Domingo, 7 de Novembro de 2010

O Clandestino que a gente conhece

 

          Aí está, tirada do You Tube, a primeira parte do episódio de estréia da série Clandestinos.

 

          A razão pela qual eu estou falando da estréia da série é um pouco mais pessoal do que simplesmente avaliar o programa. É claro, que em se tratando de um projeto do João Falcão, todo mundo podia esperar um trabalho muito correto, poético e lírico, e foi isso que vimos na quinta-feira a noite. A série casa muito bem a comédia e o drama e tem atores fortes e competentes, que estão muito à vontade com seus personagens e que tentam trabalhar sobriamente a ambiguidade deles, que têm os mesmos nomes de seus intérpretes e que esbarram nas mesmas histórias.

Além disso, a série, para mim e para muitos atores envolvidos com teatro em Cabo Frio, São Pedro da Aldeia e Rio das Ostras, entre os anos de 2003 e 2005, a série tem um pouquinho mais a dizer.

 

          Nesse trecho acima, conhecemos o diretor Fábio, vivido pelo jovem Fábio Enriquez, que antes de estampar seu rosto na tela da Globo, estava aqui, junto conosco, espalhando teatro pelo eixo cultural da Região dos Lagos, no Estado do Rio de Janeiro. Eu não o conheço tão bem quanto conheciam seus amigos e colegas de São Pedro da Aldeia (onde ele morava) e em Cabo Frio (principal pólo cultural da Região). Nós, que circulamos constantemente por essas cidades, nos esbarramos o tempo todo, contracenamos o tempo todos uns com os outros, e no fim das contas, todo mundo conhece todo mundo. Só vim a ter contato direto com ele quando ele ingressou na mesma escola de Teatro que eu cursava, aqui em Rio das Ostras. Fizemos exercícios juntos, quase fizemos uma peça juntos e no meio disso tudo, esteve a essência maior do que nos permeia e do que ele representa estando em rede nacional: a de vencer na profissão.

 

          É fácil entender o mecanismo.

          Para os atores que estão nas cidades interioranas desse país, só existem dois caminhos. O primeiro é o de ficar. E não pensem que se por definição ficar não é seguir, não exista mérito nessa decisão. Se todos fossem, não haveria nenhuma gota de exercício artístico nesses lugares. Não haveria ninguém para prepará-los para ter o direito de escolher entre ir e não ir. E alguns ficam. Terminam seus cursos, escolas, e formam companhias e grupos. Dão aulas e criam projetos. E ficam. O segundo é o de não ficar. Seguir da borda para o núcleo, onde outras centenas te esperam para começar a competição. E no Rio nada é fácil. Tem os que começam pela univerdade e os que dela deslizam para outros movimentos. Entre isso, muitos testes. Mas muitos, muitos testes. E o motivo pelo qual muitos seguem, é que o sucesso garante o pão de cada dia sem que você precise trabalhar como vendedor, garçom, atendente ou motorista. E leia-se sucesso como televisão. Porque embora a maioria dos artistas preze pelo bom discurso esquerdista de renegar a Globo, é lá que todos querem chegar. Porque ganhar bem pra continuar atuando é o sonho de todos nós. E a menos que você tenha a sorte de entrar numa companhia patrocinada, o teatro não vai te sustentar. Há aqueles que entendem que a televisão não é o veneno da sua arte, mas o subsídio pra ela. E os que conseguem chegar até lá são os abençoados da nossa história.

 

          Na quinta-feira a noite só se falava de uma coisa por aqui. A estréia do Fábio na TV. Lá, naquele mundo surreal dos corredores do Projac, sobre o qual falamos tanto. A nossa Hollywood ácida. Um de nós que chegou lá. Enquanto tantas dezenas ainda continuam aqui.

 

         Que a série seja a inspiração pra quem deseja ir. Que ela também seja um orgulho pra quem decidiu ficar. Sorte para o Fábio e para aqueles que como ele querem poder ser pagos pra fantasiar. Temos que nos lembrar que o que aconteceu com ele deixa uma mensagem que não podemos ignorar:

 

          As vezes o sonho de alguém... se realiza.

 

Dobrado Por Henrique Haddefinir às 16:25
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