Terça-feira, 22 de Março de 2011

BBB Pra Quem Entende

 

São 00:32. No quarto do líder, Wesley assiste a um filme com Diana e Rodrigão. Na varanda, com seu diálogo quase inacreditavelmente ingênuo, estão Maria e Daniel. De repente, uma constatação nasceu no meu senso crítico tão forte a ponto de me fazer ter coragem de proferí-la em voz alta: eu gosto muito mesmo do Big Brother Brasil.

 

Vou poupar a todos dos argumentos de praxe. Essa coisa toda de ser um bom exercício de observação psicológica (e é) ou um ótimo estudo sobre a pequenez humana (o que também é), qualquer pessoa que tenha um mínimo de bom-senso e direcione sua inteligência para a avaliação crítica e não depreciativa, sabe que a fórmula do programa é digna de atenção e visão. Diferente do circo de vaidades e personagens prontos que vemos em programas semelhantes que confinam celebridades, o BBB tem uma qualidade que nenhum deles têm: a verdade pessoal de cada participante que em algum momento, e isso sempre acontece, deixam vir à tona todas as suas verdadeiras mazelas. Ao invés de trabalhar para manter a fama (como na Fazenda), os participantes do BBB buscam por ela, ou pelo dinheiro que vem com ela e essa é no fim das contas, a receita para que suas atitudes se destaquem para o sentido correto: vale tudo para ficar e aparecer. Já o lema do pessoal da Fazenda é: não vale tudo se você ainda quer um papel na Globo. O total anonimato de alguns participantes como Daniel, Paula, Diogo e Wesley também ajuda. Gente que sabe que não vai ser artista e que com isso foca no prêmio. De qualquer jeito, no final das contas, a estranha mágica do BBB é infalível. São os loucos que entram lá. É Pedro Bial com um carisma absurdo. É a edição ousada, maldosa, tendenciosa (a verdadeira e cabível manipulação). Algo nesse programa ultrapassa o zoológico humano dos argumentos depreciativos para nos dizer: estamos sempre observando o alheio e tá na hora de deixar a hipocrisia em casa vendo a TVE.

 

Há uma semana da final, se o paredão de hoje a noite eliminar o Rodrigão, essa terá sido a final mais tranquila de todas as edições, na minha opinião. Até porque, na primeira eu não queria o BamBam (e sim o André), na segunda a estrela era Manuela, mas o Rodrigo ganhou para agradar aos seus votantes moralistas. Na terceira o Dhomini merecia pela sua jogada rápida de carisma, mas Sabrina era a o material de seu sucesso. Na quarta edição todo mundo queria ser bonzinho com a probrinha Cida, e no final das contas não tinha nenhum jogador bacana para ganhar no lugar dela. Jean ganhou a quinta edição e essa foi a minha primeira grande alegria (embora Grazi tivesse minha simpatia). Na sexta ganhou a Mara, outra pobrinha que era mesmo a única opção diante da mais fraca de todas as edições. Na sétima eu reconhecia o protagonismo do Alemão, mas novamente, era uma mulher a raiz de seu sucesso. Na oitava edição eu fiquei péssimo quando o Rafinha ganhou em detrimento de outros grandes participantes como Marcelo e Ana. Até Gisele merecia mais do que ele. O mesmo aconteceu na nona edição, onde Priscilla mostrou que uma mulher pode ser vaidosa, gostosa e mesmo assim, inteligente. Max, um homem-pasteurizado e cheio de inverdades acabou ganhando. Ele era o equivalente de Dado Dolabella, no que dizia respeito a discursos feitos e ditos para tocar os corações de adolescentes e donas de casa que ainda acreditam no mito do “rebelde incompreendido”. A décima edição teve a final mais hedionda da história do programa. Marcelo Dourado retorna ao programa, para a sorte da produção, para protagonizar o embate homofóbico mais equivocado que já vimos na TV. Sua figura claramente homofóbica e machista intimida os gays Dicesar e Serginho, que reagem com agressividade numa evidente necessidade de autopreservação. Essa postura deles é entendida pelos heterossexuais como heterofobia (uma termologia cheia de significados ignorantes e infundados) e então nasce um movimento que é um atraso no nosso processo de esclarecimento: a máfia dourada. Nessa final do BBB10, assistimos o país premiar o machismo, a violência e o preconceito.

 

 

Agora, se Rodrigão deixa o programa hoje, ficarão quatro participantes que podem ganhar o programa sem problema. Qualquer um deles tem a minha simpatia e a minha torcida.

 

Nessa reta final, Maria, que odiei muito enquanto ela sofria a influência de Talula, foi de bruxa a princesa. Sua inocência social ficou mais evidente e seu espírito infantil menos caricato. A saída de Maurício também foi fundamental para que conhecêssemos o que de melhor ela tinha a oferecer. Bonica e sua produção devem todo o BBB11 à ela. Seu triângulo com Maurício e Wesley movimentou o miolo do programa e salvou-o da estagnação e irrelevância.

Wesley é de longe, um dos participantes mais ternos que o programa já teve. A insistência de Bial em desmerecer os objetivos do rapaz dentro dessa dramaturgia até me irrita às vezes. Cheio de educação, gentileza, caráter e generosidade, o rapaz depois que viu seus detratores irem embora, cresceu e apareceu. Desenvolveu uma comovente amizade com Diana, que no início era sua inimiga. Ficou mais amigo ainda de Daniel e criou um laço carismático e terno com Maria. Essa semana, enquanto tentava cuidar de um machucado em Daniel e ouvia seus impropérios movidos a álcool, acabou protagonizando um belo episódio de carinho e cuidado.

Diana é a zebra. Boa pessoa, intensa, passional. Tirando os exageros que cometeu ao lidar com Adriana, teve uma boa história dentro do programa. O mesmo para Daniel. Merecedor da grana e cheio de comicidade e bondade, provavelmente vai ganhar e manter a tradição dos vencedores homens.

 

Qualquer um deles que ganhar, será bacana. Terá sido justo e coerente. E se essa for mesmo a última edição, terá sido um bom fechamento. Eu, como espectador, vejo o programa ir chegando ao fim com aquela tristezinha que fica sempre que esse momento se aproxima... Chegar em casa correndo na terça e no domingo... não conseguir dormir nos dias de festa... odiar e amar gente louca que nem sabe que você existe. Quando o programa chega nesses últimos dias em que não tem mais intriga e tudo é presente e festa, e quando a edição começa a privilegiar os humanos e não os jogadores, a vontade de que o confinamento continue fica ainda maior.

 

Dizer que o BBB não é interessante é o mesmo que dizer que não são interessantes as pessoas. E toda pessoa é interessante a seu modo.TODA. E jamais quero dar uma brecha para a pretensão de achar que não. Eu vejo BBB porque as pessoas me interessam. Não importam de onde vierem, com quem elas transam, a quem elas amam, qual livro elas lêem e mesmo se lêem. Não importa se ficam nuas em revistas ou fazem escândalo para as câmeras.As pessoas me interessam e graças a Deus por isso. Estou melhor do que você leitor, que faz cara feia enquanto lê esse artigo. E viva a superficialidade de espiar a vida dos outros (melhor que seja num programa de TV feito pra isso)! O BBB é diversão bruta para os que se dão o direito de entender que ser inteligente não é só enaltecer o que já nasceu para ser admirado. Ser inteligente também é ver complexidade no que pode ser inicialmente simplório. Assim como um poeta entende versos na morte... Assim como um plástico visualiza esculturas nos restos. 

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Dobrado Por Henrique Haddefinir às 17:37
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