Quarta-feira, 31 de Agosto de 2005

O Folclore Que Virou Folclore


Dobrado Por Henrique Haddefinir às 18:03
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Sexta-feira, 26 de Agosto de 2005

Os Trilhos que Partiram as Dormentes


Dobrado Por Henrique Haddefinir às 15:25
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Segunda-feira, 15 de Agosto de 2005

A Flor da Expectativa

"E até quem me vê, lendo o jornal na fila do pão, sabe que eu te encontrei..."
O Rodrigo Amarante do Los Hermanos continua bom nesse negócio de letras. A voz dele eu ainda acho arrastada demais (tô devendo o comentário do disco novo), mas as letras são muito boas! Eu gosto dessa coisa que a banda tem de valorizar o insucesso. Reconhecer glória nas lágrimas. Lidar humanamente com a incapacidade de sempre ser forte... Sinto-me refletido nisso. É bom saber que tem gente que perde e que não se envergonha de nunca ganhar.
"Olha lá, quem sempre quer vitória e perde a glória de chorar..."
Pensei que os caras deviam escrever alguma coisa sobre a dificuldade de se ter um bom relaciomento hoje em dia. Eles quase sempre escrevem sobre rompimentos ou amores platônicos. Aliás, quase todo mundo. A crítica tem perdido tanto tempo imprecando coisas sobre a banda que provavelmente o próximo disco será sobre a inflexibilidade dos formadores de opinião. Mas enfim... Não é sobre isso que eu queria falar.
Esse fim de semana eu tive horas lindas ao lado de alguém! Tá tá... Eu sei. Se eu começar a falar que agora é diferente eu vou ser chato e se reclamar que sempre começo dizendo que sempre digo que é diferente, vou ser enfadonho. Então, vou começar dizendo que conheci alguém e que mais uma vez, a batalha das expectativas começou a ser travada. Mais uma vez. Novas barricadas. Com a diferença de que agora eu cansei antes da luta e estou pensando seriamente em desertar.
Não vou nem entrar naquele mesmo tópico da segregação social. A coisa mais chata do mundo é aquele papo militante do Luiz Mott que não entende que o primeiro passo pra aceitação das pessoas é ele parar de fingir que o universo gay não obtém as propriedades que ele faz tanto esforço pra ignorar. Ele critica a bichinha do Tourinho mas parece o Armand do Robin Willians em "A Gaiola das Loucas", quando dá entrevista. Hipócrita e xiita! Cheio daquelas manias gays de achar que todo mundo é gay, que os gays são superiores, que heterossexualidade não existe... parece o Hittler de salto alto!
Não que eu seja contra militância. Claro que eu acho que precisamos lutar por nossos direitos, mas no fim das contas, tudo vira uma briga pelo domínio da verdade e isso eu não gosto. Todo radicalismo é burro. E essa seria uma boa adaptação pra frase do Nelson Rodrigues. Já mudei de assunto de novo... Caramba! Será que digressão é um método inconsciente de escrita? Será que foi o Nelson Rodrigues que disse isso mesmo?
Enfim... Embora o solo seja fértil e as sementes quase sempre brotem, as flores estão sempre murchas. A vida nunca vinga por aqui.
Eu conheci uma nova pessoa. Mas falar dessa nova pessoa significa falar de toda a percepção que esse novo encontro trás. E eu estou tão cansado dessa cruzada para aceitação pessoal! Hoje em dia todo mundo tem um ideal e ninguém nunca está próximo desse ideal também. Eu mesmo o tenho. Você nunca sabe se faz parte de um ideal e nunca sabe se é a excessão de uma possível abrangência do mesmo. O meio GLS ainda é sinônimo de vaidade e egocentrismo e eu poderia fazer dois mil posts sobre os clichês desse povo na balada boática. Os carões, as barbies sem camisa, os desfiles de moda, as drogas, o sexo anônimo... E no meio disso tudo, você salva um pouco da ternura quando percebe que entre todas essas características, um pontinho escapa imperceptível aos nossos olhos sempre tão entorpecidos: será que toda a militância, luta política e civil, conquistas jurídicas e internacionais, vão conseguir proporcionar a liberdade sonhada para nossos filhos e netos gays?
Ontem eu fui a boate pra namorar! Pra andar de mãos dadas. Pra beijar na frente dos outros. Pra deitar no peito e conversar ao pé do ouvido. Pra me sentir como todo mundo... De repente, eu percebi que se as ruas fossem seguras, talvez nem ali dentro eu estivesse. Eu percebi que nenhuma transa no banco de trás de um carro me dava tanto prazer quanto aquelas horas acariciando os cabelos do meu novo encontro. Da minha nova possiblidade. Desse novo encantador. Dessa flor.
Todos. Por mais que sejam muitos, têm sua história. Sua própria história. E por mais que eu perceba as recorrências dessa nova tentativa, ainda há a vontade genuína e ainda ingênua de que ela seja frutífera. Ela, como todas as outras, é especial. E talvez o termômetro dessa vez esteja subindo porque esse novo rapaz traz consigo o poder de me encantar e está muito próximo dos meus superficias e patéticos níveis de ideal a conquistar.
Estou fascinado por ele. Mas não estou amedrontado. Acho que aprendi que meus arroubos de paixão desenfreada depois se perdem quando as flores murcham. No meu jardim. No jardim de quem eu quero passear. Devo fazer parte de uma raça mutante que expele substâncias tóxicas que corroem pétalas, dissolvem brotos e partem caules. As flores sempre murcham.
Ainda junto as mãos pra pedir que não.
Ainda quero mesmo que meus defeitos e faltas não sejam tão importantes, na prática. Visto que todo mundo tem uma teoria simpática de que o amor desconhece barreiras.
Ainda desejo o sobrenatural poder do reflorestamento natural.
Um ecólogo cego que proteje sem ver a lama e o visgo.
Eu posso desertar das lutas, mas ainda sou capaz de me apaixonar. É o solo fértil de que falei e que só produz mortalidade. As forças divinas sabem que meu coração pede pra ser acalentado. Meu cérebro já aciona os mesmos mecanismos de defesa. Ainda preciso ter pra ser. Mais mentiras que desejam me fazer melhor do que eu sou. E eu não sou um phd da conquista. Não sou o Romeu dos sacrifícios impensados.
Perdi a mão na hora de avaliar as armas da minha luta pelo amor de alguém. Tracei caminhos que me levam a ideais inalcançáveis. Ceguei-me. Mesmo assim abri excessões. Mas todos os desdobramentos que me levam a ainda querer que as flores do meu jardim não murchem, são inúteis quando a minha insegurança é que produz a repulsa.
Wellington, que você seja a redenção!
A folhagem que me faria tão bem ver nascer.
Mas eu não quero mais esperar por isso.
Ver o destino agir por sí só. E confiar de vez que tudo murcha, mas tudo volta a nascer. E esperar que não nasça mais. Se é o melhor. Com drama. Lágrimas e vísceras.



Dobrado Por Henrique Haddefinir às 17:52
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Domingo, 7 de Agosto de 2005

E.C.T

Ostras’s Creek, 06 de Agosto de 2005

Oi Carmem!

Quanto tempo hein?? Tá cada vez mais difícil a gente sintonizar as nossas vidas de novo. As relevâncias vão se perdendo no meio do caminho e quando a gente vê, o tempo já apagou a importância de quase tudo e as coisas vão se sustentando porque é assim que tem que ser, em nome do manter dos laços.
Eu sinto tanta falta de você! Eu sinto tanta falta de nós dois! E ao mesmo tempo eu tenho tanta consciência de que essas distâncias acabam mesmo separando pessoas que não estão suficientemente juntas pra insistir no mesmo caminho. E eu sinto tanta raiva disso!
Decidi então que não vou ceder. As minhas cartas pra você vão continuar chegando independente de qualquer coisa. Independente do tempo que demorem. Do conteúdo que obtenham. Da iminência da resposta. Eu me recuso a aceitar essa desintegração! E essa vai ser sempre a minha cantilena nos seus ouvidos! Por mais que o tempo passe. E por mais que nós não passemos a falar nos mesmos assuntos.
Eu ainda não consegui lidar bem com o estresse da vida moderna. Que chegou até um pouco tarde pra mim, eu acho. Eu estou completando um ano de trabalho e desde que isso tudo começou, eu comecei a experimentar o gosto da vida adulta. Vida Adulta.... Acho que o meu cérebro ainda não entendeu muito bem esse processo. Acho que ainda penso como um adolescente. Acho que ainda resisto às responsabilidades da vida e acho principalmente, que meus idealismos ainda não se poluíram daquilo que os adultos sempre gostam muito de dizer: “seus sonhos se perderão na realidade do que a vida tem pra te oferecer”. Eu ainda não acordei Carmem... Acho que é isso. Eu ainda não acordei. Ainda olho pra mim no espelho e vejo um corpo adolescente. Ainda não me acho homem! Olho pra minha barba... pros poucos pêlos que cresceram no meu peito e pra estagnação dos meus não trabalhados músculos. E penso que meus olhos ainda têm quinze anos. Olho pro meu pênis, penso no quanto ele tem uma experiência que pode até ser considerada extensa e mesmo assim, ainda respiro com pulmões de quinze anos. Já tenho dívidas de um adulto. Salário ridículo de um adulto. Desentendimentos profissionais de um adulto e mesmo assim... A fantasia da vida ainda me fisga! Ainda penso que isso é bom. Mas às vezes tenho medo de ficar pelo caminho. Amadurecer sem perder a ternura. Mas amadurecer.
E você como está? E o filhão? E o maridão? Tá aí duas experiências pelas quais eu gostaria mesmo de passar!
Por aqui as coisas comigo mudaram e voltaram ao ponto de voltar a mudar. Eu conheci pessoas. Outras ficaram pelo caminho. Algumas eu não vou esquecer jamais. Mas no fim das contas, eu ainda sou um terminal de experiências itinerantes! As pessoas passam por aqui. Me ensinam o que tem que ensinar. Aprendem o que tem pra aprender. Mas vão embora. Sempre vão embora! Nem sei até que ponto eu estou vendo isso do modo como deveria ver. Talvez eu esteja entendendo errado um sistema que é visto normalmente pelas outras pessoas, mas o fato é que não tenho uma boa sensação. Me agarro à vontade de que as coisas fiquem pra sempre. Não sei aceitar bem que tudo finda.
Tive alguns problemas familiares. Minha mãe teve um derrame e mexeu não só com as estruturas físicas da nossa casa, mas também com as emocionais. De repente, diante do perigo de perdê-la (e como acontece com todo mundo que é humano), eu revi o passado e o presente e percebi que nossa relação estava muito ferida. Minha homossexualidade tem muita culpa nisso. Não só por ela nunca ter sido capaz de aceitar, mas também por eu jamais ter entendido que seu amor não era menor por isso. Bateu uma culpa pelas mentiras contadas. Bateu uma culpa pelas faltas graves e dissimulações. Uma certa vergonha também. Tem sido mais fácil pra mim ser gay entre eles. Cessou a luta pela minha transformação e eles adquiriram um certo conformismo mesmo. E isso é bom. Antes isso que aquela guerra diária.
Mas ela melhorou e graças a Deus teremos mais tempo pra nós! Estou tentando ser um bom filho. Ela tem se orgulhado mais do teatro na minha vida. A Escola entrou no seu último período e as apresentações das peças apontaram pra uma certeza dela de que estou feliz com o que faço. O trabalho fixo também ajudou muito. Acho que aos poucos tudo vai se resolver bem.
Às vezes tenho medo do futuro. E pode parecer ridículo que eu esteja dizendo isso. Quase todo mundo tem medo do futuro! Quase todo mundo não gosta de olhar por aquele cilindro escuro que representa o que ainda não aconteceu. Mas eu tento não pensar nisso. Quase sempre eu acho que minha existência é especial. E que por tratar-se ela de um bom roteiro cinematográfico, certamente me resguarda capítulos de sofrimento e dor. O lado bom dessa loucura, é que isso quase sempre também significa um episódio de redenção.
E por falar em episódio, eu finalmente consegui ver o final de Dawson’s Creek. Uma amiga aqui da escola de teatro adquiriu tv por assinatura. E a Sony está reprisando todas as temporadas! Quase implorei pra pobrezinha gravar a temporada final pra mim! E de quebra, ela ainda tentou gravar alguns de temporadas anteriores. Mas... como eu detenho a maldição da temporada incompleta, o vídeo da moça quebrou e perdi alguns que eu sempre quis ver e não vi. Os boxes com as temporadas em dvd são um sonho. Mas nem dvd eu tenho ainda! Ah... e por sinal, o final da série é lindo!
Continuo também um grande alienado musical! Cê já ouviu o novo cd do Blur? De chorar!
Enfim, tudo tem sido muito libertador. A vida tem sido boa comigo. Tenho passado por muitas novas experiências e tenho a sensação que estou vivendo mesmo! Mesmo pro ruim! Ainda tenho muita vontade de ir mais além. Eu queria muito dar mais passos. Gostaria muito de fazer cursos, fazer a universidade, viajar, ver e aprender coisas... Ainda tentando ignorar as limitações. Acreditando que vai dar pra fazer tudo. De um jeito ou de outro.
Entrei de vez no universo da Internet e mesmo ainda sem ter computador, já estou a par de todo esse maquinário cibernético que a juventude hoje ostenta como um crachá. Tenho o tal do orkut e já providenciei o meu MSN. Fiz um blog também. Que aliás eu quero que você veja. Será uma maneira também de saber sobre o que anda acontecendo comigo. Estou sempre postando lá. Vou até colocar essa carta, acho.
Bem... Eu acho que vou terminar por aqui. Vou esperar sua resposta seja pra quando ela vier. Espero que tudo por aí esteja bem. Espero que possamos nos manter juntos em intenção, ao menos. Você é uma pessoa que representa muito na minha vida Carmem. Alguém que sempre está nos meus argumentos, nas minhas divagações, na minha maneira de pensar o mundo. Eu queria poder ser melhor com você. Ao menos te ouvir muito, eu posso.
Grandes beijos pra todos! Saudades....
Henrique.

“You know,you know where you are with, you know where you are with, floor collapsing, falling, bouncing back and one day,I'm gonna grow wing
you know where you are”Let Down Radiohead

PS: O endereço do blog:
www.mybends.blogspot.com
Dobrado Por Henrique Haddefinir às 15:37
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Terça-feira, 2 de Agosto de 2005

4

Em breve... comentário sobre a nova força eólica dos hermanos.

Dobrado Por Henrique Haddefinir às 17:09
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