Quinta-feira, 25 de Agosto de 2011

Sala de Projeção

Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 2

David Yates encerra com louvores a saga do personagem literário mais relevante do cenário mundial nos últimos anos.

 

 

Quando Chris Colombus recebeu nas mãos a importante missão de levar às telas o primeiro livro da série de JK Rowling, ele provavelmente não acreditava na capacidade que a saga teria de conquistar também o cinema. A critica não recebeu bem o infantilismo com que a adaptação apresentou o bruxinho aos que não pretendiam ler o livro. Harry Potter e a Pedra Filosofal foi escrito para crianças, mas era cheio de mistérios e coisas assustadoras.  Foi apenas com Guilhermo Del Toro em Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban que as portas para a verdadeira essência da obra de Rowling foram abertas. A escuridão e o medo foram incorporadas à adaptação.

 

A esperada última parte acabou sendo dividida em duas, para alegria dos fãs, e o que pudemos ver em julho, foi a despedida cinematográfica mais respeitosa do cinema atual. A grandiosidade desse respeito se compara apenas ao que vimos em O Senhor dos Anéis. O tamanho da importância desses filmes fica ainda maior quando pensamos que foram oito filmes, dez anos e muito trabalho mantendo o mesmo impressionante elenco fixo, que cresceu ao mesmo tempo que os espectadores.

 

As poucas licenças dramáticas feitas pelo diretor desde Harry Potter e o Cálice de Fogo (quando assumiu) não prejudicaram em nada o universo do personagem e algumas vezes, ajudaram a criar as expectativas necessárias para os que não conheciam os livros.

 

Essa parte 2 é tão tensa, mas tão tensa, que não dá pra respirar. Os momentos mais importantes estão lá em toda sua força e Daniel Radcliff além de muito bonito, conseguiu finalmentemalmentear todas as dores e angústias do de Harry.

 

O último livro, um desbunde de competência de Rowling, tem só um problema: o final que não condiz com a trajetória trágica do personagem. Até a cena da estação, tudo é de uma coerência fora do comum, mas as cenas posteriores também refletem o compromisso da escritora com os fãs.  O filme, exatamente porque respeita o livro, também tem nessas sequências a sua maior fraqueza. Yates preferiu não dar muita vazão à carga emocional provocada pelas mortes de Fred e Lupin (para não prejudicar a ação, diga-se bem), mas com isso, Dobby, que quase não apareceu nos outros filmes, acabou tendo mais apelo emocional quando se despediu no final do filme anterior.

 

Mesmo assim, tivemos um espetáculo para apreciar digno do Oscar que até hoje a academia não deu. Harry Potter mudou a minha vida, me alegrou por uma década e saiu imaculado do cenário artístico mundial.

 

Rango

Lagarto esquizofrênico é engraçadinho, mas não salva o filme do roteiro fraco.

 

 

O trailer de Rango nos enche de expectativas, mas depois de meia hora de filme, você percebe que nada vai acontecer de tão cool assim. A história é previsível, o carisma de Rango é discutível, os coadjuvantes são assustadores e o filme é incrivelmente longo para uma animação. A principal qualidade da produção é justamente o fato dela ser meio asquerosa. Meio nojenta. Com aqueles moradores sujos, cuspindo, babando, durante o filme todo. Um exemplo do completo descompromisso da audiência com os pequenininhos é o pesadelo de Rango, com cactos virando chocalhos de cascavel e outras metáforas medonhas de assustar qualquer criancinha. Vale pelo critério, mas você não perde nada se não vir.

 

O Ritual

Anthony Hopkins expulsa o capiroto em filme que você não daria nada pela capa, mas que dá um medão do caramba.

 

 

Era pra eu ter visto esse filme no cinema. Fui duas vezes e não consegui. Acabei locando, mas não perdi o impacto dessa história “real” que nos apresenta um exorcista nada convencional. Hopkins vive um padre experiente em colocar o cramunhão pra correr, e fica incumbido de ensinar as técnicas para um cético colega. Os diferenciais desse filme são muitos, mas o momento chave pra entender isso é na cena em que Hopkins faz o primeiro ritual, que ele interrompe no meio para atender o celular. O clima do filme é ótimo, tenso, tudo fica em suspenso. A atriz que faz a possuída grávida é ótima e as duas facetas de Hopkins são irresistíveis. O roteiro não é muito original, mas conduz o espectador com coerência, em meio a uma direção acertada que privilegia o psicológico e não o susto. E ainda temos Alice Braga dando o ar da graça muito competentemente.

 

Demônio

Se você é um demônio ocupado, não vá de escadas. Vá de OTIS.

 

 

M.Night Shyamallan é um diretor que eu adoro, mas que admito que não vai bem das pernas. Desde de A Vila que ele começou uma espiral de fracassos que chegou ao seu apogeu com O Último Mestre do Ar. Agora, ele começou uma nova fase, voltando ao terror e suspense que o consagrou, com a primeira parte de uma trilogia chamada As crônicas da noite. Demônio conta a história de um grupo de pessoas presas num elevador que está habitado pelo diabo em pessoa. Dentre os cinco, um é o dito cujo disfarçado.

 

O clima do filme é ótimo! O roteiro se apoia numa lenda latina que ajuda a história a ganhar seriedade e o elenco é muito digno. A expectativa sobre a identidade do capiroto torna a revelação ainda mais intensa, e o bom texto contribui para a catarse do momento.  Ainda não sei se as próximas duas crônicas terão conexão com essa, mas a estreia foi bem divertida. Shyamallan não dirige o filme, mas “Demônio” é sem dúvida, um dos melhores filmes de terror dos últimos anos.

 

O Discurso do Rei

Fuck... Fuck... Fuck... Oscar!Oscar!Oscar!

 

 

Hollywood adora os filmes de superação. É o maior dos clássicos. Está por toda parte. Já tivemos o criminoso que finge ser policial e acaba ajudando a polícia, já tivemos o policial que finge ser professor e muda a vida dos alunos, já tivemos a cantora de boate que finge de freira e agita as estruturas de um convento, já tivemos a menina que não sabe dançar e desabrocha num concurso, já tivemos o garoto que se torna um homem de 30 anos magicamente e com isso melhora a vida dos adultos em volta. Já tivemos a mãe que vira a filha e percebe coisas inesperadas e já tivemos o contrário. já tivemos a superação em todas as vertentes possíveis. Em todos os casos, sem exceção, a estrutura do roteiro é a mesma: a dificuldade do início, quando a dinâmica personagem-problema e personagem-solução precisa ser estabelecida. Depois, temos sempre os cortes rápidos que mostram como essa dinâmica começa a funcionar. Tudo para então, termos o obrigatório momento em que essa dinâmica é interrompida por alguma revelação. Geralmente a revelação diz respeito ou ao segredo do personagem-problema (sou um garoto de 13 num corpo de 30, por exemplo) ou ao personagem-solução (não sou um professor de primário de verdade, por exemplo), mas o momento segue-se sempre da mesma forma. A mentira ou a omissão causa uma turbulência, só para depois ficar claro que essa mentira/omissão não afetou o resultado dessa dinâmica. Aí partimos para as sequências de reconciliação e assentamento das tensões. Vem o final feliz, por fim.

 

Reconheceu a estrutura de O Discurso do Rei nisso tudo? Pois bem, você não está enganado. O roteiro do filme, sem aquele painel histórico, seria como qualquer filmão pipoca de superação da Sessão da Tarde. Seria igualmente bom, mas não teria sido superestimado como foi. É aí que reside a inteligência do diretor, que revestiu de competência e beleza a sua direção cheia de planos inesperados, enquadramentos não-convencionais, e que coroou isso com um elenco impecável, que soube retratar com paixão cada um daqueles ícones históricos.

 

Tom Hooper usa os mesmos clichês dos filmes de superação para ganhar o Oscar, sobretudo porque faz isso com uma sensibilidade única.

 

Ainda acho que Cisne Negro foi mais ousado e desbravador, e que exatamente por isso merecia o prêmio maior. O Discurso do Rei é bom, mas é seguro demais. E deve-se premiar o seguro e confortável, apenas quando não podemos incentivar o que nos tira do lugar comum.

 

Dobrado Por Henrique Haddefinir às 18:48
Link | Dobre (comente) | favorito
|

Tudo Sobre Ele

Pesquisar Dobras

 

Setembro 2012

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30

Ontem

Voltamos já...

Fundo Sem Garantia

Um "Eu Amo GLEE" enorme n...

Glee, sua linda.

A Cabecinha do Hond#$%@##...

Sala de Projeção: Marilyn...

Titanic 3D

Agora sim...

Tô quase me rendendo...

Thammy Ae!

Vida Real Pra Quê?

Lua de Sinteco

Sala de Projeção

BBB12 - Selva Dentro e Fo...

M-A-D-O-N-N-A Pra Quem En...

Páginas Viradas

Setembro 2012

Agosto 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

Outubro 2006

Setembro 2006

Agosto 2006

Julho 2006

Junho 2006

Maio 2006

Abril 2006

Março 2006

Fevereiro 2006

Janeiro 2006

Dezembro 2005

Novembro 2005

Outubro 2005

Setembro 2005

Agosto 2005

Julho 2005

Junho 2005

Tags

todas as tags

Links

Autógrafos

Assine meu Livro
blogs SAPO

subscrever feeds