Segunda-feira, 7 de Agosto de 2006

Errata do Amor


Acabei de ligar pro Gustavo pela sétima vez hoje!!
Nas duas primeiras ele não atendeu porque não podia. Na terceira, eu já estava suscetível a me irritar com ele. Na quarta e quinta vez eu inventei pretextos pra ligar de novo. Na sexta eu sinalizei que algo estava errado comigo e diante da indiferença dele (porque havia muita gente perto), na sétima eu explodi numa análise da minha tristeza que provocou o pior do que se esperar do namorado: o riso.
Desliguei o telefone fulo da vida!!!!
Por mim, no meu ímpeto incontrolóvel de enamorado inseguro, eu teria ligado mais o dobro de vezes só pra ficar falando de como me sentia e de como aquela atitude blasé dele me irritava. De como me magoava que ele não se preocupasse em me acalmar e me garantir que estaria tudo bem com as melhores palavras e frases que pudesse encontrar. De como me feria que eu estivesse ali, como um apaixonado burro e repetitivo, expressando toda a minha preocupação e angústia, e que ele estivesse fazendo comentários absurdos que em nada condiziam com meu estado lastimável de agonia, somente porque (ou não somente) havia pessoas em volta que poderiam especular a natureza daqueles telefonemas.
Como aconteceu:
Henrique liga, ansioso, preocupado e cheio de medo. No dia anterior ele teve outra crise de choro provocada por sua insegurança grotesca e pra consolá-lo, Gustavo leva-o pra cama e consegue com isso, agravar sua impertinente crise renal. Henrique sente-se culpado e apesar de fazer tudo que pode, só consegue temer e chorar. E quanto mais Gustavo se mostra seguro e sereno das circunstâncias, mais Henrique se desespera, com medo de que o seu grande amor descubra que ele é um poço de psicologismos baratos e em plena atividade. E fuja.
Daí Henrique liga, várias vezes, está muito aflito. E em todas as vezes que liga, Gustavo fala com ele no alto daquela sua condição formal e indiferente. Henrique nota que vai sentir-se pior do que estava antes. E insiste. Gustavo então expressa seu nervosismo em ser pego "naquela situação", rindo. Por mais que ninguém possa saber com quem ele fala ao telefone, mesmo assim ele trata Henrique como um "conhecido". E a diferença de tons entre a conversa dos dois é grande... A enormidade de expressões sem conteúdo é alta da parte de Gustavo... E cada vez que um "Eu te amo. Tô te esperando", é respondida com um "Então tá", é como se Henrique sentisse um prego sendo cravado no seu peito complicado.

Como Henrique gostaria que acontecesse:
Gustavo viaja pra resolver problemas. Percebe que Henrique está um pouco mais choroso do que costuma ser.Percebe que mesmo que Henrique entenda suas razões, ele está sofrendo um pouco mais que de costume. Durante o dia, Henrique tentou ligar algumas vezes e não conseguiu falar. Gustavo sabe que ele está se sentindo culpado e que toda vez que ele chora muito, depois fica apavorado, com medo de ser julgado como fraco e infantil. Da próxima vez que liga, conseguem falar e Gustavo ainda não pode falar totalmente como gostaria, porque ainda está na casa da ex-mulher e não quer ser indelicado. Henrique entende isso. Quando Henrique liga novamente, Gustavo ainda não sabe exatemente porque ele está tão aflito, mas tenta parecer amável e garantir que tudo está bem. Diz algumas coisas que tranquilizam Henrique e demonstra sua vontade de que continuem falando ao telefone até não poder mais. Comenta que tem gente em volta, mas que não está nem aí pra cara de apaixonado que está fazendo enquanto fala. Gustavo não quer falar de assuntos práticos. Sabe que está sendo muito amado e só quer garantir a Henrique que ele nada tem a temer. E que leva sua angústia muito a sério. Ainda não a entende bem (garante que vão conversar assim que chegar), mas que a respeita e que não a considera uma falha.
Henrique desliga depois de os dois dizerem algumas bobagens que casais dizem. Gustavo liga de novo inesperadamente pra dizer que o ama muito. Henrique desliga se sentindo muito melhor.

Mas... Não é exatemente assim que acontece. E mesmo que o lado racional da vida garanta que não devemos esperar das pessoas um mesmo tom ou medida que nós mesmos temos, é muito difícil pra Henrique evitar que seu lado dramático (tão chato e maçante) venha à tona.
O resultado é uma breve fúria. Substituída (em se tratando de Henrique), imediatamente por um total pavor de que Gustavo pense: "Esse garoto é maluco e eu tô começando a achar que entrei numa furada".
Por outro lado, há uma outra parte da consciência de Henrique que diz: "Esse tipo de coisa é normal... Super normal. Entre casais é assim mesmo". E uma outra parte que diz: "Seja menos dramático, mais prático, menos romântico e meloso... Retorne ao controle que você perdeu e pare de implorar atenção".
Henrique tem pavor de virar um zumbi do amor. Precisa aprender com Gustavo a amar sem precisar publicar erratas toda semana. Porque no fim das contas, é quase sempre ele que mete os pés pelas mãos.
Henrique não sabe sufocar sua mania de querer conversar sobre tudo e expressar sempre as coisas que se passam em seu coração. Não sabe ignorar coisas. Tem sempre que falar sobre elas o tempo todo. E toda vez que põe isso em prática, sente-se um chato de galocha que só serve pra azucrinar a vida de Gustavo. Até porque, numa estatística fria, Henrique ganha desparado nas"conversas sérias" que os dois tem.
Sabe que Gustavo, mesmo que tenha percebido como Henrique ficou aborrecido, não vai sofrer com isso e dificilmente vai ligar de volta pra se explicar. Sabe que Gustavo vai guardar aquela nota num lado do cérebro e continuar seus compromissos até que precisem falar disso no seu retorno iminente. Gustavo sabe esperar. Gustavo consegue conviver com perguntas sem resposta imediata ou mal entendidos não desfeitos. E Henrique sabe que isso é que é certo. E não, ser como ele é, um ansioso desesperado que move montanhas pra esclarecer coisas. Não dorme por isso. Não come por isso. E fica sentado no meio-fio esperando por um telefonema até as três da manhã.
Henrique precisa entender e aceitar as diferenças entre os dois.
Mas tem dificuldades, porque às vezes sente-se sozinho na maneira como demonstra seu amor. Sobretudo quando Gustavo retorna à como era antes quando alguém está perto ou ouvindo e com isso o faz sentir ignorado.
Ao mesmo tempo, sabe que Gustavo tem uma paciência com ele que ninguém mais tem. E que tem motivos muito coerentes pra agir assim, e que gostaria de ser entendido e apoiado por Henrique, exatamente como Henrique gostaria de ser entendido e apoiado por ele.
As tempestades em copo d'água continuam. Sempre da parte de Henrique. O inseguro. Apavorado. Ansioso e complicado.
Aquele que escreve textos enormes pra de novo "falar sobre como se sente".
É um idiota.
E está louco pra ligar novamente (provavelmente o fará), já que ama tanto esse cara, que não consegue ficar brigado com ele.
Henrique tem achado que seus sentimentos estão descontrolados demais.
E opressivos demais.
Ou se segura ou vai estragar tudo.
Compreendendo que sua maneira de ver o amor pode se borrar e se desentender com a maneira como o amor espera ser visto.
Precisa voltar a racionalizar.
Pra parar de escrever erratas como essa, na semana que vem.
Dobrado Por Henrique Haddefinir às 19:36
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