Sexta-feira, 23 de Julho de 2010

Sex and the City 2

 

            Quando uma série escapa da moldura televisiva e vai parar no pano branco das telas do cinema, ela já tem 50% de receptividade negativa da crítica garantida. Apesar de muito bem sucedida na televisão, com Sex and the City não seria diferente. A série, um exemplo raro de seriado que consegue chegar a seis temporadas sem absolutamente nenhum engano de roteiro, abocanhou prêmios e prestígio mundo afora. Prestígio esse que começou a sofrer seus primeiros abalos com o lançamento, ano passado, do primeiro longa baseado na série. O casamento de Carrie era a saída mais sábia para o condutor dessas histórias, Michael Patrick King, responsável pelos roteiros mais premiados da série, e que entende de maneira impressionante o universo de personagens que nem são dele. Com um filme longo, repleto de altos e baixos, Michael pedia à platéia: Get Carried Away. Pra curtir, entender e saborear, você precisava se deixar levar pelo caminho de sensibilidade e excesso traçado por ele. A critica torceu o nariz. Carrie desfilando seus figurinos quase absurdos, Samantha ainda movida pelo sexo mesmo quando não pode fazê-lo, Miranda descobrindo as desventuras (óbvias) de um longo casamento e Charlote eleita a ponte neutralizada para conflitos alheios. Tudo isso com muita cor, brilho, trilha sonora ostensiva e uma Nova York charmosa até o talo. O objetivo eram os dramas pessoais de Carrie. Qualquer fã da série adoraria vê-la sofrendo uma última facada de Big. Em volta disso, glamour e um perigoso senso de humor. No fim, se você deixou-se levar, curtiu o filme ao extremo. Como eu.

            Um ano depois, lá estão elas novamente. Lá está a crítica novamente pronta para o abate. E eu acho que resisti tanto em falar sobre o filme aqui no blog porque ainda estava confuso com a recepção à ele. Sex and the City 2 é controverso. Soa infinitamente mais bem pensando que o primeiro. Apara arestas. Conserta enganos. Abre mão da escatologia e mantém a boa forma no que diz respeito à alma das personagens. Mesmo assim, a crítica especializada derrapa em conceitos abstratos que em nada nos servem para compreender um ponto de vista.

            É quase impossível não voltar à série para falar do filme. Episódios off-New York eram bem populares na TV. Todos os fãs compreendiam que quando as meninas iam sair da cidade, era porque algo muito incomum estava prestes a acontecer. E elas saíam pouco. Michael Patrick King sempre soube que precisava voltar rápido pra casa. Levou-as a Los Angeles, Hamptons, Paris... E todos adorávamos essas pequenas incursões porque Nova York estava a espera no episódio seguinte. O que pensar então se soubéssemos que não haveria episódio seguinte? Se um terceiro filme provavelmente não vai acontecer, encerrar esse universo sem que Nova York fosse a grande estrela, foi a melhor solução? Alicia Keys grita New York na ótima canção que compõe a trilha, mas a cidade se resume a um bloco de apresentação e encerramento.

            Sex and the City 2 tem uma missão muito mais nobre que o primeiro filme. Ele vem pra falar sobre comodismo, sobre a aceitação do fim, sobre admitir as próprias fraquezas e sobre entender certos passos que à primeira vista podem parecer errados. Os detratores do filme não parecem dispostos a enxergar nada disso. Estão mais interessados em propagar uma idéia errônea de que os originais televisivos não têm o direito de existir fora desse mercado. Até porque uma análise minuciosa das histórias do primeiro e do segundo filme vai deixar claro que não há nenhuma super-representação transgressora do espírito da série. A prova dessa má vontade da imprensa se deixa evidente quando paramos pra dar uma olhada nos comentários feitos quando as fotos das personagens vestidas como nos anos 80 foi divulgada. Era uma chuva insana de deboches e presunções intelectuais. No fim das contas, o roteiro mostrava em flashes como elas se encontraram e todos tiveram que olhar fixamente para a tela pra conseguir vê-las com ombreiras e cabelões nos segundos em que foram exibidas. O mesmo para os comentários feitos quando a foto de Samantha e Miley Cyrus foram exibidas meses antes do filme estreiar. As legendas diziam que quando percebesse que vestia o mesmo modelo que a cantora, Samantha improvisaria mudanças em seu vestido com papel higiênico. A cena não esteve nem perto de acontecer e serviu para mostrar apenas os enganos de Samantha quanto à sua necessidade de mascarar seu amadurecimento.

            Ainda completamente alheios ao que realmente interessava, os “espertinhos” que fazem engulhos ao ouvir falar dessa franquia cinematográfica, também esqueceram o senso de humor e diversão em casa. Esqueceram de achar incrível ver Liza Minelli cantando e dançando Beyoncé. Esqueceram de reconhecer as sagacidades dos diálogos e a ironia de determinadas situações. Esqueceram de entender a profundidade de cenas como a de Miranda e Charlote no bar do hotel. Esqueceram que hoje em dia um monte de gente sai de casa para ver um filme de animação disposto a “comprar” todo aquele universo irreal, mas ao mesmo tempo conseguir tirar alguma lição dele. No entanto, se esse universo irreal for em live action e incluir algum brilho e muitas referências gays, não serve. Sex and the City é uma representação excessivamente floreada da vida, mas está longe de ser vazia. Pelo contrário! Suas personagens têm uma trajetória tão bem delineada e segura, que é quase impossível condena-las a essa injusta e inadequada posição de inverossimilhança.

            A maior qualidade de uma obra de arte é transmitir uma sensação de entendimento e identificação. Eu esperei atento que ao longo da projeção, acontecesse comigo o que acontece com a maioria dos críticos e que aquela história não me dissesse nada. Claro que isso não aconteceu. Sex and the City sempre teve o poder de produzir aquele sorriso sereno que a gente tem e que vem acompanhado de um raciocínio claro sobre as implicações reais do que a ficção acabou de nos mostrar. Meu coração estava repleto de contentamento quando o filme acabou. Mesmo sem Nova York, essa possível última aventura de Carrie e suas amigas continuou a parecer mágica e verdade ao mesmo tempo. Como sempre foi. E como sempre será.

 

 

           

 

Para o “bonequinho do Globo” que disse que o filme soava preconceituoso e arrogante: enxergar arrogância naquele filme cheio de tentativas de desmistificação e proximidade é uma arrogância sem tamanho... só não é maior do que o preconceito bestial de quem acha que explorar outras camadas de um idéia pré-concebida pode ser preconceituoso. Senso de humor, meu povo. Traga-o quando sair de casa.

 

 

            Ai gente, desculpa... responder ao bonequinho do Globo é quase esquizofrênico, eu sei. Mas fiquei tão puto com essa crítica. Não deu.

 

Dobrado Por Henrique Haddefinir às 18:34
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1 comentário:
De Monique Bomfim a 23 de Julho de 2010 às 19:57
Ai, não posso me conter. Vc sabe q eu amo vc, mas... Por que cargas d'água vc foi ver o filme com esse macacão??? Eu adoro macacão, tenho um, inclusive. Mas era SEX AND THE CITY! Eu me produzi. A propósito, a camisa é ótima.
E também preciso desabafar sobre um momento q ocorreu dentro da sessão em q eu estava. A cena do karaokê foi filmada com o intuito de q as pessoas cantassen a música enquanto estivessem assistindo ao filme. Era pra ser um coro coletivo. Pois bem, ninguém cantou em Macaé. Imagina como deve ter sido nas salas de NY! Até me arrepio. Frustrada.
Só mais uma coisinha: a música Empire State of Mind, da Alicia Keys, é uma das mais bonitas q eu já ouvi. Me convenceu, quero ir pra NY.

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