro ia cair na ribanceira, sem a moça ser lançada pra fora dele, que ele ia explodir, carbonizar o corpo e que mesmo assim não haveria suspeitas... Olha, que esperta – inclua sua inflexão irônica aqui – Nada melhor do que ver uma novela chamada Passione, terminar com um close na vilã triunfante, que matou, roubou, enganou, mentiu, torturou e mesmo assim foi premiada com o ato final e muito tempo pra continuar achando que vale a pena insistir no erro. Não me entendam mal, eu não sou contra homenagear o vilão de uma história, mas sou contra a justificativa explícita de um ato de violência, mesmo que esse ato seja contra um homem que tem desvios sabidos de caráter. A sensação ao ver o flashback que revelava o assassino do Werner – insira um sobrenome impronunciável aqui – era de que o autor queria amenizar o ato hediondo da Clara baseado num questionável senso de vingança da personagem por ter sido “abusada” dele na infância. E tanto segredo pra no final das contas, revelar um assassino óbvio numa cena pretensiosa que parecia ser mais uma bombeada do autor tentando sair de cena chocando e transgredindo.

E Reynaldo Gianechinni, coitado... Devia ter ficado em casa negando sua homossexualidade para os sites de fofoca, e não ter ido pro Projac gravar essa perda de tempo. Bola fora em seu currículo, de novo.

 

 

Dobrado Por Henrique Haddefinir às 20:06
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Quinta-feira, 13 de Janeiro de 2011

She's Back

Menos de uma semana do vazamento do novo single de Britney, a música já é um dos maiores sucessos da carreira da cantora.

Precisa dizer mais?

 

 

Dobrado Por Henrique Haddefinir às 00:09
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Segunda-feira, 10 de Janeiro de 2011

Argumento em Série

 

Grey’s Anatomy

 

Todo mundo que lê esse blog (todo mundo é modo dizer, ok? Todo mundo é a Monique Bomfim, algumas amigas dela, um ou outro desavisado que me achou no Google, enfim...) sabe que eu sempre vejo a maioria das séries com muito atraso. Não tenho internet e nem TV a cabo, e falando sinceramente, curto comprar os DVD’s. Se eu vejo a série antes, me desanimo a comprar e por isso, acabo sempre esperando. Apenas grandes paixões furam esse bloqueio como Lost e Glee. No entanto, mesmo vendo em atraso, algumas vezes os comentários soam pertinentes de qualquer modo. É o caso de Grey’s Anatomy.

 

O drama médico de Shonda Rhimes está em seu sétimo ano e pelo que vejo em alguns comentários, segue sem grandes percalços. De vez em quando eles têm problemas com aqueles membros do elenco que acham que só porque fazem uma série de sucesso, terão sucesso em qualquer coisa. Khaterine Heigl, a Izzie, saiu da série por causa disso e hoje podemos vê-la estrelando uma pancada de comédias românticas irrelevantes. Patrick Dempsey, o McDreamy, vive ameaçando fazer a mesma coisa. A série, nesses sete anos já perdeu também Izziah Washington e TR Night, um na terceira e o outro na quinta temporada. Ambos por razões que parecem ter nascido da desavença homofóbica de Izziah por Night. Embora Izziah tenha sido demitido e Night tenha permanecido por mais dois anos, um resquício sinistro ainda rondava o intérprete do Dr. O’Malley e ele se desligou da série sem olhar pra trás.

 

A maior razão por eu ter decidido ver Grey’s Anatomy não são os prêmios que ela ganhou no início. Eu sempre tive resistência a séries médicas e policiais simplesmente porque elas não tem uma trama entrecortada que exige acompanhamento. Alguns dramas pessoais se costuram débilmente por elas, mas nada suficientemente desafiador pra me prender. Por essa razão não sou membro do fã-clube quase xiita do House, ou nunca chorei vendo ER. Assisto essas séries, mas sem muito compromisso. E embora elas sejam sempre tão parecidas, de vez em quando aparece alguma que por alguma razão, me conquista. Foi o que aconteceu com The Shield, que comecei a ver porque soube que tinha um policial gay e depois acabei achando a história muito boa, além é claro, de achar que o Vicky é um colírio para os olhos. O interesse acabou sendo mantido pelo clima de tensão constante e pela idéia de continuidade dada pelos roteiristas no que dizia respeito ao crime cometido por Vicky ainda no primeiro episódio. Mais tarde, acabei sabendo através de um dos extras da última temporada de Lost, que o episódio final de The Shield é um marco na história da TV americana. Mas, não cheguei lá ainda.

 

 

Com Grey’s Anatomy a coisa foi mais por influência indireta. De tanto ler os elogios cegos de Claudia Croitor no Legendado.com, acabei desenvolvendo uma curiosidade. Parecia ter alguma coisa diferente ali. Comprei a primeira e baratíssima primeira temporada e entendi logo a fórmula: diálogos mais cômicos, residentes absolutamente desesperados por uma cirurgia, uma heroína transgressora, roteiros espertos e musiquinhas arrebatadoras. Valia ver a segunda temporada e lá fui eu. Logo depois do 27º episódio dessa segunda jornada, eu já estava fisgado. E mesmo sem nenhum senso de continuidade, a série tem um dom inegável para a catarse. Sabe te envolver. E muito disso deve-se ao compromisso da criadora de tentar, pelo menos tentar, manter a essência dos personagens em prioridade total.

 

Devorei as seis temporadas já lançadas em DVD em uns dois meses (graças a uma promoção bacana do Submarino.com) e já estou ansioso para ver a sétima. Relutei em admitir a qualidade da série, porque minha raivinha da Claudia Croitor por conta da ignorância dela a respeito dos que apreciam o final de Lost continua em alta. Desde que Lost acabou que parece que ela faz questão de terminar qualquer resenha positiva sobre outra série, alfinetando o pessoal que gosta de Lost. É infantil e irritante e tira dela qualquer credibilidade. Não há nada mais ridículo do que ver alguém que tem nas mãos o poder da comunicação maciça, desperdiçando leitores só pra dar uma de “inteligente e sagaz”. E olha que adorava o blog. Vou lá até hoje, mas cheio de mágoa, devo dizer. E de certa forma, essa postura dela serviu pra abrir meus olhos sobre o blog: é um diário nada imparcial (o que é até direito dela, embora seja um veículo de informação também) que serve pra ela engrandecer seu ego com aqueles elogios baratos de seus leitores igualmente imparciais.

 

Mas felizmente, minhas passagens por lá serviram pra eu ter ânimo de dar essa chance a Grey’s Anatomy (a outras séries também). A criação de Shonda já vale pela presença de Sandra Oh e Sara Ramirez, duas atrizes que têm a sorte de ter em mãos duas personagens brilhantes e corretíssimas. De vez em quando os roteiros são superestimados. Há uma histeria coletiva em torno de alguns momentos da série que não merecem tanta discussão. São emocionais, só isso. E estão longe da complexidade que se vê em coisas como Lost ou The Sopranos. Mas confundir emoção com inteligência é um “caguete” dos comentaristas de televisão. Todos sofremos dele. Mas ironicamente, exatamente por causa de Claudia Croitor, minha visão sobre Grey’s Anatomy é muito sóbria. Ela me emociona e me arrebata às vezes, mas se eu tivesse que falar aqui sobre as complexidades de sua trama, esse post não teria mais do que duas linhas.

 

The Walking Dead

 

Zumbis são nojentos, todo mundo sabe. Mortos vivos que comem carne humana e andam cambaleando por aí. E na nossa história de vez em quando aparece um filme que fala deles. Na maioria das vezes é tudo muito trash e perecível. Quem não se lembra da franquia A noite dos Mortos-Vivos? Eu tinha pavor quando era criança. E quando eu soube que o Frank Darabont, um diretor que é fera em adaptar coisas do Stephen King e tem esse sucesso exatamente por saber dar elegância e seriedade ao que poderia ser considerado trash e perecível, ia adaptar os quadrinhos de Kirkman sobre os zumbis, eu fiquei muito interessado.

 

A estréia foi um sucesso. A pequena temporada de apenas seis episódios foi festejada pelos fãs de ficção e fantasia. Eu acabei não resistindo e dei um jeito de baixar e assistir.

 

Quem já viu a franquia Extermínio, vai sentir as semelhanças. Assim como no filme estrelado por Cillian Murphy, um homem acorda num hospital e descobre que o mundo foi tomado pelo que os personagens chamam de Walkers (ambulantes). Essa maneira de chamar os comedores de gente é esperta e ajuda a trama a fugir da jocosidade da palavra “zumbi” que é inapropriada para essa história. Não se enganem, essa não é uma história satírica. É um drama dos mais pesados que já vi.

 

Assim como em Extermínio, a existência dos zumbis se deve a algum fator científico. No caso de Walking Dead, esse fato ainda não foi esclarecido. Mas do mesmo jeito que o jovem do filme descobre aos poucos o que aconteceu com Londres, o policial da série também vai perceber lentamente o que aconteceu com o mundo.

 

A história, é claro, tem suas obviedades necessárias. O policial precisa encontrar sua família e logo um triângulo amoroso vai nascer. O núcleo que envolve a família do policial segue em fuga pelo país e já sabemos que muitos daqueles vão ficar pra trás. Mas de fato, o ponto alto da história está na constante tensão que já foi impressa na narrativa.

 

Imagine que uma estranha doença acometeu o mundo e depois de mortas, as pessoas retomam a vida com um estranho senso de sobrevivência que não tem limites. Qualquer contato com esses seres pode gerar uma contaminação e eles atacam qualquer um. Como um dos próprios personagens diz, sozinhos eles são fracos, mas em bando não há como escapar. Junte isso ao fato de que um ente querido contaminado acaba morrendo e voltando como um ambulante, mas embora ele queira matar, ainda é a mesma pessoa, o mesmo rosto e essa incapacidade de matar o que já foi alguém que te amava, acaba gerando uma epidemia incontrolável da doença. E não adianta atirar na perna ou mesmo partir o ambulante em dois. Eles continuam “vivos” mesmo aos pedaços. O que é um ponto em comum com o antigo A noite dos mortos-vivos, em que cabeças degoladas continuavam desejando comer os humanos mesmo sem ter como mover-se.  A única solução é um tiro no cérebro.

Nesse ponto encontramos outra qualidade da série. Assim como Chris Carter ensinou com Arquivo X: é mais fácil acreditar no sobrenatural, quando ele tem um pé na ciência. E é na ciência que se apóia o roteiro de Kirkman. Com isso, é impossível não se fascinar com a explicação, no season finale da série, de como ocorre a transformação de uma pessoa. De como morre aos poucos a atividade cerebral total, para então retornar através apenas de uma base responsável pela locomoção e sobrevivência irracional.

 

O mundo então está tomado por eles. Um grupo de menos de dez pessoas tenta sobreviver e não pode nunca se aproximar dos grandes centros porque não teriam como sobreviver a tantos deles, mas ao mesmo tempo precisam arriscar ou passarão o resto da vida sem uma resposta sobre se existe ou não um lugar seguro. A partir dessa premissa, a sensação ao assistir um episódio é de que a qualquer momento um ambulante pode aparecer de algum lugar e morder alguém. A angústia é quase insuportável e quando isso acontece e você se coloca no lugar dos personagens, dá muito, muito medo. Porque ninguém quer morrer dessa maneira horrível: sendo comido vivo. O som da carne sendo mastigada é de gelar a espinha. Ninguém quer levar um arranhão ou uma mordida porque sabe que vai virar um deles. E ninguém que vê um amigo ou parente virando um deles sabe se vai ter coragem de atirar-lhe na cabeça. Enfim... é tudo muito, muito assustador.

 

A segunda temporada vem só a partir de Outubro (eles gostam de nos castigar) e até lá vamos indo sem saber se o irmão do zangadinho do grupo sobreviveu ou não aos ambulantes no telhado da loja, se Jim vai reaparecer como ambulante depois de ter sido deixado morrendo na floresta, se o negão e seu filhinho vão reencontrar o policial, se eles encontrarão alguma pista de um campo de refugiados, se mais alguém será mordido ou se assim como nas histórias de King que Frank Darabont gosta de adaptar, o pior ainda está por vir e não há muita esperança.

 

Brothers and Sisters

 

Quando assisti a primeira temporada dessa empreitada de Greg Berlanti, fiquei muito empolgado. Primeiro porque ele tinha passado anos a frente de Dawson’s Creek e enquanto esteve lá a série tinha ótimos momentos. Eu sou um defensor ferrenho do Creek e acho que muitos fecharam os olhos pro trabalho textual incrível que faziam por lá. E essa tal de Brothers & Sisters parecia ter a mesma qualidade. Do primeiro ao último episódio da primeira temporada a série tinha sido um deleite. Engraçada, comovente, divertida e filosófica. Tinha lá seus momentos mexicanos, mas mesmo assim não deixava a peteca cair. Entretanto, na metade da segunda temporada, a peteca já não estava mais firme há muito tempo.

 

A excessiva necessidade dos roteiristas de criar reações exageradas dos personagens a coisas absolutamente compreensíveis foi a primeira coisa que me tirou do sério. Alguém conta uma coisa, o outro ouve, faz um escândalo e repete os mesmo chavões sobre dizer sempre a verdade.

 

A segunda coisa que me tirou do sério foi a dança das cadeiras entre os personagens. Era pra parecer uma experiência natural e inerente aos seres humanos: experimentar. Mas aqui, como em muitas outras séries, parecia mesmo era indecisão criativa. Com exceção da Kitty, foi um samba do crioulo doido amoroso. E tudo tão insuportavelmente óbvio que doía as vistas. A esposa de Tommy sente-se culpada pela escolha que fez sobre o recém-nascido que devia sobreviver e pede um tempo: trama bunda! Tommy começa a ter um caso com a secretária: trama bunda again!! A secretária leva um pé nas costas e se aproxima do irmão dele: trama bunda is back!! Kitty quer engravidar mas o marido só pensa na carreira: trama bunda ao quadrado!! Kitty engravida mas perde o neném e não pode mais engravidar: trama bunda ao cubo!! Kitty e o marido decidem adotar: trama bunda ao estilo melancia!! E o desfile de obviedades segue seu curso sem a menor vergonha. Tanta gente contratada pra escrever e ninguém consegue pensar em nada melhor? Ou faz o óbvio, mas faz bem feito então. Eu tinha a sensação de estar vendo Sétimo Céu. E isso é gravíssimo.

 

E se não bastasse essa chorumela se arrastando indefinidamente pelos episódios, eles ainda cometem o sacrilégio de simplesmente mudar de idéia e retirar de Rebecca a paternidade do papai Walker. Aí pra mim virou circo. Era filha, agora não é mais. E pelo que soube, vai começar a namorar o Jason, que era, até cinco minutos, irmão dela. Só tendo muita paciência... Ainda bem que tem o Scotty pra salvar as coisas. Sei que ele vai dançar em breve, afinal de contas, romances de séries estão fadados a durarem no máximo meia temporada, mas se não fosse ele eu jamais conseguiria suportar o Kevin.

 

Porém, eu sou brasileiro e não desisto nunca. Vou começar a ver a terceira temporada, mas sem muitas esperanças de que alguma coisa vai mudar.

 

 

 

 

Will & Grace

 

Acabei de rever a última temporada de Will & Grace e constatei o óbvio: eles serão sempre os melhores! Esse será sempre o melhor sitcom da história! O final ainda é meio bunda, mas só Jack e Karen cantando unforgettable e batendo os umbigos já vale esse fim. Saudades eternas...

 

Dobrado Por Henrique Haddefinir às 17:18
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Sábado, 8 de Janeiro de 2011

Amy na Terra de Teresa

Não demorou nada pra Amy Winehouse nos mostrar que no quesito bagaceira ela não decepciona nunca!!

 

 

 

- Que porra é essa aí, caralho?? Hã? Tão gritando meu nome porquê, porra?

Dobrado Por Henrique Haddefinir às 22:12
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Sala de Projeção

 

“Chloe”

 

Tem um time de atores de hollywood que quando estampam seus nomes nos cartazes dos filmes, já sabemos que tipo de película estamos prestes a assistir. Se o cartaz tem o Adam Sandler, você já sabe que vai ver umas piadas escatológicas. Se tem a Julia Stiles é porque veremos um romance açucarado metido a alternativo. No caso do elenco de Chloe, você já sabe que o Lian Neeson não vai fazer piada e muito menos que a Julianne Moore vai ser uma mulher alegre e extrovertida. Você já sabe que todo mundo vai sofrer e chorar muito. Então, o que você pode fazer é dar mais atenção à Amanda Seyfried, com seus olhos arregalados, oriunda da série Verônica Mars, que já atuou numas comédias e que faz aqui, pela primeira vez, um personagem mais denso.

 

Infelizmente, Chloe peca pelo seu roteiro frágil e previsível. O clichê de todos os filmes que falam de traições conjugais e amantes psicopatas, e que vieram depois de Atração Fatal. E com uma péssima tentativa de fazer a diferença.

 

 

A história é aquela mesma: mulher acha que o marido está sendo infiel e contrata uma menina safadinha para seduzir ele. Todo mundo já sabe que aquilo vai virar um estranho triângulo amoroso e que o legado maldito de M. Night Shyamallan e seus finais-surpresa vai funcionar aqui também. Mas isso nem é um problema; eu até gosto de fórmulas. Não tenho a pretensão de homenagear o original porque o original não existe mais há muito tempo. Talvez Matrix tenha sido a última grande evolução de técnica e linguagem que vimos. O problema todo é que nem usar o básico bem, eles usam. Chloe já cai na apatia tão logo percebemos que esse é um filme que acha que vai impressionar, mas não vai. Primeiro que – me desculpe a Julianne Moore – se eu quisesse surpreender com um papel dramático, jamais escalaria a dita cuja pra ele. O dia que ela aparecer peidando numa comédia do Judd Apatow aí sim, eu vou me surpreender. Mas por enquanto ela só está fazendo o que esperam dela. Está fazendo bem, pelo menos, mas de surpreendente não tem nada, coitada. O diretor a escala porque sabe que ela vai tremer a boca, lacrimejar muito e dar umas mamadinhas sem grilo no peitinho da Amanda.

 

 

 

E é nesse emaranhado perigoso de conceitos pré-concebidos que cai o pobre do diretor. Escala a Julianne porque ela vai ser “densa”. Escala o Lian Nesson porque ele é o veterano charmoso que vai – só pra ele, né? – despistar o segredo final. Escala a Amanda porque ela tem carinha de anjinho e todo mundo vai achar incrível ela fazendo a enlouquecida. E por aí ele vai, achando que se a safadinha se apaixonar pela esposa contratante ele vai estar sendo original. Achando que se a safadinha transa com o filho da esposa na cama dela, isso ainda vai chocar alguém. Achando que precisa fugir do maniqueísmo e conservadorismo americano e com isso propõe um final muito mal das pernas que não se apóia em nada se não essa idéia pseudo-intelectual de que o mais real é o menos humano. Muitos diretores estão fazendo isso hoje em dia. Achando que transgredir a ordem humana (usando a palavra aqui no sentido social mesmo) será mais adequado para engrandecer sua obra de humanidade. E que grande engano! Será mesmo que aquela mulher, que ama o filho mais do que tudo, que ama o marido loucamente, que acabou de saber que ele nunca a traiu, que não deu absolutamente nenhum indício de bifurcação de personalidade, que acabou de entender que seu casinho lésbico quase arruinou seu casamento, causou um grande trauma em seu filho e terminou numa trágica morte dentro de sua própria casa... Será mesmo que essa mulher usaria a arma do crime como acessório de beleza só pra assim demonstrar o quanto ela entendeu o papel libertador dessa jovem em sua vida? Vai ter algum cineasta maluco vestido de preto e fumando cigarros de cravo que dirá: Sim! Isso é genial! Mas não, não é! É um absurdo! Uma maculação hedionda com a natureza de uma personagem desenhada para finalidades nada impressionantes. Só um adorno desnecessário para cavar do roteiro alguma genialidade e tirá-lo do lugar comum a que ele estava condenado desde seus dez minutos iniciais.

 

Enfim, não perca seu tempo assistindo esse engano. Vá à locadora e pega o Atração Fatal. Em matéria de amantes obcecadas, nada melhor do que recorrer ao original. 

 

 

“20 centimetros”

Se você pensa que lá na Espanha só quem faz filmes com figuras femininas fortes e muito colorido e exagero é o Almodóvar, está enganado. Esses dias eu acabei vendo, sem querer, esse tal de 20 Centímetros. A idéia já é ótima: travesti bem dotado acaba descobrindo o amor com um homem que deseja justamente aquilo que ela mais quer arrancar: seus 20 centímetros. E se não bastasse essa premissa incrível, a travesti chamada Marieta e vivida com muita competência por Monica Cervera, sofre de narcolepsia e quando cai no sono  - por vezes em horas nada próprias – sonha que está fazendo clipes e musicais famosos.

 

 

Se o filme fosse só isso já seria bom, mas ainda temos diálogos ótimos, elenco afiadíssimo e números musicais cheios de competência. Vamos desde canções da cultura espanhola até uma inspiradíssima versão de True Blue, da Madonna (provando mais uma vez o poder dessa mulher).

O roteiro não se leva muito a sério, preferindo focar na comicidade da situação: o homem que surge para Marieta é um Deus da beleza espanhola, cheio de masculinidade e apaixonado por ela. Porém, deixa claro que se ela arrancar os 20 centímetros, tudo está acabado. E nessa direção, a história caminha com momentos hilariantes, como quando Marieta está engatada no bonitão e tenta fechar a janela do quarto caminhando até lá sem desengatar dele.

 

Sem lições de moral e sem final dramático (muitos diretores talvez não resistissem à tentação de entregar a personagem ao fator virulento da questão), o filme termina consagrando sobretudo, a figura de Mônica, uma atriz com uma competência que salta aos olhos e conquista sua confiança do início ao fim.

 

 

 

“Shelter”

O nome desse filme em português é De repente, Califórnia, mas a discrepância com o título original é tão grande que me recuso a me referir a ele por essa tradução absurda. E é isso. O tema do filme é gay, e essa foi a razão principal que me fez levá-lo pra casa. Toda minoria é carente de produções que focalizem o seu nicho. Eu não sou diferente. E meio desconfiado, lá fui eu ver qual era a dos surfistas gays.

Basicamente é isso mesmo: um surfista bonitinho enrustido tenta manter a sanidade enquanto lida com seus demônios, um pai doente e uma irmã negligente que acaba deixando para ele toda a responsabilidade de criar o sobrinho pequeno. Tudo ganha proporções quando o irmão mais velho de seu melhor amigo chega à cidade. Os dois vão evoluir da amizade para um romance, todos já sabemos, e são as implicações dessa relação que orientarão do roteiro dali por diante.

 

Não posso dizer que isso é feito da maneira mais competente. Discordo, inclusive, das ligações que o marketing do filme faz com a série The OC. O ritmo da série de Josh Schwartz era frenético e a cadência do filme de Jonah Markovitz é lenta, quase parada, com a trilha de Shane Mack que apesar de bonita ajuda nessa sensação de lentidão, e perde tempo demais aproveitando a fotografia óbvia que derivaria de uma paisagem litorânea como a da Califórnia. O filme também empaca em outras obviedades do gênero. Em romance escondido todo mundo sabe que uma hora vai ter a famosa cena do casal fugindo de alguém que chegou antes da hora. Em história de gay enrustido, também espera-se a cena em que o rapaz vai terminar o romance porque é o melhor para algum terceiro envolvido, no caso aqui, a irmã dele. Também sabemos que o assumido da história vai ajudar o pobre enrustido a evoluir como pessoa. Claro que isso é o que acontece mesmo, mas poderíamos pelo menos ter tentado mostrar isso aqui de maneira menos encomendada.

 

No entanto, nem tudo é defeito nessa controversa história. O diretor e roteirista acaba salvando sua obra da insipidez total ao tomar algumas decisões criativas interessantes. E que, ironicamente, confrontam um dos maiores problemas quando a questão é uma história que envolve gays. Quando os personagens são afetados teremos uma comédia ou um “filme-verdade” sobre o submundo. Quando os rapazes são discretos e masculinos, aí sim podemos ver uma história de romance e aceitação. Essa é uma das maiores máximas que envolve não só o cinema americano, mas até as nossas novelas, que estão indo até por um caminho pior, mostrando gays o tempo todo se apaixonando por suas melhores amigas. Aqui em Shelter, pelo menos, apesar do casal principal ser o cúmulo da discrição, não temos a obviedade da homofobia vindo das periferias mais prováveis, como os outros surfistas, e nem temos a ruptura familiar acontecendo por razões estritamente preconceituosas. Há mais em jogo. Há uma personalidade egoísta e muito mais conflituosa ali: a da irmã. E o destino que a história tem, e que esbarra nessa mulher vazia, é que exime o filme da inutilidade total.

 

Não posso deixar de destacar a interpretação do jovem Trevor Wright. Na pele do jovem enrustido, ele consegue surpreendemente, imprimir em seu olhar toda a agonia de quem além de tantas responsabilidades, ainda precisa administrar a devastadora percepção de que você é gay e vai precisar ter muita força pra sair do lugar.

 

 

 

 

“Hate Crime”

Esse eu acho que nem foi pros cinemas, mas estava no mesmo pacote gay que incluía o já comentado acima. Não se tem muito a falar sobre ele, exceto que é uma daquelas produções de suspense que pode algum dia passar no Super Cine. E por tratar-se de uma história de suspense envolvendo gays, você já deve estar conseguindo calcular que só tem dois assuntos possíveis: traição e preconceito! Bingo para o segundo! Vamos resumir o ocorrido: casal gay feliz e fiel ganha um vizinho homofóbico evangélico, um deles morre, o outro jura vingança, e por aí vai. Se não fosse o fato de haver uma discussão religiosa no meio, seria um filme do Steven Seagal. E essa discussão talvez seja o único mérito dessa obra.

 

Tudo é muito previsível e óbvio. A ficção gay já tem os seus clichês, que são básicos: o vilão sempre é um gay enrustido e esconde uma atração intensa pelo protagonista. Junte isso ao clichê do cinema moderno já citado na resenha anterior que exige finais surpresa e caráter duvidoso do herói, para conseguir o resultado final dessa história. Peca pela mesma falta de noção vista em Chloe quando analisamos a postura final do personagem principal. No mundo em que vivemos hoje, ser homossexual ficou ainda mais ambíguo. Você ganha o status de minoria esclarecida, mas ainda amarga os efeitos do ódio social, agora pior porque está oprimido pela obrigação do senso de igualdade. O preconceito passou a ser como uma paisagem de um filme do David Lynch: você sempre desconfia que por trás daquela beleza há algo maligno. E no meio dessa questão estão algumas vitórias alcançadas contra a violência, o que nesse filme, se esfarela pelas mãos de uma ignorância sem tamanho do roteiro, que prega a maior inverdade de todas: a vingança pelo sangue, compensa a perda.

 

 

 

“Megamente 3D”

Animações me alegram e me apetecem.

 

Pois bem, essa nova animação se não bastasse ser divertida, pop, engraçada, irônica, inteligente e catártica como tem sido a maioria das animações hoje em dia, tem um flerte filosófico que dá gosto de ver: o bem e o mal são necessários na mesma medida? O mundo seria possível sem um dos dois? Aí você vai dizer “sim, claro”, mas será que se só existisse o bem, o conceito de bom seria possível? A vaidade humana diante da leveza do altruísmo escorreria pelas vielas do comportamento habitual. Não poderíamos ser alegres por sermos bons. Fazer coisas boas não produziria mais endorfina e possivelmente viraríamos um monte de seres apáticos e insípidos.

 

Claro que o filme não chega a esse ponto de análise, mas mostra que às vezes, a nossa aparência, o meio em que estamos inseridos e os que nos cercam, acabam sendo determinantes nas nossas escolhas equivocadas. E é isso que acontece com o personagem desse filme. Numa paródia espertíssima da história do Superman (o que também é uma grande sacada, já que o personagem é o centro moral dessa questão maniqueísta) dois bebês são jogados na terra quando seus planetas são destruídos: um é o belo e atraente que cai na frente de uma bela mansão, o outro é um garotinho feio, azul, que cai dentro de um presídio de segurança máxima. A partir daí os destinos dos dois vão sendo construídos como se espera. O belo e garboso vai se tornar o super herói que esperam que ele seja e o garotinho azul, mesmo sendo inteligente o suficiente para questionar esse destino, acha que seu papel no mundo é antagonizar esse herói e provar seu valor através do mal. O problema é que pela primeira vez na história da ficção de fantasia, o mal vence e o mundo cai numa confusa condição de ausência do bem, o que torna o mal totalmente obsoleto.

 

E seu ainda não te convenci a ver o filme depois dessa descrição do enredo, se prepare para muitas piadas espertas, para o cinismo delicioso da repórter que faz as vezes da Lois Lane, para a inteligência da produção em encher o filme de canções pop e para um final épico digno de premiação.

As cópias em 3D proporcionam um show a mais. Foi a primeira vez pra mim e eu fiquei encantado. Não falo nem das coisas que parecem que estão vindo te pegar, mas a nitidez e a textura da imagem. Em dado momento, um personagem que estava sumido é encontrado numa cabana, meio decadente, barbudo... A nitidez é tanta, que é como se mesmo com aquela forma cartunesca, fosse possível tocar nos pêlos do peito dele aparecendo na abertura do roupão. Impressionante.

 

 

“Enrolados 3D”

Gostei desse negócio de 3D e parti para os cinemas assim que a nova animação da Disney estreou. A nova versão da história da Rapunzel é um show a parte. E não pense que assim como aconteceu com Megamente, os contos de fadas foram subvertidos para uma cínica visão moderna. Não! Aqui a essência perdida dos filmes da Disney está de volta. Ou seja, uma princesa perdida, uma vilã assustadora, bichinhos encantadores e números musicais muito enfeitados. É mais ou menos o que acontece com “Encantada”, em que atores em live action recriavam o universo da empresa. Em “Enrolados” isso também é feito, só que com mais propriedade, visto que Rapunzel é um ícone do imaginário infantil há muito tempo. Mas embora essa métrica básica dos filmes de princesa esteja ali, não perdemos, graças a Deus, o humor cínico das animações que nos rondam ultimamente. O príncipe (dublado com esmero por Luciano Huck) é meio fajuta, Rapunzel é meio neurótica e não se pode dizer que a vilã é de todo mal.

 

Ver o filme em 3D aumenta ainda mais essa magia. E os roteiristas são espertos. Criam uma justificativa inteligente para a necessidade de Rapunzel de ver o mundo lá fora. E as lanternas que ela persegue tomam o cinema todo numa seqüência impressionante. É um deleite. É a Disney mostrando como sabe fabricar sonhos contando sobre eles. Se você não se encantar, é porque seu coração empedrou faz tempo. Senta e espera o fim, meu caro. O mundo já está perdido pra você.

 

 

 

“De pernas pro ar”

A Globo Filmes entendeu, desde o sucesso de E Seu eu fosse você? que dá pra fazer cinema nesse país sem falar de favela e violência. Daniel Filho, talvez por ter adquirido algum discernimento artístico durante tantos anos de televisão, não tem essa necessidade boba de se afirmar como diretor de filme-cabeça e nos aliviou um pouco as tensões desde A Partilha, lá atrás. Claro que o cinema nacional ficar dividido entre dois pólos também não é bom, mas eu sinto que devo defender essas investidas cômicas, mesmo que elas sejam uma bomba comercial. Ora, vamos lá. O Brasil tem que levar as pessoas aos cinemas para ver De pernas pro ar e com isso ganhar muito dinheiro. Só assim é que os Luizes Fernandos Carvalhos e os Cláudios Assisses da vida vão poder continuar fazendo seus experimentos. Ou você acha que as franquias de heróis nos EUA existem pra quê? Deixar os executivos tão felizes que dão dinheiro sem reclamar para a produção de coisas independentes e mais intelectualizadas.

 

Essa nova investida cômica chamada De pernas pro ar, é mais safadinha. O que é até legal também. É bom ver jovens indo ao cinema e ouvindo numa boa sobre masturbação, vibradores e afins. A protagonista, vivida com o habitual bom humor de Ingrid Guimarães, é um clichê da mulher moderna que descobre que o marido a abandonou porque ela só pensava em trabalho. Depois de ser demitida, ela acaba conhecendo melhor sua vizinha periguete e indo trabalhar com ela numa sex shop. Começa aí a vitrine de piadas sobre todo esse mundo dos acessórios sexuais. Já sabemos que Ingrid vai usar vários deles pra gente poder rir dela. A direção compreende o valor cômico de Ingrid e demonstra conhecimento sobre os pontos fortes dela ao leva-la para tomar ecstasy (por engano claro, olhas as crianças aí) numa boate, numa alusão clara ao sucesso que a atriz faz ao fazer isso no espetáculo Cócegas. E esse, junto com a hora da calcinha vibratória, são os dois pontos altos do filme. Em volta desses dois momentos, estão algumas boas decisões cômicas e outras péssimas. Mas talvez a chave dessa avaliação sobre o que é péssimo esteja focado no que diz respeito ao constante incômodo provocados pelo juízo de valores do filme. Enquanto o mundo nos abraça com histórias sobre mulheres que seguem seus maridos onde eles forem e recebem com isso demonstrações artísticas em forma de canção ou poesia, numa perigosa subversão do direito de individualidade, quando temos a oportunidade de mostrar o inverso disso, com um homem seguindo sua mulher pelos caminhos transitórios de sucesso que ela precisa trilhar, somos sufocados pela obrigação familiar que no caso da mulher, é quase agressiva. E o roteiro do filme fica defendendo isso o tempo todo. E se não fosse pelo minuto final, seria uma ridícula homenagem às mulheres que abrem mão de seu sucesso para seguir um homem. E infelizmente, esse minuto final não salva o produto final dessa impressão.

 

Fica a abordagem feliz da personagem de Maria Paula, que reavalia o conceito da aparência que engana e ainda nos presenteia com outra máxima preterida pela sociedade vigente: todos são passíveis de amar e mais ainda, de ser amados.

 

 

 

 

“O Segredo dos seus Olhos”

O vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro do ano passado está cercado de elogios. Como sempre acontece, eu fui assistir desconfiado. A razão dessa desconfiança é que só não ganha Oscar de melhor filme estrangeiro quem não quer. A receita é muito simples: pano de fundo histórico ou nacional, ou seja, fale do seu país. De preferência de uma bizarrice ou deficiência dele. Tenha uma boa fotografia e uma música melancólica. Enquadre o roteiro nas emoções de um personagem. Hollywood precisa de um herói. Por isso o Brasil não ganhou com Cidade de Deus. A narrativa precisa ser vista pelo ponto de vista de um herói. E ele tem que ser emocional e cru. Junte isso a um final ambíguo e pronto: Oscar!! Claro que tem que ter bom gosto pra fazer essas coisas, ou você acaba virando um Olga da vida.

 

O curioso a respeito desse O Segredo dos Seus olhos é que pela primeira vez ele carece de um desses elementos. Essa história se passa num país latino, mas poderia se passar em qualquer lugar. O prêmio aqui se justifica nas belas interpretações e num roteiro inteligente e realmente poderoso.

 

Não se pode dizer muito sobre ele, já que aqui o elemento surpresa funciona como um catalisador de emoções e justifica ações e comportamentos, mas basta dizer que você não sairá incólume dessa obra. Poucas vezes o ódio tranqüilo de uma rubrica de Jean Tardieu foi tão bem ilustrado.

 

 

 

 “O Direito de Amar”

Morte aos tradutores brasileiros!! Again!!

 

Como é que um filme que se chama A Single Man pode virar “Direito de Amar”? É inadmissível! E aí a pobre coitada da dona de casa que não perde tempo lendo sinopses, acaba alugando o Direito de Amar achando que verá uma linda história de amor e acaba dando de cara com um drama hiper intenso sobre um gay de meia idade que perde seu amado e passa a perseguir a morte. 

 

De uma segurança surpreendente para um estreiante, Tom Ford era estilista da Gucci antes de embarcar na viagem cinematrográfica que já lhe rendeu uma série de prêmios e com ele, trouxe Colin Firth, um ator de sutilezas impressionantes, e Julianne Moore novamente fazendo a perturbada. Mas sem dúvida a maior surpresa pra mim no filme é o jovem Nicholas Hoult. Oriundo da série Skins, o rapaz protagoniza cenas mais bacanas que as de Julianne e é dele a função catártica que age sobre o personagem de Firth, afim de interromper sua busca magoada pela vilã que lhe tomou seu amado.

 

O filme é cheio de bons diálogos e sensualidade, e tem aquela marca que os americanos adoram: a voz do herói no monólogo de suas desesperenças. Curiosamente, o filme tem essa semelhança com o American Beauty de Allan Ball: a morte pode ser enfim, a represa de seus sofrimentos, mas também será o estanque de suas mudanças.

Dobrado Por Henrique Haddefinir às 20:42
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