Quarta-feira, 10 de Novembro de 2010

Lost - Para os Que Não Tem Preguiça de Pensar

Pois é... a sexta temporada de Lost acabou ainda no primeiro semestre e embora muitos tenham denegrido a série depois do fim, eu continuo achando que ela é o ícone mais competente da dramaturgia televisiva mundial.

 

Acabo de comprar o box com a última temporada e revi tudo atentamente. Depois de ler tantas resenhas pelos blogs e sites afora, eu pensei que talvez minha admiração fosse suprimida pelos apontamentos críticos, mas não. É como se depois dessa nova maratona, eu tivesse ainda mais certeza que na maioria dos casos, estamos mesmo é diante de um monte de fãs preguiçosos e mimados, que não estão acostumados a avaliar o que está fora de suas expectativas e encontrar nisso um desafio. Eles preferem tudo que se aplique a seus padrões pseudointelectuais de surpresa e efeito, caindo sempre no cinismo e no deboche.

 

Lost terminou novamente pra mim ontem a noite. E foi lindo, inteligente, devastador e emocionante como da primeira vez. Eu me comovi ainda mais. E percebi que toda a discussão em torno do que não foi respondido é tão tolo, tão enfadonho. E repito, preguiçoso, porque se você fizer um esforço, você descobre um monte de coisas que estão ali, na nossa cara.

 

 

E vamos desde pequenas coisas, como porque Jacob teria ordenado que Ben elilminasse os moradores da Vila Dharma, até o problema principal da temporada, que é a origem da ilha e a realidade paralela.

 

Então vamos tentar fazer um esforço pra descobrir saídas pra algumas dessas perguntas?

 

A Origem da Ilha

 

Primeiro que não é a coisa mais importante. A origem da ilha não responde nada, porque provavelmente ela já estava ali quando os primeiros chegaram. E pensa bem: seria mesmo bacana que os personagens ouvissem uma explicação chata sobre porque a ilha é daquele jeito e com isso deixassem escorrer pelo ralo toda a essência do que era a série? Afinal, o título do negócio significa "perdido". Mas ainda assim, tem uma maneira de tentar vislumbrar um pouco dessa questão.

 

No episódo Ab Aeterno, que mostra como o imortal Richard Alpert chegou à ilha, somos informados pelo roteiro que ele veio das Ilhas Canárias. Uma pesquisa rápida no Google vai te revelar que trata-se de um arquipélago de sete ilhas que também guarda um curioso mistério: A ilha de São Brandão. Essa ilha, que é tida na mitologia como a "oitava ilha canária", já foi chamada de "Ilha Fantasma" porque os registros de seus "aparecimentos" remontam a tempos distantes e dão o que falar até hoje. Essa curiosa ilha teria propriedades estranhas, povos curiosos e o hábito irritante de aparecer em lugares diferentes. E não é que a nossa ilha de Lost também muda de lugar? Isso sem falar que as ilhas são chamadas de canárias por causa dos cães que tomavam o lugar (opa, Vincent!).

 

E tem os símbolos egípcios. Tá, Ok. As ilhas canárias são espanholas, mas se a oitava ilha mudava de lugar, porque não podemos aceitar a possibilidade de que em algum momento ela tenha sido descoberta pelos egípcios, que à sua maneira singular, exploraram as propriedades energéticas da ilha, interpretando-as de diversas maneiras e construindo templos (como era de seu feitio) para adorar ou proteger algumas dessas mitologias. Um indicativo disso é a estátua de Taweret, que provavelmente foi construída na ilha com a função de adorar a deusa da fertilidade, para que com isso parasse a mortalidade das mulheres que engravidavam no local.

 

 

A tal caverna de luz, que incomodou tanta gente, pode ser apenas um erro de interpretação dos próprios personagens. E que, genialmente, não foi corrigido pelos roteiristas. O que para a mãe de Jacob era uma apenas a representação positivista da natureza humana, para os especialistas da Iniciativa Dharma era o que eles tanto queriam encontrar: a fonte bruta da energia eletromagnética da ilha. Tanto que quando Desmond (o único que resistia bem aos efeitos dessa energia) retirou aquela espécie de tampão da luz, a ilha foi "desligada". É claro que havia algo de místico ali, ou o monstro de fumaça não teria sido criado no mesmo lugar, mas em Lost, a ciência e o oculto sempre andaram lado a lado. Não podemos esquecer que lá no final da 2º temporada, quando Desmond girou a chave no fundo da escotilha, a ilha foi envolta em luz, do mesmo jeito que quando mudou de lugar na 4º temporada. Quem garante que aquela chave não foi a versão moderna da "roda" girada por Ben? As duas coisas eram nada mais que catalisadores de energia.

 

Mas mesmo todas essas divagações visam apenas cavucar sentidos para o que nem deveria mesmo ser explicado. Afinal de contas, o livro Eram os Deuses Astronautas seria mesmo tão bacana se não se baseasse em teorias advindas da divagação? A graça do livro e da série, está em exercitar isso que acabei de fazer. E por Deus, Damon e Carlton nos presentearam com a maneira mais brilhante de pegar pessoas reais, com vidas reais, e jogá-las dentro de um contexto mitico. Ninguém fez isso melhor do que eles. Lost é a representação perfeita dessa junção de fé, ciência, mitologia e história.

 

O epílogo presente no box, The New Man In Charge, mata a saudade dos personagens e de quebra ajuda a amarrar algumas pontas soltas. Traz Walt de volta, mas continua sem explicar a função do menino na ilha. Como tudo em volta dele morria, acredito que ele está mais pra servir de equilíbrio das polaridades da ilha, exercendo uma função, em escala não-psicopata, parecida com a que exercia o homem de preto. Afinal de contas, Walt é o único que compartilha das mesmas pecualiaridades de Hurley e do Homem de preto (ambos viam e falavam com mortos). A diferença é que o menino era corrosivo. Parecia deter algo de maligno. O que torna sua ausência da série ainda mais sentida.

 

E se não bastassem todas essas maravilhas teóricas, Lost ainda tinha personagens deliciosos e no último episódio, a trágica história de gente normal, empurrada sem querer para a maior transformação de suas vidas, ganha ainda mais força quando nos deparamos com tanto respeito desses roteiristas para com eles.

O box ainda tem um extra comovente que mostra toda a movimentação dos atores e equipe para o final. Com direito a um Jorge Garcia emocionado lendo o roteiro e descobrindo o destino de seu personagem.

 

É isso, dude. Lost será sempre a melhor. Terá, mesmo com tanto esforço em torná-la um produto de confusão e declínio, a maior e mais inteligente trajetória dramatúrgica da história da TV mundial.

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Dobrado Por Henrique Haddefinir às 15:24
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