Sábado, 8 de Janeiro de 2011

Sala de Projeção

 

“Chloe”

 

Tem um time de atores de hollywood que quando estampam seus nomes nos cartazes dos filmes, já sabemos que tipo de película estamos prestes a assistir. Se o cartaz tem o Adam Sandler, você já sabe que vai ver umas piadas escatológicas. Se tem a Julia Stiles é porque veremos um romance açucarado metido a alternativo. No caso do elenco de Chloe, você já sabe que o Lian Neeson não vai fazer piada e muito menos que a Julianne Moore vai ser uma mulher alegre e extrovertida. Você já sabe que todo mundo vai sofrer e chorar muito. Então, o que você pode fazer é dar mais atenção à Amanda Seyfried, com seus olhos arregalados, oriunda da série Verônica Mars, que já atuou numas comédias e que faz aqui, pela primeira vez, um personagem mais denso.

 

Infelizmente, Chloe peca pelo seu roteiro frágil e previsível. O clichê de todos os filmes que falam de traições conjugais e amantes psicopatas, e que vieram depois de Atração Fatal. E com uma péssima tentativa de fazer a diferença.

 

 

A história é aquela mesma: mulher acha que o marido está sendo infiel e contrata uma menina safadinha para seduzir ele. Todo mundo já sabe que aquilo vai virar um estranho triângulo amoroso e que o legado maldito de M. Night Shyamallan e seus finais-surpresa vai funcionar aqui também. Mas isso nem é um problema; eu até gosto de fórmulas. Não tenho a pretensão de homenagear o original porque o original não existe mais há muito tempo. Talvez Matrix tenha sido a última grande evolução de técnica e linguagem que vimos. O problema todo é que nem usar o básico bem, eles usam. Chloe já cai na apatia tão logo percebemos que esse é um filme que acha que vai impressionar, mas não vai. Primeiro que – me desculpe a Julianne Moore – se eu quisesse surpreender com um papel dramático, jamais escalaria a dita cuja pra ele. O dia que ela aparecer peidando numa comédia do Judd Apatow aí sim, eu vou me surpreender. Mas por enquanto ela só está fazendo o que esperam dela. Está fazendo bem, pelo menos, mas de surpreendente não tem nada, coitada. O diretor a escala porque sabe que ela vai tremer a boca, lacrimejar muito e dar umas mamadinhas sem grilo no peitinho da Amanda.

 

 

 

E é nesse emaranhado perigoso de conceitos pré-concebidos que cai o pobre do diretor. Escala a Julianne porque ela vai ser “densa”. Escala o Lian Nesson porque ele é o veterano charmoso que vai – só pra ele, né? – despistar o segredo final. Escala a Amanda porque ela tem carinha de anjinho e todo mundo vai achar incrível ela fazendo a enlouquecida. E por aí ele vai, achando que se a safadinha se apaixonar pela esposa contratante ele vai estar sendo original. Achando que se a safadinha transa com o filho da esposa na cama dela, isso ainda vai chocar alguém. Achando que precisa fugir do maniqueísmo e conservadorismo americano e com isso propõe um final muito mal das pernas que não se apóia em nada se não essa idéia pseudo-intelectual de que o mais real é o menos humano. Muitos diretores estão fazendo isso hoje em dia. Achando que transgredir a ordem humana (usando a palavra aqui no sentido social mesmo) será mais adequado para engrandecer sua obra de humanidade. E que grande engano! Será mesmo que aquela mulher, que ama o filho mais do que tudo, que ama o marido loucamente, que acabou de saber que ele nunca a traiu, que não deu absolutamente nenhum indício de bifurcação de personalidade, que acabou de entender que seu casinho lésbico quase arruinou seu casamento, causou um grande trauma em seu filho e terminou numa trágica morte dentro de sua própria casa... Será mesmo que essa mulher usaria a arma do crime como acessório de beleza só pra assim demonstrar o quanto ela entendeu o papel libertador dessa jovem em sua vida? Vai ter algum cineasta maluco vestido de preto e fumando cigarros de cravo que dirá: Sim! Isso é genial! Mas não, não é! É um absurdo! Uma maculação hedionda com a natureza de uma personagem desenhada para finalidades nada impressionantes. Só um adorno desnecessário para cavar do roteiro alguma genialidade e tirá-lo do lugar comum a que ele estava condenado desde seus dez minutos iniciais.

 

Enfim, não perca seu tempo assistindo esse engano. Vá à locadora e pega o Atração Fatal. Em matéria de amantes obcecadas, nada melhor do que recorrer ao original. 

 

 

“20 centimetros”

Se você pensa que lá na Espanha só quem faz filmes com figuras femininas fortes e muito colorido e exagero é o Almodóvar, está enganado. Esses dias eu acabei vendo, sem querer, esse tal de 20 Centímetros. A idéia já é ótima: travesti bem dotado acaba descobrindo o amor com um homem que deseja justamente aquilo que ela mais quer arrancar: seus 20 centímetros. E se não bastasse essa premissa incrível, a travesti chamada Marieta e vivida com muita competência por Monica Cervera, sofre de narcolepsia e quando cai no sono  - por vezes em horas nada próprias – sonha que está fazendo clipes e musicais famosos.

 

 

Se o filme fosse só isso já seria bom, mas ainda temos diálogos ótimos, elenco afiadíssimo e números musicais cheios de competência. Vamos desde canções da cultura espanhola até uma inspiradíssima versão de True Blue, da Madonna (provando mais uma vez o poder dessa mulher).

O roteiro não se leva muito a sério, preferindo focar na comicidade da situação: o homem que surge para Marieta é um Deus da beleza espanhola, cheio de masculinidade e apaixonado por ela. Porém, deixa claro que se ela arrancar os 20 centímetros, tudo está acabado. E nessa direção, a história caminha com momentos hilariantes, como quando Marieta está engatada no bonitão e tenta fechar a janela do quarto caminhando até lá sem desengatar dele.

 

Sem lições de moral e sem final dramático (muitos diretores talvez não resistissem à tentação de entregar a personagem ao fator virulento da questão), o filme termina consagrando sobretudo, a figura de Mônica, uma atriz com uma competência que salta aos olhos e conquista sua confiança do início ao fim.

 

 

 

“Shelter”

O nome desse filme em português é De repente, Califórnia, mas a discrepância com o título original é tão grande que me recuso a me referir a ele por essa tradução absurda. E é isso. O tema do filme é gay, e essa foi a razão principal que me fez levá-lo pra casa. Toda minoria é carente de produções que focalizem o seu nicho. Eu não sou diferente. E meio desconfiado, lá fui eu ver qual era a dos surfistas gays.

Basicamente é isso mesmo: um surfista bonitinho enrustido tenta manter a sanidade enquanto lida com seus demônios, um pai doente e uma irmã negligente que acaba deixando para ele toda a responsabilidade de criar o sobrinho pequeno. Tudo ganha proporções quando o irmão mais velho de seu melhor amigo chega à cidade. Os dois vão evoluir da amizade para um romance, todos já sabemos, e são as implicações dessa relação que orientarão do roteiro dali por diante.

 

Não posso dizer que isso é feito da maneira mais competente. Discordo, inclusive, das ligações que o marketing do filme faz com a série The OC. O ritmo da série de Josh Schwartz era frenético e a cadência do filme de Jonah Markovitz é lenta, quase parada, com a trilha de Shane Mack que apesar de bonita ajuda nessa sensação de lentidão, e perde tempo demais aproveitando a fotografia óbvia que derivaria de uma paisagem litorânea como a da Califórnia. O filme também empaca em outras obviedades do gênero. Em romance escondido todo mundo sabe que uma hora vai ter a famosa cena do casal fugindo de alguém que chegou antes da hora. Em história de gay enrustido, também espera-se a cena em que o rapaz vai terminar o romance porque é o melhor para algum terceiro envolvido, no caso aqui, a irmã dele. Também sabemos que o assumido da história vai ajudar o pobre enrustido a evoluir como pessoa. Claro que isso é o que acontece mesmo, mas poderíamos pelo menos ter tentado mostrar isso aqui de maneira menos encomendada.

 

No entanto, nem tudo é defeito nessa controversa história. O diretor e roteirista acaba salvando sua obra da insipidez total ao tomar algumas decisões criativas interessantes. E que, ironicamente, confrontam um dos maiores problemas quando a questão é uma história que envolve gays. Quando os personagens são afetados teremos uma comédia ou um “filme-verdade” sobre o submundo. Quando os rapazes são discretos e masculinos, aí sim podemos ver uma história de romance e aceitação. Essa é uma das maiores máximas que envolve não só o cinema americano, mas até as nossas novelas, que estão indo até por um caminho pior, mostrando gays o tempo todo se apaixonando por suas melhores amigas. Aqui em Shelter, pelo menos, apesar do casal principal ser o cúmulo da discrição, não temos a obviedade da homofobia vindo das periferias mais prováveis, como os outros surfistas, e nem temos a ruptura familiar acontecendo por razões estritamente preconceituosas. Há mais em jogo. Há uma personalidade egoísta e muito mais conflituosa ali: a da irmã. E o destino que a história tem, e que esbarra nessa mulher vazia, é que exime o filme da inutilidade total.

 

Não posso deixar de destacar a interpretação do jovem Trevor Wright. Na pele do jovem enrustido, ele consegue surpreendemente, imprimir em seu olhar toda a agonia de quem além de tantas responsabilidades, ainda precisa administrar a devastadora percepção de que você é gay e vai precisar ter muita força pra sair do lugar.

 

 

 

 

“Hate Crime”

Esse eu acho que nem foi pros cinemas, mas estava no mesmo pacote gay que incluía o já comentado acima. Não se tem muito a falar sobre ele, exceto que é uma daquelas produções de suspense que pode algum dia passar no Super Cine. E por tratar-se de uma história de suspense envolvendo gays, você já deve estar conseguindo calcular que só tem dois assuntos possíveis: traição e preconceito! Bingo para o segundo! Vamos resumir o ocorrido: casal gay feliz e fiel ganha um vizinho homofóbico evangélico, um deles morre, o outro jura vingança, e por aí vai. Se não fosse o fato de haver uma discussão religiosa no meio, seria um filme do Steven Seagal. E essa discussão talvez seja o único mérito dessa obra.

 

Tudo é muito previsível e óbvio. A ficção gay já tem os seus clichês, que são básicos: o vilão sempre é um gay enrustido e esconde uma atração intensa pelo protagonista. Junte isso ao clichê do cinema moderno já citado na resenha anterior que exige finais surpresa e caráter duvidoso do herói, para conseguir o resultado final dessa história. Peca pela mesma falta de noção vista em Chloe quando analisamos a postura final do personagem principal. No mundo em que vivemos hoje, ser homossexual ficou ainda mais ambíguo. Você ganha o status de minoria esclarecida, mas ainda amarga os efeitos do ódio social, agora pior porque está oprimido pela obrigação do senso de igualdade. O preconceito passou a ser como uma paisagem de um filme do David Lynch: você sempre desconfia que por trás daquela beleza há algo maligno. E no meio dessa questão estão algumas vitórias alcançadas contra a violência, o que nesse filme, se esfarela pelas mãos de uma ignorância sem tamanho do roteiro, que prega a maior inverdade de todas: a vingança pelo sangue, compensa a perda.

 

 

 

“Megamente 3D”

Animações me alegram e me apetecem.

 

Pois bem, essa nova animação se não bastasse ser divertida, pop, engraçada, irônica, inteligente e catártica como tem sido a maioria das animações hoje em dia, tem um flerte filosófico que dá gosto de ver: o bem e o mal são necessários na mesma medida? O mundo seria possível sem um dos dois? Aí você vai dizer “sim, claro”, mas será que se só existisse o bem, o conceito de bom seria possível? A vaidade humana diante da leveza do altruísmo escorreria pelas vielas do comportamento habitual. Não poderíamos ser alegres por sermos bons. Fazer coisas boas não produziria mais endorfina e possivelmente viraríamos um monte de seres apáticos e insípidos.

 

Claro que o filme não chega a esse ponto de análise, mas mostra que às vezes, a nossa aparência, o meio em que estamos inseridos e os que nos cercam, acabam sendo determinantes nas nossas escolhas equivocadas. E é isso que acontece com o personagem desse filme. Numa paródia espertíssima da história do Superman (o que também é uma grande sacada, já que o personagem é o centro moral dessa questão maniqueísta) dois bebês são jogados na terra quando seus planetas são destruídos: um é o belo e atraente que cai na frente de uma bela mansão, o outro é um garotinho feio, azul, que cai dentro de um presídio de segurança máxima. A partir daí os destinos dos dois vão sendo construídos como se espera. O belo e garboso vai se tornar o super herói que esperam que ele seja e o garotinho azul, mesmo sendo inteligente o suficiente para questionar esse destino, acha que seu papel no mundo é antagonizar esse herói e provar seu valor através do mal. O problema é que pela primeira vez na história da ficção de fantasia, o mal vence e o mundo cai numa confusa condição de ausência do bem, o que torna o mal totalmente obsoleto.

 

E seu ainda não te convenci a ver o filme depois dessa descrição do enredo, se prepare para muitas piadas espertas, para o cinismo delicioso da repórter que faz as vezes da Lois Lane, para a inteligência da produção em encher o filme de canções pop e para um final épico digno de premiação.

As cópias em 3D proporcionam um show a mais. Foi a primeira vez pra mim e eu fiquei encantado. Não falo nem das coisas que parecem que estão vindo te pegar, mas a nitidez e a textura da imagem. Em dado momento, um personagem que estava sumido é encontrado numa cabana, meio decadente, barbudo... A nitidez é tanta, que é como se mesmo com aquela forma cartunesca, fosse possível tocar nos pêlos do peito dele aparecendo na abertura do roupão. Impressionante.

 

 

“Enrolados 3D”

Gostei desse negócio de 3D e parti para os cinemas assim que a nova animação da Disney estreou. A nova versão da história da Rapunzel é um show a parte. E não pense que assim como aconteceu com Megamente, os contos de fadas foram subvertidos para uma cínica visão moderna. Não! Aqui a essência perdida dos filmes da Disney está de volta. Ou seja, uma princesa perdida, uma vilã assustadora, bichinhos encantadores e números musicais muito enfeitados. É mais ou menos o que acontece com “Encantada”, em que atores em live action recriavam o universo da empresa. Em “Enrolados” isso também é feito, só que com mais propriedade, visto que Rapunzel é um ícone do imaginário infantil há muito tempo. Mas embora essa métrica básica dos filmes de princesa esteja ali, não perdemos, graças a Deus, o humor cínico das animações que nos rondam ultimamente. O príncipe (dublado com esmero por Luciano Huck) é meio fajuta, Rapunzel é meio neurótica e não se pode dizer que a vilã é de todo mal.

 

Ver o filme em 3D aumenta ainda mais essa magia. E os roteiristas são espertos. Criam uma justificativa inteligente para a necessidade de Rapunzel de ver o mundo lá fora. E as lanternas que ela persegue tomam o cinema todo numa seqüência impressionante. É um deleite. É a Disney mostrando como sabe fabricar sonhos contando sobre eles. Se você não se encantar, é porque seu coração empedrou faz tempo. Senta e espera o fim, meu caro. O mundo já está perdido pra você.

 

 

 

“De pernas pro ar”

A Globo Filmes entendeu, desde o sucesso de E Seu eu fosse você? que dá pra fazer cinema nesse país sem falar de favela e violência. Daniel Filho, talvez por ter adquirido algum discernimento artístico durante tantos anos de televisão, não tem essa necessidade boba de se afirmar como diretor de filme-cabeça e nos aliviou um pouco as tensões desde A Partilha, lá atrás. Claro que o cinema nacional ficar dividido entre dois pólos também não é bom, mas eu sinto que devo defender essas investidas cômicas, mesmo que elas sejam uma bomba comercial. Ora, vamos lá. O Brasil tem que levar as pessoas aos cinemas para ver De pernas pro ar e com isso ganhar muito dinheiro. Só assim é que os Luizes Fernandos Carvalhos e os Cláudios Assisses da vida vão poder continuar fazendo seus experimentos. Ou você acha que as franquias de heróis nos EUA existem pra quê? Deixar os executivos tão felizes que dão dinheiro sem reclamar para a produção de coisas independentes e mais intelectualizadas.

 

Essa nova investida cômica chamada De pernas pro ar, é mais safadinha. O que é até legal também. É bom ver jovens indo ao cinema e ouvindo numa boa sobre masturbação, vibradores e afins. A protagonista, vivida com o habitual bom humor de Ingrid Guimarães, é um clichê da mulher moderna que descobre que o marido a abandonou porque ela só pensava em trabalho. Depois de ser demitida, ela acaba conhecendo melhor sua vizinha periguete e indo trabalhar com ela numa sex shop. Começa aí a vitrine de piadas sobre todo esse mundo dos acessórios sexuais. Já sabemos que Ingrid vai usar vários deles pra gente poder rir dela. A direção compreende o valor cômico de Ingrid e demonstra conhecimento sobre os pontos fortes dela ao leva-la para tomar ecstasy (por engano claro, olhas as crianças aí) numa boate, numa alusão clara ao sucesso que a atriz faz ao fazer isso no espetáculo Cócegas. E esse, junto com a hora da calcinha vibratória, são os dois pontos altos do filme. Em volta desses dois momentos, estão algumas boas decisões cômicas e outras péssimas. Mas talvez a chave dessa avaliação sobre o que é péssimo esteja focado no que diz respeito ao constante incômodo provocados pelo juízo de valores do filme. Enquanto o mundo nos abraça com histórias sobre mulheres que seguem seus maridos onde eles forem e recebem com isso demonstrações artísticas em forma de canção ou poesia, numa perigosa subversão do direito de individualidade, quando temos a oportunidade de mostrar o inverso disso, com um homem seguindo sua mulher pelos caminhos transitórios de sucesso que ela precisa trilhar, somos sufocados pela obrigação familiar que no caso da mulher, é quase agressiva. E o roteiro do filme fica defendendo isso o tempo todo. E se não fosse pelo minuto final, seria uma ridícula homenagem às mulheres que abrem mão de seu sucesso para seguir um homem. E infelizmente, esse minuto final não salva o produto final dessa impressão.

 

Fica a abordagem feliz da personagem de Maria Paula, que reavalia o conceito da aparência que engana e ainda nos presenteia com outra máxima preterida pela sociedade vigente: todos são passíveis de amar e mais ainda, de ser amados.

 

 

 

 

“O Segredo dos seus Olhos”

O vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro do ano passado está cercado de elogios. Como sempre acontece, eu fui assistir desconfiado. A razão dessa desconfiança é que só não ganha Oscar de melhor filme estrangeiro quem não quer. A receita é muito simples: pano de fundo histórico ou nacional, ou seja, fale do seu país. De preferência de uma bizarrice ou deficiência dele. Tenha uma boa fotografia e uma música melancólica. Enquadre o roteiro nas emoções de um personagem. Hollywood precisa de um herói. Por isso o Brasil não ganhou com Cidade de Deus. A narrativa precisa ser vista pelo ponto de vista de um herói. E ele tem que ser emocional e cru. Junte isso a um final ambíguo e pronto: Oscar!! Claro que tem que ter bom gosto pra fazer essas coisas, ou você acaba virando um Olga da vida.

 

O curioso a respeito desse O Segredo dos Seus olhos é que pela primeira vez ele carece de um desses elementos. Essa história se passa num país latino, mas poderia se passar em qualquer lugar. O prêmio aqui se justifica nas belas interpretações e num roteiro inteligente e realmente poderoso.

 

Não se pode dizer muito sobre ele, já que aqui o elemento surpresa funciona como um catalisador de emoções e justifica ações e comportamentos, mas basta dizer que você não sairá incólume dessa obra. Poucas vezes o ódio tranqüilo de uma rubrica de Jean Tardieu foi tão bem ilustrado.

 

 

 

 “O Direito de Amar”

Morte aos tradutores brasileiros!! Again!!

 

Como é que um filme que se chama A Single Man pode virar “Direito de Amar”? É inadmissível! E aí a pobre coitada da dona de casa que não perde tempo lendo sinopses, acaba alugando o Direito de Amar achando que verá uma linda história de amor e acaba dando de cara com um drama hiper intenso sobre um gay de meia idade que perde seu amado e passa a perseguir a morte. 

 

De uma segurança surpreendente para um estreiante, Tom Ford era estilista da Gucci antes de embarcar na viagem cinematrográfica que já lhe rendeu uma série de prêmios e com ele, trouxe Colin Firth, um ator de sutilezas impressionantes, e Julianne Moore novamente fazendo a perturbada. Mas sem dúvida a maior surpresa pra mim no filme é o jovem Nicholas Hoult. Oriundo da série Skins, o rapaz protagoniza cenas mais bacanas que as de Julianne e é dele a função catártica que age sobre o personagem de Firth, afim de interromper sua busca magoada pela vilã que lhe tomou seu amado.

 

O filme é cheio de bons diálogos e sensualidade, e tem aquela marca que os americanos adoram: a voz do herói no monólogo de suas desesperenças. Curiosamente, o filme tem essa semelhança com o American Beauty de Allan Ball: a morte pode ser enfim, a represa de seus sofrimentos, mas também será o estanque de suas mudanças.

Dobrado Por Henrique Haddefinir às 20:42
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1 comentário:
De Monique a 10 de Janeiro de 2011 às 14:28
Cara, hj vc me deu trabalho, muita coisa pra comentar! Mas, vamos lá.
A crítica sobre o Chloe estava indo bem, até q me deparo com uma frase meio grotesca(desculpe, dizer isso) q não parecia ter saído das mãos da mesma pessoa q escreveu o resto.
Sobre Megamente, mto bom. E melhor ainda é o fato dele falar errado, q, pra mim, foi uma característica inusitada.
Voltei a ficar completamente encantada com a capacidade da Disney de recriar histórias de um jeito q vc não sente a menor diferença entre vc, de 20 nos, e a criança de 6 sentada ao seu lado no cinema.
Passei mal de rir com De Pernas pro Ar, saí com o maxilar doendo do cinema. Louvores à Ingrid! E o que aconteceu para o Bruno Gracia aparecer não bronzeado, mas praticamente assado no filme?
Bom, acho q terminei.

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