Sábado, 14 de Janeiro de 2012

Sala de Projeção

Amanhecer – A Saga Crepúsculo / Parte 1

O que me fascina são os extremos.

 

Dois grupos de analistas a respeito da Saga Crepúsculo: para o extremo da paixão, os amantes da história de amor e superação. Para o extremo da ojeriza, os que repetem o discurso da ridicularização. No meio, poucos equilibrados, que nem entendem a literatura de Meyer como bíblia e nem como lixo. É apenas um livro que conta uma história. Só isso.

 

Sempre tenho vontade de ter o poder de reverter polaridades só pra ver o que acontece. Talvez, se Crepúsculo não fosse um fenômeno, ele não fosse tão odiado. Ou melhor ainda, não haveria tanta necessidade de odiá-lo. Pelo menos 60% das pessoas que odeiam, nem mesmo leram, o que é um sinal CLARO de repetição de discurso. Tudo que ganha a massa, perde em respeito erudito, como se o que o povo aprova, tivesse que imediatamente parecer menos digno. E nessa dança, até Harry Potter, que começou a ter sua existência  mais “perdoada” por esse mesmo setor crítico, depois que Crepúsculo começou a aparecer por aí.

 

De fato, quem tiver a honestidade de ler os livros, vai ver que é uma história ruim, contada de uma maneira muito elegante. E quando digo ruim, não me refiro à mitologia, já que qualquer autor pode ter a sua, mas ao fato de Meyer ter uma necessidade tendenciosa de incutir seus  valores religiosos na trama, conseguindo com isso, reacender reacionarismos como a importância da virgindade e a submissão da mulher. O maior problema do livro é Bella, e sua incapacidade de ser um ser humano com individualidade, que não vê um homem como muleta para a vida.  Fora isso, Meyer é tão escritora quanto qualquer outro autor comercial que vemos por aí, daqueles que se preocupam só em contar uma historia, sem atenção a sutilezas, metáforas e analogias. Como é Sidney Sheldon, Agatha Christie, Michael Crichton, Robin Cook e por aí vai. Ela é correta, sabe criar expectativas e trabalha outras questões importantes e positivas, como a tolerância e aceitação.

 

Então porque a repulsa? Porque a cara retorcida quando se fala na Saga? Porque o incômodo quando se ouve um elogio, como se só a palavra “Crepúsculo” já ferisse os ouvidos? Eu não compreendo esses exageros... Quando eles vêm, a rejeição deixa de ter um caráter objetivo e começa a parecer marketing pessoal, como se a careta, a repulsa e o incômodo, fossem produtos de uma superiorização.  Meyer tem problemas de conceito, mas é uma escritora. Não se pode negar. É uma opção de cada um não abrir o livro, mas não acho certo e nem justo, agir como se ao vê-lo aberto nas mãos de outrem, isso significasse o menor, o menos culto.

 

Dito isso (não resisto ao debate a respeito da insuflagem  da Saga), vamos ao filme, que fui assistir no dia 29 de Dezembro de 2011, no último dia, na última sessão. Tudo para fugir dos gritos.

 

Amanhecer é a melhor parte da Saga, não porque é a última, mas porque é a que fala da história, de verdade.  Em Crepúsculo conhecemos o amor insano e inadequado de Bella e o livro é só sobre isso. Em Lua Nova, esse amor se reafirma e conhecemos Jacob. Em Eclipse, Meyer enrola os leitores com um flerte mal acabado acerca da mitologia dos vampiros e dos lobos. É só em Amanhecer, quando esses valores mórmons já estão estabelecidos, que ela se concentra na trama que construiu.

 

O filme é bem estranho... Tem decisões ruins, como minimizar as sequências do parto para não aumentar a classificação, mas está longe de ser chato. Tem uma trilha sonora inspiradíssima, com grandes nomes alternativos (prova de que não sou só eu o único equilibrado do mundo) e sequências interessantes.

 

 

O diretor não se decide muito pra que lado vai. Ao mesmo tempo em que se apega a classicismos bizarros (como o sonho risível de Bella), resolve usar tecnologias opositoras (como na cena do veneno correndo pelo corpo da mocinha). É brutal na aparência que dá para Kristen Stewart, mas retrata o parto com uma bobagem cinematográfica que se resume a borrões e closes.

 

Mesmo assim, o filme divide bem os sentimentos de Bella, Edward (bem, pela primeira vez) e Jacob, e assim como faz o livro, estabelece corretamente os efeitos dos acontecimentos em cada um deles.

 

A última cena, com a transformação de Bella é a maior catarse do longa, e também o início da parte que mais me interessa, que é ver a adaptação da novata no mundo vampiresco.  Assim, Amanhecer Parte 1 é um bom começo para o grand finale, onde os condutores terão uma boa oportunidade de encerrar esse fenômeno com a merecida dignidade.

 

Biutiful

O já consolidado cinema que vende o belo no feio.

 


 

O mais recente filme de Inarritu reúne dois grandes polos de competência no cenário cinematográfico mundial: diretor de dor e ator que sente a dor. O ator no caso é Javier Bardem, que já faz tempo que vestiu aquele rótulo de infalível, unindo-se ao time onde já estão Meryl Streep, Jack Nicholson, Fernanda Montenegro, Wagner Moura, Selton Mello e por aí vai. Gente que nunca erra, mesmo quando erra.

 

Em Biutiful o diretor não deixa de trabalhar com o sujo, indo dessa vez, ao extremo desse conceito, escolhendo uma Barcelona repulsiva para ambientar sua história. Barden vive um pai de família que para criar os filhos, recorre a meios ilegais para ganhar dinheiro, além de exigir pagamento para exercer o dom de falar com os mortos. 

 

 

Pela sinopse já dá pra saber o que vem pela frente. Muitos planos que tentam poetizar o caos, muitos closes em lágrimas, suor e fumaça de cigarro, um roteiro absurdamente pessimista e infeliz, uma narrativa entrecortada que aqui nem se faz tão necessária e uma produção que pretende nada mais nada menos que reafirmar as qualidades da arte visceral como condutor de importância.

 

Biutiful é belo. Tem boas escolhas dramatúrgicas – como em todo filme de Inarritu, não  é entediante – e um time de atores acertadíssimo. O problema é que eu não consigo mais me envolver nessas recorrências autorais.  Em todo o filme, a única ousadia que consigo reconhecer é a maneira como o protagonista vislumbra os espíritos que o cercam: grudados ao teto, estáticos, com expressões terríveis.  De resto, só as mesmas conceituações a respeito da pobreza, da incomunicabilidade e da dor.

 

Billy Elliot

Os brutos também dançam.

 

 

Filmes de superação não são nenhuma novidade. São deficientes que viram atletas, pobres que enriquecem, ricos que se humanizam, losers que conquistam a princesa... Uma infinidade de histórias que começam sempre naquele mesmo lugar.

 

O que faz Billy Elliot valer a pena é algo que independe de um bom roteiro ou boa direção: carisma. Até porque, em termos de roteiro o filme é uma bobagem. Repete todos os tópicos da apostila: garoto pobre, paixão pelo impróprio, família contra, mentor que inspira mas é rígido, melhor amigo frágil, resistência inicial, e por aí vai. E a direção não fica atrás, só confirma esses tópicos:  narrativa dividia entre sequências de resistência ao sonho, sequências  de tempo passando enquanto evolui o aprendizado, sequências da família entendendo o talento e clímax com competição iminente. Tudo absolutamente dentro do esperado.

 

 

A questão é que enquanto alguns filmes sabem usar essas ferramentas, outros não.  E Billy Elliot sabe e muito. O trabalho do jovem protagonista é boa parte do sucesso. Mas temos também o melhor amigo irresistível e a maneira sensível e correta como decidiram lidar com essa interação. Temos o pai e o irmão criveis como poucos. Temos  o casamento perfeito de expectativa e retorno. A única coisa que eu criticaria com veemência é a cena final, que não faz jus ao que esperávamos ver a respeito da ciência da família de Billy sobre seu sucesso.  Fora isso, é daqueles filmes em que você torce, vibra, sorri e chora.

 

Super 8

A melhor história de amor entre o cinema e ele mesmo.

 


 

Não dá pra falar muito sobre Super 8 e não acabar perdendo o bom senso. Até porque, perdemos sempre o bom senso quando falamos daquilo que nos apaixona.  E esse filme é isso, paixão total, pra falar de paixão, enquanto se fala de paixão.

 

J.J Abrams é daqueles cineastas que confirmam a criação de Dawson Lerry. Ser um garoto louco por cinema, pode gerar um cineasta. E uma vez que se quer muito uma coisa, entende-se dela como ninguém. Não, Super 8 não é um filme sobre alienígenas, é um filme sobre o sonho e sobre como ele se impregna de maneira fantástica na realidade.

 

A inspiração em Spielberg virou parceria. Aquela atmosfera de amizade que vimos em ET e Os Gonnies, e que Kevin Willianson reproduziu tão bem em Dawson’s Creek, está toda ali. Garotos de cidade pequena, fazendo um filme para um festival, lidando com a magia (alô, zumbis) do cinema para assim escaparem da irrelevância da vida.

 

O filme sobre uma reviravolta quando sem querer, o grupo registra com sua super 8, um acidente de trem que guarda em um dos vagões, um segredo maciço. Aí então, J.J. toca em suas origens científicas, sempre atraídas pelo fantástico, pelo que não é terreno.  A junção não poderia ser mais sedutora e irresistível. O filme é um desfile de atuações tocantes (o grupo de garotos é um acerto total), tem um roteiro ágil, uma condução impactante e um final comovido que parece chorar com o espectador.

 

 

É um filme para quem ama o cinema. Para quem não faz juízo de valor. Para quem entra numa sala para contemplar a magia e não para debochar dela.  É um filme de catarse. E a catarse não é crítica. Não vá assisti-lo se o cinema é pra você, unicamente uma ferramenta de absorção erudita. Não vá assisti-lo se o cinema é pra você, um altar de apreciação intelectual. Super 8 é para os que têm a inteligência do sonho... E não querem perde-la para o cinismo.

 

Glee – O Filme

Quando eles cantam, é o de menos.

 


 

Por causa de uma distribuição péssima, o filme da série Glee não chegou aos cinemas mais próximos daqui de Rio das Ostras. O resultado foram alguns fãs frustrados e outros enfurecidos, como eu. Passado o período de luto, lá fui eu me contentar com a TV e vislumbrar essa que eu achava que seria uma grande edição musical.

 

Primeiro engano. Glee 3D não é um show filmado, não é um episódio da série, não é um documentário. Também não sou capaz de dizer o que ele é, mas posso dizer que tudo funcionou muito pra mim.

 

O elenco todo é ótimo. As canções são incríveis, mas todas elas, sem exceção, já ouvimos nos episódios. Então, cantar, não é lá a grande expectativa da película. Por isso, o que de melhor temos em Glee 3D é a costura dramatúrgica advinda dos já conhecidos conceitos de superação da série.

 

Bem no tom megalomaníaco de Ryan Murphy, o filme é também uma longa homenagem a si mesmo. Espalhados pelos poucos 75 minutos de projeção, vários depoimentos de fãs do lado de fora dos estádios, tudo apoiado pelas ótimas histórias que vemos sendo contadas e que parecem mesmo, ser parte da vida real. Uma jovem anã que é líder de torcida e consegue ir ao baile com um garoto alto. Uma garota com síndrome de asperger que através da série consegue começar a se socializar e um garoto gay que foi obrigado a sair do armário depois que todos na escola leem seu diário.

 

Com essa decisão meio documental, Murphy conseguiu imprimir as caraterísticas da série no filme e ainda continuar a passar essa mensagem de superação. Tudo sem drama, com bom humor, agilidade e segurança. Entre um e outro pedaço das histórias, um número musical. E entre um e outro número musical, ótimos momentos do elenco nos bastidores.

 

 

Me dá um pouco de aflição ver os atores dentro daqueles personagens durante todo o tempo do filme e da turnê. Sendo chamados pelos nomes dos personagens em todas as situações e revivendo cenas no palco. Mesmo assim, exatamente por conta disso, temos momentos impagáveis, como os de Britanny e Rachel (a cena com o anúncio da possibilidade de Barbra Streisend na plateia é antológico). Glee 3D acaba sendo uma celebração ao programa de TV, e uma honrada investida para a ampliação do espírito positivista do mesmo.

 

O fã clube brasileiro da série está fazendo uma petição no twitter para tentar a viagem da Glee Tour para o Brasil. Se pudermos ver essa mágica de perto, será como estar dentro daquele filme. Então vai lá, assina e torce. No intervalo, dá uma repetida no final do filme, que se encerra com Loser Like Me (única canção original bacana) e é capaz de fazer qualquer um pular na sala.

 

Bruna Surfistinha

Bruna é ótima, mas só quando é a Raquel Pacheco.

 


 

De modo algum o longa metragem que adaptou o livro da garota de programa mais famosa do país é chato. Há algo de instigador em acompanhar a trajetória desse tipo de figura. O problema todo é que esqueceram que era a vida da Raquel e decidiram contar a vida de qualquer prostituta por aí.

 

Em todas as entrevistas que dá, Raquel Pacheco faz questão de dizer que sempre esteve consciente do que fazia, sempre soube que fazia porque gostava de dinheiro e de sexo, e sempre soube que tinha condições plenas de ter ido por outro caminho, se quisesse. E é isso que mais gosto na moça. A prostituição para ela, funcionava não como uma última opção para sobrevivência, mas como uma ferramenta filosófica. Sim, exatamente isso, uma ferramenta filosófica. E que acabou resultando num dos blogs mais bacanas da história. Raquel tinha uma inquietude perante a vida que não era sua (era filha de pais adotivos) e refletiu essa inadequação em um comportamento transgressor limítrofe.

 

 

Tá pensando que esse pzisismo aparece no filme? Nem um pouco. O livro sofreu mais do que cortes, sofreu licenças. A Raquel de uma esforçada Débora Secco é vitimizada,  e o papel de vítima não combina com Bruna Surfistinha.

 

Sob esse aspecto o filme é pífio. Mas não deixa de ser uma interessante diversão.

 

Deixe-me Entrar

Lidar com mitos é pra quem pode.

 


 

E Deixe-me Entrar, pode.

Pra começar eu devo dizer que não assisti o original (alemão, eu acho). Por isso, minha visão sobre o filme tem um aspecto único. Acredito que os atores, por exemplo, da outra versão, possam fazer toda a diferença nas impressões. Aqui na versão americana eles são bons, mas sabe como é o americano, quer sempre ganhar uma boa grana.

 

Por isso, Deixe-me Entrar reúne elementos importantes da “fantasia” hollywoodiana, mas faz isso com elegância e não compromete a integridade do filme.

 

A história é simples: um menino loser, que vive sofrendo bullying do ator que fez o filho do Jack em Lost, redescobre valores de amizade quando conhece a nova vizinha, uma menina um pouco estranha, que se muda com o pai para o mesmo prédio. O problema é que a escuridão e frieza do filme logo nos avisam que algo está por vir, e a menina rapidamente apresenta características ameaçadoras.

 

O vampirismo da menina já é anunciado em todo o material de divulgação do filme, mas como ela mesma diz precisa de sangue para viver e isso resume tudo.  Esse descompromisso em afirmar nomenclaturas e repetir as mesmas previsibilidades de uma trama de vampiros, é o maior charme da dramaturgia, que é limpa, sinuosa, não faz drama e nem alarde.

 

 

E as regras estão  lá: não poder ficar exposto ao Sol, não poder morder sem matar para que outros não sejam transformados, não poder entrar sem ser convidado... E a menina avisa: não sei porque é assim, mas é. Aos poucos vamos entendendo as motivações dela em se aproximar do garoto, que conseguiu como uma única amiga em toda vida, uma predadora.

 

Um filme extremamente elegante e que respira uma originalidade acerca do tema que é irresistível. Se eu já curtia o trabalho do diretor Matt Reeves em Cloverfield, já posso dizer que o moço entende do riscado.

Dobrado Por Henrique Haddefinir às 22:19
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1 comentário:
De Monique Bomfim a 16 de Janeiro de 2012 às 13:30
Fico feliz q apesar do óbvio vc tenha gostado de Billy Elliot, pq eu mesma posso ver o filme repetidas vezes e continuar a me emocionar. E a trilha sonora é uma obra prima. Estou louca pra ver o Glee 3D, embora esse negócio de depoimentos de fã me incomodem um pouco, e mais ainda pra ver com vc, vestindo nossas camisas, pulando pela sala e cantando as músicas! Por favor, me permita esse momento.

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