Segunda-feira, 26 de Abril de 2010

A Paz que eu Tanto Quero

São 19:11 aqui no porto de Imbetiba em Macaé. Acabei de chegar para o meu último dia de turno de trabalho. Sinto uma quantidade absurda de sentimentos conflituosos. É como se eu sentisse tudo de ruim e de pior ainda ao mesmo tempo, pincelados com segundos de otimismo que não duram  suficiente para que eu me sinta 100% seguro do que eu estou fazendo agora.

Foram seis anos trabalhando no teatro popular. Depois de uma infinidade de percalços e equívocos, medos e preguiças, somente aos 24 anos eu consegui o meu primeiro emprego. As coisas comigo sempre funcionaram assim: tarde demais.  E quando elas aconteceram parecia que tinha sido da maneira perfeita. Um emprego com horários fáceis, num ambiente agradável e cheio de charme. Ser bilheteiro era uma vitória para mim numa época em que tudo que não parecia era que eu ia me aprumar na vida. Agarrei-me com unhas e dentes naquela oportunidade. E por lá fiquei... até semana passada, quando me desgarrei violentamente daquele mundo e pareço viver numa realidade paralela desde então.

Estou trabalhando num setor administrativo que lida com embarques e desembarques da Petrobrás. Falando em termos teóricos, é um emprego invejado por muita gente, mesmo que ganhando menos do que poderia ser considerado bom, eu tenho muitos benefícios como planos de saúde, seguro de vida, cartões de transporte e alimentação. Enfim, tudo aquilo que faz o pobre sentir-se seguro. Mas na prática, é um emprego com doze horas corridas diárias trancado dentro de uma sala, com homens que embora sejam corretos e de bom coração, se afastam em muito da realidade a qual estou acostumado.

O primeiro dia foi horrível. Eu tentava me concentrar no aprendizado mas tudo que conseguia era me sentir um inútil. O trabalho acontecia naturalmente a minha volta e o tempo todo era como se eu fosse uma cadeira na sala. Todos passavam por mim e não me viam, enquanto eu tentava sufocar angústia com sorrisos amarelos e risadinhas nervosas. Chorei, não vou negar. Chorei mesmo. Quando cheguei em casa era como se o mundo tivesse desabado na minha cabeça.  Depois de tantos anos exercendo a mesma função... tão ciente de tudo que você deve fazer para resolver problemas... ver-se tão inseguro quanto uma criança no primeiro dia na escola é insuportável. Tudo parece errado. Você só consegue pensar no quanto era feliz e não sabia e no quanto teme por seu futuro. Ficar é ruim. Manter-se onde estava também. Voltar atrás não é uma opção, afinal você não quer fracassar na sua decisão, mas ao mesmo tempo você não consegue pensar em outra coisa que não seja na paz que precisa ter pra voltar a respirar aliviado.

Piora quando começam a vir os pensamentos de perda. Você perdeu a segurança, a paz, e perdeu algumas das perspectivas que tinha antes. Eu, no meu sonho de arte, tinha no trabalho na bilheteria do teatro, um flerte com o universo que permeou todas as minhas fantasias. Agora, dentro de um escritório, cheio de pressões, longe de tudo que conceitua a arte, parece que estou desistindo totalmente desse sonho. Por mais que eu saiba que não há outra alternativa pra mim, reconhecer e aceitar que sua sorte e seu pretenso talento não te levarão onde gostaria de ir, é duro.

Daqui a três anos termino a faculdade de Letras. Penso que talvez até lá os ventos mudem novamente, como mudaram agora, e que eu possa me sentir melhor. Não sei até quando eu permanecerei aqui. Quero tentar e quero conseguir. Mas não quero virar um fantasma burocrático. Ainda quero sonhar. Preciso sonhar. Sonhar faz parte da minha paz... da paz que eu quero e tanto necessito.

Dobrado Por Henrique Haddefinir às 01:31
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