Segunda-feira, 5 de Janeiro de 2009

O Tapete Vermelho de 2009

O terror que os moradores da capital do Rio de Janeiro sentem, foi sentido em uma escala tenebrosa pelos moradores daqui de Rio das Ostras no último dia 2. Numa aparentemente comum briga de trânsito, os policiais Leandro Teixeira e Rogério Barberino cruzaram o caminho do desequilibrado engenheiro de som Ricardo Carneiro e tiveram suas vidas executadas sem absolutamente nenhum motivo aparente.

 

Eu estava na rua nessa hora. Eu e Gustavo estávamos recebendo em casa a filha dele e algumas amigas. Saímos por volta de 16 horas para comprar a passagem de volta à Cordeiro que uma delas usaria no dia seguinte. A fila para a rodoviária estava imensa. Vinha de dentro do prédio e fazia uma curva em direção ao centro de comércio informal que a gente chama aqui de "rua da feirinha". Estávamos no final da fila quando a confusão começou. Ouvimos primeiro uma série de cinco tiros. Após uma breve pausa, mais dois. A correria era tão grande que as pessoas saíram da fila e começaram a abarrotar o saguão da rodoviária.

 

Essa é a foto do sujeito, que eu peguei do blog da Roberta Trindade, que inclusive fala do assunto de maneira bem completa. Quem quiser conferir a matéria o link está aí:

http://robertatrindade.wordpress.com/2009/01/03/assassino-de-pms-de-rio-das-ostras-e-preso-no-grajau/

O curioso é notar que nos comentários, há quem ainda acredite que os policias cometeram algum erro. Por mais que o sujeito aí da foto tenha admitido que não sabe nem mesmo o que o levou a cometer tamanho delito. Eu estava lá. Não vi a coisa de perto, mas ouvi dezenas de testemunhas que garantem que os policiais só foram mortos porque não contavam de maneira nenhuma com a atitude do criminoso. Algumas pessoas muito próximas garantiram que os policiais foram inclusive educados com ele.

Os tiros vieram frios e certeiros de um homem que tinha em casa mais de oito armas de fogo de diferentes tipos. Um alucinado pela sensação de poder que um revólver causa. Alucinado o suficiente para matar dois homens na frente do filho de 10 anos.

 

Embora a maioria presente ali fosse de visitantes, as caras de pavor e surpresa eram as mesmas de quem é habitante da cidade. Conhecida por sua calmaria, não é de hoje que Rio das Ostras flerta com a violência caótica da capital. Seja na forma de homicídios como esse, ou na forma de motoqueiros noturnos que circulam pela cidade e já assaltaram muitos amigos meus.

Não vou encerrar esse texto com o bom e velho sentimento de indignação impulsionado pelos pedidos de socorro direcionados às autoridades. Eles já sabem o que precisa ser feito. No entanto, esse crime em especial, foi cometido por um cidadão comum. Uma pessoa que transfigurou os próprios valores apoiado num conceito absurdo de força. O curioso é que duas horas depois eu fui ao super-mercado fazer umas compras e um homem fazia um verdadeiro escândalo, batendo nas mesas e xingando palavrões, porque a atendente de caixa não queria deixá-lo passar pelo terminal destinado aos idosos e gestantes. Uma das senhoras que estava na fila teve que trocar de caixa e eu e Gustavo a deixamos passar na nossa frente. O maluco ficava gritando que queria o gerente porque estava certo. A moça do caixa dizia que se a fila era pra idosos, eles é que tinham prioridade. Ela não poderia atendê-lo se houvesse algum idoso ou gestante atrás dele. Mas ele não estava nem aí. Gritava e berrava. Uma total demonstração de falta de respeito e imperativismo. Me fez lembrar do cara que quis me bater aqui na bilheteria do teatro porque eu me recusava a vender dez ingressos promocionais pra ele já ele só tinha um panfleto correspondente à promoção.  O discurso era o mesmo: ameaças de processo que tencionavam demonstrar civismo e elegância, mas no final da conversa ele já queria bater como um bom primitivo das cavernas.

 

Uma fluente correnteza de desvio de valores. Um engano constante entre o que é direito adquirido e arrogância. Uma vergonha. E quanto mais o tempo passa, esse tipo de comportamento vai se proliferando disfarçado de "personalidade forte" e contaminando em sua maioria, a classe média, que não tem a humildade dos mais pobres e nem a superioridade financeira dos mais ricos. Então ela fica ali, no meio termo, mascarando de uma humildade demagógica, a arrogância absoluta que os norteia desde o berço.

Dobrado Por Henrique Haddefinir às 17:00
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