Quarta-feira, 22 de Junho de 2011

Arquivo X – Quase vinte anos de conspiração – Season 2

               

                A surpresa da audiência diante da Inteligência dos roteiros de The X-Files resultou para série, depois de uma primeira temporada de ajustes, em uma bem-vinda renovação de contrato. A Fox deu sinal verde para a segunda temporada, meio ainda sem acreditar que aquela história sobre ciência e teoria chegaria a algum lugar além desse segundo ano.

                A verdade veio  com os primeiros prêmios Emmy e Globo de Ouro. Uma pesquisa rápida em forúns de discussão já deixava claro que a série já era um fenômeno de apreciação intelectual, com uma mitologia em definição que merecia toda a atenção.  A segunda temporada estreiava em 16 de Setembro de 1994 e nem imaginava que seria o rito de passagem para o estrelado mundial.

 

                Gillian Anderson, que dependeu da teimosia de Carter para permanecer na série, acabou engravidando no final da primeira temporada. O choque foi total. A atriz, que sabia que nunca tinha sido a primeira escolha do canal, entrou em pânico e prometeu fidelidade eterna ao criador da série se ele a mantivesse no programa (o que acabou se confirmando nos anos em que Duchovny começou a se desligar do programa).  Carter então começou a tentar encontrar alternativas para solucionar a ausência iminente de Scully de alguns episódios. As decisões criativas tomadas na ocasião resultaram numa maturidade mitológica que elevou Arquivo X ao status de genialidade.

 

                Vamos então aos dez melhores episódios da segunda temporada:

 

“Homenzinhos Verdes” -  2X01

A primeira temporada terminou sem certeza de retorno e por isso a história fechava com o encerramento do departamento chamado “Arquivo X”.  Esse primeiro episódio mantinha essa atmosfera de incerteza, com Mulder e Scully separados e mantendo contato clandestinamente.  O episódio tem um dos epílogos mais bonitos da série, com um texto ótimo sobre a sonda de contato alienígena lançada pela Nasa em busca de vida em outros planetas.  Mulder tem mais contatos estranhos com essas forças e também é nesse episódio que a mitologia sobre sua irmã desaparecida se torna um dos carros-chefe da trama. O segundo informante de Mulder, o Mr.X, também aparece pela primeira vez aqui. Vale lembrar que o prestígio de Glen Morgan & James Wong como roteiristas crescia tanto que eles tiveram a responsabilidade de iniciar a temporada.

 

“Duane Barry” – 2X05

Um dos maiores clássicos da série, o episódio sobre o repetente (abduzido várias vezes) Duane Barry foi a solução que a equipe de Carter encontrou para garantir a ausência de Scully.  Com medo de ser levado novamente, Duane sequestra a agente e ela é abduzida em seu lugar. O choque dos fãs na época foi imenso. Nenhum programa até então tinha colocado seus protagonistas sob tensão tão original, garantindo que essas mudanças afetassem a vida deles permanentemente. A abdução de Scully virou o divisor de águas da série e transformou a personagem num ídolo. O sucesso de Gillian estava garantido. A partir dali, a cética Dr. Scully se tornou indispensável.

 

“A Ascensão” – 2X06

Segunda parte do episódio duplo que mostrava a abdução de Scully,  “A Ascensão” demarcou as coisas, mostrando a Mulder que a conspiração envolvia muito mais do que ele esperava. Aqui, seu parceiro Krycek, enviado para substituir Scully, se revela também uma peça das mentiras que flutuavam no FBI. Krycek também acabou virando um elemento importante para a mitologia, um dos muitos personagens periódicos da série que quando apareciam, significavam momentos de muita tensão. Junto com ele, O Canceroso parou de ser um figurante silencioso no fundo da cena e ganhou voz. Já ficara claro que ele era o maior rival de Mulder.

 

“Irresistível” – 2X13

O mau, sob o ponto de vista da psicologia, se mescla aos submundos mais desconhecidos da mente humana. Ele é variável de acordo com o nível de consciência que se tem a respeito dos efeitos de determinada ação sobre o oponente.  O episódio ” irresistível”  fala do mau. O mau em sua forma bruta. E Scully é que acaba ficando frente a frente com essa manifestação. Na história, o coveiro Donnie Brasco se revela um serial killer com um fetiche incontrolável por cabelos femininos.

 

“Os Adoradores das Trevas” – 2X14

A dupla Morgan & Wong volta á cena com um roteiro que é uma verdadeira pérola de terror e inteligência. Imagine que na sua cidadezinha, no seu colégio, o diretor, o coordenador, a associação de pais, todos com um propósito moral de prestar serviços de apoio ao aluno, escondessem um grande segredo? O teaser do episódio é impressionante, Kim Manners dá uma aula de direção. A história passeia pelos conceitos de magia negra e Mulder e Scully têm uma ajuda na investigação que só pode ser considerada no mínimo, intrigante. Há uma piada interna nos créditos do episódio, com os nomes dos roteiristas incluindo alcunhas sem sentido comum. O episódio também tem a famosa cena dos sapos caindo do céu.

 

“A Colônia” – 2X16

A primeira parte do episódio duplo que vai fundo nos mistérios que envolvem o desaparecimento da irmã de Mulder, tem uma discussão genética interessantíssima, que se apóia nos eventos iniciados no final da primeira temporada. Começa a manipulação emocional com Mulder, em que o Sindicato (como ficou conhecido o grupo de homens que parecia dominar os segredos conspiratórios) traz à tona várias versões falsas de Samantha Mulder afim de com isso, distrair ou remanejar as atenções da investigação do agente. Primeiro episódio em que David Duchovny se envolve em mais além do que a atuação.

 

“A Fraude” – 2X20

Conhecida como uma das temporadas mais sombrias da série, essa segunda jornada poderia mesmo levar esse título. Darin Morgan resolveu escrever uma história sobre aberrações de circo. O resultado é um dos episódios mais surpreendentes e nojentos da série.  Entre os momentos de loucura estão mulheres barbadas, comedores de coisas vivas, auto-mutilações, gêmeos siameses e Scully comendo insetos. Imperdível!

 

“Os Calusari” – 2X21

Sarah B. Charno escreveu dois episódios nessa temporada: um muito ruim e outro muito bom. Os dois serão mencionados nesse post, mas aqui Os Calusari  ganha destaque como um roteiro sombrio, sagaz e assustador. O “calusari” do título diz respeito a uma categoria de sábios da cultura judaica que são responsáveis pela manutenção espiritual de seu povo. Na história, um bebê morre misteriosamente num parque temático e Mulder começa a desconfiar do irmão de oito anos da criança. A trama gira em torno de fé e possessão demoníaca e tem um desfecho impressionante que deixa qualquer um de cabelo em pé. Destaque para a suástica, que aqui aparece como um símbolo de proteção espiritual.

 

“Nossa Cidade” – 2X24

 

Aquele se tornaria o maior parceiro de mitologia do criador da série, chega à equipe do programa com esse Nossa Cidade. Frank Spotnitz começa com um episódio solto, mas já mostra a que veio, com uma história embasbacante sobre canibalismo. Se você acha impossível que galinhas e decapitações humanas sejam impossíveis num mesmo roteiro, assista esse episódio. Nele temos o já conhecido por papéis cômicos Gary Grubbs, vivendo um policial sério.

 

“Anasazi” – 2X25

Cadáveres de possíveis alienígenas são encontrados numa reserva indígena e isso é o suficiente pra deixar Mulder completamente transtornado.  Aqui, começa a lenda das trilogias perfeitas que permearam a série, com Mulder e Scully agindo juntos, mas separadamente. Cada um destrinchando uma pista, numa fórmula que consagrou o programa. Tudo nesse episódio é especial, desde a dinâmica dos protagonistas até a frase de abertura que escreve The Truth is Out There em língua navajo. O episódio é muito marcante para os grupos de defesa UFO, já que os arquivos MJ entregues à  Mulder são velhos conhecidos das teorias ufológicas que circulam até hoje nos sites e revistas especializadas.  Não houve um só especialista ou simpatizante das teorias UFO’s que não saiu da primeira parte dessa trilogia, satisfeitíssimo.

 

 

No entanto, os erros cometidos na primeira temporada não foram totalmente corrigidos e a segunda temporada também têm suas pérolas de desvio criativo. Nada que afete a qualidade da série como um conjunto, mas que valem a pena serem lembrados.

 

“O Hospedeiro” – 2X02

Não sei porque raios Carter achou que valia a pena escrever um episódio sobre um verme gigante escondido nos esgotos. Cometeu o mesmo erro que em O Demônio de Jersey. Houve algum festejo com o episódio por conta da ousadia da equipe de efeitos especiais, mas enquanto roteiro, o episódio é fraco e arrastado.

 

“Sangue” – 2X03

Quem diria que a dupla Glen Morgan & James Wong tropeçaria na qualidade segmentada de suas histórias, mas em Sangue os dois erram a mão muito feio e escrevem um episódio chatíssimo sobre mensagens subliminares.  O orçamento adorou, quase nenhum gasto com ação e efeitos, mas quem saiu perdendo foi o espectador.

 

“Aubrey” – 2X12

Sarah B. Charno fez bonito com Os Calusari, mas antes peidou na caneca com um episódio que até tinha uma idéia boa, mas que por conta de uma atriz ruim e um roteiro frouxo  acabou sendo penoso. A história falava sobre os impulsos assassinos que podem ser transmitidos através das gerações, mas o que fica bom aqui na sinopse não funcionou na tela. Pobrezinho do Terry O’Quinn, que pedia pelo amor de Deus por uma oportunidade na TV e acabou fazendo um episódio péssimo na temporada. Sua sorte foi que Carter ia muito com sua cara e usou-o outras vezes na série, dando-lhe mais tarde um personagem fixo na fantasmagórica Millennium.  No entanto, só no ano de 2004 – anos depois do fim de Millennium – que ele redescobriu a fama quando entrou numa sériezinha de mistério chamada LOST.

 

“O Navio Fantasma” – 2X19

Howard Gordon & Alex Gansa são os campeões de equívocos e aqui escrevem mais um. A trama sobre um navio perdido na fronteira com uma fenda temporal parecida com a do Triângulo das Bermudas, poderia ser perfeita se os roteiristas não tivessem achado que Mulder e Scully precisavam VIVER os efeitos de envelhecimento precoce provocados pela fenda. A verossimilhança do episódio vai por água abaixo quando vemos os agentes com uma maquiagem exagerada, passando dias no navio sem um pingo de ação ou surpresa. Salvos no último minuto – mais uma vez – saem de uma experiência quase fatal de dias como se nada tivesse acontecido. Esse aliás, é um dos problemas desse tipo de formato narrativo: por mais que pelo bem da ação os protagonistas precisem passar por situações limítrofes, há de se ter um equilíbrio, ou tudo para de ter relação com a vida e vira mitologia de HQ, o que aqui, não se aplica.

 

“Luz Suave” – 2X23

Vince Gilligan, hoje responsável pelo grande sucesso Breaking Bad, escreveu esse episódio que fala de um homem com uma sombra assassina. Isso mesmo. Um Peter Pan mortal. A sombra do cara era assassina. Você pisava na sombra e Bam!! Morria. Virava carvão. Isso mesmo. Sombra assassina. Pisou, morreu. Sombra Assassina. Precisa dizer mais alguma coisa? O intérprete do famoso Monk é que estrelava o episódio.

 

See you in the thrid season...

Dobrado Por Henrique Haddefinir às 20:04
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