Domingo, 25 de Setembro de 2011

A Fazenda 4 – O Delicioso Reinado da Sociopatia

 

Todo mundo que acompanha esse blog já sabe que eu sou um grande fã do Big Brother Brasil. O programa, desde a quinta edição, vem acertando em cheio (tirando a sexta, claro) no quesito surpresa, psicologia e bom humor. Já falei exaustivamente sobre as qualidades analíticas do programa e do que ele reflete no panorama da sociedade. O BBB é engraçado, tenso, debochado e catártico. A corrente anti-reality show que categoriza a inferioridade intelectual do programa é na maioria das vezes carente de critério. Não assistir ou assistir apenas os minutos iniciais não torna ninguém apto a destilar críticas sobre coisa alguma. Mas enfim, de todos os programas do gênero, o BBB é soberano em forma e estilo.

 

Cortando por fora, a Record decide produzir a mistura de Simple Life, BBB e Casa dos Artistas, passada toda numa fazenda onde celebridades se engalfinham enquanto limpam cocô de cavalo e tomam leite tirado na hora. A primeira edição foi bem pela novidade. A segunda ninguém viu. A terceira todo mundo viu até a metade, mas ninguém se lembra quem ganhou. No ar em sua quarta edição, o programa parece finalmente ter encontrado seu eixo e nos proporciona entretenimento forte e revelador.

 

É bem verdade que para encontrar esse eixo o programa teve que ceder à reprodução de formatos. Insistente em ter uma identidade, A Fazenda começou sua existência criando uma maneira quase totalmente diferente de lidar com o confinamento dos famosos. De parecido com o BBB, apenas o conceito de “líder da semana” e “paredão de eliminação”. A direção do programa resolveu subverter tudo. A votação entre os jogadores era aberta, a escolha do líder era, a cada edição, feita de um jeito diferente, e não havia uma interferência psicológica da organização junto aos participantes. Aos poucos, assim como aconteceu com o BBB, eles foram descobrindo que algumas regras criadas por eles eram fortes mesmo (o pessoal da sede não saber qual participante voltará para dentro da casa no dia da eliminação, sendo obrigados a ficar trancados na sala esperando o retorno do sortudo, é uma idéia ótima), já outras precisavam ser recicladas e aproveitadas para o bem do jogo. Estabelecer um modo único de escolher o “fazendeiro” era uma das mais importantes. Tornaria o jogo mais legível para os jogadores e provocaria mais tensão. A direção encontrou finalmente uma maneira inteligente de fazer isso e acabou contribuindo para o conceito real de manipulação psicológica. Apelar para brincadeiras que coloquem uns contra os outros também acabou sendo necessário. O BBB faz isso com excelência e se nada na TV é original, vamos copiar mesmo o que faz bem ao produto final.

 

A edição da Fazenda ainda se leva a sério demais, mas já começou a melhorar. O “perfil” dos participantes que estão no “paredão” também acabou aparecendo nas últimas eliminações vistas nessa edição. É um clássico do BBB. Assim como o discurso de Pedro Bial, que um sempre apático Britto Jr. começou a tentar reproduzir.

 

No entanto, a melhor mudança para a Fazenda é a escolha dos participantes. Acertaram na primeira edição, mas competência mesmo tiveram agora. Praticamente TODOS os escolhidos renderam alguma coisa de boa para o programa. Os que ainda estão lá também representam sucesso, assim como os que já saíram. O reflexo desse cuidado com os escolhidos foi um show de desequilíbrio emocional entre eles. A sociopatia de Dado Dolabela na primeira edição era só uma preparação para a quase psicopatia de Gui Pádua nesse ano.  Outra vantagem do programa sobre o BBB. Os vilões da versão global eram insuportáveis às vezes, mas nunca ultrapassaram a barreira da humanidade, como fez Gui. Talvez o homofóbico Rogério, do BBB5 tenha sido o que mais se aproximou dessa investida cruel sobre outro participante, mas de fato Gui Pádua tem tantos traços de um desvio social grave que chega dá medo. Um machismo enraizado absurdo e um total descaso pelos sentimentos alheios. Tudo mascarado numa postura pseudo-esportiva de quem “joga as regras do jogo”. Num jogo que lida com a vida, as regras só se aplicam se isso não atinge ninguém e nem o que o público aqui espera de você.  Os talentos persuasivos de Gui Pádua iam tão longe que mesmo antes de sair, deu sua última cartada, envenenando Joana e garantindo que ela não teria chances de chegar ao final.

 

Se Monique Evans ganhar o programa, também terá algo em comum com o BBB, que deu uma maldita segunda chance a Marcelo Dourado e o fez vencedor de uma infeliz edição de homenagem à intolerância. Espero que ela ganhe. Será uma vitória da segunda chance muito melhor que a do BBB.

 

Torço para novas edições de sucesso. Serão dois ótimos reality shows no ano e muitas garantias de loucura, pressão, analogia psicológica e uma deliciosa frivolidade.

Dobrado Por Henrique Haddefinir às 22:54
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