Quarta-feira, 8 de Junho de 2011

Argumento em Série - Body Of Proof

 

Existem, no mundo em ebolição das séries de TV, dois tipos de fãs distintos: os que apreciam a trajetória e os que apreciam a forma. Eventualmente, surgem fãs que abordam essas duas maneiras de entender uma série, mas geralmente há uma separação bem específica de ambos.

 

Eu faço o tipo que aprecia a trajetória. Ou seja, tenho uma admiração maior por séries que costuram uma narrativa fragmentada, que exige um nível máximo de atenção e fidelidade, que despejam lentamente ao longo dos episódios, pistas que ajudam a chegar ao núcleo motivador daqueles personagens. E não pensem que são assim apenas as séries de mistério, como Lost, The X-Files ou Fringe. Se o roteirista for esperto, pode unir sua série da mesma atmosfera "caso da semana" sobre a qual falamos, com uma boa costura narrativa que exige mais de um episódio pra ser resolvida. Algumas séries que geralmente se situariam nessa categoria sistemática do "caso da semana", exatamente por estarem entendidas como "policias", "médicas" ou "familiares", conseguiram ir além desse clichê e nos presentear com bons plots de natureza longuilínea. Alguns exemplos são: The Shield, uma série policial com casos semanais e ao mesmo uma costura interna que fazia crescer uma tensão em torno dos crimes cometidos pelo protagonista. Outro bom exemplo é Grey's Anatomy, que faz da vida pessoal dos médicos uma grande parte de sua estrutura narrativa (embora esses dramas funcionem mais como uma extensão anual). Dramas adolescentes como Dawson's Creek , Gilmore Girls e The OC, também extendiam suas tramas para além da "temática da semana" e preparavam os personagens para ordens de comportamento continuativas. Com dramas como Sopranos, True Blood e The West Wing, a continuidade era imprescindível, porque suas evoluções dependiam de arcos longos de desenvolvimento.

 

Enfim, estou falando tudo isso porque dessa maneira fica mais fácil entender o outro lado da moeda: as séries que são apenas "o caso da semana". E por mais que os protagonistas vez ou outra incorporem um fator pessoal à sua rotina, no fim das contas essas séries trabalham todas com a premissa de que seus "heróis" e suas habilidades são sempre o foco principal. E na atualidade televisiva, esses protagonistas todos têm a mesma coisa em comum: são profissionais quase mágicos em sua área e sofrem todos de uma disfunção social gravissima. Temos a capacidade de diagnóstico absurda de House, a capacidade de desvendar mentes de The Mentalist, a capacidade de desvendar mentiras de Lie to Me, a capacidade de disfarçar-se sob qualquer perspectiva de The Closer, a capacidade de entender um cenário de desaparecimento de Without a Trace...  e por aí vai. Todos com uma coisa em comum: vidas pessoais despedaçadas e personalidades perturbadas. Nessas séries, predomina a trama policial-médico-científica, e as vidas dos protagonistas são só um pano de fundo para moldar suas atitudes inesperadas (ou pelo menos eram antes do House) de choque social. Elas têm todas a mesma estrutura narrativa: caso complicado, desenvolvimento de reviravoltas, especulações erradas sobre o assassino, coadjuvantes como alívio cômico e o protagonista desvendado o crime com uma sacada que ninguém previa. E nessa estrutura, várias dessas séries encontram prestígio e longevidade.

 

Não sabemos ainda se esse será o caso de Body Of Proof. Estrelada por Dana Delaney, a série tem essa mesma fórmula e em seu caso, temos uma médica legista que fora uma brilhante cirurgiã e que depois de um acidente tem que abrir mão da carreira e passar a estudar cadáveres para solucionar crimes. A premissa de que um corpo esconde os segredos de sua morte é muito boa e a série tem uma maneira competente de nos entregar essa estrutura do previsível dentro do imprevisível. Ou seja, pelo tipo de série em questão, sabemos que o final será uma surpresa e que o assassino ou o motivo da morte, não serão aqueles sugeridos durante o episódio. Então nos deixamos "surpreender" pelo que já sabemos que será uma surpresa.

 

O elenco é bom e Dana convence como uma mulher que negligenciou a família pelo trabalho e acabou perdendo a chance de exercer esse ofício. Ela então tem que se adaptar à nova realidade e tentar recuperar o amor da filha e (pelo jeito) do marido.

 

Houve algumas comparações com House, que até se justificam enquanto estrutura narrativa, mas Megan está longe de ser o monstro social que House é, e essa divulgação velada a respeito de sua incapacidade de convívio social logo se revela um embuste. A grosseria e insensibilidade de Megan vão ficando pelo caminho e no final de uma temporada de apenas nove episódios, já temos uma mulher respeitada pelos colegas, com uma relação de amizade consolidada com o parceiro (vide a relação entre House e Wilson), uma clara evolução maternal e uma profusão de emoções diante de casos que representem algum de seus dramas pessoais. Enfim, menos de dez episódios já parecem ter resolvido as mazelas sociais da protagonista, então, qual será o futuro de Body Of Proof?

 

Pelo visto, esse futuro estará situado nas tentativas de Megan de recuperar o marido. Depois de um fraco Season Finale, que não desenhou nenhuma perspectiva que não fosse a tensão entre Megan e a chefe Kate (que agora transa com seu marido), parece que os roteiristas não pretendem entregar aos fãs nada além dessa fórmula "cadáver semanal" que a série, reconheço, tem uma imensa competência em realizar.

 

A temporada 2011/2012 já aprovada para Body of Proof é sua chance de demarcar a qual categoria narrativa pretende fazer parte. Se será só mais um "mais do mesmo" de categoria avançada... ou se nos desafiará com turbulências menos previsíveis.

Dobrado Por Henrique Haddefinir às 18:50
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1 comentário:
De Monique Bomfim a 9 de Junho de 2011 às 18:48
Não acho que Megan tenha ficado brava com a relação de Kate e Todd por ainda gostar dele, e sim pela proximidade com os dois, acho uma situação estranha. E também não creio que um dos rumos da personagem seja lutar pelo amor dele, uma vez que a ideia é que ela siga em frente. Tomara que apareça outra pessoa ou que ela e Peter comecem algo, porque esse triângulo amoroso simplesmente não vai funcionar.

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