Sexta-feira, 22 de Setembro de 2006

Almas meio-assim...

 

"For a lonely soul you're having such a nice time"

 


 

Mudei a frase de apresentação do meu blog! Não costumo ser assim... Abrir mão de simbolismos já estabelecidos por mim em datas e circunstâncias específicas.

No entanto, achei que "Pra uma alma solitária, até que você tem tido bons momentos", era perfeita pra expressar a maneira como me sinto ultimamente.
Aí vão dizer "Já vem o Henrique com essa melancolia sem propósito. Tem tantos motivos pra estar feliz..." Mas eu estou feliz. Não é melancolia. É minha personalidade.
Vá lá... é uma diferença bem sutil, mas é uma diferença.
E se é! Eu posso pegar as canções de Tom Chaplin e simplesmente encará-las como um porto pro escorrer das minhas emoções. Até porque, essa idealização da felicidade que os outros tomam como verdade costuma fazê-los pensar que os seres felizes tornam-se dormentes! Donos de uma alegria sem escalas. Incapazes de transfigurar as emoções.
O otimista diria: "A Felicidade é um estado de espírito permissivo e flexível!.
O pessimista diria: "Nunca haverá felicidade, pois sempre haverá o medo de perdê-la".
Antes, a frase aí logo abaixo do título parecia querer entender os mecanismos de expansão desse estado de espírito, entre as dobras que vão acontecendo ao longo da vida. Agora, sei lá... Parece que encontrei um sentido novo ao reconhecer que talvez as "personalidades" precurssoras dessa melancolia talvez não sejam comportamentais e sim... cármicas.
Alma solitária?
Eu poderia tentar traçar um perfil disso. A verdade é que depois de tantas cabeçadas, regadas de muitas análises singulares sobre o mundo e as coisas dele, eu e acho que pessoas como eu, gostam de observar a sí mesmos com certa e dissimulada poesia. Pessoas normais encaram a tristeza como tristeza. Artistas encaram a tristeza de modo diferente e plurilateral. Ela pode se tornar inspiração, drama, cena, letra, canto e idéia. Tanta coisa...
Isso me faz pensar.
Quanto a estar tendo bons momentos... Enfim, acho que foi a parte da música que mais me tocou. Sim, estou tendo bons momentos.
Acho até que vou aproveitar pra postar alguma foto do meu amor. A nova realidade de ter um relacionamento é assustadora e ao mesmo tempo, arrogantemente concreta. Estava até mesmo me perguntanto "será que esse pessoal que escreve livros de auto-ajuda sobre casamentos passa pelas mesmas coisas que eu?". Quer dizer, enquanto a gente tá de fora é tudo tão simples. Temos sempre tanto bom senso e praticidade. Somos tão cínicos no que diz respeito ao modo trôpego e irracional com que os casais em volta se relacionam, e... quando chega a nossa vez...
Como é que podemos amar uma pessoa tanto e tanto, e ao mesmo tempo nos irritarmos com ela por tão pouco?
Eu precisaria de mil blogs pra falar sobre os despertares dessa relação com o Gustavo.
Tenho deixado de falar exatamente sobre esse assunto. Sobre todas as coisas que me tomam quando a palavra provém dessas descobertas, porque não tenho encontrado metáforas e artimanhas literárias necessárias pra expôr isso sem mediocridade.
Quanta ambiguidade! Preciso de originalidade pra falar do corriqueiro.
Até porque, acredito que muitos sintam-se como eu. Espero por isso, aliás.
Vários são os tópicos que me levam a querer me expressar sobre o Gustavo: o ciúme da ex-mulher dele, a raiva de ele ter tido uma mulher, o ciúme do passado dele, a raiva do passado dele, o incômodo bestial e por vezes insuportável da heterossexualidade que ele ostentou tanto tempo e da qual, mesmo sem admitir, ele se orgulha (como no papel de homem que está com outro mas que não vai sair do mundo sem ter feito outros homens invejarem as mulheres com quem teve a capacidade de dormir). Sei lá... Tanta coisa. Minha cabeça se revela cada vez mais digna de um documentário do "Discovery Channel" e me surpreende com maneiras múltiplas de me perturbar.
- Relax!
- No way!
Outro dia mesmo enchi o ouvido dele com uma teoria (que eu considero ainda muito plausível) de que eu estou inconscientemente ocupando o lugar fatídico de "mulherzinha da relação". Ele achou um absurdo!
Pô! O cara viveu anos sendo marido. Acho óbvio que quando se entrega a outra relação, mesmo sendo com outro homem, ele sustente ainda alguns vícios desse estado civil tão malfadado.
Só eu discuto a relação, só eu fico inseguro com relação ao prazer dele no nosso sexo, só eu faço cobranças quanto a atenção e romantismo, só eu crio e manutencio datas especiais, só eu confundo tudo e só eu reclamo horas, choro e faço drama quando ele dorme enquanto eu falo.
Vamos combinar, é muito clássico!
E me assusta. Tenho pavor de ter com ele um "casamento" parecido com o que ele tinha com a ex. Mesmo que só em míseras polegadas.
Já perdi a conta de quantas conversas duras tivemos a respeito ou apoiadas nas minhas teorias e análises sobre o meu comportamento e o dele.
Sou louco por ele. E acredito que ele me ama. Mas fiquei tempo demais vendo e digerindo as relações dos outros. Cheguei a um ponto em que tudo se torna uma pista pro que o meu próprio relacionamento pode vir a virar.
Às vezes me sinto muito feliz. E outras vezes, preso a um padrão nada inteligente de consumação conjugal. Há muitos pesos a carregar quando se vive com alguém tão cheio de passado consistente quanto o Gustavo. E muitas concessões a se fazer. Pra provar minha inteligência e bom senso, preciso alcançar altos níveis de compreensão altruísta e deixar de lado toda a parcela de egoísmo natural que outros talvez não tivessem a mesma boa vontade de esquecer. Preciso compreender os filhos, os anos de vida conjugal, as responsabilidades financeiras, as travas provocadas pelos anos de clandestinidade... Enfim, tanta coisa. E preciso fazer isso sem contestar. Ou eu não estaria sendo o pilar de maturidade que esperam que eu seja.
Então perdi o direito de ser egoísta.
Ou de querer ser mais importante.
Consegui cadeira cativa no hall dos que estão em segundo lugar. E sobre isso, não existe argumento. Não é horrível saber que antes de mim vem a família. Mas às vezes é triste... Sobretudo porque do meu lado, não existem esses degraus ocupados eternamente por coisas que ele vai precisar superar. Enfim... Superar coisas é bom, mas às vezes cansa.
É uma fala doida? É.
Estou sendo de novo a "mulherzinha"? Estou!
Mas acho que não dá pra se livrar mais disso... O Gustavo está em algum patamar involuntário de condição masculina adquirida e eu estou em outro, de condição sensibilista aflorada. Pólos separados. E conflitantes...
Eu sei que o amor supera essas coisas! O poeta é brega, mas é sábio. E acho até que já estamos superando boa parte delas.
A questão é essa?
Acho que a questão é: sempre haverá material pra minha melancolia discurssiva.
Dobrado Por Henrique Haddefinir às 19:11
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Sala de Projeção 3

"O MUNDO DE LELAND"

Um dos filmes mais bonitos e inteligentes que assisti nos últimos tempos. Daqueles que te fazem ficar na frente da tv olhando pros créditos e pensando em tudo que viu e ouviu.
Inicialmente, peguei por causa da Michelle Willians. No fim das contas, o personagem dela tem uma importância quase mínima pra história. No entanto, havia em mim alguma intuição a respeito dessa história que é, sem dúvida, um primor de cinema e alma.
As interpretações são soberbas e a linha de raciocínio que é traçada e construída durante a história beira a genialidade! Vamos, junto com Leland, descobrindo dentro dele as motivações de um ato considerado extremo, mas que só reflete o tamanho da percepção que esse personagem tem do mundo e das coisas dele.
Um grande filme! Pode até passar despercebido pela maioria daqueles que o assistam. Os diálogos são complexos e você só vislumbra a grandeza desse filme depois que saca o que o diretor Mathew Ryan pretende com ele.
Chorei muito (talvez seja, junto com Billy Boyd cantando "The edge of night" em 'O retorno do rei", o filme que mais me fez chorar esses dias), sobretudo devido a um conceito de sensibilidade do qual me sinto muito próximo e que amedronta. Até onde podemos sentir a ponto de não suportar esse dom?
O destino de Leland é triste de doer. Assim como as escolhas que ele faz em busca de acalento.
"PIECES OF APRIL"
Me recuso a usar o título em português desse filme!
Outra obra prima de sensibilidade e minimalismo. E mais uma "Creekniana" que eu fui buscar e que me rendeu uma boa surpresa.
Katie Holmes não me convenceu tanto. No entanto, a premissa desse filme e a maneira como ele é contado são dois igredientes irresistíveis pra que ele seja assistido.
As personagens são construídas com tanto afinco e sabedoria que é impossível não se se ver, lá pelo meio da história, roendo os dedos e implorando ao destino (na forma da ficção) pra que as coisas dêem certo nesse encontro pro qual o roteiro nos prepara.
O final é sublime. Poderia resvalar no piegas, mas é simples e honesto.
Enfim, um grande filme.
"TWISTER"
Reassisti esses dias e resolvi incluí-lo nessas resenhas.
Só tenho uma coisa a dizer: Spielberg é ...ODA!!!
A cada obra prima de fantasia, ele dá consecutivos tapas nas caras desses cínicos "entendedores" do cinema, que sustentam uma visão tacanha e reacionária de uma arte que pretende tão mais do que uma reprodução enfeitada da estética da vida. Cinema também é fantasia. E poucos sabem e reconhecem a paixão disso como ele.
"Twister" é uma mágica que poucos fariam tão bem. É aquele tipo de filme que faz você esquecer de tudo enquanto assiste e que se você começar a ver por dois minutos (enquanto senta no sofá pra tirar o sapato), acaba assistindo tudo de novo.
"PLANO DE VÔO"
FIlme pipoca com a Jodie Foster.
Hollywood continua achando que a moça fica bem sendo perseguida e salvando sua cria (vide O Quarto do Pânico).
A idéia é boa. A filha da mulher some dentro do avião e todo mundo começa a tratá-la como louca, uma vez que ninguém confirma que a menina teria entrado nele. E por dois minutos, cheguei a pensar que a direção fosse manter esse interessante clima de caos psicológico em que se encontra a personagem de Foster.
Mas...
Primeiro que Sean Bean tem a maior cara de maluco. Não era preciso muito esforço pra saber que se haveria um vilão, seria ele. E infelizmente, depois de uma hora, o roteiro começa a entregar sua obviedade e nos deparamos com apenas mais um filme de avião.
O filme acaba valendo só por esses minutos em que o diretor consegue te enganar e te leva até mesmo a sentir antipatia pela mãe louca que incomoda o avião inteiro atrás de uma "filha imaginária".
Mas é só isso. Infelizmente, só isso. 
Ah, e ela tinha que pedir desculpas pro árabe!!!
"O DIA DEPOIS DE AMANHÃ"
Adoro esse filme!!!!!!!!
Um bom exemplo de filme catástrofe que une efeitos de tirar o fôlego e uma boa história.
Ao contrário do patriotismo irritante de "Independence Day", esse filme nos mostra uma América nortista vulnerável e humilhada, pedindo apoio ao terceito mundo que tanto segregou.
O clima do filme é sombrio e tenso. Escuro.
Tem falhas, como os lobos desnecessários na sequência do navio, mas também tem sacadas incríveis, como as sequências do olho do furacão congelando tudo, a chuva de granizo na Ásia e a tsunami que engole NY.
"VAN HELSING"
Stephen Sommers é um bom diretor de aventura. Eu gostei pacas de "A Múmia"!
Porém, em "Van Helsing" ele erra um pouco a mão e apesar de algumas boas sequências, a idéia de misturar Drácula com lobisomem e Frankstein, não convenceu muito bem.
Hugh Jackman está risível! Tenta, mas não consegue. O texto também é péssimo, o que piora tudo. Sem falar na fórmula "herói trambiqueiro (que hollywood adora) junto com mocinha atrapalhada), que está meio passada.
A sequência com o lobisomem na floresta é boa. As vampiras aladas também são maneiras. Mas as gosmas verdes filhas do vampirão são demais pra mim.
O final então, é tudo de ruim.
"O VIRGEM DE 40 ANOS"
Quem viu "Todo Poderoso" com o Jim Carrey, vai se lembrar de uma cena em que um âncora de um telejornal começa a ter ataques no ar, por conta dos poderes de Carrey em exercício divino. Provavelmente foi por causa dessa cena que Steve Carrel conseguiu um lugar ao Sol. E essa comédia é mais uma no recente currículo do ator.
Carrel tem mesmo uma cara muito engraçada (a simplicidade e hilariedade desse pôster por exemplo, só seria possível com a cara dele). Apesar de bonito, ele tem uma ingenuidade idiota que garante uma empatia imediata com o público.
O filme tem problemas. Se leva a sério demais e é longo. Mesmo assim, garante bons momentos e tem nos coadjuvantes uma boa surpresa. Os melhores diálogos são aqueles entre os amigos do personagem de Carrel. Tem muita coisa boba, mas também boas sacadas. Quem puder pegar o DVD devia assistir a uma cena excluída entre Cal e a gerente da loja onde Carrel trabalha. A cena foi um improviso entre os atores e é muito engraçada! Exatemente por causa da simplicidade do diálogo. Dessa cena, somente alguns segundos foram aproveitados no filme (a conversa hilária sobre maconha), mas ela ainda tem quase quatro minutos adiante.
Enfim, é uma diversão interessante. Vale a pena conferir.
"SE EU FOSSE VOCÊ"
Filme pipoca fruto do ego de Daniel Filho.
O grande marketing do filme era a expectativa em torno da interpretação de Tony Ramos e Glória Pires em papéis invertidos. E apesar de não decepcionar por completo, também não é nada estonteante.
Tony, por conta de estar fazendo uma mulher, tem mais chances de mostrar serviço, buscando sem muito esforço alguma sutileza. Não quer dizer que encontra.
Glória se esforça mais, no entanto, não há muito o que fazer quando a maioria da informação vem do roteiro e ela apenas segue o fluxo do que se espera de uma idéia como essa.
Daniel Filho não se esconde em justificativas. Quis fazer um filme sobre troca de corpos e fez. Não importava se isso seria um devaneio ou não. Nem mesmo com o mecanismo que provoca essa troca ele se preocupou muito. Seu objetivo era brincar. Sem nem mesmo fugir da obviedade de mostrar que ele no corpo dela iria inovar e melhorar seu trabalho e ela no dele, faria a mesma coisa.
Enfim, nada além do esperado. E o melhor de tudo, nada pretensioso.
Foi feito pra faturar. E faturou.
COLATERAL
O resultado é inusitado!
Peguei esse filme não só porque alguém havia me dito que o Cruise estava bem, mas também porque meu namorado gosta de filmes de ação.
Ele dormiu, eu me diverti muito.
Diferente de outros trillers, esse filme tem um texto muito digno, um tratamento de imagens muito sensível e uma direção segura e envolvente.
Cruise está bem. Nada extraordinário, mas bem.
O roteiro é previsível, mas tem uma estrutura honesta e que nos leva a um final coerente (tirando o duelo entre Vincent e o taxista) e inesperadamente simbólico.
A cena dos coiotes no sinal de trânsito, ao som de Audioslave, é de arrepiar.
O título também é muito adequado e expressa bem a rede de efeitos causada pelo que Vincent executa e pelo que ele é.
MUNIQUE
Nova obra prima do Steven Spielberg.
Não é segredo pra ninguém que eu sou muito fã desse cara. Mesmo antes de ver o filme eu já dizia que Crash não passou a perna só em Brokeback não, mas em Munique também.
O filme é soberbo!
Eu poderia ficar aqui horas discutindo a respeito dele, quando na verdade, o que interessa mesmo saber é: Steven sabe como ninguém manipular a arte cinematográfica.
Primeiro dá uma porrada na crítica que vive enxovalhando-o por causa de seus blockbusters: Munique é uma obra de arte em todas as suas nuances e sutilezas.
Depois, mescla isso com seu lado pipoca e torna essa obra de arte tão rica, e que na mão de outro diretor pretensioso se tornaria certamente um produto chato e enfadonho, numa diversão emocionada e eletrizante.
O filme tem quase três horas. Alternadas entre o plano de vingança de Avner contra a Palestina, seus momentos de reflexão e o massacre em sí e que provoca esse desejo vingativo. Durante todo o filme, Spielberg nos conduz por esses três extremos e nos brinda com momentos dignos de um gênio.
O filme tem momentos chocantes (como a cena do massacre), tem momentos emblemáticos (como o diálogo entre Avner e um palestino sobre a causa que os divide), tem momentos reflexivos (como a cena de Avner que inspirou esse pôster), tem momentos inspirados (como a emocionante e cortante sequência em que Avner transa com a esposa e divide conosco a lembrança fatídica do massacre)... Enfim, o filme é inesquecível!!
Poucos diretores sabem unir tão bem a arte do cinema com o cinema visto de seu ponto de vista mais simples e conclusivo: a fantasia.
Dobrado Por Henrique Haddefinir às 18:18
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Sexta-feira, 1 de Setembro de 2006

Sala de Projeção 2

 
HAIR
 
Musical clássico. Lembro que o assisti pela primeira vez por acaso, quando era adolescente e nem sabia do que se tratava. Lembro de ter adorado a música “Age of Aquarius” (sou aquariano e sempre me orgulhei dessa coisa de estar vivendo a minha era) e de ter ficado chocado com o final. Reassisti o filme esses dias e fiquei novamente encantado. A canção “Let the sunshine in” é simplesmente encantadora! Treat Willians (que eu vejo na série Everwood) está lindo e muito bem no papel de Berger. O engraçado é ver como a estrutura desse musical destoa do que vem sendo feito recentemente. Ao contrário de “Chicago” e “Moulin Rouge”, que são ícones modernos desse estilo, “Hair” tem certa crueza que intriga o espectador desavisado que não espera aqueles cenários naturais que tornam estranha a execução das canções do filme, sendo claramente dubladas pelos atores.
 
SALEM’S LOT
 
Ridiculamente batizada em português de “A Mansão Marstem”, essa nova versão do maravilhoso livro de Stephen King me deixou realmente empolgado. Eu sou um grande fã dele e esse sempre foi meu livro preferido. Eu delirei quando li sobre essa cidade agonizante e suas criaturas da noite. “Salem’s Lot” é sem dúvida, uma das melhores adaptações do King. Com três de duração, pode-se transportar bem pra tela o clima crescente de tensão da história. A falta de aprofundamento dos personagens talvez tenha sido o que mais me incomodou. Ben, Matt e Jimmy formam junto com Susan e Mark um grupo de caça aos vampiros que torna a ação final do livro irresistível. No entanto, no livro esses personagens soam muito mais críveis. As grandes cenas do livro estão todas lá: Danny e Ralph se perdendo na floresta. Danny flutuando na janela de Mark. Matt ouvindo Mike sendo sugado num quarto de sua casa. Ralph mordendo a mãe na cabeceira da cama e, sem dúvida, a grande cena de Barlow com o Padre na casa de Mark. Um diálogo irresistível!! Talvez a grande falta tenha sido a cena em que o Padre, depois de beber o sangue de Barlow, tenta entrar na igreja e sua mão queima na maçaneta.
Um grande filme! Baseado em um grande livro! Eu também gostaria de ter visto aquelas cenas curtas no final do livro, onde King nos presenteia com toda sua crueldade ao mostrar que além de nada ter dado certo pros bonzinhos da história, a cidade ainda tornou-se um cenário de horror absoluto. O final foi confuso e sem dúvida se o diretor tivesse optado por seguir a linha angustiante de King, onde os dois únicos sobreviventes vêem-se prisioneiros de suas perdas, teria sido melhor. Mas toda adaptação é livre e isso não prejudica a qualidade do filme.
 
 
CRASH
 
Fui conferir porque raios esse filme ganhou do Brokeback Mountain no Oscar. Não descobri. A única explicação convincente que encontrei foi aquele do crítico do cinequanon mesmo. O filme é bom. Envolvente, bem dirigido, bem musicado e com bons atores! Até a Sandra Bullock convence em seu papel. O mosaico de coincidências do filme é interessante e a premissa única: o preconceito, é imparcial e distanciada. Gosto muito da seqüência final em que a canção “In the Deep” passeia pelos personagens como no final de uma série como “Dawsons Creek” (e isso é um elogio). A canção dos créditos também é muito boa.
Enfim, um bom filme, mas longe de merecer um prêmio daqueles.
 
 
O JARDINEIRO FIEL
 
Ótimo filme! Merecia o Oscar mais que “Crash”.
Notamos imediatamente a edição nervosa e plástica que premiou “Cidade de Deus”. Rachel Weiz está ótima. O filme te engana desde o início, levando a impressões que se disfarçam durante a película. O final é emocionante e me arrancou lágrimas, inclusive. O filme é despretensioso e belo. Um primor.
 
 
 
AS BRANQUELAS
 
Nova bobagem dos irmãos Wayans. Embora algumas piadinhas sejam boas, não passa disso. 
Curiosidade: Busy Phillips, a Audrey das duas últimas temporadas do Creek, está no filme.
 
 
 
OS INCRÍVEIS
 
Ótima animação! A idéia já é deliciosa: um mundo onde os super heróis foram banidos e obrigados a levar uma vida normal. A ação é perfeita. Os diálogos são mordazes (como todos os filmes de animação, ultimamente). Vi no cinema e loquei pra conferir novamente.
Só as cenas com a estilista Edna, já valem o ingresso.
O filme é tem uma ambigüidade que talvez incomodem alguns. O tradicionalismo e maniqueísmo americanos ficam bem evidentes nas entrelinhas, mas mesmo assim o filme é ótimo!
 
 
 
 
SOCIEDADE DOS POETAS MORTOS
 
“Oh captain, my captain”!!!!
Não há o que dizer sobre esse filme… ele é perfeito!!!
Já vi duzentas vezes e sempre choro quando eles sobem na mesa no final. Agora, quando o revi depois de ter estudado os princípios improvisescos do teatro contemporâneo, achei a cena do poema de Tood ainda mais impressionante. E compreendi muito melhor as intenções do professor.
Carpe Diem!
 
 
 
ADAPTAÇÃO
 
Outra loucura de Charlie Kauffman, transformando ele mesmo e seu irmão imaginário em estrelas do próprio filme. Bons diálogos, boa direção, boas interpretações (gostei de ver Meryl Streep se propondo a algo que não engrandece sua figura divesca) e boa condução. Não é um filme que arrebata, mas vale a pena conferir. Sobretudo pra quem escreve e compreende o universo confuso desses seres.
 
 
 
AS VIRGENS SUICIDAS
 
Estava eu lá na locadora procurando outro filme pra ver e me deparei com a estréia de Sofia Copolla. Ainda não vi “Encontros e Desencontros”, e por isso mesmo resolvi locar esse pra ver qual era dessa menina. Não achei grande coisa. A história é boa, mas quando ela se decide por narrá-la de um ponto de vista distanciado, não consegue alcançar o espectador e sensibilizá-lo. Ela busca lirismo e até alcança-o. Transforma a história dessas cinco jovens em algo belo, apesar de trágico. Mas peca por excesso de neutralidade.
 
 
 
OS SONHADORES
Todo mundo fica berrando: Bertolucci!!! Bertolucci!!
Eu não conheço muito bem a obra do cara, mas apesar de achar o filme esteticamente bonito e bem dirigido, acho “Os Sonhadores” de uma superficialidade maçante.
Os dois irmãos pseudo-franceses são uns chatos! Retratos grotescos de uma juventude rica e sem nada de útil pra fazer.
O sexo, cru e pretensiosamente belo, e que parece ser a razão pela qual tantos jovens (entre eles os inflamados da classe artística) enaltecem o filme, não passa de um recurso bombeador.
Enfim, um filme que seria até bom, se não fosse o campo de força superior que o envolve.
 
 
 
O GALINHO CHIKEN LITTLE
Eu adorei!!!!!!
Tem tudo que eu gosto num filme: paródias a outros filmes (no caso ficção científica, que eu também adoro), personagens improváveis (a pata feia é tudo!), piadas adultas escondidas (adoro o porco gordo ao som de Gloria Gaynior) e ainda por cima, a voz deliciosa do vocalista do Five For Fighting numa linda canção!
O filme tem lá seus maniqueísmos, mas eu achei fofa não só a construção do Galinho (dublado muito bem por Daniel de Oliveira, na versão em português), como a de seu pai e a relação dos dois. O início do filme também é um achado!
Vale a pena!
 
 
 
 
LEMBRANÇAS DE UM VERÃO
Stephen King novamente.
Em mais uma de suas histórias mais tranqüilas, onde mesmo assim, o sobrenatural está presente. Não dá pra falar muito sem estragar a surpresa, mas temos aí um King mais uma vez juntando o homem e o menino. O filme é muito bonito e me arrancou lágrimas no final.
Hopkins está bem, mas o menino ganha todas as cenas em que está!
Outra boa adaptação.
Gostaria de ter lido o livro...
 
 
 
RECOMEÇAR (A mãe)
Meu namorado é mais velho.
Tá, e daí?
A propaganda feita sobre esse longa me enganou direitinho. Pensando que tratava-se de uma história onde um cara bonitão e mais jovem se interessaria por uma mulher velha e meio caída, eu fui lá e loquei!
É isso, até. Mas o roteiro, compreensivamente (visto que temos personagens criados à base de muita coisa ruim), cai no sexo vendido e interesseiro e empobrece a intenção.
Daniel Craig está irreconhecível e muito charmoso e Ann Reid dá um show.
Pras minhas expectativas, não funcionou. Mas é bom.
 
 
 
 
MARIA CHEIA DE GRAÇA
Tenso, frio, ácido, objetivo e seco.
Esse filme é muito desconcertante.
Catalina está deslumbrante e cada minuto dela em cena te transporta pra essa história tão angustiante e necessária.
A metáfora é desafiadora e a direção, sóbria e competente.
Dá vontade de gritar e é uma experiência sem dúvida, inesquecível.
 
 
 
 
 
 
O GRITO
Duas coisas sobre esse filme: os japas pálidos são mesmo assustadores. E Sarah Michelle está perdida igual a cego em tiroteio.
Os filmes de terror asiáticos estão ganhando cada vez mais mercado, e isso é bom. Esse é outro bom exemplo. No entanto, não existe espaço neles pra supervalorização de uma estrela.
 
 
 
 
REGRAS DA ATRAÇÃO
Motivo pelo qual assisti: James Van Der Bekk.
Pode parecer superficial, mas a verdade é que, como fã de ‘Dawson’s Creek”, eu queria ver do que o moço era realmente capaz. E.... gostei!
Não sabia das ligações do diretor com Tarantino ou mesmo tinha assistido “Psicopata Americano”, que tem importante ligação com a história. 
Mas o filme é bom. Muito bom. É bem verdade que os jovens são desprezíveis e egoístas ao extremo e que você não consegue simpatizar com nenhum deles, mas mesmo assim, o filme te conquista. Se não por isso, pela bela trilha sonora ou pela edição ágil e inteligente.
O filme tem ótimos diálogos e interpretações. James consegue se desligar do seu apático Dawson e junto com ele, Ian Somerholder (que acabou ficando famoso por conta do Bonnie, de “Lost”) e Shanny Sossamom formam um ótimo trio protagonista.
Vale lembrar (por conta de uma tara estranhamente pedófila que tive nos anos 80), a participação pequena de Fred Savage na história. Ele ficou famoso por conta da ótima série “Anos Incríveis” e eu cansei de assisti-lo na sessão da tarde trocando de corpo com o pai. Ele tá um gato (e ao menos minhas fantasias deixam de ser pedófilas) e faz uma cena muito boa com Van Der Bekk.
Enfim, o filme já vale pela chance de ver como os jovens podem ser tão ridiculamente pretensiosos em seu patamar de vida incólume.
 
 
 
JOGOS MORTAIS II
 
Há alguns posts atrás eu fiz uma animada crítica ao primeiro filme e o que posso dizer agora é que essa seqüência não me anima além, mas também não atrapalha.
Duas boas idéias: A volta de Amanda e a ligação entre o cenário do primeiro filme com o da seqüência. Saber o que aconteceu ao Dr. Lawrence e seu companheiro é de esfriar a espinha.
Duas péssimas idéias: O papel de Amanda na história e a revelação das reais motivações de Jigsaw. Eu adorava aquela incógnita na qual o espectador, junto com os personagens, viviam a respeito do organizador dos tais jogos.
O filme é um bom divertimento. As mortes são de uma crueldade simplesmente sufocante e em dado momento você se pergunta quem em nome de Deus teria pensado em coisas tão assustadoras.
No entanto, poderia ter sido melhor. Mais sóbrio. E menos hollywoodiano.
Dobrado Por Henrique Haddefinir às 15:27
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