Domingo, 18 de Dezembro de 2005

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Esqueci de me perguntar....até onde o Wellington pretende chegar com essa assepsia afetiva?
Dobrado Por Henrique Haddefinir às 17:35
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Sábado, 17 de Dezembro de 2005

Versículos Ateus (Post Para o Wellington)


Ontem caminharam pelos arvoredos discrepantes entre o caminho da boate e a rodoviária.
Estiveram se falando por todos esses dias. Contrariando toda a turbulência que causou o afastamento agressivo que tiveram logo após o início de suas intimidades... Mesmo assim, estiveram se falando.
Estiveram se falando como amigos. E ele acha que foi isso que os salvou.
Estiveram se falando como amigos... mas foram pra cama mais uma vez. E em algum ponto das permissões do Wellington, o desejo está quase sempre ligado a casualidade. Foram pra cama mais uma vez...E foi o não compromisso com ela que os levou até lá.
E ir pra cama foi um passo torto que a razão não queria dar. Ele tem que parar de querer ser uma lembrança bonita na cabeça de pessoas que não se alimentam de lembranças.
O wellington é quem ele sempre quis quando o "sempre quis" é o de agora.
E pra ele sempre valeu tudo pelas migalhas da atenção de alguém.
Ele quer envergonhar-se disso.
Mas devotar-se é uma virtude ausente na humanidade e da qual se orgulha.
Estiveram caminhando juntos e isso quase seria lúdico, se não fosse físico.
Ele ainda acha que está apaixonado pelo Guri (como gosta de chamá-lo). Mas também acha que seus ardores começaram a refrescar...

"Apócrifos De Uma Paixão Não Correspondida"
E disse o sábio anônimo que verdadeiros são os amores nunca resolvidos. Jamais vividos.
Os apaixonados falam. Falam ao mundo como se ao mesmo tempo em que seu sofrimento transforma todo o resto da nação em um povo mais feliz, eles também compartilhasem de uma compreensão mútua de todo um bloco tão mal amado quanto eles.
E ouvem canções de amor.
E choram por elas no travesseiro.
E relêem o "efeito urano" da Fernanda Young, como se os devaneios daquela lésbica de ocasião fossem de repente messiânicos.
"Minha boca vermelha não pode, então, comê-lo para guardá-lo em mistura a mim, num sonho louco de ser você"
E ajem como se o passado do outro fosse uma afronta à paixão presente.
Ele não podia ter sido feliz se mim...
Aquela história implícita nos olhos dele naquela foto de carnaval não pode ter sido uma história ausente da minha presença.
E suspiram pelos cantos.
E choram como crianças, encolhidas num canto do banheiro.
Se ele não pode ser meu, eu preciso agredí-lo. Provar que nada pode ser tão bom pra ele, se eu não estiver junto.
Preciso que ele diga o tempo todo que ele não me quer. Pra que eu não ache que ainda tenho chances de tê-lo.
E então o sábio disse no alto da montanha: "Pobres dos que não são capazes de amar, jamais reconhecerão a dádiva de ser amado".
E é uma sensação de morte a todo instante, sabendo desde já, que a morte não virá.
E tudo te lembra.
E eu te respiro o tempo todo.
E a saudade é de corpo inteiro.
E ninguém tem a audácia de ser mais importante que você agora.
Isso precisa te tocar!!! Tem que te tocar!!!! Não é possível que toda a volúpia dos sentimentos apaixonados e toda a avalanche de adoração não encostem nas bordas receosas do seu coração.
E vestem o clichê sem medo.
E traduzem letras de músicas.
Tem a coragem dos guerreiros.
Mas são covardes como crianças.
Jamais se quis alguém como se quis você.
E os instintos se confundem entre o certo e o errado.
E sonham.
E sonham acordados.
Mas dormem em plena luz do dia.
Esperam em Deus a recompensa do sofrer.
Sentem na carne.
Há um terrível medo de vir a amar.
Caminham ridículos, ouvindo canções imaginárias que servem de adorno lírico pra suas lágrimas. Aquela imagem dele indo na direção oposta à sua é dolorida como um músculo contraído.
As distâncias curtas nunca foram tão longas e as longas, nunca foram tão curtas.
São mil incoerências, que pela sua origem, tornam-se coerentes.
E sempre têm razão.
E a razão nunca lhes convém.
É dor... tanta dor.
E filetes tão puros de felicidade.
Só há uma forma tão genuína e bruta de emoção: a divina.
Sufoca.
Transgride.
Percorre o corpo como uma coceira alérgica.
E jamais seria tanto se você me quisesse.
E o teu não querer me alimenta.
Tudo que eles queriam era expurgar-se de sí mesmos. Ser felizes sendo individualmente suficientes.
E eles entregariam o mundo se lhes pedissem.
Eu te entregaria.
E dói sendo doce.

"Eu já queria cavucar meu interior, físico ou psíquico, minha alma, meus karmas, meus ectoplasmas, para que ele, aqui dentro, coubesse todo".

O "ele" da minha cabeça: - Cê tá puto?
Eu: - Não.
- Parece
- Impressão sua.
- Você me diz pra dizer as coisas... eu acabo dizendo.
- Eu gosto.
- Acho que não gosta não.
- Não somos amigos?
- Eu não costumo transar com meus amigos não...
- Era você mesmo que vinha com esse papo de "conhecidos transantes".
- Você queria muito mais que sexo, te avisei que não podia te dar mais que isso.
- Vamos fazer uma coisa?
- Já fizemos no último sábado.
- Era domingo.
- Não, era sábado.
- Madrugada de domingo.
- Pra mim só vira o dia depois que amanhece.
- Mas amanheceu!
- Depois que eu durmo e amanhece!!
- Tá bom, quê coisa?
- Que coisa o quê?
- Que coisa nós íamos fazer?
- Um panorama.
- Do quê?
- Da paixão...
- Hum...
- O quê?
- Odeio pieguice.
- Pra você tudo é piegas!
- Tudo não. Isso é.
- Gentileza pra você é piegas.
- Você não tá sendo gentil. Você tá sendo meloso! Você sempre é meloso, Henrique.
- Você é a única criatura do mundo que vive sem elogios.
- Sem os SEUS elogios!!
- Porquê comigo a sua sinceridade é sempre tão impiedosa?
- Nenhum problema com você, mas com seus elogios.
- Elogio é elogio.
- Os seus não! Os seus são...
- São quê?
- São...
- Apaixonados?
- Vamos mudar o rumo?
- Nâo senhor!! Estamos na minha inconsciência. Não vamos mudar o rumo.
- Eu saio do seu insconciente!
- Faz favor!!
- Se eu pudesse... Só não saio porque não sou eu mesmo que tá aqui. É só á idéia que você tem de mim.
- Se eu pudesse me livrar de qualquer "você" que tivesse aqui dentro, já seria ótimo!
- Também acho.
- Será que nem na minha cabeça você não pode parar de me maltratar?
- Eu não maltrato você!
- Maltrata!
- Não corresponder ao que você sente não é culpa minha.
- Sentir o que eu sinto também não.
- Estamos quites! Agora você podia dormir e nos deixar em paz...
- Mas você tem culpa!
- Do quê?
- Do que eu sinto.
- Eu lá tenho culpa de fazer parte desse ideal tacanha que você construiu desde a sua primeira rejeição?
- Como é que você sabe disso?
- Tô no seu inconsciente esqueceu? Tenho acesso a essa informação.
- Pois pode parar de me invadir. Você não tem o direito.
- Você é que não pode me culpar por essa loucura.
- Eu tô apaixonado por você!!
- Não era disso que estávamos falando.
- Era sim!!
- Estávamos falando de loucura...
- Então!
- Você não pode me aprisionar aqui desse jeito.
- A idéia que eu tenho de você é a única coisa que me resta.
- E é por isso que tudo aconteceu. Você precisa parar de se apaixonar por idéias.
- Você não tá aqui pra me analisar.
- Me esquece, muleke!
- Eu adoraria, Guri.
- Eu sou um cretino que fugiu de você depois de te fazer acreditar que havia um sentimento entre nós.
- Por isso que a culpa é sua!
- Em parte, eu concordo.
- Em parte?
- Sempre te avisei da minha inconstância. Eu sempre podia sumir a qualquer momento.
- Muito difícil levar isso em consideração quando a frase anterior foi: "acordar ao seu lado foi a melhor coisa que já me aconteceu".
- Não registre só o que você quer! Registre tudo!!
- Quem é que racionaliza tanto assim?
- Eu.
- Você não é normal.
- Você me fez assim.
- Guri, você me ligava às quatro da manhã pra me dizer que pensava em mim enquanto perambulava pela noite.
- Não posso argumentar contra isso...
- Eu sinto falta desse tempo...
- Não posso argumentar contra isso...
- Não pode porque sabe que está errado!!
- Não posso porque o "eu" da sua cabeça não tem o direito de agir sem pensar!!
- Responsável por aquilo que cativas, lembra?
- E daí? E se eu disse mesmo? E se mudei de idéia depois? Você não pode me cobrar o que eu disse no calor do momento. Não pode construir todas as suas reações baseadas em algumas palavras.
- Pra quem ouve não são simples palavras.
- Livre-se delas! Não pode deixar que palavras te conduzam dessa maneira.

"... como o valor de se viver grandes amores, apesar de, em se vivendo, ficarmos condenados, também, a grandes desilusões. Seja ela prevista em bolas de cristal, bulas de remédios ou pragas de mãe, a desilusão do amor não é nada comparada à desilusão consigo mesmo, causada pela péssima auto-estima que as pessoas de bom senso costumam ter..."

- Preciso ser especial pra você. Você me deve isso!!
- Quem garante que você não seja?
- Você não está comigo.
- Talvez eu não esteja porque você seja.
- Pode engolir esse papo de "você é bom demais pra mim".
- Você não é!
- Cretino!!! Cretino mesmo!! Me faça um elogio agora ou eu não te liberto nunca mais daqui!!
- Pior pra você!
- Me faça, agora!!

"E para esse tipo de desilusão só existe um antídoto, uma paixão. Pois o outro olha você e vê tudo aquilo de lindo que espelho algum jamais mostrou. Só o apaixonado por você tem a sagacidade de notar em você o que ninguém notou, fazendo enfim o elogio que nenhum professor de lhe fez, a gracinha que nenhum canalha lhe fez"

- Somos duas pessoas que se encontraram. Mas que tem suas próprias referências, seus próprios passados...
- Eu quero um elogio!
- ...e apesar de ter sido legal entre nós, ninguém pode saber dos meus anseios melhor do que eu...
- Por favor, faça!
- ...eu tenho tantos tormentos quanto você! A minha vida é um submundo torcido. Eu não sei acreditar em amor e paixão. Pra mim tudo é oco. Eu transformei os meus desejos reais em luxúria e só vejo pureza nos relacionamentos que tive sendo aquele cara que eu criei pros outros. Eu sou um covarde. Mascaro de segurança o medo gritante de que descubram o homem que eu realmente sou.
- Estar com homens não te faz menos homem.
- Vamos descambar pro papo militante?
- Engraçado como pra você a sinceridade é sindicalismo.
- Não jogue na minha cara a sua coragem de acreditar e se entregar.
- Porquê não consigo parar de me perguntar as razões. O porquê de não estarmos juntos.
- Porque entre você e eu existem complexos demais pra superar.
- Não estaríamos superando vários deles, ficando juntos?
- Vamos invadir a consciência de Freud e perguntar.
- Ninguém na sua vida vai te querer mais do que eu.
- Até que você aprenda coisas com a minha rejeição e reprojete as coisas que não aprendeu ainda em outras pessoas.
- Não vou me apaixonar assim por mais ninguém. Não posso!!
- Nâo pode garantir.
- Eu não aguento mais pensar em você todos os dias e todas as horas. Eu estou me consumindo. A angústia é fatal, quase. Eu estou pensando em quimioterapia pra me livrar desse câncer. E olha que eu sempre achei uma heresia tratar a paixão como organismo corrisivo, mas na maioria do tempo, tudo isso só me faz sentir mal.
- E o Diogo? O Guilherme? E o Marcos, meses antes de mim? Com todos eles também não era assim?
- Não seja simplório a ponto de achar que todas as paixões são iguais. Você nunca se apaixonou!!
- Exatamente!! Nunca!! Então pare de tentar me desvendar. No dia que eu me apaixonar, tudo isso terá sido irrelevante.
- Você nunca se apaixonou...
- Nunca!!
- E estou incluído nisso...
- Está!!

"... Portanto, quem é que não ama, não se apaixona, não odeia? Os covardes? Com certeza. Os covardes, entretanto, sábios. Naquele conceito de sabedoria que mata você de velho. E morrer de velho, convenhamos, é a coisa mais humilhante do mundo..."

- O que eu preciso ter pra ser quem vc procura?
- O que eu preciso ignorar pra te aceitar como você é?
- If I could be are you wanted...
- ...one day I'm gonna grow wings a chemical reaction histerical and useless, histerical and let down in hang around...
- Equação sem resolução exata, né?
- Me desculpe...
- Não se desculpe por me rejeitar. Eu me sinto bem pior.
- Minhas desculpas não são pela rejeição, mas por não ser o homem que preciso pra começar a chegar perto do que você é capaz de sentir.
- Não tente se redimir.
- Eu gosto de você.
- Eu não acredito nisso.
- Mas não vou me apaixonar.
- Eu acredito nisso!
- Me sinto cada vez mais tentado a não me apaixonar cada vez que se apaixonam por mim.
- Não é à toa que no reveillón as pessoas usam o rosa para o amor e o vermelho para paixão. Eu só queria encontrar uma mão que me estenda o diluente.
- Não será a minha.
- Eu sei, você só usa tons pastéis.
- O "eu" da sua cabeça agora vai ser simplesmente pragmático?
- Já que eu não posso te expurgar, tenho que começar reconfigurando.
- Será que seremos amigos?
- Será que ainda vamos nos ver?
- Você sempre se antecipando aos fatos.
- Nossa equação inexata inclui mundos também opostos.
- Teu cérebro ainda vai derreter.
- Assim como seu fígado.
- Existem transplantes.
- E muitas outras garrafas de vodca.
- Não se preocupe comigo.
- Me preocupo comigo, sem você.
- Aceite que nem todo mundo tem que ficar na sua vida.
- Aceite os meus sentimentos!
- Não caem bem em mim.
- Guarde-os.
- Já tenhos gavetas cheias!
- Jogue-os fora! Nenhum deles vai te aquecer comos os meus.
- Você não é o único que se apaixona.
- Mas sou o único que ainda espera por você.
- Você é burro, teimoso!
- Me orgulho de mim quando olho pra você.
- Me irrito com você quando olho pra mim.
- Fica comigo.
- Nada te convence a gostar primeiro de sí mesmo, não é?
- Não quando o que eu sou se perdeu em você.
- Burro, e ainda meloso.
- Tenho medo de gostar demais de mim e começar a achar que não preciso de ninguém.
- Acha que esse é o meu caso?
- Você é a pessoa que conheço que menos gosta de sí mesmo. Nunca vi ninguém ferir tanto a própria natureza.
- Você não me conhece.
- Você não deixa.
- Então me esqueça.
- Então reconheça que eu sou o moreno das linhas da tua vida.
- Jamais seremos amantes.
- Eu sei.
- Nem mil frases messiânicas vão mudar isso.
- Me beija.
- Estou na sua cabeça, esqueceu?
- Então aproveita os circuitos nervosos e vibre-os.
- Durma. Eu prometo tentar deixar você em paz enquanto dorme.
- O problema é que eu sonho...
- Você nunca precisou dormir pra sonhar.
- Vamos nos ver amanhã?
- Seria melhor que não.
- Eu sei.
- Você sabe tanta coisa e no entanto, ignora.


- Boa Noite, guri...

- Boa Noite, muleke.

Estiveram juntos num inusitado encontro entre amigos e amantes. E isso seria cinematográfico se não fosse a diferença de uma das partes.
Ele teve que aceitar que nada haveria senão amizade. Dessas frívolas e equivocadas que permeiam a vida do Wellington. Ser amigo dele e cavar o desejo dele.
Ele pensa se isso vale a pena. Ser amigo, vê-lo com outros homens, vê-lo... Ele pensa onde vai levá-lo essa mania de querer conservar todas as presenças ao seu redor.
Todo mundo vale a pena?
O Guri vale a pena?
Ele pensa que sim.
Ele pensa que o sorriso dele, o cheiro dele, o beijo dele, a atenção dele, os cabelos encaracolados dele, as pingadas palavras de elogio dele... ele pensa que tudo nele é válido. Não importa a dose. Nâo importa a frequência.
E ele se acha pobre por isso. E ao mesmo tempo rico.
Estiveram mais uma noite juntos. Outra que pode ser a última, entre tantas outras que quase foram. O Wellington é sem dúvida, seu maior devaneio. E ele nunca vai entender a procedência dessa insanidade.
Ele pede ajuda pra esquecê-lo.
Cansou de pedir ajuda pra tê-lo.
Vai esperar passar. Acha que vai passar. Vai continuar fingindo que é só amigo dele. Vai continuar fingindo que as intimidades físicas que se perderem pelo caminho não vão fazer falta.
Ontem estiveram juntos...
Tudo que ele mais queria estava ali. E isso ele não podia dizer.
Cansou de ser melódico.
Cansou de chorar nas areias da orla.
Cansou de estar apaixonado. E acha que isso é que torna tudo mais fácil de enfrentar.
Acha que Deus lhe deve muito por tê-lo feito enganar-se novamente.
Mas decidiu que suas buscas vão cessar.
Pretende levantar desse buraco. E apagar o nome Wellington de seus posts apaixonados. Às vezes tem orgulho de seus sentimentos. Mas na maioria das vezes acha ridículo que esses sentimentos sejam armamento pra indeferença dele.
Acha que pode vir a amá-lo. E isso o apavora.
Vai seguir receitas amargas dadas pelo tempo.
E torcer pro minguar de seu coração.
Estiveram juntos entre os arvoredos e ele acha que o Wellington ainda é a maior razão de seus dias claros e suas noites frias.
Se um dia alguém pudesse gostar dele como ele gosta do Guri...
Se um dia alguém pudesse gostar dele...









Dobrado Por Henrique Haddefinir às 18:01
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Quarta-feira, 7 de Dezembro de 2005

Terceira Consciência [adendo primeiro]

Eu devia estar escrevendo um post sobre a minha formatura na escola de Teatro. As últimas semanas na escola foram muito engrandecedoras e eu preciso fazer um registro disso. No entanto, ao mesmo tempo em que é necessária uma atenção especial a tudo que tem acontecido no palco das minhas possibilidades artísticas, eu também não posso deixar de registrar mais uma tangente dessa minha escala pessoal pela trilha do auto-conhecimento.
Parece até meio cabalístico, né? Ando falando tanto em auto-conhecimento que já comecei a parecer um deslocado e cego leitor de Paulo Coelho e seus ensinamentos baratos de conversa de aula de Ioga. Tá, tá bom, eu sei que é profundamente deselegante falar assim do cara. Mas eu já li alguns livros dele e tenho referência pra tanto. Até gostei do Onze Minutos e do Brida, mas chega uma hora que aquele papo de "siga sua luz interior" enche. Tudo bem que ele ganhou o lugar lá na cadeira dos imortais (mais por sucesso financeiro do que literário) e mesmo achando que esse troço de Academia de Letras e imortais é por demais pernóstico e presunçoso, tenho que admitir que o cara é razoável. Mas não quero falar de Paulo Coelho... a digressão ainda é um hábito que eu tenho que perder.
Eu falava de auto-conhecimento... Pois bem, isso tudo é fruto das minhas experiências sexuais pervertidas. Que aliás, suponho eu, ocupam na minha vida um lugar cada vez mais oracular. Enlouqueci? É possível. Na falta de análises sentimentais, acho natural que o sexo ainda seja a mola mestra das minhas divagações. Eu poderia sem esforço, lançar um livro que teria como título "Meu pinto e suas aventuras casuais" e ele faria grande sucesso nessa nova onda de literatura pseudo-biográfica liderada pela Fernanda Young (que adoro, aliás). Meu pinto tem sido a minha única fonte de material circunstancial ultimamente.
E o que eu quero dizer com oracular? É bem verdade que nem sei se eu posso alterar a semântica dessa palavra dessa maneira. Mas eu me refiro a oráculos! Aquele povinho que está na terra pra ajudar alguns distraídos a perceber os ensinamentos que estão aí o tempo todo pra gente ver. Eu? Um oráculo? Seria o degrau mais alto da pretensão. Um oráculo pervertido talvez soasse menos egocêntrico e mais Nelson Rodriguiano. Meu pinto como bússola pro caminho da verdade! Eu gosto disso. Me soa bacana.
Ontem eu encontrei um cara na praia e depois de uma conversa longa eu resolvi perguntar:
-Essa aliança que você usa tem um par?
O cara começou a rir. Até aí, eu já estava conformado em esbarrar o tempo todo com homens comprometidos.
-Tem.
-E esse par é ele ou ela?
-Ela.
-E vem com um kit? Filhos... essas coisas?
Mais um pai de família escondendo seus tesões da sociedade. O cara queria fugir por todas as tangentes possíveis, mas no fim das contas, não resistiu e terminamos aos beijos num quiosque da orla. O cara tremia. E terminados os primeiros atos premilinares, ele veio com um sorriso sacana e tímido ao mesmo tempo:
-Você me surpreendeu.
Disse que eu tinha feio nele uma coisa que ele nunca tinha deixado ninguém fazer. Eu fiz em um segundo, uma restrospectiva atenta dos últimos dez minutos e devido a uma resistência inicial, concluí que ele se referia às linguadinhas que dei no ânus dele. Seus olhinhos brilhavam enquanto ele, meio constrangido, falava sobre o prazer inusitado que aquilo lhe causara. Aí veio o insight: Mais um que através da ponta da minha língua, descobre o mundo novo do prazer anal.
Até aí, nada demais. Milhões de pessoas descobrem determinadas nuances de seu prazer através de outras pessoas. E minha língua não tem nada de especial comparada às línguas de outros cidadãos lambentes. A questão é: porque eu tenho essa sensação sempre galopante de ser um espectador ativo das evoluções alheias?
Descobri que adoro uma língua no cú! Grande descoberta!!!!! Nâo vou ganhar nenhum nobel por isso. Mas que a recorrência é intrigante, ah isso é! Quando não apareço na vida dos caras pra eles perceberem coisas sobre a própria liberdade ou sentimento, apareço pra fazê-los descobrir os prazeres dos preenchimentos retais! E em nenhum dos dois casos eu colho os resultados dessas descobertas. Eu sou a apostila. O produto do saber quem absorve são os outros adiante.
O Luís Antônio, o Alcides, o Wagner, o Valter e tantos outros (casados), descobriram o orgasmo anal só com a língua. O Diogo, o Guilherme, o Marcos, o Gustavo, o Wellington e tantos outros (também casados ou não), descobriram e foram mais além. E nenhum deles ficou. Como todo bom oráculo, eu cedo a informação elucidante e me recolho novamente à minha condição eremita.
Isso deveria me ser bom. É, até certo ponto. Poucas são as coisas das quais me sinto à vontade pra me orgulhar e o sexo está entre elas. E gostar muito de fazer ajuda a fazê-lo bem. Nâo há um segredo inominável. E eu sempre tive a péssima mania de fazer os homens com quem estou, sentirem-se os únicos homens do mundo. Os mais gostosos! Esse também pode ser um apontamento desse sucesso sexual que cármicamente, parece ser o único sucesso alcançado pela vida minha vida pessoal.
Por enquanto, e não perco as esperanças, o meu pênis ainda é o maior (!) instrumento de coesão que eu tenho pra justificar as psicologias da minha existência. E por mais estranho que isso possa parecer, é verdade. De alguma maneira, meu coração ainda não consegue a mesma autenticidade e carisma alcançado pelo meu inquisidor órgão genital.
Eu sou capaz de lutar contra isso. Acho.
Mas aí entramos numa outra discussão transcedental: não será esse o meu lugar no mundo? Não será essa a minha missão? Será que não estou fechando os olhos pro verdadeiro altruísmo que me aproximará de Deus? Não será isso? Fazer os homens gostarem de uma língua no cú?
Podemos voltar a falar de filantropia perversa.
Dobrado Por Henrique Haddefinir às 05:54
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Sexta-feira, 2 de Dezembro de 2005

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